Pré-Modernismo - Características

O termo Pré-Modernismo foi criado por Tristão de Ataíde para designar o período cultural brasileiro que vai do princípio deste século à Semana de Arte Moderna.

"Deve-se entendê-lo em dois sentidos, nem sempre coincidentes:

  1. dando ao prefixo "pré" uma conotação meramente temporal de anterioridade;
  2. dando ao mesmo elemento um sentido forte de precedência temática e formal, em relação à literatura modernista."

Localização cronológica

1902: Os Sertões, de Euclides da Cunha.

1922: Semana de Arte Moderna.

Panorama Histórico

O país do começo do século XX apresenta uma instabilidade sociopolítica que se expressa através de rebeliões e focos de tensão social. Por exemplo: a Revolta de Canudos, na Bahia, de 1896/1897, no governo de Prudente de Morais; o ciclo do misticismo e do cangaço, no Nordeste, evidenciado na figura do Padre Cícero (1900/1915); a Revolução do Contestado, em Santa Catarina, no ano de 1914; o Ciclo da Borracha, na região amazônica (1870/1920), promovendo o processo conhecido como a transumância amazônica; agitações na Capital (Rio de Janeiro, contra a vacina obrigatória, em 1904); a Revolta da Chibata, Rio de Janeiro, 1910; greves gerais anarco-sindicalistas em São Paulo, em 1917; o processo de transição da República da Espada (1889/1894) para a República do Café com Leite (1894/1930).

Na música, a polca e a valsa acabam sendo substituídas, pouco a pouco, pelo maxixe, pela modinha e pela serenata. Há uma aceitação dos ritmos populares por parte da elite cultural. O carnaval firma-se como a principal festa popular do Rio de Janeiro. Chiquinha Gonzaga, João do Rio, entre outros, divulgam o samba e a marcha. Aparecem as primeiras agremiações carnavalescas com estrutura de escola de samba.

Nas Artes Plásticas, a Escola Nacional de Belas Artes difunde, ainda, a arte tradicional e acadêmica, importada da França. Em 1913 e, principalmente, em 1917, aparecem os sinais das Vanguardas Europeias. Lasar Segall e Anita Malfatti causam escândalo pelos temas, motivos do artigo Paranoia ou Mistificação? de Monteiro Lobato, a respeito da exposição de Anita Malfatti.

O Pré-Modernismo é definido como o período literário em que autores e obras apresentam uma consciência crítica da realidade brasileira do início do século XX. Entre eles, podemos destacar: Euclides da Cunha (Os Sertões) em que aparece uma análise do sertanejo nordestino; Monteiro Lobato (Urupês) abordando o problema do caboclopaulista; Graça Aranha (Canaã), retratando a imigração alemã no Estado do Espírito Santo; Lima Barreto (Clara dos Anjos), enfocando o ambiente suburbano do Rio de Janeiro; Augusto do Anjos (Eu e outras Poesias) com uma poesia cientificista e pessimista.

Autores

Euclides da Cunha

(Santa Rita do Rio Negro, Município de Cantagalo, RJ, 1866 - Rio de Janeiro, 1909)

Órfão aos três anos de idade, Euclides da Cunha passa sua infância em casa de parentes, morando em Teresópolis, São Fidélis, Rio de Janeiro, Salvador. No Rio de Janeiro, estuda no Colégio Aquino e publica no jornal estudantil "O Democrata" as suas primeiras poesias, com influência de Castro Alves, Fagundes Varela e Gonçalves Dias, intituladas Ondas.

Cursa a Escola Politécnica e, por falta de recursos, transfere-se para a Escola Militar da Praia Vermelha, em 1886. Com ideais republicanos, Euclides desacata o Ministro de Guerra Tomás Coelho e, durante uma revista, joga-lhe aos pés seu espadim, dando um viva à República. Expulso do Exército logo após esse ato, muda-se para São Paulo e contribui no jornal "A Província de São Paulo", com artigos políticos. Fica conhecido como o "estudante da baioneta".

Proclamada a República, é readmitido no Exército (Escola Superior de Guerra), saindo em 1892, como primeiro tenente e bacharelado em Matemática e Ciências Físicas e Naturais, já casado com Ana Sólon da Cunha (1890). Em 1893, é encarregado de construir fortificações do morro da Saúde, durante a Segunda Revolta da Armada. Devido a convicções políticas, é afastado para a cidade de Campana (MG), como membro da Diretoria de Obras Militares de Minas Gerais. Desliga-se, no ano de 1896, definitivamente do Exército, desiludido com a República. Volta ao estudo de temas brasileiros e ao socialismo. É nomeado engenheiro-ajudante de Obras Públicas de São Paulo, em São Carlos do Pinhal.

Volta a colaborar no jornal O Estado de São Paulo (1897), antigo A Província de São Paulo, com dois artigos intitulados: A Nossa Vendeia. Os artigos diziam respeito às acumuladas derrotas do Exército contra os jagunços de Antônio Conselheiro, em Canudos, para onde viaja como correspondente do jornal e adido do Estado-Maior do Ministério da Guerra. Em 1899 volta a exercer o cargo de engenheiro nas Obras Públicas de São Paulo, agora em São José do Rio Pardo, encarregado da reconstrução da ponte do Rio Pardo. Por essa época, termina o livro Os Sertões, publicado em 1902; é eleito membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Letras.

Em 1904, trabalha como engenheiro fiscal da Comissão de Saneamento de Santos; viaja em 1905, por um ano, como chefe da Comissão do Alto Purus, pelo Itamaraty. Quando retorna, encontra sua mulher grávida e amante de Dilermando Cândido de Assis, amigo de Sólon, seu filho mais velho.

Em 1909, é nomeado professor de Lógica no Colégio Pedro II e termina a redação de À Margem da História. É morto pelo amante de sua mulher, com três tiros, após uma discussão.

Euclides possuía uma cultura bastante diversificada, assumindo um grau de erudição talvez inigualável na Literatura Brasileira. Aliado ao Positivismo, ao Evolucionismo, ao Determinismo, dominava conceitos biológicos, sociológicos, psicológicos, antropológicos, físicos, matemáticos etc, fundamentais na sua formação de Engenheiro, Militar e Jornalista. A linguagem, altamente expressiva e hermética, reflete sua erudição: aproxima vocábulos populares com uma terminologia especializada, como por exemplo "a urbis monstruosa, de barro, definia bem a civitas sinistra do erro", "paisagens adustas" (= velhas) e "comburidas" (= ressequidas), entre outros. Dessa maneira, o escritor apresenta o chamado barroco-científico.

Obras

  • Os Sertões, 1902
  • Peru Versus Bolívia, 1907
  • Contrastes e Confrontos, 1907
  • À Margem da História, 1909

Os Sertões

Obra dividida em três partes:

    • A Terra

Levantamento geomorfológico, que começa por um apanhado geral do Sul, indo em direção ao Nordeste e parando, em particular, na região de Monte Santo (Canudos), nos vales dos rios Vasa-Barris e Itapicurus, no Nordeste baiano. Com um extremo rigor técnico, descreve o local da Guerra de Canudos, resgatando a fauna, a flora, o clima, o relevo etc. Destaca o papel do homem como "agente geológico de destruição" que, através do uso e prática indevida de exploração, arrasa a paisagem regional.

    • O Homem

Dissertação sobre o sertanejo, em que estabelece os três componentes étnicos formadores do mestiço brasileiro (índio, branco e negro, originando o mameluco, o cafuzo e o mulato) e discorre sobre a inferioridade do mestiço, através da teoria evolucionista. Defendendo uma visão científica, Euclides segue o conceito de que o mestiço, descendente de raças superiores, é desequilibrado e atrofiado, não possuindo condições para se ambientar entre os superiores, mas apto a conviver com seus semelhantes. Daí a diferença entre mestiço do litoral e do interior.

"O Sertanejo é, antes de tudo um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral."

Em particular, destaca a figura de Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, como líder espiritual e estratégico do homem sertanejo. Antônio Conselheiro, segundo o autor, "não traduzia o mais pálido intuito político: o jagunço é tão inapto para aprender a forma republicana como o monárquico-constitucional "e poderia ir" para a história como poderia ter ido para hospício". O sertanejo aglutina-se no povoado quase sem perfil, ou seja, sem identidade.

"De sorte que, ao fim de algum tempo, a população constituída dos mais díspares elementos, do crente fervoroso abdicando de si todas as comodidades da vida noutras paragens, ao bandido solto, que lá chegava de clavinote ao ombro em busca de novo campo de façanhas, se fez a comunidade heterogênea e uniforme, massa inconsciente e bruta, crescendo sem envolver, sem órgãos e sem funções especializadas, pela só justaposição mecânica de levas sucessivas, à maneira de um polipeiro humano."

    • A Luta

É a parte na qual Euclides faz ficção, ou seja, assume uma narrativa de romance e não de ensaio, como nas partes antecedentes. Estabelece as atrocidades da guerra e critica violentamente a Nação pela chacina. O Arraial de Canudos, que possuía cerca de 20 mil habitantes, liderados por Antônio Conselheiro, explode em 1897, no governo de Prudente de Morais, como sendo um foco de resistência à República, isto é, monarquista. A grande contribuição do escritor é que, de um acontecimento apenas político, faz um aprofundamento cultural. É a guerra entre o Brasil litoral (rico, civilizado e branco) contra o Brasil interior ( pobre, místico e mestiço).

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados."

José Pereira da Graça Aranha

(São Luís Do Maranhão, 1866 - Rio De Janeiro, 1931)

Obras

  • Canaã (1902, romance)
  • Estética da Vida (1921, ensaio)
  • O Espírito Moderno (1925, ensaio)
  • A Viagem Maravilhosa (1927, romance)

Foi aluno de Tobias Barreto. Seguiu a carreira diplomática depois de ser juiz no Maranhão e no Espírito Santo. Participou ativamente do movimento modernista, como doutrinador.

Canaã

É considerada a melhor obra de Graça Aranha. Tem como palco Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo, onde o autor fora juiz. Os imigrantes alemães, Milkau e Lentz, que muito se estimam, defendem teses opostas; o primeiro prega paz, igualdade e harmonia entre os homens; o segundo defende a continuação da raça ariana. O romance continua com a prisão de Maria, acusada de infanticídio. Maria tinha sido expulsa de casa por ser mãe solteira e dera à luz em tal abandono que os porcos lhe devoraram a criança. Milkau salva-a e buscam Canaã, onde não haverá maldade, mas só amor.

Lima Barreto

(Rio de Janeiro, 1881/1922)

Obras

  • Romance - Recordações do Escrivão Isaías Caminha, 1909; Triste Fim de Policarpo Quaresma, 1915; O Numa e Ninfa, 1915; Morte de M.J. Gonzaga de Sá, 1919; Clara dos Anjos, 1948.
  • Contos - Histórias e Sonhos, 1956.
  • Sátira Política e Literária -Os Bruzundangas, 1923; Coisas do Reino de Jambon, 1956.

Além de crônicas sobre o folclore urbano, artigos, e memórias.

De origem modesta e afilhado do Visconde de Ouro Preto, faz o curso secundário no Colégio Pedro II e, em 1897, logo após os estudos preparatórios no Colégio Paula Freitas, ingressa na Escola Politécnica; do Rio de Janeiro, onde não é bem recebido devido ao fato de ser mulato. Acaba por relaxar nos estudos e a se dedicar a artigos para jornais acadêmicos, como A Lanterna, assinando "Alfa Z" e "Momento de Inércia". Em 1903, seu pai enlouquece; nessa ocasião, Lima Barreto cursava o terceiro ano da Politécnica; ele abandona os estudos a fim de sustentar a família. Ingressa como amanuense na Secretaria da Guerra. Começa a colaboração em vários jornais da época: Correio da Manhã, O Jornal do Comércio (onde publica em folhetins o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma), A Gazeta da Tarde (onde faz relatos folhetinescos  e a sátira Numa e Ninfa), entre outros.

Em 1907, funda uma revista chamada Floreal, com duração de quatro números. Nessa revista, começa a publicação dos primeiros capítulos de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, cujo tema é o preconceito racial e a crítica ao jornalismo carioca.

Torna-se alcoólatra e é internado em 1914, no hospício. Dois anos depois, faz um tratamento de saúde por causa de uma profunda anemia. Mesmo assim, participa intensamente da militância da esquerda (apoia o pensamento anarquista), que resulta (1917) uma grande greve em São Paulo. Escreve Manifesto Maximalista dando informações da então recente Revolução Russa. Em 1918, é aposentado do seu cargo na Secretaria da Guerra.

Em 1919, publica, na editora de Monteiro Lobato, o livro Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá. Nesse mesmo ano é novamente levado ao Hospício Nacional de Alienados. Três anos depois, com frequentes crises alucinatórias, morre de colapso cardíaco.

Abaixo está o registro médico, fornecido pelo hospital em que esteve:

"É um indivíduo precocemente envelhecido, de olhar amortecido, fácies de bebedor, regularmente nutrido.

Perfeitamente orientado no tempo, lugar e meio, confessa desde logo fazer uso, em larga escala, de parati; compreende ser um vício muito prejudicial, porém, apesar de enormes esforços, não consegue deixar a bebida.

Informa que as suas perturbações, quando aparecem, são em forma de delírios, sempre consequentes de um abuso mais forte e mais demorado do álcool.

Indivíduo de cultura intelectual, diz-se escritor, tendo já quatro romances editados, e é atual colaborador da "Careta".

São notáveis os tremores fibrilares da língua e das extremidade digitais apresentados pelo paciente, bem como abalos e tremores dos músculos da face, mormente quando fala. Palavra algo arrastada e meio enrolada, certas vezes. Teve blenorragia e cancro mole, icterícia e febres palustres.

(A vida de Lima Barreto, Francisco de Assis Barbosa)

A temática de Lima Barreto é feita de pessoas humildes e humilhadas, racismo, vida nos subúrbios, modéstia dos funcionários públicos, fracassados, alcoólatras etc. Utiliza-se da alta sociedade para desmascará-la, desmitificá-la em sua banalidade.

Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)

Narrado em terceira pessoa, coloca a ociosidade do funcionalismo público na figura do Major Policarpo Quaresma, subsecretário do Arsenal de Guerra. Quaresma é um nacionalista ingênuo e  exacerbado, que se interessa pela identidade brasileira: música, folclore, curiosidades e a língua tupi-guarani. Quixotesco, pretende transformar o tupi-guarani na língua oficial do país.

O romance divide-se em três partes:

  1. Retrata a vida burocrática de Quaresma, que tem tempo de sobra para pensar nas coisas do Brasil. Junto com ele, militares completam o papel do funcionalismo: o General Albernaz, preocupado com o casamento da filha Ismênia com o Dr. Cavalcanti; o Contra-Almirante Caldas, comandante de um navio que foi a pique na Guerra do Paraguai; o Major Bustamante, que só se preocupa com seu tempo de serviço, ansiando pela aposentadoria. Quaresma acaba adotando o tupi como língua oficial e é ridicularizado por todos e afastado temporariamente de suas funções. Os únicos que acreditam na empresa nacionalista de Quaresma são o violeiro Ricardo Coração dos Outros e sua afilhada Olga.
  2. Incompreendido, o Major retira-se para o campo onde planeja uma reforma agrária e o combate às pragas, principalmente a saúva. Adquire o sítio Sossego, transformando-o em uma esperança para o Brasil fértil e produtivo. O idealismo da personagem persiste até que uma peste impiedosa elimina os animais. Mesmo assim, Quaresma não desiste de sua empreitada. Continua seguindo seus ideais nacionalistas e utópicos.
  3. Acentua-se uma sátira política, na qual Floriano Peixoto - o Marechal-de-Ferro - aparece como tirano.

Quaresma é florianista ferrenho, apoia as atitudes do marechal. Os amigos aproveitam o clima revolucionário, levando vantagem naquilo que podem: Albernaz deseja uma comissão extra para comprar o enxoval de sua filha; Caldas espera ser indicado para algum cargo; Bustamante pensa em ser coronel. Quaresma é nomeado chefe de destacamento mas, percebe, lentamente, que Floriano não é mais o revolucionário correto de seus sonhos patrióticos. Decepcionado, acaba se afastando de suas atividades após ser ferido num combate. Terminada a revolta, Policarpo, inconformado, redige um protesto em defesa dos detentos que, na sua opinião, não apresentavam motivos de prisão. É preso, mandado para a Ilha das Cobras e fuzilado.

Monteiro Lobato

(Taubaté, SP, 1882 - São Paulo, SP 1948)

Homem de diversas atividades. Ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1900. Participa de grupos e jornais literários, entre eles o Minarete composto também por Godofredo Rangel, José Antônio Nogueira e outros.

Bacharela-se em 1904 e retorna à sua cidade natal. Torna-se promotor público em Areias (SP) e depois, abandona o Ministério Público para ser fazendeiro, pois herda a fazenda Buquira, propriedade de seu avô, o Visconde de Tremembé. No ano de 1916, adquire e dirige a Revista do Brasils, tornando-se editor dela, juntamente com a instalação da Editora Monteiro Lobato, que traz grandes inovações para o mercado editorial brasileiro. Ainda assim, Lobato acaba falido. Em 1917, vende sua fazenda e transfere-se para São Paulo. Publica, no jornal "O Estado de São Paulo", o artigo contra a pintora Anita Malfatti: A Propósito da Exposição Malfatti, expressando uma postura agressiva contra as novas tendências artísticas do século XX, que resultará no desligamento do autor do artigo dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922.

No ano de 1925, funda a Companhia Editora Nacional e começa a escrever sua vasta obra de literatura infantil. No governo de Washington Luís, em 1927, é nomeado adido comercial do Brasil em Nova York, de onde regressa em 1931, entusiasmado com o progresso da nação norte-americana. No Brasil, faz campanhas a favor da exploração das riquezas do subsolo: petróleo e minérios. Funda a Companhia de Petróleo do Brasil, acreditando no nosso desenvolvimento e denunciando o monopólio internacional. Escreve carta ao então presidente Getúlio Vargas e é preso e condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a seis meses de prisão. Cumpre apenas 90 dias graças à intervenção de amigos, no ano de 1941.

Em 1946, muda-se para Buenos Aires e mantém traduções de seus livros para o espanhol. Retorna ao Brasil e aproxima-se das ideias do Partido Comunista Brasileiro.

Controvertido, ativo e participante, Lobato defende a modernização do Brasil nos moldes capitalistas. Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e pouco desenvolvido, como no Jeca Tatu (= estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades governamentais) do livro Urupês. Curioso é que, na quarta edição de Urupês, o autor, no prefácio, pede desculpas ao homem do interior, enfatizando suas doenças e dificuldades.

"Monteiro Lobato descobriu o homem do interior do Brasil. Descobriu nova dimensão da literatura brasileira, nacionalizando-a. Daí seu êxito enorme, revelado pelo número de edições e, igualmente, pelo tom da crítica. Lobato foi endeusado. Mas nunca aderiu ao Modernismo, do qual foi, a muitos respeitos precursor, apesar de hostilizá-los. Provocou, por isso, reações que, apontando os recursos linguísticos do escritor, lhe negam, todavia, a significação literária da obra."

(Carpeaux, Otto Maria. Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro, MEC, 1951)

Falece em 1948, vítima de um espasmo vascular.

Obras:

  • Urupês;
  • Problemas Vitais;
  • Cidades Mortas;
  • Ideias de Jeca Tatu;
  • Negrinha;
  • A Onda Verde;
  • O Macaco Que Se Fez Homem;
  • Mundo da Lua;
  • O Choque das Raças ou O Presidente Negro;
  • Ferro;
  • América;
  • O Escândalo do Petróleo;
  • Reinações de Narizinho;
  • Emília no País da Gramática;
  • Geografia de Dona Benta;
  • O Saci;
  • O Marquês de Rabicó;
  • As Caçadas de Pedrinho;
  • Histórias de Tia Nastácia;
  • Fábulas.

  • Aulas relacionadas

Sumário

- Localização cronológica
- Panorama Histórico
- Autores
i. Euclides da Cunha
ii. José Pereira da Graça Aranha
iii. Lima Barreto
iv. Monteiro Lobato
- Antologia
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