Império Bizantino

 

 

 

Império Bizantino

O Império Bizantino é também conhecido como o Império Romano do Oriente.

No fim do terceiro século d.C., o Império Romano foi dividido em duas regiões: leste e oeste. A região a oeste foi muito enfraquecida, vítima de ataques de tribos germânicas. A região ao leste, porém, prosperou. Com o passardo tempo, o centro do poder do Império mudou de Roma para a região oriental do Mediterrâneo. A nova civilização oriental foi denominada de Bizantina.

Quando o imperador Diocleciano dividiu o Império Romano, ele se mudou com sua corte para a Ásia Menor. Mesmo que um cogovernador continuava a governar a Itália, Roma não era mais o centro do Império. No ano 330 d.C. o imperador Constantino construiu uma nova capital para o Império. Chamada de Constantinopla, ela se localizava na antiga cidade grega de Bizâncio.

A nova capital era uma cidade-fortaleza, localizada para resistir aos ataques terrestres e marítimos. Os três lados litorâneos da península eram protegidos pelo mar e por uma muralha. Durante séculos, invasores tentaram, mas nunca conseguiram quebrar as barreiras de Constantinopla.

Constantinopla tornou-se o centro do novo Império Bizantino, que se desenvolveu a partir do Império Romano Oriental. A cultura bizantina era uma mescla de diversas influências: sua língua e tradições eram gregas, seu sistema legal era romano, e sua religião era a mesma praticada pelas antigas comunidades cristãs do antigo Mediterrâneo.

Os imperadores bizantinos consideravam-se sucessores dos imperadores romanos, e por isso reivindicaram todo o território que fazia parte do antigo Império Romano. Como não havia nenhuma lei de sucessão em Constantinopla, guerras pelo poder ocorriam com frequência, sendo que muitos imperadores foram violentamente assassinados.

Os imperadores bizantinos eram autocratas e afirmavam ter um mandato Divino para governar. Modificavam as leis sempre que lhes era conveniente, comandavam as forças armadas e supervisionavam todo o comércio. Ainda mantinham o direito de indicar o chefe da Igreja em Constantinopla e, portanto, podiam influenciar as decisões da Igreja.

O Reino de Justiniano


Justiniano e sua corte

O primeiro grande imperador bizantino foi Justiniano, que reinou por quase 40 anos, de 527 a 565 d.C. Seu maior legado foi no âmbito legal: com o declínio de Roma, o sistema judicial estava em perigo de extinção. Justiniano selecionou um grupo de mestres jurídicos para formar uma assembleia a fim de organizar as antigas leis do Império. O resultado foi um conjunto de leis que ficou conhecido como o Código Justiniano.

Justiniano frequentemente se aconselhava com sua esposa, Teodora. Ela não era uma aristocrata, mas uma ex-atriz e filha de um domador de ursos de um circo. Todavia, mostrava grande habilidade política e teve muita influência na escolha de oficiais e legisladores. Durante várias crises, sua inteligência deu a Justiniano a coragem de agir decisivamente. No ano 532, por exemplo, tumultos surgiram em Constantinopla. Enquanto alguns oficiais encorajaram Justiniano a fugir, sua esposa o aconselhou a enfrentar as multidões e a restabelecer a ordem.

Justiniano sonhava em reconquistar as terras romanas a oeste do Mediterrâneo, que as tribos germânicas haviam conquistado. No início de seu reinado, seu exército capturou o norte da África, Sicília e sul da Espanha dos Godos e Vândalos. Logo após, os bizantinos recuperaram toda a Itália e estabeleceram uma capital ocidental chamada Ravena. As vitórias bizantinas foram em grande parte resultado da excelente organização do exército que seguia a tradição romana. Os generais bizantinos entendiam e aplicavam estratégias militares e o exército possuía uma cavalaria poderosa. Os soldados da cavalaria usavam capacetes de metal e armadura e carregavam consigo um grande número de armas.

O Império Bizantino é sitiado

Apesar de Justiniano ter reconquistado a maior parte do território romano, o Império Bizantino pagou um preço bastante alto por suas vitórias militares. Suas guerras, em geral, eram longas e dispendiosas, e como resultado, o governo acabou se descuidando da defesa de suas terras no Oriente Médio e na Península Balcânica. (A Península Balcânica se localiza no sudeste da Europa, entre o Mar Negro e o Adriático).

No início dos anos 600, os Bálcãs foram invadidos pelo norte. A primeira invasão veio dos eslavos, povo da Europa Central. A segunda invasão foi dos ávaros, povo originário da Ásia Central. Tanto os ávaros como os eslavos sitiaram Constantinopla em 626, mas nenhum dos povos conseguiu ultrapassar as grandes muralhas da cidade. Pelo leste, os persas atacaram a Síria, o Egito e a Terra de Israel, que faziam parte do império.

Durante o século XVII, o Império Bizantino foi perdendo territórios. Lombardos germânicos conquistaram territórios bizantinos na Itália e por volta de 631 os visigodos haviam recapturado toda a Espanha. Os búlgaros da Ásia Central derrotaram as tribos eslavas nos Bálcãs, e se tornaram uma ameaça constante ao Império.

Mas a maior ameaça aos bizantinos veio dos árabes muçulmanos. Em 642 d.C., estes árabes haviam tomado o Egito, a Síria e o atual território israelense, dos bizantinos. Começando no ano 673, os árabes constantemente atacaram Constantinopla por terra e por mar. Nos anos 717-718, um ataque naval árabe à Constantinopla fracassou e esta derrota impediu temporariamente os avanços árabes pelo leste do Mediterrâneo.

Mas enquanto a Europa sobrevivia às ameaças islâmicas, sua união começou a deteriorar. Diferenças políticas, econômicas e religiosas começaram a dividir o Império Bizantino da Europa Ocidental. O grego era a língua falada nas igrejas bizantinas, enquanto o latim era a língua das igrejas na Europa Ocidental. Desavenças cresceram em relação aos dias sagrados, ao uso de imagens religiosas e ao direito do clero de se casar. Além disso, na Europa Ocidental, a Igreja e o Papa tinham grande poder político e religioso. Já no Império Bizantino, o clero se submetia ao imperador. Uma disputa voraz pelo controle da Igreja irrompeu entre Roma e Constantinopla. Os imperadores bizantinos alegaram que, por serem os sucessores dos imperadores romanos, tinham autoridade sobre toda a Igreja - não apenas no Império Bizantino, mas também na Itália. Eles simplesmente se recusavam a obedecer ao Papa.

A separação final entre leste e oeste ocorreu em 1054, quando a Igreja Cristã se dividiu: a Igreja Católica Romana foi estabelecida em Roma, e a Igreja Ortodoxa Oriental (formada por diversas igrejas cristãs orientais como pela Igreja Ortodoxa Grega e pela Igreja Ortodoxa Russa) foi sediada em Constantinopla.

Economicamente persistiam também diferenças extremas entre o mundo bizantino e a Europa Ocidental. No Ocidente, o comércio e o aprendizado decaíram desde a queda do Império Romano. O oposto ocorreu no Império Bizantino: Constantinopla tornou-se uma magnífica cidade com mais de meio milhão de pessoas, e um centro de prosperidade e cultura. A localização da cidade - entre a Ásia e a Europa - fez dela também um centro comercial e industrial.

O império dos bizantinos também contava com artesãos que contribuíam para a sua prosperidade. Após mercadores terem contrabandeado o bicho da seda da China, os bizantinos estabeleceram uma lucrativa indústria de produção de seda. Os impostos vindos de grandes empresas e do comércio proviam o dinheiro necessário para o Império Bizantino arcar com seus investimentos militares.

As Contribuições Bizantinas

O Império Bizantino preservou a cultura greco-romana. Durante um período em que o ensino havia decaído na Europa, os mestres bizantinos se aprofundaram nas artes e ciências das antigas Roma e Grécia. Apesar de terem feito poucas contribuições originais, preservaram e mantiveram os conhecimentos antigos que poderiam ter sido perdidos. Isto também influenciou o ensino no mundo muçulmano e ajudou a reativá-lo na Europa Ocidental.

Os bizantinos também ajudaram a proteger e a expandir o cristianismo. Missionários ortodoxos orientais introduziram a cultura cristã e bizantina em meio a muitos povos eslavos, no sul e leste da Europa. Para possibilitar a leitura da Bíblia aos eslavos, dois missionários bizantinos, Cirilo e Metódio, desenvolveram um alfabeto para escrever em língua eslava.

Os artistas bizantinos foram influenciados pela arte clássica greco-romana e a do Oriente Médio. Sua arte combinava cores vivas e desenhos elaborados, que frequentemente retratavam temas ou símbolos religiosos. Os artistas bizantinos tornaram-se conhecidos principalmente por sua habilidade em fazer mosaicos que eram usados para decorar as igrejas bizantinas.

A arquitetura bizantina também era extraordinária. Após um incêndio ter destruído grande parte de Constantinopla em 532 d.C., o imperador Justiniano iniciou um programa abrangente de construção de igrejas e mosteiros no Império. A nova catedral da cidade, construída durante cinco anos, foi chamada de Hagia Sofia - a "Igreja da Sagrada Sabedoria". Era a igreja mais magnífica do Mediterrâneo na época. Ao construí-la, os arquitetos bizantinos desenvolveram uma forma de usar uma cúpula sobre uma construção retangular. As novas igrejas ortodoxas orientais que foram construídas mais tarde, em geral possuíam a mesma cúpula e as paredes, pisos e tetos adornados por mosaicos. A arte e a arquitetura bizantina espalharam-se por todo o Império, particularmente nas áreas da Europa Oriental, onde missionários levavam os ensinamentos das Igrejas Ortodoxas Orientais.

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Sumário

- O Reino de Justiniano
- O Império Bizantino é sitiado
- As Contribuições Bizantinas
- A Queda do Império Bizantino
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