Mercantilismo

Mercantilismo

As viagens de exploração iniciadas no século XV renderam vastos territórios e novas fontes de riqueza às nações europeias. As grandes mudanças comerciais e o desenvolvimento econômico ocorrido entre 1450 e 1700 são denominados de Revolução Comercial.

O Mercantilismo

Durante a Era da Exploração, os líderes europeus adquiriram grande poder e riqueza. A combinação de um enorme crescimento econômico com a expansão do poder do estado levou à prática de uma teoria econômica chamada de mercantilismo. Os mercantilistas acreditavam que o poder do estado poderia ser fortalecido se suas atividades econômicas fossem realizadas de acordo com os seguintes princípios básicos:

1. Acúmulo de riquezas

Um dos princípios do mercantilismo é que o estado deve aumentar sua fortuna através do acúmulo de metais preciosos, tais como o ouro e a prata. Durante o século XVII, os exércitos eram constituídos, em sua grande maioria, por mercenários - soldados contratados para lutar. Os mercantilistas argumentavam que um governante precisava ter bastante ouro para poder formar uma grande força naval e um poderoso exército.

Para aumentar a quantidade de metais preciosos do estado, os governantes incentivavam as exportações, que fariam entrar divisas no país. Para impedir a saída de metais preciosos de seus territórios, os estados desencorajavam as importações. Se um país vendesse mais do que comprasse - em outras palavras, exportasse mais do que importasse - teria uma balança comercial favorável. (O termo balança comercial significa a diferença de valores monetários entre exportações e importações).

2. A relação comercial com as colônias

Os mercantilistas viam as colônias como uma fonte lucrativa para seu país de origem. As colônias eram consideradas fontes de riquezas - ouro, prata e matérias-primas eram extraídas e levadas para o país colonizador. Os mercantilistas também obrigavam suas colônias a apenas comprar produtos de seus colonizadores. Desta forma, o país colonizador exportava bens para as colônias, acumulando mais riquezas.

Mudanças nas Práticas Comerciais

Eram necessários grandes investimentos para financiar as expedições à Ásia e à América. Os lucros destas viagens poderiam ser enormes, mas os riscos também eram elevados, pois muitos navios não conseguiam completar uma viagem oceânica. Poucos mercadores tinham meios de financiar viagens à Ásia.

Para poder financiar as grandes viagens de comércio externo, foi desenvolvida uma forma de arranjo comercial. Chamava-se de sociedade anônima e funcionava similarmente às grandes empresas de nossos dias: os investidores compravam ações que valiam cotas do empreendimento. Isto permitia que pessoas que possuíssem relativamente pouco dinheiro pudessem investir em viagens comerciais. Desta forma, muitas pessoas poderiam participar dos lucros - cada uma proporcionalmente à quantia investida. O risco de cada indivíduo também era dividido conforme a parcela de participação de cada investidor.

Duas das mais bem-sucedidas sociedades anônimas foram a Companhia Inglesa das Índias Orientais e a Companhia Holandesa das Índias Orientais. Durante séculos, a companhia holandesa rendeu a seus acionistas grandes lucros.

Durante os tempos feudais, terra era sinônimo de riqueza; para a nova classe de ricos comerciantes, a riqueza era medida em dinheiro e posses comerciais. Diferentemente dos governantes e aristocratas da era medieval, esta nova classe média europeia dava valor ao trabalho árduo e à frugalidade. Esta nova classe econômica era simbolizada pelos comerciantes holandeses - indivíduos determinados que trabalhavam com afinco para enriquecer muito.

Rivalidades no Mar

Estados e líderes europeus competiam ferozmente pelas novas riquezas das colônias ao redor do mundo. Durante o século XVI, Portugal enriqueceu ao monopolizar o tráfico de escravos africanos e o comércio de especiarias asiáticas. A Espanha também havia prosperado com os tesouros vindos da América. Monarcas de outros países europeus perceberam que uma forma de enfraquecer a Espanha seria impedindo que o ouro e a prata de suas colônias chegassem ao país.


Ataque pirata

Tanto o patriotismo quanto a esperança de adquirir fortunas levaram piratas ao Caribe para atacar navios de tesouros espanhóis. Mercadores capturaram navios repletos de prata, ouro e pedras preciosas vindos das minas das colônias espanholas. Sociedades anônimas inglesas e holandesas, com aprovação de suas monarquias, travavam batalhas navais contra a Espanha.

O monopólio espanhol nas Américas começou a ser quebrado em 1562. Um ousado mercador inglês, John Hawkins, desafiou as leis de comércio espanholas ao vender produtos europeus e escravos africanos nas colônias espanholas do Caribe. Apesar de ele ser inglês, os habitantes das colônias espanholas recebiam Hawkins, permitindo-lhe vender sua carga com grandes lucros.

Em 1577, um primo de Hawkins, chamado Francis Drake, navegou com sua embarcação pelo Oceano Pacífico. Ao longo da costa leste da América do Sul, atacou navios espanhóis e capturou toneladas de prata e outros tesouros. No entanto, Drake temia ser capturado, se voltasse à Inglaterra pelo Atlântico. Navegou então rumo a oeste, pelo Pacífico. Três anos depois, chegou à Inglaterra; foi considerado um herói e recebeu congratulações da própria Rainha Elizabeth I. Drake e seus homens haviam circundado o globo, assim como fizera a tripulação de Fernão de Magalhães, 60 anos antes.


Francis Drake

A França e a Holanda também passaram a atacar e saquear espanhóis, especialmente aqueles que transportavam ouro e prata. Em 1628, o Almirante Piet Heyn, da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, capturou uma frota espanhola no Caribe contendo quatro milhões de moedas de ouro e prata. Este tesouro ajudou os holandeses a financiarem sua guerra contra o governo espanhol; esse feito fez de Heyn herói nacional na Holanda.

Mudanças na Economia Europeia

As colônias das Américas trouxeram novas e inesperadas fontes de riqueza para Espanha e Portugal. Os grandes suprimentos de ouro, prata e metais preciosos representavam a realização do sonho mercantilista. Mas esta riqueza acabou trazendo grandes problemas: tendo mais dinheiro, os europeus passaram a consumir mais bens e alimentos. À medida que estes produtos escasseavam, seus preços aumentavam. Ao mesmo tempo, a população europeia crescia e demandava mais produtos. Esse fenômeno acabou por gerar inflação - um aumento constante de preços devido ao excesso de procura por bens de consumo.

A inflação afetou, de diversas formas, os vários segmentos da população. Os nobres, proprietários de terra, recebiam aluguéis fixos de seus camponeses e não podiam mais comprar tanto com a mesma renda. Trabalhadores urbanos também não conseguiam mais comprar a mesma quantidade de comida, pois sua renda permaneceu inalterada enquanto que os preços subiam. Os mercadores, por outro lado, lucraram com o aumento de preços, pois comercializavam produtos cujos preços haviam subido em razão de maior procura. Os europeus desejavam mais bens de consumo do que a Europa podia produzir e, portanto, houve um súbito crescimento no comércio exterior.

Na Inglaterra, a demanda por mais alimento levou os senhores feudais a se apossarem de terras que haviam sido deixadas para o uso da comunidade. Os senhores feudais também passaram a aumentar o preço do aluguel de seus territórios. Como resultado, milhares de ingleses tiveram que abandonar as terras em que suas famílias haviam vivido e cultivado durante várias gerações. Os proprietários de terra contratavam essas mesmas pessoas para trabalharem por baixos salários, ou então, alugavam as terras para fazendeiros independentes.

A agricultura se tornara comercializável - terras de cultivo passaram a ser compradas e vendidas como outros bens de consumo.

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Sumário

- O Mercantilismo
- Mudanças nas Práticas Comerciais
- Rivalidades no Mar
- Mudanças na Economia Europeia
- Os Fundamentos do Capitalismo
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