Estrutura e Formação das Palavras

Um carro é formado por um conjunto de peças que se encaixam, em uma relação lógica, formando uma estrutura. O carro não é um bloco indivisível; é feito de partes. Tudo aquilo que é formado de partes ajustadas é uma estrutura. Logo, é fácil entender por que a palavra é uma estrutura: é formada de partes.

As partes da máquina, do corpo humano ou de uma casa têm nome e lugar certo; têm também uma função certa. Da mesma forma, as partes da palavra têm nome, lugar e função certos.

Cada uma das palavras da língua portuguesa é formada por unidades menores dotadas de significado específico; essas unidades são chamadas de ELEMENTOS MÓRFICOS ou MORFEMAS. Os elementos mórficos classificam-se da seguinte maneira:

Radical

Toda palavra tem um significado fundamental. O radical é a parte da palavra que se encarrega desse significado. Radical é o morfema que contém o significado básico do vocábulo. A partir do radical, pode-se constituir uma família de palavras. Muitas vezes, vendo só o radical, já sabemos o sentido original da palavra, embora faltem elementos que definam seu sentido total. O radical é desprovido de elementos flexionais, indicadores de gênero e número nos nomes, e de conjugação, tempo, modo e pessoa nos verbos.

Um exemplo é o elemento menin. Sabemos que significa ser humano, em idade infantil, mas não sabemos o sentido total, porque ainda faltam elementos. Menin é a parte que se chama radical. Em português existem radicais que vieram do latim, do grego e outros que são da própria língua, chamados radicais vernáculos.

Existem palavras que são constituídas unicamente pelo radical. Já as palavras que provêm do mesmo radical são chamadas palavras cognatas.

Desinências

Agora, perceba os elementos que vão ser somados ao radical: o elemento indicador de gênero masculino ou feminino. Em português usamos o para masculino e a para feminino. Chamam-se desinências de gênero. Para indicar o número, singular ou plural, vamos depender da presença ou ausência do s; a isso chamamos de desinências de número.

Desinências nominais podem ser de gênero e número e ocorrem em substantivos e adjetivos. Desinências verbais podem ser de pessoa, número, modo e tempo, e ocorrem nos verbos.

Exemplos:

Menin +

a
o

s
radical
desinências nominais
Filh
+
a
o
+
s
radical
 
desinência nominal (indica gênero)
 
desinência nominal (indica número)

A desinência verbal indica o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e o número e a pessoa (desinências número-pessoais).

Exemplos:

ANDÁVAMOS
ANDÁ - tema
VA - desinência modo-temporal
MOS - desinência número-pessoal

Vogal Temática

É a vogal que vem logo após o radical. Vocal temática é o morfema que caracteriza as conjugações verbais, ou seja, a vogal adicionada à raiz da palavra. É a vogal temática que prepara o radical para receber desinências e que identifica a conjugação a que o verbo pertence.

Exemplos:

cantar a (vogal temática da 1a conjugação)
beber e (vogal temática da 2a conjugação)
partir i (vogal temática da 3a conjugação)

Exemplos:

amássemos

ama
+
a
+
sse
+
mos
radical
 
vogal temática
 
desinência verbal
 
desinência verbal

Afixos

Existem, ainda, elementos que servem para formar novas palavras, a partir do radical: são os afixos (prefixos, quando postos antes do radical; sufixos, quando postos depois do radical).

Exemplos:

infeliz; felizmente.

A partir da análise desses elementos, designam-se os processos de formação das palavras. Basicamente são dois os processos: derivação e composição.

Formação das Palavras – Derivação

Antes de iniciarmos o estudo da formação de palavras, é fundamental observar que na língua portuguesa, há a seguinte classificação de palavras:

a) Palavras primitivas: são palavras que não provêm de outras.

Exemplos:

casa, leite, flor

b) Palavras derivadas: são palavras que provêm de outras.

Exemplos:

caseiro, leiteiro, floricultura

c) Palavras simples: são palavras que possuem um só radical.

Exemplos:

boi, cavalo, água

d) Palavras compostas: são palavras que possuem mais de um radical.

Exemplos:

couve-flor, passatempo, água-marinha

Existem, basicamente, dois processos de formação de palavras: a derivação e a composição. Pelos processos de derivação, formamos palavras a partir de radicais de outras, já existentes. Ou seja, derivação é o processo pelo qual se cria uma palavra a partir de outra palavra já existente. A derivação pode ocorrer de cinco maneiras diferentes:

a) derivação por prefixação: associa-se um prefixo a um radical.

Exemplo:

IN+ feliz = INFELIZ

b) derivação por sufixação: associa-se um sufixo a um radical

Exemplo:

FELIZ +MENTE

c) derivação por prefixação e sufixação: são associados um prefixo e um sufixo a um radical.

Exemplo:

IN+FELIZ+MENTE

d) derivação por parassíntese: neste caso, são associados, simultaneamente, um prefixo e um sufixo a um radical. Verifique que, com um só elemento (prefixo ou sufixo), não é possível formar uma palavra.

Exemplo:

EN+VELH+ECER.
Prefixo: EN
Radical: VELH
Sufixo: ECER

e) derivação regressiva: a palavra nova é obtida ao reduzir-se a palavra primitiva.

Exemplos:

lutar - luta

combater - combate

chorar - choro

 

f) derivação imprópria (chamada também de conversão): Neste caso, nada se acrescenta ou se retira da palavra. É apenas uma questão de como a usamos na frase. A palavra muda de classe gramatical sem que tenha sofrido nenhuma alteração. Muitas vezes, empregamos um adjetivo como se fosse substantivo, ou um verbo como se fosse substantivo. A mudança é de natureza morfológica, ocorrendo pelo contexto em que a palavra é utilizada.

Exemplos:

O jantar está delicioso (substantivo jantar derivado do verbo jantar)

O desagradável é sua maneira de falar.
(substantivo desagradável derivado do adjetivo desagradável).

Um sorrir atrai as pessoas.
(substantivo sorrir derivado do verbo sorrir).

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Sumário

- Radical
- Desinências
- Vogal Temática
- Afixos
- Formação das Palavras – Derivação
- Formação das Palavras – Composição
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