Quinhentismo - Características

Quinhentismo - Características

Contexto histórico

Desde o final do século XV, os portugueses sabiam da existência de terras à oeste da costa africana (Vasco da Gama registra essa certeza em seu diário de bordo, em 1498). Esse fato foi confirmado pela esquadra de Pedro Álvares Cabral, em 1500, ao aportar nas terras de Pindorama, posteriormente chamadas de Brasil. Mas os portugueses, mais preocupados com o comércio no Oriente, apenas se deram conta da importância de sua descoberta e preocuparam-se em colonizar a nova terra, garantindo sua posse, a partir de 1530 (Martim Afonso de Sousa). Durante esse processo, a Metrópole preocupou-se basicamente em explorar madeira (pau-brasil) e escravizar os indígenas, transferindo para o Brasil o sistema econômico europeu e aniquilando a cultura dos colonos. Em 1549 chegaram ao Brasil os primeiros jesuítas, incumbidos da manutenção da fé entre os colonos, da catequese dos indígenas e da educação (alfabetização). Naquele primeiro século de posse e colonização, não houve espaço para grandes manifestações artísticas. Além da dança e da música - manifestações culturais dos índios e negros - registram-se algumas manifestações de prosa, poesia e teatro.

A Literatura informativa ou crônicas de viagens

Os relatos de viagens, ligados ao ciclo das grandes navegações, exerceram grande fascínio no homem europeu, cuja mente encontrava-se povoada de superstições, lendas e mitos — abismos marinhos, monstros desconhecidos, o Paraíso Perdido, Eldorado etc.

Nesse contexto, faziam sucesso os relatos das viagens, que, além de satisfazer à sede de aventuras, documentavam o processo de conquista e colonização das terras descobertas e os costumes de seus habitantes. A postura dos viajantes-escritores ressaltava o exotismo e a beleza desses lugares, aos quais não poupavam elogios, despertando a cobiça de outros povos e incentivando sucessivas invasões, transformando as novas colônias em palco de guerras frequentes entre nações vizinhas. Dessa literatura informativa, alguns textos sobre o Brasil merecem destaque:

  • Carta de Pero Vaz de Caminha (1500);
  • Diário de navegação, de Pero Lopes de Sousa (1530);
  • Tratado da Terra e da gente do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, de Pero de Magalhães Gandavo (1576);
  • Tratado Descritivo do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão (1618);
  • História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador (1627);
  • Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden (1557);
  • Viagem à terra do Brasil, de Jean de Léry (1578);
  • cartas dos jesuítas à Metrópole, dando contas de suas atividades nos primeiros séculos de catequese.

Literatura jesuítica ou de catequese

Além das cartas que enviavam a seus superiores, para informá-los sobre os trabalhos com a catequese, os padres jesuítas escreviam ainda poemas e pequenas peças de teatro.

Dentre eles, ressalta a importância da obra do padre José de Anchieta, que escreveu:

  • a primeira gramática da língua falada pelos índios (tupi);
  • poesia lírica e filosófica, em que reflete sua visão teocêntrica do mundo e a dedicação ao culto a Virgem Maria;
  • poesia didática e/ou de circunstância, objetivando oferecer exemplos moralizantes aos índios e colonos;
  • autos medievais, de caráter religioso e catequético, aproveitando o gosto do indígena pela dança, pelo canto e pela representação, para convertê-lo ao cristianismo.

Anchieta mistura três línguas - o tupi, o português e o espanhol, além de citações em latim - na realização desse teatro, bastante incipiente. Sua peça mais conhecida é o Auto de São Lourenço, em que conta o martírio do santo, que preferiu morrer queimado a renunciar à sua fé.

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Sumário

- Contexto histórico
- A Literatura informativa ou crônicas de viagens
- Literatura jesuítica ou de catequese
- Antologia
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