O Japão Pós-Segunda Guerra e as Duas Coreias

O Japão

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, os Estados Unidos controlavam grande parte do Pacífico. Entretanto, nas décadas seguintes, o Japão e outras nações asiáticas tornaram-se mais poderosas. Essa região começou a desempenhar um papel importante no comércio mundial.

A Ocupação do Japão

Após a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial, o exército dos Estados Unidos ocupou o Japão de 1945 a 1952. O objetivo de longo prazo da ocupação norte-americana era ajudar o Japão a tornar-se um país democrático.

O primeiro passo em direção a esse objetivo foi a redução do poder das forças armadas japonesas. Líderes militares japoneses foram retirados do governo e de todas as posições governamentais, e alguns foram julgados por crimes de guerra.

O próximo passo na ocupação foi realizar reformas políticas básicas. Em 1947, a Constituição autoritária da Era Meiji foi substituída por uma Constituição democrática. A nova Constituição estabeleceu a "Dieta Nacional do Japão", ou o parlamento japonês, chefiado por um primeiro-ministro. Até então, os imperadores japoneses eram considerados de origem divina; agora eles serviriam apenas como um "símbolo do estado". A nova Constituição também determinou que os japoneses deveriam sempre renunciar à guerra e que não manteriam forças militares.

A nova Constituição demonstrava claramente uma forte influência norte-americana. Entre outros direitos a Constituição garantia a educação, liberdade de expressão e de religião. Uma Corte Suprema foi estabelecida com autoridade para declarar leis inconstitucionais. Os trabalhadores ganharam o direito de negociar com seus patrões. As mulheres conquistaram direitos políticos e econômicos iguais aos homens, assim como igualdade no matrimônio e nas questões familiares. Antigas tradições japonesas, contudo, foram obstáculos na adoção dessas novas liberdades.

Outras Reformas

Durante vários séculos, grande parte do território japonês permaneceu nas mãos de grandes proprietários de terra. A maioria dos pequenos fazendeiros arrendava a terra onde trabalhava. Após a Segunda Guerra Mundial, o governo impôs limites na quantidade de terra que cada proprietário poderia possuir e comprou terras para vendê-las por preços baixos aos camponeses.

Outras reformas foram instituídas para que a distribuição das riquezas do Japão fosse mais justa. As zaibatsus - grandes firmas industriais japonesas mantidas por um grupo de famílias poderosas - foram forçadas a vender ações na bolsa de valores. Os empregados das fábricas foram incentivados a formar sindicatos.

Os japoneses também realizaram mudanças em seu sistema educacional, construindo mais universidades e começando a utilizar métodos modernos de ensino. As escolas do Japão antes da Guerra enfatizavam a lealdade e obediência ao imperador e à nação; nos anos do pós-guerra, porém, elas passaram a ensinar valores democráticos.

Em abril de 1952, o Japão conquistou total independência quando um tratado de paz, assinado com os Estados Unidos e outros 47 países, entrou em vigor. Outro tratado autorizava as forças norte-americanas no país a usar bases japonesas, dando aos Estados Unidos um importante aliado na Ásia. Os norte-americanos garantiriam a segurança japonesa contra os ataques de outros países, enquanto o Japão tinha autorização de forma uma pequena força militar de defesa nacional.

Uma Nova Prosperidade

O Japão do pós-guerra passou por grandes mudanças políticas, mas sua recuperação econômica foi ainda mais extraordinária. Entre 1946 e 1967, o produto interno bruto - o valor anual dos bens e serviços da nação - cresceu em média 10% ao ano. Esse crescimento superou a média da Alemanha Ocidental, que foi a economia de mais rápido crescimento na Europa. O Japão foi líder mundial na construção de navios, sendo que seus carros, aço, câmeras e equipamentos eletrônicos foram exportados em quantidade recorde. No final da década de 1960, o Japão havia se tornado a terceira maior potência econômica do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e União Soviética.

Há algumas razões para explicar o milagre econômico japonês. Primeiramente, mesmo antes da guerra, o país já possuía uma indústria próspera e uma comunidade empresarial que deu à nação as bases para a reconstrução após o término da guerra. Em segundo lugar, o governo japonês concedeu empréstimos para a expansão de indústrias importantes no país. Em terceiro lugar, durante a recuperação econômica do Japão, as nações ocidentais permitiram que o país protegesse suas indústrias em crescimento impondo altas tarifas de importação. Diferente do Ocidente, os trabalhadores japoneses enfatizavam o esforço coletivo: o sucesso da companhia estava acima do sucesso individual.

Apesar da prosperidade, o Japão continuava a enfrentar problemas. O país necessitava de mais terras e recursos naturais. Mesmo com melhores métodos agrícolas adotados após a guerra, o Japão não era capaz de cultivar alimentos suficientes para seu povo, e tinha que importar quase toda a soja, trigo e açúcar. O país também dependia de outras nações para conseguir matérias-primas, tais como petróleo, minério de ferro e madeira.

Além disso, o governo japonês estava tão preocupado com o crescimento econômico que muitas vezes ignorava a qualidade de vida do povo. Um crescente número de japoneses mudou-se para cidades já superpovoadas. Assim como outras nações industrializadas, o Japão também sofria de poluição demasiada.

Assuntos Internacionais Japoneses

Na década de 1980, o Japão desfrutava de um saldo positivo na balança comercial: isso significa que o país exportou mais do que importou. Mas os parceiros comerciais do Japão passaram a exigir que o país cortasse suas exportações e comprasse mais bens importados. Essa pressão veio especialmente dos Estados Unidos, onde a indústria automobilística e eletrônica enfrentava forte competição das importações japonesas. No final da década de 1980, o primeiro-ministro japonês Noboru Takeshita prometeu abrir o mercado japonês para bens estrangeiros.


Noburu Takeshita

Boas relações diplomáticas com os Estados Unidos haviam ajudado o Japão a se recuperar e crescer nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial. No início da década de 1970, à medida que as relações entre Estados Unidos e a República Popular da China (China comunista) melhoravam, os japoneses começaram a temer que o comprometimento norte-americano com seu país pudesse enfraquecer.

De acordo com sua própria Constituição, o Japão podia manter apenas uma pequena força militar de defesa nacional. O país dependia dos Estados Unidos para garantir sua segurança. Quando os Estados Unidos se aproximaram da China, muitos japoneses passaram a temer pela defesa de seu país. Como consequência, o Japão fez grandes investimentos militares na década de 1980, apesar dessa quantia ser praticamente insignificante comparada aos padrões norte-americanos. O governo dos Estados Unidos aprovou a decisão do Japão de ampliar suas forças armadas.

Relações com a China

Assim como os Estados Unidos, o Japão não reconheceu o governo comunista da China durante muitos anos. Entretanto, após a morte de Mao Tsé-Tung, o Japão passou a aprovar as políticas mais moderadas dos novos líderes chineses. Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 1972, e em 1978, assinaram um Tratado de Paz e Amizade, de 10 anos. As duas nações também estabeleceram relações comerciais, pois os chineses planejavam modernizar seu país e estavam ávidos pelos produtos industriais japoneses.

Sumário

- Japão
i. A Ocupação do Japão
ii. Outras Reformas
iii. Uma Nova Prosperidade
iv. Assuntos Internacionais Japoneses
v. Relações com a China
- As Duas Coreias
i. Comércio no Pacífico
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