Os Estados Unidos Pós-Segunda Guerra

Os Estados Unidos Pós-Segunda Guerra

Para os Estados Unidos, o período do pós-Segunda Guerra Mundial foi um de paz e prosperidade. Os norte-americanos usaram o dinheiro que haviam economizado durante a Segunda Guerra Mundial para adquirir bens de consumo que não estavam disponíveis durante o conflito. Com o subsequente boom da economia, milhares de pessoas encontraram emprego nos Estados Unidos. Os norte-americanos estavam ganhando mais dinheiro e a nação tinha o mais alto padrão de vida de todo o mundo.

A sociedade norte-americana também estava mudando. A população dos Estados Unidos cresceu muito devido à alta taxa de natalidade: soldados retornando da guerra estabeleceram famílias e tiveram filhos. Os avanços médicos também elevaram a expectativa de vida dos norte-americanos. Uma lei imposta em 1965 permitiu que mais asiáticos e latino-americanos imigrassem para o país.

O Crescimento do Governo Federal

O presidente Franklin D. Roosevelt, que havia governado os Estados Unidos durante os anos 1933-1945, combateu a Grande Depressão da década de 1930 ao aumentar o papel do governo na economia nacional. Essa política de "big government" (grande governo) foi continuada pelos presidentes norte-americanos do pós-guerra.

Os presidentes do Partido Democrata (centro-esquerda) promoveram mudanças sociais e uma maior igualdade econômica nos Estados Unidos. Harry Truman (1945-1953) aumentou o salário mínimo, construiu casas para pessoas de baixa renda e expandiu o Social Security (a Previdência Social) dos Estados Unidos. John F. Kennedy (1961-1963) iniciou vários programas governamentais para dar oportunidades de trabalho aos pobres e oferecer segurança econômica para idosos e incapacitados. Jimmy Carter (1977-1981) fundou o Departamento da Energia para conservar e desenvolver pesquisas sobre energia e o Departamento da Educação para melhorar o sistema educacional norte-americano.


Jimmy Carter

Três presidentes norte-americanos do Partido Republicano (centro-direita) que governaram durante o período pós-guerra foram Dwight Einsenhower (1953-1961), Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977). Esses presidentes também introduziram novos programas sociais nos Estados Unidos, mas em um grau menor que os Democratas.

Ronald Reagan, um Republicano eleito em 1980, foi o primeiro presidente do pós-guerra a tomar medidas para diminuir o papel do governo federal na economia norte-americana. Reagan acreditava que o governo interferia demais na vida dos cidadãos. Na sua visão, muitas medidas tomadas pelo governo federal poderiam ser melhores executados por governos locais e estaduais. Reagan também afirmava que os altos gastos do governo prejudicavam o crescimento econômico dos Estados Unidos.

Durante o governo de Ronald Reagan, o financiamento de muitos programas sociais do governo foi reduzido; alguns programas foram eliminados por completo. Contudo, Reagan não desmantelou a maior parte dos programas sociais instituídos por administrações passadas. A maioria do povo norte-americano ainda acreditava que o governo federal exercia um papel fundamental na sociedade.


Ronald Reagan

Havia um importante motivo para o envolvimento do governo federal no funcionamento da economia do país: muitos norte-americanos não compartilhavam da prosperidade da era pós-guerra. Porém, as consequências da intervenção econômica do governo não foram totalmente benéficas: gastos elevados com programas sociais e o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã resultaram em inflação no país durante a década de 1970. Posteriormente, além de inflação, a sociedade norte-americana sofreu um crescimento no desemprego.

Sob a administração de Reagan, a inflação foi reduzida e controlada e o desemprego diminuiu. Porém, o déficit no orçamento federal - a quantia em que os gastos do governo excedem a receita - cresceu muito durante a década de 1980. A balança comercial dos Estados Unidos também piorou, pois o país passou a importar muito mais que exportava.

Lutas por igualdade

Após a Segunda Guerra Mundial, um forte movimento por direitos civis surgiu nos Estados Unidos. Diversos grupos sociais, especialmente os negros, buscavam tratamento igual perante a lei e suas sociedades após terem sofrido décadas de discriminação.

Apesar de muitos negros nos Estados Unidos desfrutarem de maiores oportunidades que seus antepassados, eles ainda sofriam discriminação, segregação e racismo. Na década de 1940, os líderes de movimentos em favor dos direitos civis começaram a exigir o fim da segregação entre brancos e negros na América. Esses líderes levaram sua causa aos tribunais federais. Como consequência, a partir de 1941, a Suprema Corte dos Estados Unidos passou a banir diversas formas de segregação.

As pessoas que lutavam em favor dos direitos civis usaram outros meios, além de apelos aos tribunais federais, para alcançar seus objetivos. Seguindo o exemplo do líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, os negros norte-americanos passaram a buscar justiça por meio de atos pacíficos. O maior líder negro da história norte-americana foi um pastor batista chamado Martin Luther King, Jr. Ele liderou um movimento não violento e organizou passeatas e boicotes, onde justiça e igualdade eram exigidas.


Martin Luther King Jr

O governo federal também exerceu um papel fundamental na luta em favor dos direitos civis nos Estados Unidos. Com o apoio do Presidente Johnson, o Congresso aprovou a Lei dos Direitos Civis de 1964, em que bania diversos tipos de discriminação. Outras medidas contra o preconceito racial também foram aprovadas pelo Congresso.

Durante as décadas de 1960 e 1970, outras minorias também pediam por justiça. A comunidade hispânica dos Estados Unidos iniciou sua própria campanha em favor dos direitos civis. Os indígenas no país criticavam as políticas do governo que ignoravam e destruíam suas tradições. Deficientes físicos exigiam melhores oportunidades de trabalho e mais fácil acesso a construções públicas. As mulheres também buscavam igualdade e lideraram campanhas exigindo empregos em campos profissionais normalmente restritos aos homens.

Uma década de distúrbios

O período do pós-guerra nos Estados Unidos foi um de crescimento, paz e prosperidade. Porém, durante o final das décadas de 1960 e 1970, vários conflitos sociais irromperam no país.

Em meados da década de 1960, tumultos começaram a surgir em regiões habitadas por negros. Em alguns casos, a Guarda Nacional teve que ser chamada para impedir saques e incêndios de edifícios. Em 1968, ocorreram tumultos novamente quando o grande líder negro Martin Luther King, Jr. foi assassinado. Após sua morte, vários líderes negros radicais - frustrados com as mudanças sociais que consideravam insuficientes - abandonaram a política pacífica de King. Em vez disso, eles enfatizaram o "black power" (poder negro) e encorajavam o uso de força para alcançar seus objetivos. Seus protestos, muitas vezes violentos, criaram uma atmosfera de tensão e medo em diversas cidades norte-americanas.

O crescente movimento antiguerra também foi somado às tensões sociais desse período. À medida que a Guerra do Vietnã prosseguia, mais e mais americanos exigiam que os Estados Unidos deixassem o conflito. Grandes manifestações antiguerra, algumas das quais levaram à violência, foram realizadas em cidades e universidades no país.

Em 1972, os Estados Unidos estavam se retirando do Vietnã, mas uma nova crise nacional ocorreu. Em junho de 1972, houve uma tentativa de furto na sede do Partido Democrata. As investigações dessa invasão revelaram informações sobre abuso de poder praticado pela administração do presidente Richard Nixon. Esse escândalo chamado de Watergate - nome do prédio onde ocorreu o roubo - resultou na prisão de diversos oficiais do governo de Nixon e finalmente na renúncia do próprio presidente. Esses acontecimentos, que ocorreram simultaneamente à retirada norte-americana do Vietnã, reduziram a confiança dos norte-americanos em seu governo. Por outro lado, a capacidade do governo de suportar e lidar eficientemente com essas crises era um sinal claro de que o país era forte e estável.

Liderança Mundial

A Guerra Fria dominou a política internacional norte-americana durante décadas após a Segunda Guerra Mundial. As duas superpotências mundiais - os Estados Unidos e a União Soviética - competiram por poder e prestígio de diversas maneiras. O compromisso norte-americano de enfrentar a expansão do comunismo pelo mundo levou os Estados Unidos a se envolverem em conflitos internacionais.

A expansão soviética pós-guerra na Europa, assim como o clima da Guerra Fria, fez crescer o medo norte-americano em relação ao comunismo. Alguns norte-americanos começaram a se preocupar com a presença de espiões comunistas em seu próprio país. Em 1950, um senador do estado de Wisconsin chamado de Joseph McCarthy deu início a uma caçada absurda e abusiva contra supostos "espiões comunistas", acusando centenas de oficiais do governo de deslealdade. Ele destruiu a carreira de muitas pessoas, tendo feito acusações falsas sem nenhuma evidência. A campanha notória de McCarthy chegou ao fim em 1954, quando ficou claro que ele não conseguia provar suas acusações.


Joseph McCarthy

O medo da expansão do comunismo pelo mundo levou os Estados Unidos a engajar em diversos conflitos militares durante as décadas de 1950 e 1960. De 1950 a 1953, tropas norte-americanas ajudaram a defender a Coreia do Sul de uma invasão da Coreia do Norte. Após a revolução comunista de Cuba, os Estados Unidos apoiaram a invasão à Baía dos Porcos e posteriormente forçaram a remoção de mísseis soviéticos do país. Simultaneamente, o governo Kennedy começou a desenvolver armas nucleares para superar as forças nucleares soviéticas.

O envolvimento norte-americano na guerra no sudeste da Ásia também foi consequência de seu compromisso de combater o comunismo mundialmente. Os conselheiros militares dos Estados Unidos foram enviados para ajudar as forças anticomunistas na Indochina após a França ter abandonado suas colônias na região. 

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Sumário

- O Crescimento do Governo Federal
- Lutas por igualdade
- Uma década de distúrbios
- Liderança Mundial
- O sudeste asiático
i. As Filipinas
- A Guerra do Vietnã
i. O Envolvimento Norte-Americano
ii. Outros Conflitos no Sudeste da Ásia
iii. Laos
iv. Tailândia
v. Vítimas da Guerra
- Relações Diplomáticas entre Ocidente e Oriente
- A crise do petróleo
- A política internacional sob a administração Carter
- O colapso do détente
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