Totalitarismo

Fascismo na Itália

Nos anos que se seguiram após a Primeira Guerra Mundial, a Europa passou a sofrer de desemprego, inflação e distúrbios sociais. Havia descontentamento popular em relação aos tratados de paz da Primeira Guerra Mundial, e muitas pessoas temiam a expansão do socialismo russo. Os ditadores se aproveitaram dessas condições para tomar o poder em alguns países europeus.

Apesar de a Itália ter sido um dos países vitoriosos na Primeira Grande Guerra, parecia-se mais como uma nação derrotada. O país sofreu terríveis perdas - mais de um décimo da população jovem masculina morreu na guerra. Além disso, o acordo de paz em Versalhes - o Tratado de Versalhes - rendeu ao país poucos ganhos territoriais.

Após a guerra, havia na Itália falta de alimentos, aumento de preços, desemprego e falências. Descontentes com a falta de ação por parte do governo, os camponeses invadiram terras e os trabalhadores realizaram greves violentas. Ao mesmo tempo, os partidos políticos socialistas e comunistas ganhavam muitos adeptos entre a população. A revolução dos bolcheviques na Rússia fez com que muitos temessem que um fenômeno parecido ocorresse em seu país.

Diante desses problemas, muitos italianos se voltaram para uma ideologia chamada fascismo. Os fascistas enfatizavam o nacionalismo e colocavam os interesses do Estado acima dos interesses individuais. O fascismo afirmava que, para fortalecer a nação, o poder tinha que permanecer nas mãos de um único e forte líder e de um pequeno grupo de leais membros partidários. Os fascistas alegavam que diferenças políticas dividiam e enfraqueciam a nação.

O crescimento do movimento fascista era, em parte, uma reação contra a revolução socialista na Rússia. Os fascistas alegavam que o socialismo incentivava os conflitos entre classes e tornava as pessoas mais leais à sua classe socioeconômica do que ao seu país.

O porta-voz do fascismo italiano era Benito Mussolini. Nascido em 1883, Mussolini foi adepto do socialismo durante certo tempo. Porém, retirou-se do movimento quando os socialistas se opuseram à entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial. Em 1919, Mussolini e seus seguidores organizaram o Partido Fascista.


Benito Mussolini

Mussolini ganhou o apoio de um grande número de italianos. Comerciantes, funcionários públicos e proprietários de terras desejavam um governo forte que acabasse com as greves e reprimisse o poder político da classe operária. O fascismo também ganhou adeptos entre a classe média italiana, que incluía universitários, lojistas e profissionais liberais.

Os soldados e veteranos de guerra também foram atraídos pelo fascismo. Mussolini prometia trazer de volta a glória e o poder militar da antiga Roma. Seu sonho de um novo império italiano apelava aos nacionalistas e oficiais do exército. Os veteranos de guerra, muitos deles desempregados e pobres, sentiam que a Itália não dava valor ao sacrifício feito por eles durante a Primeira Guerra Mundial. Eles admiravam o militarismo do partido fascista, pois os fascistas usavam uniformes de camisa preta, carregavam armas e faziam passeatas nas ruas.

No início de 1922, o Partido Fascista contava com mais de 300 mil membros e controlava diversas cidades importantes. Em outubro do mesmo ano, Mussolini tentou tomar o poder. Falando em um grande comício declarou: "Ou eles nos entregam o governo, ou vamos tomá-lo invadindo Roma". Alguns dias depois, milhares de fascistas começaram a marchar em direção à cidade. Quando os principais oficiais do governo, exército e polícia apoiaram os fascistas, o rei Vítor Emanuel III fez de Mussolini o chefe do governo italiano.


Em primeiro plano, à direita o rei da Itália, Vítor Emanuel III, a esquerda o general Joffre

Mussolini sempre declarou que a democracia era um sistema fraco e ineficaz. Assim sendo trabalhou para estabelecer uma ditadura na qual o Partido Fascista teria total controle do país. Aboliu todos os outros partidos políticos, formou uma polícia secreta para espionar possíveis inimigos, e prendeu muitos oponentes. O governo também passou a controlar toda a imprensa na Itália.

O programa de Mussolini para fortalecer seu país incluía mudanças sociais e econômicas. Mussolini dificultou a emigração da Itália, criou novos impostos para homens solteiros, limitou o número de empregos disponíveis para mulheres e incentivou as famílias italianas a terem mais filhos.

Os fascistas queriam que a Itália se tornasse autossuficiente, e não mais dependesse de qualquer outro país para suprir suas necessidades. Os fazendeiros foram incentivados a utilizar métodos modernos de agricultura. Para limitar o poder dos trabalhadores e controlar a produção, Mussolini reorganizou a economia. Todas as áreas de produção, fazendas, indústrias e meios de transporte foram divididas entre 22 sindicatos nacionais, cada um organizado como uma corporação. As uniões trabalhistas foram banidas, e cada sindicato controlava salários, preços e horas de trabalho em sua área.

Mussolini fez grandes esforços para ganhar a lealdade do povo. Nas escolas, as crianças eram ensinadas a admirá-lo como Il Duce, que significa o "Líder" e a aceitar suas ideias sem questionamento. Os professores nas universidades deveriam jurar lealdade ao Estado fascista. A propaganda do governo dizia ao povo italiano que o fascismo havia acabado com o crime, a pobreza e com os problemas do proletariado. Mussolini prometeu que seu novo Império Romano iria controlar o mundo Mediterrâneo.

Mas Mussolini e os fascistas nunca transformaram a Itália em um Estado totalitarista absoluto. Industriais, proprietários de terra, a Igreja Católica e o exército permaneceram exercendo grande influência no país.

Nazismo na Alemanha

A derrota alemã na Primeira Guerra Mundial causou grande desgraça ao kaiser (imperador) e deixou a população daquele país em choque. Em novembro de 1918, soldados, marinheiros e trabalhadores, cansados das guerras, tomaram o controle de várias cidades alemãs. Eles, então, declararam a república, e o kaiser Guilherme II abdicou, fugindo para a Holanda. Um dia depois, a Alemanha se rendeu aos Aliados e aceitou o armistício.


O kaiser Guilherme II e o príncipe Rupprecht, da Alemanha, inspecionam canhão inglês capturado em Cambrai

Foi eleita uma assembleia nacional que se reuniu na cidade de Weimar em fevereiro de 1919, tendo sido adotada uma constituição republicana. A nova Alemanha, conhecida como República de Weimar, passou a ser liderada por membros do Partido Social Democrata - políticos moderados que lutavam pelo sucesso da democracia.

Contudo, o povo alemão tinha pouca experiência com a democracia parlamentarista. Governados por um kaiser desde a unificação da Alemanha em 1871, os alemães estavam acostumados a formas autocráticas de governo. Alguns acreditavam que a democracia era uma forma fraca de governo e inapropriada para a nação alemã.

Extremistas alemães de esquerda e de direita desprezavam o governo de Weimar. Os esquerdistas eram os comunistas, que queriam estabelecer um governo semelhante ao da Rússia Soviética. Em 1919, levantes comunistas ocorreram em diversas cidades da Alemanha e mesmo não tendo sucesso, alarmaram o povo alemão.

Os críticos de direita da República de Weimar eram nacionalistas alemães, líderes militares, grandes proprietários de terra e industriais. Não aprovavam a democracia e consideravam os sociais democratas um pouco melhores que os comunistas. Temiam, ainda, que o governo assumisse o controle da indústria e realizasse a reforma agrária no país.

Alguns alemães até espalharam boatos de que a Alemanha nunca havia sido realmente derrotada na guerra. Eles declaravam que os líderes da República de Weimar haviam traído a Alemanha exigindo a paz. (Na realidade, o que aconteceu foi o oposto: os generais do exército alemão foram os que exigiram o armistício). Os nacionalistas e militares alemães queriam romper o Tratado de Versalhes, pois pretendiam reconstruir o exército alemão, o que era proibido pelo Tratado, e fazer da Alemanha novamente uma potência mundial.

Hitler e o Partido Nazista

Um dos mais severos críticos da República de Weimar foi Adolf Hitler. Nascido em 1889, em uma pequena cidade da Áustria, Hitler abandonou a escola aos 16 anos e foi para Viena. Sonhava se tornar um artista famoso, mas fracassou por falta de talento. Hitler comemorou o início da Primeira Guerra Mundial e se ofereceu como voluntário para servir no exército alemão, onde foi duas vezes honrado por sua bravura.


Adolf Hitler

Durante seus anos em Viena, Hitler adotou ideias racistas e extremistas que eram comuns no século XIX. Após a Primeira Guerra Mundial, ele se uniu a um pequeno grupo nacionalista em Munique. O grupo era chamado de Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, mas era conhecido como Partido Nazista. Hitler provou ser um orador e organizador tão eficaz que logo se tornou líder do partido.

Com Hitler na liderança do partido, este logo começou a crescer. Passeatas e assembleias em massa empolgavam multidões fascinadas pelos discursos de Hitler em que ele atacava o Tratado de Versalhes e o governo de Weimar. Em 1923, os nazistas tentaram depor o governo do estado alemão da Baviera. A tentativa falhou, e Hitler foi levado à prisão. Enquanto estava na prisão escreveu um livro intitulado Mein Kampf, que significa "Minha Luta", onde expressa seus ideais.

O Mein Kampf apresenta dois temas principais: racismo e nacionalismo. Hitler afirmava que os alemães pertenciam a uma raça superior descendente do povo ariano. Considerava os judeus, eslavos e outros povos como "raças inferiores" que provocavam o enfraquecimento da Alemanha. Hitler culpava os judeus por todos os problemas do país: derrotas na guerra, alto desemprego e expansão do comunismo.

Hitler incitava o povo alemão a reconstruir sua força militar, para retomar as terras que haviam perdido com o Tratado de Versalhes, e a criar um grande império alemão na Europa.

Crises Econômicas

Movimentos como o nazismo costumam ter sucesso em tempos difíceis quando o povo está desempregado, com fome, inseguro e desorientado. De 1919 a 1924, a República de Weimar enfrentou uma crise após a outra. A Alemanha chegou próxima a um colapso econômico em 1923, quando a inflação fez a moeda perder totalmente seu valor. Os alemães tinham que carregar sacos enormes de dinheiro apenas para comprar poucos alimentos. Os nazistas conquistaram muitos seguidores nestes anos. Contudo, entre 1924 e 1929, as condições econômicas melhoraram e o crescimento do Partido Nazista diminuiu.

No outono de 1929, a grande depressão econômica atingiu o mundo. Em quase todos os países o comércio caiu, os bancos entraram em colapso e as fábricas fecharam. Os preços das ações despencaram, os negócios faliram e o desemprego se espalhou. Os alemães foram particularmente afetados. Por volta de 1932, mais de seis milhões de pessoas estavam desempregadas, quase metade da força de trabalhado do país.

O Apelo Nazista

A estratégia política de Hitler era simples e eficiente. Simplesmente repetia o que o povo queria ouvir; arranjou-lhes um inimigo para odiar e uma causa pela qual lutar. Manipulava as emoções do povo com discursos inflamados e usava a violência para impressioná-los com o poder do Partido Nazista. Chamando a si mesmo de Der Fuhrer, o "Líder", prometeu que livraria a Alemanha do caos em que se encontrava.

Assim como na Itália, muitos estavam descontentes com um governo democrático, mas fraco, e desejosos de uma liderança forte. O nazismo tinha um apelo particularmente forte para a população mais pobre da classe média pois acreditavam que Hitler iria protegê-los contra os grandes industriais e os comunistas.

Muitos jovens desempregados uniram-se aos "camisas marrons" - o exército particular de Hitler. Eles recebiam comida, abrigo, uniformes, e aprendiam que estavam lutando em prol do fortalecimento de seu país. Grupos de "camisas marrons" atacavam judeus, interrompiam reuniões de políticos rivais e lutavam contra comunistas nas ruas da Alemanha.

No final de 1932, os nazistas formavam o mais forte partido político na Alemanha. Ainda estavam longe de ser maioria no Reichstag - o parlamento alemão. Nessa época, Hitler recebeu muita ajuda de um pequeno grupo de poderosos industriais, de proprietários de terra, banqueiros e generais. A maior parte dessas pessoas não compartilhava as mesmas visões extremistas de Hitler, mas estavam impressionadas com seu anticomunismo e suas promessas de reconstruir a Alemanha. Em janeiro de 1933, conseguiram persuadir Paul von Hindenburg, o herói de guerra de 86 anos que havia se tornado presidente da República de Weimar, a nomear Hitler seu chanceler.


Paul von Hindenburg

As eleições para o Reichstag foram marcadas para março de 1933. Pouco antes da data, um incêndio provavelmente provocado pelos nazistas, queimou o edifício do Reichstag. Hitler declarou que o incêndio era o início da tomada comunista. Ele convenceu Hindenburg a assinar leis limitando a liberdade de imprensa e de expressão. O partido Comunista também foi banido da Alemanha.

A Alemanha de Hitler

O recém-eleito Reichstag deu a Hitler poder absoluto. Ele rapidamente tomou medidas para tornar a Alemanha um estado totalitário. Assim nasceu o Terceiro Reich - o sucessor do Sacro Império Romano (Primeiro Reich) e do Império Alemão dos kaisers (Segundo Reich).

Novas leis proibiam os sindicatos, estabeleciam tribunais para julgamentos secretos e baniam todos os partidos políticos, exceto o nazista. Hitler também assumiu o controle do exército. Os líderes militares nada fizeram para impedir a tomada nazista. Os generais ainda acreditavam que podiam manter Hitler sob controle.

Mas Hitler não recebia ordens de ninguém. Ele matava e torturava seus inimigos. Em 1934, ordenou o expurgo de seus próprios "camisas marrons". Os guardas pessoais de Hitler, liderados por Heinrich Himmler, prenderam e mataram aproximadamente mil oficiais. A Gestapo, ou a polícia secreta nazista, também garantia que as ordens do líder nazista fossem obedecidas.


Heinrich Himmler

A violência mais grave do regime nazista foi empregada contra os judeus. O antissemitismo se tornou política oficial do governo. Os judeus perderam sua cidadania e foram proibidos de exercer cargos governamentais, possuir empresas ou trabalhar em suas profissões. As lojas recusavam-se a vender para eles, e os proprietários de imóveis não alugavam suas casas ou apartamentos para judeus. Placas que diziam: "Os judeus são estritamente proibidos nesta cidade" ou "Os judeus entram aqui a seu próprio risco" eram colocadas em todos os lugares. Muitos judeus fugiram da Alemanha, deixando tudo que lhes pertencia para trás.

Quando um jovem judeu matou um diplomata alemão nazista em Paris, os nazistas usaram o incidente como pretexto para aumentar o terror contra os judeus. Em 10 de novembro de 1938, gangues nazistas incendiaram sinagogas por toda a Alemanha e saquearam casas e lojas de judeus. Muitos judeus foram mortos ou feridos, e milhares foram presos durante a Kristallnacht, ou a "Noite dos Cristais".

A maioria dos alemães não estava preocupada com o terror do regime nazista. Ao contrário, estavam satisfeitos com a melhoria das condições econômicas resultante das políticas nazistas. Os nazistas tomaram medidas para reconstruir a economia, ajudar os comerciantes e reviver secretamente a indústria alemã de armas (algo proibido pelo Tratado de Versalhes). Nos primeiros cinco anos de governo nazista, o número de desempregados caiu de seis milhões para quase zero, e o padrão de vida dos trabalhadores melhorou. A recém-adquirida prosperidade da Alemanha fez com que Hitler conquistasse a lealdade da maioria dos cidadãos do país.

Os nazistas também eram mestres na arte da propaganda enganosa, e como controlavam a imprensa, usavam todas as formas de mídia para expandir suas ideias. Havia forte incentivo para que crianças e jovens se orgulhassem de pertencer a grupos de jovens nazistas. Livros que valorizavam a democracia ou discordavam da guerra, assim como aqueles escritos por autores judeus foram queimados. Como aconteceu na União Soviética, todos os livros didáticos foram reescritos para estar de acordo com os ideais do governo. Os livros científicos passaram a proclamar a superioridade do povo ariano.

Por volta de 1938, muitos alemães sentiam-se felizes com o governo nazista. Os negócios iam bem, as pessoas tinham emprego e as forças armadas do país haviam sido reconstruídas.

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