Independência dos Estados Unidos

Independência dos Estados Unidos

Os ideais do Iluminismo europeu rapidamente atravessaram o Atlântico. Na América, os colonos estavam cada vez mais insatisfeitos com o governo inglês e começaram a manifestar seu apoio às ideias dos filósofos europeus, principalmente em relação à limitação do poder do governo.

Em meados do século XVIII, os colonos britânicos completavam mais de um século de colonização das Américas. Cada uma das 13 colônias possuía seu próprio governo e as pessoas já haviam se acostumado com um certo grau de independência. Todavia, as 13 colônias pertenciam à Grã-Bretanha e, portanto, os colonos eram obrigados a obedecer às leis britânicas.

13 colônias americanas
As 13 colônias na época da independência

Em meados de 1660, o Parlamento inglês impôs as Leis de Navegação - legislação que regulava o comércio colonial em benefício da Grã-Bretanha. No entanto, os colonos da América encontraram maneiras de burlar tais leis, por exemplo, contrabandeando bens.

Durante muitos anos, a política mercantilista britânica havia tornado o comércio na colônia muito lucrativo. A Grã-Bretanha comprava matéria-prima americana por preços baixos e vendia os bens manufaturados novamente aos colonos. Porém, após a guerra franco-indígena, os britânicos começaram a exigir mais de suas colônias americanas.


Rei George III

A guerra franco-indígena resultou em muitos gastos, levando a Grã-Bretanha ao endividamento. Como as colônias americanas haviam se beneficiado com a guerra, o Rei Jorge III e o Parlamento inglês acreditavam que os colonos deveriam ajudar a pagar as dívidas de guerras.

Em 1764, a Grã-Bretanha tomou medidas para garantir a eficácia das antigas leis de comércio. Como se fosse uma afronta aos colonos americanos, o Parlamento inglês criou mais impostos.

Os colonos se opunham principalmente à Lei do Selo (1765), que previa um imposto sobre todos os produtos impressos - jornais, jogos de cartas, licenças, documentos legais e propagandas. Os colonos admitiam que o Parlamento tinha direito de regular seu comércio, mas declaravam que apenas seus próprios legisladores tinham o direito de exigir impostos. Tal reivindicação ficou expressa na famosa frase: "Não aos impostos sem representação".

A Lei do Selo fez com que o povo protestasse. Os colonos passaram a escrever artigos em jornais denunciando os novos impostos e boicotando os produtos britânicos. Os comerciantes na Grã-Bretanha começaram a reclamar da fatia do comércio que estavam perdendo. Em 1766, o Parlamento Inglês, relutantemente, repeliu a Lei do Selo, mas continuando a deter o direito de exigir impostos dos colonos. Em 1767, o Parlamento aprovou os Atos Townshend, que criavam impostos sobre diversos produtos de uso diário. Os colonos afirmaram que os Atos Townshend eram mais um exemplo de "impostos sem representação".


Massacre de Boston

O sentimento de revolta contra as políticas britânicas ficou explicitamente demonstrado na cidade de Boston, Estado de Massachusetts. Em março de 1770, um grupo de soldados britânicos atirou contra uma multidão que zombava e arremessava gravetos e bolas de neve. Cinco colonos foram mortos e muitos ficaram feridos. Este incidente, denominado pelos patriotas norte-americanos de "O Massacre de Boston", aumentou as tensões entre os colonos e seus colonizadores ingleses.

Temendo novas revoltas nas colônias, o Parlamento logo repeliu os Atos Townshend, porém com uma exceção: o imposto sobre o chá. A situação se acalmou, mas permaneceram desavenças fundamentais entre os colonos e os britânicos.

O ressentimento ressurgiu quando o Parlamento inglês impôs restrições ao comércio de chá das colônias norte-americanas. Em 1773, um grupo de colonos disfarçados de indígenas jogou centenas de baús de chá nas águas do porto de Boston. Os britânicos ficaram furiosos com este protesto e consideraram a "Festa do Chá de Boston" como sendo um ato criminoso, no qual os colonos destruíram uma propriedade valiosa e desafiaram a lei britânica.

Para punir os colonos pelo ocorrido, o Parlamento inglês bastante enfurecido aprovou uma série de leis, que os colonos chamaram de "Leis Intoleráveis" (1774). Uma das leis, por exemplo, fechou o porto de Boston para todos os navios até que o Estado de Massachusetts pagasse pela perda do chá. Outra lei acabou com o autogoverno dos colonos de Massachusetts.

Os líderes das colônias, obviamente incomodados com a severidade das Leis Intoleráveis, reuniram-se para discutir um plano de ação. A reunião, intitulada de Primeiro Congresso Continental, ocorreu na Filadélfia, em 1774. Representantes das 13 colônias estavam presentes, exigindo que o Parlamento repelisse as Leis Intoleráveis e dando início a um boicote aos bens britânicos. Mas o governo da Grã-Bretanha se recusou a reconhecer o Primeiro Congresso Continental. À medida que a tensão aumentava nas colônias, os colonos começavam a se preparar para uma eventual guerra contra a Grã-Bretanha.

O Rompimento com a Grã-Bretanha

Em abril de 1775, soldados britânicos começaram a marchar de Boston em direção às cidades vizinhas de Concord e Lexington. Seu objetivo era destruir armas e pólvora que os colonos haviam armazenado. Cientes de que os ingleses estavam a caminho, a milícia colonial reuniu-se para impedi-los. A violência entre os soldados ingleses e os colonos fez com que aproximadamente 350 pessoas fossem mortas ou feridas.

As batalhas de Lexington e Concord marcaram uma mudança nas relações entre a Grã-Bretanha e suas colônias, ocasionando a guerra de independência norte-americana, denominada de Revolução Americana.


George Washington

Na primavera de 1775, poucos colonos eram favoráveis à separação das colônias com a Grã-Bretanha. Apesar de descontentes com as políticas britânicas, a grande maioria ainda esperava alcançar um acordo de paz com seu país natal. Entretanto, os líderes coloniais sabiam da necessidade de estarem preparados para um eventual conflito. Em maio, os líderes das colônias se reuniram no Segundo Congresso Continental na Filadélfia, onde foi criado um exército e nomeado como líder, George Washington, um colono nascido no Estado da Virgínia.

O apoio à independência norte-americana cresceu consideravelmente ao longo do ano seguinte. Em 4 de julho de 1776, o Segundo Congresso Continental rompeu oficialmente seus laços com o governo britânico e adotou a Declaração de Independência. Este documento, escrito por um brilhante patriota e legislador americano, Thomas Jefferson, explicava as razões para a declaração da independência norte-americana. O texto tinha início com uma reafirmação da teoria dos direitos naturais que havia sido expressa por John Locke: "Cremos como verdade evidente, por si própria, que todos os homens nasceram iguais, que receberam do seu Criador alguns direitos inalienáveis; que entre esses direitos estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade e que é para assegurar esses direitos que os Governos foram instituídos".


Thomas Jefferson

A Declaração de Independência também estabelecia que se o governo agisse sem o consentimento do povo, as pessoas teriam o direito de removê-lo do poder, instaurando um novo governo. Ao assinar a Declaração, os membros do Segundo Congresso Continental proclamaram que "estas Colônias Unidas são, e com direito, Estados livres e independentes".

A Guerra de Independência Norte-Americana

Como comandante do Exército Continental, George Washington enfrentou muitos desafios. Não podia contar com uma constante fonte de dinheiro e de suprimentos, pois o Congresso Continental não tinha poder de cobrar impostos do povo americano. Além disso, como general, não podia prever qual seria o tamanho de seu exército de mês a mês, pois os soldados frequentemente desistiam ou se recusavam a lutar fora de seus Estados. Estes contratempos tornavam-se cada vez mais sérios pelo fato de que apenas um terço dos colonos apoiava ativamente a luta de independência.

Não obstante, as forças coloniais tinham certas vantagens sobre os britânicos. Washington foi um líder que ganhou a confiança e o respeito de seus homens. Além disso, os Patriotas (como eram chamados seus soldados), estavam lutando em seu próprio território, e sendo assim, o conhecimento da região os ajudava nas batalhas. Finalmente, os soldados Continentais tinham grande motivação, já que lutavam pela família, pelo lar e por liberdade.

Os britânicos também enfrentaram obstáculos militares. Os Estados Unidos são geograficamente muito distantes da Grã-Bretanha, e assim, o transporte de suprimentos e tropas era lento e caro. Além disso, as colônias americanas eram tão vastas que os britânicos conseguiam controlar somente certas áreas. Apesar de os soldados britânicos serem mais numerosos e mais bem treinados do que os Patriotas, eram frequentemente surpreendidos pelos ataques surpresa do Exército Continental.

Durante dois anos e meio, após as batalhas em Lexington e Concord, a guerra continuou sem que nenhum dos lados obtivesse uma vantagem significativa. Na primavera de 1776, a Grã-Bretanha tomou a cidade de Nova Iorque. Mas o general George Washington havia liderado suas tropas a vitórias surpreendentes no Estado de Nova Jersey. Finalmente, no outono de 1777, os americanos obtiveram uma vitória decisiva em Saratoga, Nova Iorque. A rendição dos soldados britânicos em Saratoga foi o ponto de virada da guerra.

A vitória americana impressionou os inimigos europeus da Grã-Bretanha. Desde o início da guerra, o patriota, escritor e cientista norte-americano Benjamin Franklin estivera em Paris pedindo apoio aos franceses. Em 1778, a França decidiu ajudar os americanos em sua luta pela independência. Posteriormente, a Espanha e a Holanda também contribuíram à causa americana, fornecendo armas, dinheiro e tropas. Com a ajuda desses outros países, os americanos conseguiram vencer os britânicos, que se renderam em Yorktown, na Virgínia, em outubro de 1781, marcando efetivamente o fim da Revolução Americana.

As negociações de paz entre Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Holanda e Espanha levaram quase dois anos. O Tratado de Paris, assinado em setembro de 1783, encerrou oficialmente a guerra. Por este Tratado, a Grã-Bretanha reconheceu a independência de suas colônias. Uma nova nação, os Estados Unidos, havia nascido.

  • Aulas relacionadas

Sumário

- O Rompimento com a Grã-Bretanha
- A Guerra de Independência Norte-Americana
- A Formação do Governo Norte-Americano
- A Constituição Norte-Americana
- A Declaração dos Direitos Norte-Americana
Assine login Questões a responder image Questões dissertativas image Questões para o Enem image