Independência da Índia

Independência da Índia

A oposição à dominação britânica na Índia teve início no século XIX e se fortaleceu na primeira metade do século XX.

O Movimento pela Independência na Índia

Mohandas Karamchand Gandhi foi o mais admirado líder da independência da Índia. Advogado formado, era uma pessoa profundamente religiosa que abriu mão dos valores do Ocidente e renunciou aos bens materiais. Atraiu milhões de seguidores, que o chamavam de Mahatma, ou "A Grande Alma". Gandhi rejeitava todas as formas de violência e durante seus 30 anos de luta pela independência de seu país, incentivou a desobediência civil - resistência não violenta no combate às leis e atos que eram considerados injustos.


Mohandas K. Gandhi

Protestos pacíficos na Índia ocorriam como boicotes: os indianos se recusavam a trabalhar e passavam o dia rezando e jejuando. Gandhi também liderou uma marcha para o mar como protesto contra o imposto sobre o sal. Os britânicos o aprisionaram várias vezes, mas Gandhi tornou-se respeitado mundialmente por sua luta não violenta para obter a independência da Índia.


Jawaharlal Nehru

Na década de 1930, outro líder, denominado Jawaharlal Nehru surgiu no movimento nacionalista indiano. Nehru e Gandhi tinham sonhos diferentes sobre o futuro da Índia. Nehru desejava que o país se tornasse mais industrializado, enquanto Gandhi tinha esperanças de que a sociedade indiana voltasse para um estilo de vida simples e tradicional. Os dois concordavam, contudo, que seu objetivo principal deveria ser uma nação independente e unificada onde hindus e muçulmanos pudessem viver juntos em paz.

Porém, acontecimentos da década de 1930 acabaram com essa esperança. Os muçulmanos, em minoria no país, temiam que os hindus controlassem uma Índia independente. Desentendimentos começaram a surgir entre o Partido do Congresso Nacional, que era dominado pelos hindus e a Liga Muçulmana. Muhammad Ali Jinnah, chefe da Liga Muçulmana, insistia na formação de um estado separado no noroeste da Índia, a ser chamado de Paquistão. O nome Paquistão significa "Terra dos Puros".


Mohammed Ali Jinnah

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Índia fornecia aos Aliados tropas, suprimentos e bases militares. O Partido do Congresso Nacional declarou, porém, que encerraria a ajuda às forças aliadas, caso a Grã-Bretanha não concedesse a independência imediata à Índia. A resposta da Grã-Bretanha foi bastante severa: os britânicos aprisionaram Gandhi, Nehru e milhares de outros nacionalistas, que ameaçavam prejudicar os esforços na guerra.

Após o Partido Trabalhista tomar o poder na Grã-Bretanha, em 1945, o governo britânico concedeu independência à Índia. Inicialmente, os britânicos planejaram uma Índia unificada, mas muitos muçulmanos desejosos de uma nação muçulmana independente protestaram. Na maior parte do país, os protestos de muçulmanos foram pacíficos, mas em Calcutá, tumultos resultaram na morte de 5.000 pessoas.

O Parlamento Britânico logo percebeu que a formação de uma Índia independente e unificada era impraticável. Em 1947, líderes britânicos e indianos concordaram que, quando a Grã-Bretanha deixasse a Índia, o subcontinente seria dividido em duas nações - uma Índia hindu e um Paquistão muçulmano.

Os limites da repartição para a formação dos dois países foram traçados ao longo de linhas religiosas. O Paquistão muçulmano foi formado a partir de duas regiões diferentes - o Paquistão Ocidental no Punjabi, e o Paquistão Oriental na região de Bengala. O resto do subcontinente tornou-se a Índia. Dentro da nova Índia e Paquistão, contudo, viviam milhões de hindus e muçulmanos que repentinamente descobriram-se no "país errado". Na maior migração humana da história, de cinco a seis milhões de pessoas migraram para a Índia ou Paquistão. Aproximadamente 500 mil morreram durante as lutas e tumultos causados pela repartição e formação dos dois países.

Gandhi protestou contra a violência no país e jejuou pela paz. Sua preocupação com todo o povo da Índia custou a sua própria vida. Em janeiro de 1948, Gandhi foi morto, baleado por um extremista hindu que acreditava ser ele um traidor da sua própria religião.

A Índia Independente

A Índia celebrou sua independência em 15 de agosto de 1947. A nação logo criou a primeira Constituição, que teve como modelo as democracias britânica e norte-americana. O Partido do Congresso Nacional dominou a política do país e Nehru, o líder do partido, tornou-se o primeiro-ministro, permanecendo no poder até sua morte, em 1964.

A nova Constituição deu às mulheres o direito de voto e de propriedade, e também proibiu a discriminação contra os sem casta, os "intocáveis". Empregos, escolas, cargos políticos e construções públicas tiveram que ser abertas aos 60 milhões de indianos intocáveis. Porém, a implementação dessas novas leis foi difícil, especialmente no interior do país onde as pessoas ainda estavam fortemente ligadas às suas tradições hindus.

Uma das mais difíceis tarefas de Nehru como primeiro-ministro foi dar à nova nação um sentimento de união. Nunca na longa história da Índia o continente esteve unificado: cada região tinha sua própria religião, língua e costumes. Após a independência da Índia, o povo ainda permanecia dividido por sua lealdade aos vários grupos hindus ou à minoria muçulmana.

Disputas Territoriais

A hostilidade contínua entre Índia e Paquistão fez com que o governo indiano investisse num programa de defesa nacional. Em 1947, a Índia e o Paquistão lutaram para conquistar a Caxemira, uma região que ambos os países almejavam pela quantidade de água e outros recursos naturais. As tropas indianas e paquistanesas batalharam pela Caxemira, até que as Nações Unidas estabeleceram uma trégua em 1949. O território foi dividido entre Índia e Paquistão.

Uma futura disputa surgiu entre a Índia e seu vizinho oriental, a República Popular da China. Em 1962, soldados chineses adentraram em território indiano durante uma disputa de fronteira. A China rapidamente recolheu suas tropas, mas a invasão chocou o Partido do Congresso Nacional no governo e forçou Nehru a destinar mais fundos à defesa nacional do país.

Indira Gandhi

Dois anos após a morte de Nehru, em 1964, o Partido do Congresso Nacional elegeu sua filha, Indira Ghandi (sobrenome comum na Índia. Não era parente de Mohandas K. Gandhi), como primeira-ministra da Índia. Durante seus primeiros cinco anos na liderança do país, Indira foi reconhecida por suas fortes políticas econômicas.


Indira Ghandi

Os anos seguintes, porém, foram marcados por sérios problemas que atingiram a Índia. Uma severa seca resultou na diminuição de alimentos e a fome se espalhou pela nação. O alto preço do petróleo no mercado mundial prejudicou a economia indiana. Ao mesmo tempo, milhares de refugiados chegavam ao país, escapando de uma guerra civil no Paquistão Oriental. Os Estados Unidos e outros países enviaram milhões de toneladas de grãos para a Índia; não obstante, greves e tumultos por comida irromperam pelo país.

Durante esses tempos difíceis, alguns líderes do Partido do Congresso Nacional acusaram Indira Gandhi de corrupção em seu governo. Em junho de 1975, um júri condenou a primeira-ministra por fraude em sua campanha eleitoral e a impediu de deter qualquer cargo político nos seis anos que se sucederam. Duas semanas depois, contudo, ela decretou estado de emergência no país. Durante os dois anos seguintes, Indira prendeu milhares de oponentes, censurou a imprensa, e limitou as liberdades civis.

Em 1977, Indira encerrou o estado de emergência e convocou eleições. Ela e o Partido do Congresso Nacional perderam a eleição, mas três anos depois, foi reeleita primeira-ministra.

Indira Gandhi não hesitou em usar medidas drásticas para evitar qualquer ameaça a seu poder. Em 1984, enviou tropas ao Punjabe para esmagar uma violenta rebelião entre os extremistas sikhs que exigiam o autogoverno. Essa medida chocou os sikhs em toda a Índia. Quatro meses depois, Indira Gandhi foi assassinada por três de seus próprios seguranças, que eram sikhs.

Rajiv Gandhi, o filho de Indira, foi escolhido como seu sucessor no cargo de primeiro-ministro. Rajiv continuou as políticas de sua mãe, e tentou conter tumultos entre os sikhs. Ele também interviu no Sri Lanka para apoiar os tamis, uma minoria hindu que buscava criar seu próprio estado.

Uma Terra de Contradições

Durante as décadas de 1960-1980, com a introdução de tecnologia moderna e novos métodos de cultivo a produção agrícola da Índia duplicou. Na década de 1980, o país tornou-se também um importante produtor industrial e passou a exportar produtos como tecidos, além de açúcar, ferro e aço.

Mas tanto o sucesso agrícola quanto o industrial não resolveram os problemas econômicos da Índia. O grande crescimento populacional, que atingiu um bilhão no final do século XX, resultou na consumação dos recursos do país. O desemprego permaneceu alto e muitas pessoas continuavam pobres e famintas. Na década de 1980, mais da metade do povo não sabia ler ou escrever, e a maioria das cidades já superlotadas necessitava de assistência médica, moradia e saneamento básico.

Apesar desses obstáculos, em suas primeiras décadas de independência, a Índia desenvolveu os fundamentos de uma democracia duradoura. Conflitos entre hindus e muçulmanos ocorreram raramente enquanto a nação crescia. O governo indiano permaneceu estável mesmo durante os anos de crise econômica e inquietação política.

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Sumário

- O Movimento pela Independência na Índia
- A Índia Independente
- Disputas Territoriais
- Indira Gandhi
- Uma Terra de Contradições
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