Dom Casmurro - Machado de Assis

Dom Casmurro - Machado de Assis

Contexto histórico (2ª metade do século XIX) Realismo no Brasil

Profundas transformações econômicas, políticas e sociais resultantes da segunda Revolução Industrial.

Rápido e expressivo desenvolvimento técnico e científico refletido no sistema de produção, nos meios intelectuais, na pesquisa das ciências físicas e biológicas (em detrimento da metafísica, da religião, da fé...).

Aprofundamento das distâncias sociais (burguesia e proletariado) gerando a formação de sindicatos e o início das lutas de classes.

Principais correntes filosóficas e científicas:
Materialismo Evolucionista (Charles Darwin)
Positivismo (Auguste Comte) Determinismo (Hypolite Taine) Socialismo científico (Hegel, Kant, Engels, Marx) Pessimismo (Schopenhauer)

Contexto brasileiro:

  • Crises sucessivas no regime monárquico.
  • Revoltas generalizadas em todo o território nacional.
  • Guerra do Paraguai
  • Trocas sucessivas de Gabinetes.
  • Agitações militares.
  • Campanhas pela Abolição da escravatura. Luta de classes divididas por interesses antagônicos.
  • Campanha pela queda da monarquia e advento da República.
  • Depois da publicação de sucessivas leis, o projeto definitivo da abolição é convertido em lei - Lei Áurea, 13 de maio de 1888.
  • A crise da monarquia atinge seu ponto crítico. Um governo militar provisório exige a retirada da família real do Brasil - 15 de novembro de 1889.

Caracterização do Realismo na arte:

Realidade e contemporaneidade - a vida como realmente é, feia ou bela, boa ou má, moral ou imoral.

  • Racionalismo e universalismo (abordagem empírica, científica e racional, à procura das grandes leis que regem o macro e o microcosmo). O homem é mais uma peça da engrenagem universal.
  • Minuciosidade, detalhismo (reprodução, na arte, das experiências científicas em laboratórios). A vida é dissecada, reproduzida, experimentada e anotada em seus pormenores, pois tudo é significativo.
  • Materialismo e antirreligiosidade. Apenas a realidade sensível, palpável é digna de crédito. Colocam-se em xeque as doutrinas religiosas e a metafísica.
  • Crítica severa à burguesia (e seus valores falsos) e à monarquia decadente (espírito republicano), responsabilizados pelo atraso social, lutas de classes e pelos vícios morais da sociedade.
  • Psicologismo (criação de personagens esféricas). Com o surgimento da psicologia e, posteriormente, da psicanálise, empreende-se um mergulho na alma humana, revirando-a em todos os seus escaninhos. As personagens passam a apresentar contradições psicológicas e comportamentais, a viver conflitos entre o ser e o parecer, a mostrar qualidades e defeitos (tais como ciúmes, orgulho, ambição, uso de máscaras, falta de escrúpulos, traição), construindo uma visão pessimista e desencantada do homem/mundo.
  • Temas científicos e/ou patológicos: aparecem obras de tese tentando condicionar o homem ao determinismo científico/biológico, exaltando, não raras vezes, suas taras e comportamentos animalescos.

Cabe ressaltar a diferença entre a obra realista e a naturalista.

A ficção realista apresenta um painel sem ilusões de sociedade decadente, analisando ou denunciando suas principais causas como decorrência de falsos padrões morais ou ausência de educação e de valores. Permanece um certo pudor, respeito, preocupação em não chocar demasiadamente, em manter a beleza estética.

Já a ficção naturalista despe-se desses pudores. O escritor assume uma postura de cientista que vai desnudar e expor aos olhos de seus leitores as perversões sociais, as aberrações humanas, as taras genéticas ou sexuais, limitando geralmente esse estudo a grupos sociais marginalizados (prostitutas, negros, homossexuais, estrangeiros ambiciosos e burgueses arrivistas).