Segunda Revolução Industrial

Segunda Revolução Industrial

De 1760 a 1830, a indústria se desenvolveu praticamente apenas na Inglaterra. A Primeira Revolução Industrial foi caracterizada pela produção de bens de consumo pela indústria inglesa, que produzia tecidos de algodão em máquinas feitas de ferro e movidas a vapor.

Na segunda metade do século XIX, outros países, como Itália, Alemanha, França, Rússia, Japão e Estados Unidos, passaram a se industrializar. O processo industrial se transformou de forma tão rápida e significativa que ocorreu uma Segunda Revolução Industrial.

O que se chama de Segunda Revolução Industrial é a introdução de novas técnicas e formas de energia – o que transformou a acumulação capitalista. De fato, a interação entre a ciência e a tecnologia provocou um grande salto na capacidade produtiva da indústria. O vapor foi substituído como fonte de energia pelo petróleo e pela eletricidade. Essas duas novas fontes de energia aceleraram a expansão industrial e econômica, transformando a vida da maioria dos habitantes do mundo.

A energia elétrica havia sido desenvolvida a partir da descoberta do dínamo, em 1831, por Michael Faraday. Porém, a eletricidade foi usada industrialmente apenas depois de 1873, quando foram construídos os primeiros motores elétricos. Em 1882, a energia elétrica passou a ser transmitida através de cabos e fios a grandes distâncias. Isto possibilitou o aproveitamento da força hidráulica das quedas d’água para a construção de usinas hidrelétricas.

Já o uso do petróleo como combustível decorreu do aperfeiçoamento do motor a combustão interna, ocorrido na Alemanha e nos Estados Unidos, depois de 1886. Em 1892, o engenheiro alemão, Rudolf Diesel, construiu um motor que funcionava com o óleo cru (sem a necessidade de ser refinado). Isto facilitou a construção dos primeiros automóveis, no final do século XIX. A invenção do motor a explosão aumentou a demanda por petróleo, impulsionando a indústria química.

Durante a Segunda Revolução Industrial, o ferro foi substituído pelo aço.  Surgiram indústrias de base, siderúrgica e química, que se tornam grandes complexos industriais. Nos países que se industrializaram, o mercado passou a ser controlado por apenas algumas grandes empresas. O capitalismo era, portanto, monopolista.

Os países se industrializam

Na segunda metade do século XIX, alguns países que consumiam mercadorias inglesas passaram a apoiar seu próprio processo de industrialização. Eles decidiram criar tarifas alfandegárias, que tornariam os produtos importados menos acessíveis para a sua população. Desta forma, a indústria local seria protegida e teria a oportunidade de se desenvolver para competir com as indústrias estrangeiras.

Na Alemanha, esse processo ocorreu após a unificação nacional do Império Alemão, o que ocorreu em 1871. Devido ao seu forte sistema bancário e à sua avançada tecnologia, a indústria alemã, em relativamente pouco tempo, passou a disputar os mercados mundiais com a Inglaterra.

Na Itália, foi também a conquista de autonomia política que permitiu a industrialização do país. Isto ocorreu na década de 1880. Tecelagens, estaleiros e indústrias ferroviárias foram estabelecidos no norte da Itália.

Nos Estados Unidos, que é hoje o maior país capitalista do mundo, o processo de industrialização foi acelerado após a guerra civil norte-americana, a Guerra de Secessão (1861-1865). A vitória do Norte, que era industrializado e empregava mão de obra livre, sobre o Sul, cuja economia era predominante agrícola e onde predominava a grande propriedade monocultura e a mão de obra escrava, preservou a unidade do território nacional do país e estabeleceu as bases de uma forte proteção alfandegária que contribuiu para o desenvolvimento de seu mercado consumidor.

No Japão, a industrialização nacional ocorreu após a Revolução Meiji, que, na década de 1860, praticamente aboliu o feudalismo no país e centralizou o poder político da nação nas mãos do imperador. O Japão adotou a tecnologia ocidental, utilizando-a para estabelecer uma poderosa indústria.

Na Rússia, ocorreu a industrialização durante a década de 1890. O país importou capital e tecnologia de países como Inglaterra, Alemanha e França.

A transformação da indústria

Durante a Segunda Revolução Industrial, empresários, tendo o propósito de expandir suas empresas e aumentar seus lucros, passaram a investir em pesquisa científica. Novas fontes de energia passaram a ser utilizadas. Com o aperfeiçoamento da transmissão de energia elétrica por longas distâncias, países que possuíam pouco carvão passaram a utilizar a eletricidade como força motriz. Também foi desenvolvido o processo de fabricação de aço a baixo custo. A indústria química também passava por grandes avanços: fibras e corantes sintéticos vieram a substituir a produção de tecidos à base de matérias-primas naturais.

A agricultura também se desenvolvia: a utilização de máquinas e de fertilizantes químicos resultou no aumento da produção de alimentos, o que assegurou o crescimento da população europeia durante o século 19.

A formação das grandes empresas

Devido à fantástica expansão técnico-científica, houve uma grande mudança no perfil das organizações empresariais capitalistas. As empresas buscavam prevalecer sobre suas concorrentes na conquista de mercados consumidores. As pequenas empresas, que não conseguiam competir com as grandes, foram à falência ou acabaram sendo adquiridas por companhias mais poderosas. Ao absorver as pequenas empresas, as grandes companhias passaram a controlar a maior parte do mercado em um determinado ramo da produção. Por exemplo, a Standard Oil Company dos Rockefeller absorveu, a partir de 1873, a maioria das pequenas companhias de petróleo.

Esse processo deu origem, nos Estados Unidos, aos primeiros trustes – a fusão de várias empresas do mesmo ramo com o objetivo de dominar o mercado. Na Alemanha, foram criados cartéis – associações de indústrias do mesmo setor econômico, que dividiam o mercado entre si e fixavam o preço de venda de seus produtos. O propósito dos cartéis era o mesmo do truste: a eliminação da concorrência.

Além da concentração de capitais, a Segunda Revolução Industrial foi caracterizada pelo controle, cada vez maior, dos bancos sobre as grandes indústrias. Se estas não criavam os seus próprios bancos, elas passavam a depender, cada vez mais, de empréstimos bancários para financiar suas operações.  Essa fase do sistema capitalista é, portanto, chamada de capitalismo monopolista ou capitalismo financeiro.

Após a Segunda Revolução Industrial, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e França passaram a controlar, juntos, 80% do capital financeiro mundial. Esta concentração permitiu a exportação de capital para os países menos desenvolvidos, o que proporcionou lucros enormes para os países mais desenvolvidos. Os países pobres tomavam empréstimos e gastavam o dinheiro ao importar dos próprios países ricos. Estes, portanto, lucravam com as vendas e também com os empréstimos (juros).

A Segunda Revolução Industrial gerou o consumo de massa, pois a redução dos preços dos produtos e a generalização do trabalho assalariado ampliaram muito o mercado. A produção em massa ocorreu devido a novos métodos de produção, entre eles, a linha de montagem criada por Henry Ford, e a racionalização do trabalho, método inventado por F. Taylor.

A primeira grande crise do sistema capitalista

A concentração de capitais resultou no aumento da produção industrial, mas foi também responsável pelo empobrecimento da classe trabalhadora. Isto porque nas fábricas e nos campos, as máquinas passaram a substituir o trabalho humano, o que resultou num maior índice de desemprego e na redução dos salários, pois, devido à nova tecnologia, havia mais mão de obra que oportunidades de emprego.

Muitos camponeses empobrecidos migravam para as cidades em busca de trabalho. Os que tinham a possibilidade emigravam para países como os Estados Unidos, que, devido ao seu crescimento econômico, ofereciam mais oportunidade de trabalho.

Durante os anos 1873-1896, o sistema capitalista passou pela sua primeira grande crise, que decorreu da própria evolução do capitalismo. Esta crise ocorreu porque era produzido muito mais do que a população trabalhadora tinha possibilidade de adquirir. O desenvolvimento capitalista na Europa e nos Estados Unidos exigia novos mercados para a comercialização de produtos industriais e para a aplicação de capitais excedentes. Além disso, era necessário garantir o acesso às fontes de matérias-primas. Todas essas necessidades resultaram na busca por mercados consumidores fora da Europa e na implantação de colônias na África e na Ásia. Inicia-se o novo colonialismo: a era do imperialismo.

Avanços nos Sistemas de Transporte

Os primeiros contatos entre a Europa e grande parte do mundo não Ocidental ocorreram durante a Era das Explorações. Com a Revolução Industrial, estes contatos se expandiram. Avanços tecnológicos facilitaram as viagens e a comunicação; o crescimento populacional levou muitos europeus a imigrarem para novas terras. Poderosas nações europeias, ávidas por riquezas e prestígio, começaram a colonizar vastos territórios.

No final do século XIX, foram construídas ferrovias por todo o mundo. Nas Américas, Austrália e África, as ferrovias ligavam as regiões costeiras povoadas com o interior. Na Europa, elas reduziram o tempo de viagem entre as cidades.

A viagem de trem era mais barata e rápida que outras formas de transporte. Outro grande desenvolvimento no transporte foi a invenção dos navios a vapor. Assim como os trens, os navios movidos a vapor transportavam pessoas e bens mais rapidamente e de forma mais barata.

A abertura do Canal de Suez, em 1869, revolucionou a navegação no mundo. Antes disto ocorrer, a viagem da Europa para a Ásia exigia que os navios fizessem todo o caminho ao redor da África. O canal permitia que estes navios seguissem através do Mediterrâneo oriental para o Mar Vermelho.

O Canal do Panamá, cuja construção foi terminada em 1914, era outro meio de viagem no Hemisfério Ocidental. Navios vindos do Atlântico em direção ao Pacífico agora poderiam passar pelo Caribe em vez de viajarem ao redor da América do Sul.

Avanços nos Sistemas de Comunicação

Juntamente com os avanços no transporte foram feitas inúmeras inovações nas comunicações. O telégrafo, criado por Samuel F. B. Morse em 1837, enviava mensagens por meio de impulso elétrico. Em 1851, a primeira linha de telégrafo subaquática foi instalada através do Canal da Mancha, ligando a Grã-Bretanha ao resto da Europa. Em 1866, foi instalado o primeiro cabo transatlântico, que se estendia da Irlanda até o leste do Canadá.


Samuel F. B. Morse

A invenção do telefone, originada por Alexander Graham Bell em 1876, foi uma consequência do telégrafo. O telefone foi utilizado imediatamente em áreas pequenas, e posteriormente foram desenvolvidos aparelhos telefônicos para longas distâncias. Em 1895, Guglielmo Marconi, um inventor italiano, enviou a primeira mensagem de rádio "sem fio". Diferente do telégrafo, o rádio não precisava de fios, pois utilizava ondas eletromagnéticas.


Guglielmo Marconi

O Mercado Mundial

O progresso no transporte e nas comunicações afetou a maneira na qual os bens passaram a ser comprados e vendidos. Comerciantes de determinados produtos agora podiam obter informações sobre preços ao redor do mundo todos os dias. Eles compravam bens onde os preços eram mais baixos, e os vendiam onde os preços eram altos. Esta competição causou a queda dos preços no mundo inteiro.

O desenvolvimento de um mercado mundial também foi apoiado por novas políticas de livre-comércio. Durante a última metade do século XIX, muitos governos removeram barreiras ao comércio exterior. Comerciantes agora poderiam vender seus bens livremente na Europa.

Além disso, todas as principais nações industrializadas adotaram o padrão ouro - elas garantiam que qualquer pessoa que possuísse dinheiro em sua moeda nacional poderia trocá-lo por um valor equivalente em ouro. O padrão ouro deu aos comerciantes do Ocidente segurança em relação à utilização de moedas de diferentes países, o que incentivou o comércio internacional.

À medida que o comércio crescia durante o século XIX, os bancos europeus abriam filiais em muitas partes do mundo. Esta rede de bancos facilitou a transferência de fundos e a conversão de moedas, ajudando os europeus a conduzirem seus negócios internacionalmente.

Imigrações

Os avanços científicos e tecnológicos da Revolução Industrial causaram um rápido crescimento populacional na Europa. Padrões de vida mais altos e um melhor atendimento médico significavam que as pessoas em geral viviam por mais tempo. Entre 1800 e 1900, a população na Europa mais que duplicou.

Contudo, com o aumento da população houve um superpovoamento na Europa, e as oportunidades de trabalho diminuíram. Isto levou milhões de europeus a emigrarem para terras distantes; mais da metade emigrou para os Estados Unidos. A maioria de emigrantes europeus mudou-se para países com território vasto e população pequena. Em lugares como Brasil, Canadá, África do Sul, Austrália e Argentina, os emigrantes encontraram melhores oportunidades socioeconômicas que as disponíveis em seus locais de origem.

Os emigrantes europeus incluíam eruditos, artistas, comerciantes ricos, revolucionários da classe operária, e jovens aventureiros à procura de fortunas. O emigrante típico, porém, era fazendeiro ou artesão que tinha dificuldade em encontrar trabalho na Europa. A maioria estava sofrendo com as mudanças resultantes da Revolução Industrial.

Muitas pessoas viajaram para novas terras apenas temporariamente. Eles trabalhavam lá durante tempo suficiente para ganharem dinheiro para poderem voltar a Europa e comprar mais terras e maquinário. A viagem transatlântica, antes longa e perigosa, agora era mais barata e segura. Historiadores estimam que, por exemplo, mais da metade dos europeus que partiram para a Argentina e um terço daqueles que seguiam para os Estados Unidos no século XIX eventualmente retornaram à Europa.

O fim do século XIX e o início do século XX foram épocas de grandes emigrações de povos da Ásia. Muitos japoneses emigraram para a costa oeste dos Estados Unidos. Mais de 12 milhões de chineses se mudaram para o Sudoeste da Ásia e para os Estados Unidos. Milhões de pessoas da Índia fixaram-se no Sudoeste da Ásia e no sudeste e leste da África.

Entre os emigrantes asiáticos estavam milhares de armênios, um povo que vivia sob o domínio otomano. Injustamente suspeitados de deslealdade, os armênios sofreram genocídio - a destruição sistemática de um povo - e deportação pelos otomanos. Entre 1894 e 1922, mais de 1,5 milhões de armênios foram assassinados. Muitos sobreviventes fugiram para os Estados Unidos ou outros países. Este genocídio de armênios é um dos mais vergonhosos e pouco conhecidos episódios da história humana.


Armênios

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Sumário

- Os países se industrializam
- A transformação da indústria
- A formação das grandes empresas
- A primeira grande crise do sistema capitalista
- Avanços nos Sistemas de Transporte
- Avanços nos Sistemas de Comunicação
- O Mercado Mundial
- Imigrações
- A Era do Imperialismo

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