Introdução à Sociologia

Introdução à Sociologia

A palavra sociologia vem da fusão de dois termos: societas, termo em latim que significa sociedade, e logos, termo grego que significa estudo, ciência. Sociologia significa o estudo científico da sociedade, o estudo das formas de convivência humana. 

A Sociologia estuda as relações sociais e a forma de associação. É uma disciplina que considera as interações que ocorrem na vida em sociedade: envolve o estudo dos grupos e dos fatos sociais, das divisões em classes e camadas, da mobilidade social e da interação entre as pessoas e grupos que a constituem. Em síntese, a Sociologia é uma ciência que estuda a sociedade por meio da observação do comportamento humano.

A Sociologia é uma Ciência Social. É importante ressaltar que os métodos utilizados nas Ciências Sociais são diferentes dos métodos utilizados nas Ciências Naturais. Estas empregam vários métodos precisos – cálculos, previsibilidade, demonstrações. Já as Ciências Sociais empregam processos quantitativos e de observação.

O objetivo das Ciências Sociais é ampliar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais. A Sociologia revela a sociedade como ela é de fato, não como ela deveria ser. O propósito da Sociologia é o de contribuir para uma melhor compreensão a respeito da sociedade, o que permite que medidas sejam tomadas para melhorar a vida daqueles que dela fazem parte.

O estudo sistemático da sociedade humana se iniciou na Antiguidade. O grande filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), autor de Política, afirmou que “o homem nasce para viver em sociedade”.


Aristóteles

Na Idade Média, foram pensadores ligados à Igreja que refletiam sobre os assuntos pertinentes à sociedade humana. Durante o Renascimento, sugiram vários pensadores que abordaram fenômenos sociais: entre eles, Maquiavel (autor do famoso clássico político, O Príncipe), Erasmo de Roterdã (Elogio da Loucura), Thomas Morus (Utopia) e Francis Bacon (Nova Atlântida).

Uma obra particularmente importante ao desenvolvimento do estudo da Sociologia foi escrita por Giambattista Vico, no século XVIII. Na sua obra A Nova Ciência, Vico escreveu que a sociedade se suborna a leis definidas que podem ser descobertas pelo estudo e pela observação objetiva. Sua afirmação de que “O mundo social é, com toda certeza, obra do homem”, foi uma ideia revolucionária.

Anos mais tarde, o famoso filósofo Jean-Jaques Rousseau reconheceu que a sociedade exerce uma profunda influência sobre o indivíduo. Em sua célebre obra O Contrato Social, Rousseau afirmou que “O homem nasce puro, a sociedade é que o corrompe”.

Mas foi apenas a partir do século XIX, através de Augusto Comte, Herbert Spencer, Gabriel Tarde, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, que o estudo da sociedade se tornou verdadeiramente científico.   

Os pais da Sociologia

Augusto Comte (1798-1857) é tradicionalmente considerado o pai da Sociologia. Comte foi o criador do positivismo, no século XIX, que constituiu a base para o surgimento do cientificismo. O cientificismo acredita que a única forma que existe para se chegar ao conhecimento é por meio da ciência.

Comte lutava para que todos os ramos de estudos fossem abordados com a máxima objetividade. Este pensador francês defendia o ponto de vista de serem válidas apenas as análises das sociedades que eram feitas com espírito científico, ou seja, com objetividade e sem metas preconcebidas. Os estudos das relações humanas deveriam constituir uma nova ciência, a que se deu o nome de Sociologia. De fato, Comte foi o primeiro a usar a palavra sociologia, em 1839, em seu Curso de Filosofia Positiva. Segundo Comte, a Sociologia é a ciência suprema, estando acima de todas as filosofias e religiões. “Dela tudo parte e a ela tudo se reduz,” afirmou.

Mas foi a partir do trabalho de Émile Durkheim (1858-1917) que a Sociologia passou, de fato, a ser considerada uma ciência. Com seu rigor científico, Durkheim classificou a Sociologia como uma ciência com credibilidade, e assim ela se desenvolveu academicamente. Foi Durkheim quem formulou os primeiros conceitos da Sociologia. Ele demonstrou que os fatos sociais têm características próprias. Para Durkheim, a Sociologia é o estudo dos fatos sociais.

O que são os fatos sociais? De acordo com Durkheim, são o modo como um grupo social pensa, sente e age. Para Durkheim, os fatos sociais existem independentes da vontade de uma pessoa, antes mesmo de ela nascer, e são impostos pela sociedade.

Os fatos sociais são basicamente caracterizados por três características:

1. Generalidade: o fato social é comum a todos, ou a pelo menos à maioria, de um grupo de pessoas. Exemplos: a forma de habitação, de comunicação, de sentidos e moral.
2. Exterioridade: o fato social existe, não dependendo da vontade do indivíduo. São as leis, as regras sociais e os costumes que são impostos de maneira coercitiva.
3. Coercitividade: os indivíduos se sentem pressionados a adotar o comportamento estabelecido. As pessoas são obrigadas a viver conforme as regras da sociedade, independente de sua vontade ou escolha.

Os fatos sociais, de acordo com Durkheim, podem ser estudados de forma objetiva, como “coisas”. Da mesma maneira como a Biologia estuda a natureza, a Sociologia estuda os fatos sociais. Para a teoria sociológica de Durkheim, os fatos sociais têm existência própria, ou seja, independem das crenças e ações de indivíduos.

Sumário

- Os pais da Sociologia
- Objetivos da Sociologia
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