São Bernardo - Graciliano Ramos

São Bernardo  - Graciliano Ramos

GRACILIANO RAMOS

Resumo e análise da obra da segunda fase do Modernismo (1930 - 1945)

Contexto Histórico

  • 1929: "Crack" da Bolsa de Nova York. Entre outras consequências, a queda assustadora do preço do café.
  • 1930: Getúlio Vargas lidera uma revolução, no Rio Grande do Sul, contra o governo de Washington Luís. Paraíba e Minas Gerais aderem ao movimento. O presidente é deposto. Assume o poder uma junta militar, dissolve-se o Congresso Nacional.
  • 1931: Queima de estoques para garantir o preço do café.
  • 1932: Revolução Constitucionalista em São Paulo.
  • 1933: Realização de eleições para a Constituinte.
  • 1934: Promulgação da nova Constituição brasileira. Eleição de Getúlio para Presidente da República (pela Constituinte).
  • 1935: Agitações políticas e sociais, severamente reprimidas pelo governo.
  • 1936: Prisão de alguns membros do Partido Comunista, entre os quais Luís Carlos Prestes e Graciliano Ramos.
  • 1937: Implantação do Estado Novo.
  • 1938: Tentativa de golpe militar no Rio de Janeiro. Criação da UNE (União Nacional de Estudantes).
  • 1939: Início da Segunda Guerra. Aumenta no Brasil a censura aos meios de comunicação.
  • 1942: O Brasil declara guerra à Alemanha e à Itália.
  • 1943 e 44: Articulações pelo retorno à democracia.
  • 1945: Deposição de Getúlio Vargas pelas Forças Armadas.

Manifestações Artísticas

A queda do velho regime e a vitória dos liberais propicia um clima favorável às renovações artísticas e uma preocupação em pesquisar a realidade social e espiritual do país.

Incorporaram-se as novidades da primeira fase, poliram-se os excessos, alcançou-se um relativo equilíbrio para a poesia e abriram-se novos caminhos para a prosa.

Poesia

  • Amadurecimento da obra poética dos escritores da geração anterior, como Manuel Bandeira (Libertinagem), Mário de Andrade, entre outros.
  • Estreia de novos poetas - Drummond, Murilo Mendes, Vinícius de Morais - e ampliação de temas, paralelamente ao resgate de formas consagradas e pesquisa continuada.

Prosa

A prosa constitui o ponto alto da literatura desse período e envereda por três caminhos principais:

  • Urbana: desenvolve temas relativos à vida na cidade grande e os problemas dela decorrentes. Autores: Érico Veríssimo, José G. Vieira.
  • Intimista: mergulho no mundo interior do ser humano, para sondagem de angústias e conflitos de personalidade (com influência da psicanálise freudiana). Autores: Dionélio Machado, Lúcio Cardoso.
  • Regionalista: volta-se para a relação do homem com o meio que o rodeia, retomando, aprofundando e inovando pela linguagem um veio que se iniciara como Romantismo e tem-se mostrado fonte inesgotável dentro da literatura brasileira. Autores: José Américo de Almeida (A Bagaceira, 1928); Rachel de Queirós (O Quinze, 1930); Jorge Amado (País do Carnava l, 1931); José Lins do Rego (Menino de Engenho, 1932); e Graciliano Ramos, ponto alto dessa geração de romancistas nordestinos.

Vida e obra

Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo, Alagoas, a 27 de outubro de 1892. Viveu em Buíque (Pernambuco), Viçosa e Maceió (Alagoas).

  • 1910, a família vai morar em Palmeira dos Índios.
  • Viveu pouco tempo no Rio de Janeiro (revisor gráfico de jornais) e regressou a Palmeira dos Índios. Trabalhou no comércio, no jornalismo e começou a fazer política, elegendo-se prefeito da cidade, em 1927.
  • 1930 mudou-se para Maceió, onde dirigiu a Imprensa e a Instrução do Estado. Nessa época conheceu José Lins, Rachel de Queirós e Jorge Amado.
  • 1933 publica Caetés, seu primeiro romance. Começa a sondagem do mundo interior das personagens, sem desprezar o contexto sociopolítico em que vivem. Em 1934 publica São Bernardo, e Angústia em 1936. Ainda nesse ano (1936) é preso, acusado de comunista, e percorre vários presídios do estado, sofrendo humilhações e privações que lhe abalam a saúde. Em Memórias do Cárcere, retrata essa fase dolorosa de sua vida, mas este livro ultrapassa os limites do pessoal para se tornar, por um lado, séria denúncia da realidade brasileira sob a opressão do Estado Novo; e de outro, reflexão universal sobre a opressão dos mais fortes sobre os mais fracos.
  • 1938 publica Vidas Secas, seu único romance em terceira pessoa.
  • 1945, com a volta da democracia, Graciliano filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (até 1947, com a volta do Partido à ilegalidade).
  • 1951 é eleito presidente da Associação Brasileira de Escritores. No ano seguinte, visitou a Rússia e alguns países socialistas (livro Viagem).
  • Falece no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1953.

Graciliano Ramos é hoje considerado nosso melhor romancista moderno, graças à qualidade e variedade de sua obra. Além dos romances citados, escreveu contos (Histórias incompletas, Insônia, Alexandre e outros heróis), crônicas (Linhas Tortas, Viventes das Alagoas) e impressões de viagens (Viagem).

Consideram-no o autor que levou ao limite máximo o clima de tensão decorrente das inter-relações HOMEM - MEIO NATURAL e MEIO SOCIAL. Nesse contexto violento, a opressão é uma constante, a morte uma decorrência inevitável (suicídios em Caetés e São Bernardo; assassinatos em São Bernardo e Angústia; mortes de animais em Vidas Secas), e o embrutecimento do homem uma condição "sine qua non" para permanecer vivo (em Vidas Secas, Fabiano sente-se "bicho", em São Bernardo, Paulo Honório acusa-se de "aleijado", moral e psicologicamente).

Seus temas relacionam-se às consequências da seca sobre o homem e o sertão, aos dramas enfrentados pelos retirantes, às condições sub-humanas de vida nas caatingas, à formação dos latifúndios e ascensão dos "coronéis" do interior, às dificuldades de adaptação à vida nas cidades. Como Guimarães Rosa, que, a partir do sertão dos Campos Gerais, conseguiu transcender o regional e atingir a universalização do caráter humano, também Graciliano Ramos sobressai pelas suas qualidades universalizantes.

Do ponto de vista formal, talvez seja ele o escritor brasileiro de linguagem mais sintética: seu estilo é enxuto, rigoroso e conscientemente trabalhado, no que se mostra o legítimo continuador de Machado de Assis, na trajetória do romance brasileiro.

O crítico Antônio Cândido divide a obra de Graciliano Ramos em três categorias:

1. romance narrado em primeira pessoa (Caetés, São Bernardo e Angústia), nos quais se evidencia a pesquisa progressiva da alma humana, ao lado do retrato e da análise social;
2. romance narrado em terceira pessoa (Vidas Secas), no qual se enfocam os modos de ser e as condições da existência, segundo uma visão distanciada da realidade;
3. autobiografias (Infância e Memórias do Cárcere), em que o autor se coloca como problema e como caso humano; nelas transparece uma irresistível necessidade de depor.

Este livro constitui-se no romance "obra-prima" do autor. Narra a gênese, a ascensão e a queda de um latifúndio em uma cidadezinha no interior do nordeste, paralelamente às de seu proprietário, Paulo Honório.

O narrador personagem desnuda-se diante do leitor, à proporção que recupera, pela memória, seu passado - desde a infância de menino enjeitado até chegar a condição de um quase "senhor feudal" das terras de São Bernardo. Nesse processo, percebe-se sua perda progressiva de valores éticos e morais e assiste-se a um embrutecimento de sua personalidade, que culminarão por levar sua esposa ao suicídio e à sua própria degradação, assim como à ruína da fazenda.

O presente estudo tomou como base a 12ª edição de São Bernardo, pela Livraria Martins Editora, com prefácio de Antônio Cândido, capa de Tide Hellmeister e ilustrações de Darel.

Enredo de São Bernardo

Capítulo 1

O narrador-personagem apresenta seu projeto de construção de um livro de memórias através do concurso de vários colaboradores, cada um dentro da sua especialidade: Padre Silvestre (moral e citações latinas); João Nogueira (pontuação, ortografia e sintaxe); Arquimedes (composição tipográfica); Lúcio G. A. Gondim (composição literária). "Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa". Quinze dias depois o projeto fracassa: a linguagem dos escritores desagrada Paulo Honório - "Há lá ninguém que fale dessa forma!" O narrador deseja seu livro em registro coloquial, de linguagem falada, não "pernóstica, não safada, não em língua de Camões".

Capítulo 2

Resolve escrever ele mesmo a própria história, ao ouvir um "novo pio de coruja". Melhor assim: usando pseudônimo, poderá ser mais autêntico e contar "fatos que não revelaria, cara a cara, a ninguém". Em tom de conversa, propõe-se à difícil tarefa, pois não está "acostumado a pensar": não teve tempo de estudar, pois seu único objetivo na vida fora apossar-se "das terras de São Bernardo, construir esta casa, plantar algodão, mamona..." Pede aos leitores que o traduzam em linguagem literária, caso queiram: "É tarde para mudar de profissão".

Capítulo 3

"Começo declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e completei cinquenta anos pelo São Pedro".

Com amarga ironia, prossegue contando não possuir família: órfão, fora guia de cego e criado pela "velha Margarida, que vendia doces".

Trabalhara na enxada até os dezoito anos, ocasião em que fora preso por agressão "a Germana" e por esfaquear João Fagundes. Na prisão, aprendeu a ler numa bíblia de protestantes com o Joaquim sapateiro. Toma emprestado dinheiro a juros e vira mascate: vende de tudo, viajando pelo sertão. É explorado e enganado, aprende a explorar e a enganar. Arruma um amigo fiel e dedicado: Casimiro Lopes. "Gosto dele. É corajoso, laça, rasteja, tem faro de cão e fidelidade de cão".

Capítulo 4

Conta como adquiriu a propriedade da fazenda São Bernardo onde trabalhara no eito. Percebendo a fraqueza de Luís Padilha pelo jogo e sua incompetência como administrador, vai-lhe emprestando dinheiro. Encerrados os prazos para o pagamento das letras, pressiona o filho do ex-patrão, que lhe vende a fazenda por um preço baixíssimo. "Não tive remorsos", acrescenta.

Capítulo 5

Cercado de capangas, tem um encontro nada amigável com Mendonça, dono da fazenda vizinha, e que já avançara suas cercas nas terras de São Bernardo. Trocam falsas gentilezas, mas o clima é de ameaças. Resolve precaver-se.

Capítulo 6

No primeiro ano de trabalho, muitas despesas e nenhum lucro. Paulo Honório visita o vizinho Mendonça e as filhas, na Fazenda Bom Sucesso, com a desculpa das eleições próximas. Na verdade, quer estudar o terreno do adversário. É humilhado pelo vizinho falador da vida alheia, e vai embora descontente, através das terras roubadas e mal cuidadas. Examina a lentidão das obras de restauração de São Bernardo. Escreve para bancos na capital pedindo empréstimos, e ao governo solicitando isenção de impostos para suas terras. Recebe "visitas indesejáveis e sorrateiras" durante a noite. Faz planos com Casimiro Lopes. No domingo da eleição, Mendonça "recebeu um tiro na costela mindinha e bateu as botas ali mesmo na estrada". Paulo Honório conversa com Padre Silvestre, na cidade, sobre a igreja que pretende levantar em São Bernardo, quando ambos recebem a notícia do assassinato. O padre parece chocado. Paulo Honório diz que Mendonça tinha muitos inimigos, e retoma o assunto interrompido: "Quanto custa um sino?"

Capítulo 7

O narrador apresenta-nos a figura de seu Ribeiro, "velho alto, magro, curvado, amarelo, de suíças", que ele conhece na Gazeta do Brito e contrata como guarda-livros. Conta em seguida a história do apogeu e decadência dessa bonita figura humana, que "tinha setenta anos e era infeliz, mas havia sido moço e feliz" - vivera em uma cidadezinha do interior, onde era chamado de Major e representava a cultura, a lei, a ordem e a justiça. Sua mulher "rezava o terço e contava histórias de santos às crianças". Mas a cidade progrediu, cresceu e tudo mudou: vieram juiz de direito, promotor, delegado, um padre, o médico, as máquinas, o automóvel. A mulher de seu Ribeiro morreu de tristeza, os filhos partiram e ele mudou-se para uma casinha, e finalmente escondeu-se na capital, onde trabalhou e sofreu muito para sobreviver. E conclui: " - Tenho a impressão de que o senhor deixou as pernas debaixo de um automóvel, seu Ribeiro. Por que não andou mais depressa? É o diabo..."

Capítulo 8

Morrem pessoas dos dois lados. Conclui-se a construção da casa nova. Em cinco anos, ocorrem muitas mudanças. Paulo Honório sugere sua prosperidade à custa de muito trabalho e métodos nem sempre éticos - para possuir e fazer crescer a fazendo São Bernardo, todos os meios justificam-se: invadir as propriedades vizinhas, praticar pequenas violências, corromper a justiça e a imprensa, construir uma estrada à revelia, drenar um açude, emboscar e ser emboscado - tudo lhe parece normal. Uma visita do governador à fazenda aumenta sua celebridade e abre oportunidade para capitalizar. Promete construir uma escola e uma igreja, que também lhe trariam "capital". Resolve proteger as irmãs Mendonça contra os prováveis vizinhos inescrupulosos e patifes, que pudessem vir a prejudicá-las.

Capítulo 9

No dia seguinte encontra em casa os amigos, que jantam com ele e comentam a beleza da professora Madalena, nova na cidade. João Nogueira, seu advogado, fala-lhe dos processos e leva dele quatrocentos mil-réis (bem gastos...). Azevedo Gondim, o jornalista, relata que encontrou o paradeiro da velha Margarida, e é incumbido de trazer a negra até a fazenda, com todos os cuidados. Padilha é convidado para assumir as aulas na escola rural, no princípio faz-se de rogado, mas depois aceita, apesar das condições pouco propícias. Fala-se das próximas eleições municipais, cujos candidatos, o agiota Pereira e Padre Silvestre, são duramente criticados: o padre, por ser "revolucionário", o Pereira, por ter caído no desagrado do governador. Paulo Honório resolve aproveitar-se da situação, e incumbe João Nogueira de cobrar as hipotecas (dívidas) do Pereira, vingando-se das humilhações passadas. Casimiro Lopes, do lado de fora, vigia os arredores e dá-lhes proteção.

Capítulo 10

Luís Padilha e Casimiro Lopes discutem sobre onças e são interrompidos por Paulo Honório, que incumbe o capanga de levar uma carta de agradecimento a Padre Silvestre, por ter intermediado a vinda da negra Margarida.

É feriado, e o fazendeiro irrita-se com a falta de trabalho e a "gazeta" dos seus empregados. Aproveita para visitar "Mãe Margarida" em sua casinha cercada de bananeiras. À sua maneira tenta agradecer a ela o que fizera por ele. A negra, muito velha acha-se "muito bem instalada", e pede-lhe um tacho. Lembrando com tristeza do passado, promete atender-lhe esse desejo.

Capítulo 11

Paulo Honório amanhece um dia pensando em casar-se: apesar de que "mulher é um bicho esquisito, difícil de governar", deseja um "herdeiro para as terras de São Bernardo". Enfrenta problemas com Padilha, que surpreende em pregação revolucionária ao Marciano e a Casimiro Lopes. Despede Padilha e Marciano, mas posteriormente volta atrás, atendendo aos rogos da esposa Rosa (do Marciano) e do professor. Seus planos de casamento e sonhos com as prováveis candidatas a futura esposa são interrompidos por uma notícia que o deixa inquieto: o Costa Brito e o jornal A Gazeta haviam-se bandeado para a oposição, mas o jornalista continuava pedindo-lhe dinheiro. Resolve agir, mas teme represálias por parte desse tipo de imprensa, que se vende.

Capítulo 12

Paulo Honório resolve visitar o Juiz de Direito, Dr. Magalhães, para tentar apressar a sentença contra o Pereira e para rever a filha do juiz, D. Marcela... Encontra visitas, entre as quais a professora Madalena, "lindas mãos, linda cabeça". Enquanto aguarda oportunidade para João Nogueira interceder por ele junto ao juiz, Paulo Honório pondera sobre os motivos de homens e mulheres conversarem separadamente, o que dificulta as relações entre os sexos. O juiz mostra-se cauteloso e fechado...As mulheres falam sobre cinema e romances. Os homens sobre política. Madalena tem cabelos louros e olhos azuis. Paulo Honório sente-se atraído por ela, mas não tem coragem de tentar qualquer aproximação.

Capítulo 13

Paulo Honório é criticado pela Gazeta do Brito e vai até à Capital, onde encontra o jornalista e aplica-lhe uma surra de chicote. Preso no hotel, é obrigado a contratar um advogado, pagar fiança e ouvir um "sermão do secretário (...), que me seringou liberdade de imprensa e outros disparates". No trem de volta para Viçosa, encontra-se com a tia de Madalena, D. Glória, "uma velha acanhada: sorriso insignificante e modos de pobre". Entabulam conversa sobre o salário de professora, a criação de galinhas, a beleza de São Bernardo. Convida D. Glória para conhecer sua fazenda. Termina o capítulo comentando que o diálogo havia sido bem longo que o relatado, e falando sobre a sobriedade de seu processo de criação: "extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço" (135). Conversa com o leitor e estende sua digressão sobre sua técnica de narrar e a omissão voluntária da descrição de paisagens: "a minha narrativa dá ideia de uma palestra realizada fora da terra. (...) E não tenho o intuito de escrever em conformidade com as regras." (135)

Capítulo 14

Madalena espera a tia, na estação. Apresentados, ela reconhece Paulo Honório, que se encabula diante da professora. Acompanha-as até a porta da casa, e reitera o convite para visitarem São Bernardo. No hotel, os amigos esperam por ele, preocupados com sua imprudência. Pede para Gondim acompanhá-lo no jantar e pergunta-lhe sobre Madalena. Pensa em contratá-la no lugar do Padilha, que anda "querendo botar socialismo na fazenda". Pede ao amigo para convencê-la a aceitar o emprego.

Capítulo 15

Começa a frequentar a casa das duas mulheres. Como Madalena recusa o emprego por prudência, resolve abrir o jogo e propõe-lhe casamento. A moça assusta-se. Acha bom que eles se conheçam melhor."Se chegarmos a um acordo, quem faz um negócio supimpa sou eu", filosofa Paulo Honório (146). Ele tem 45, ela 27 anos de idade.