Império Persa

Império Persa

Entre a Mesopotâmia e o Mar Cáspio, localiza-se o Planalto do Irã. Apesar de ser, em boa parte, uma região desértica e marcada por bruscas elevações, a área foi ocupada, por volta de 2000 a.C., por povos "indo-europeus", originários do Planalto do Cáucaso. Esses povos árias se dividiam em medos, que se estabeleceram no norte, e persas, fixados no sul. A união das duas nações gerou uma das maiores potências da Antiguidade Oriental: o Império Persa, cujos domínios chegaram a abranger a Mesopotâmia, a Palestina e a Fenícia, quando de sua expansão para o Ocidente, e, na Ásia Menor, a índia. Em 550 a.C., Ciro, um rei persa, venceu os medos, tomou sua capital, Ecbatana, fundando o Reino da Pérsia. Nascia, nesse momento a Dinastia Aqueménida, expressão das expansionistas elites persas, desejosas de territórios e riquezas.

A SOCIEDADE PERSA

Desde seu início, a sociedade persa viveu a contradição social entre pastores e agricultores. A vitória de Ciro representou a implantação da hegemonia político-militar da nobreza agrária. Assim como em todas as outras civilizações da Antiguidade Oriental, a legitimação das classes dominantes era dada pela religião, cujos cultos eram oficiados por uma casta sacerdotal que passou a deter grande parte do poder político. Progressivamente, os sacerdotes formaram um Estado dentro do Estado, com uma hierarquia e legislação privilegiadas. "Funcionários ideológicos", a serviço do aparelho de Estado, monopolizavam as ciências e todas as demais atividades culturais.

O povo era formado por pastores, pequenos agricultores e artesãos, que ocupavam uma posição relativamente superior à dos escravos, que não possuíam quaisquer direitos. Em todas as formações sociais arcaicas, o escravo sempre foi "res" ("coisa", objeto e nunca sujeito de direitos). As camadas sociais menos privilegiadas eram constantemente convocadas para guerras, o que atrapalhava a sua já modesta produção, impedindo qualquer progresso econômico individual.

Quando de seu apogeu, as elites persas conheceram enorme prosperidade, graças ao comércio e a geração de excedentes agrícolas. Caravanas, transportando enormes riquezas, percorriam as seguras estradas persas, pois o policiamento era intenso, ligando a Mesopotâmia aos mais distantes rincões da Ásia. Outro fator de desenvolvimento foi a implantação de um eficiente serviço de correio, facilitando o controle de todo o imenso território imperial pelo Estado. Expressão desse extraordinário desenvolvimento foi a criação de um padrão monetário (dinheiro), que consistia em moedas cunhadas em ouro e prata e denominadas dáricos, caracterizadas pela presença da efígie real. Como não podia deixar de ser, essa inovação contribuiu para ampliar o mercado interno.


Guerreiros persas

EVOLUÇÃO POLÍTICA

Império Persa

Após unificar o Reino Persa, Ciro ampliou as fronteiras, anexando ali a região da Lídia e as cidades de etnia grega da Ásia Menor. Em 539 A.C., os persas tomaram a cidade da Babilônia, libertando os judeus do cativeiro e permitindo o seu retorno à Palestina. Ciro também de destacou por sua habilidade política, respeitando as diferenças religiosas e culturais dos povos conquistados e, assim, obtendo seu apoio.

Seu filho e sucessor, Cambises deu prosseguimento ao expansionismo persa, conquistando o Egito após vencer o faraó Psamético na Batalha de Pelusa (525 a.C.). Contrastando com a política de tolerância de seu pai, Cambises centralizou o poder e deu início à repressão aos povos anexados.

Quando se preparava para retornar à Pérsia, com objetivo de abafar um levante contra seu autoritarismo, veio a falecer, sendo sucedido pelo imperador Dário, que encarnou o apogeu do despotismo persa. O império, agora, estendia-se da Trácia ao Danúbio, obrigando o imperador a uma profunda reforma administrativa. O império foi dividido em Satrápias, cujos administradores (sátrapas) eram responsáveis pela arrecadação de impostos e pelo comando das forças militares. Seu turno, os sátrapas eram fiscalizados por inspetores oficiais, então chamados de "olhos e ouvidos do rei".

 
Fragmento do palácio imperial de Dario I, o Grande (558-486 a.C.), rei da Pérsia (521-486 a.C)

Ainda sob o governo de Dario, teve início a decadência do Império Persa, quando esse foi vencido pelos gregos nas Guerras Médicas. O declínio da estrutura política persa foi acompanhado pela ascensão dos gregos. Em 330 a.C., Alexandre da Macedônia tomava a cidade de Persépolis, destruindo o Império Persa.

UMA RELIGIÃO MANIQUEÍSTA*

A literatura, as artes plásticas e a arquitetura persas nada tiveram de original, assimilando influências de quase todos os povos da Antiguidade Oriental. Sem dúvida, o traço original de sua cultura foi a religião. De início, os persas cultuavam totens, adorando animais, astros e as forças da natureza.

Segundo a tradição, um personagem semilendário, conhecido como Zaratustra ou Zoroastro, instituiu, pelo livro sagrado Zend-Vesta, uma nova religião: o Zoroastrismo. Fundamentalmente o novo culto pregava o conflito dualista entre o Bem, encarnado por Ormusd, e o Mal, expresso por Horimã, divindades que disputavam o controle das ações humanas. Os homens que agiam corretamente ajudariam Ormusd a vencer Horimã, cujos partidários seriam destruídos no final dos tempos. O Zoroastrismo, também conhecido como Mazdeísmo, destacou a crença na vinda de um Messias e a dicotomia entre Céu e Inferno. Uma das mais importantes festividades religiosas dos persas era o culto ao deus Mitra, que se difundiu no Império Romano e, adaptado, passou a ser denominado de Natal.

VOCABULÁRIO DA AULA

*Maniqueísmo - visão de mundo caracterizada pelo conflito entre o Bem e o Mal.

RESUMO: AS CIVILIZAÇÕES DA ANTIGUIDADE ORIENTAL

CARACTERÍSTICAS ECONÔMICAS, SOCIAIS, POLÍTICAS E CULTURAIS DAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS

BERÇO GEOGRÁFICO - o "Crescente Fértil" (área compreendida pelo vale dos rios Nilo, Eufrates e Tigre, além do vale do rio Jordão, localizado na Palestina).

POVOS - Egípcios, fenícios, hebreus, sumérios, acádios, assírios e persas.

DENOMINAÇÃO ATUAL DA REGIÃO - Oriente Médio

ECONOMIA - basicamente agricultura, levada a efeito notadamente na Mesopotâmia e no Egito ("Civilizações Hidráulicas": represamento dos grandes rios); pastoreio (nas áreas de estepes montanhosas e pouca água: assírios e persas); atividades comerciais (predominante entre os povos às margens do mediterrâneo: fenícios).

MODO DE PRODUÇÃO BÁSICO - "Modo de Produção Asiático" (propriedade fundiária nas mãos do Estado ou da casta sacerdotal; pequenos produtores - camponeses - que entregavam a maior parte dos gêneros produzidos à nobreza, ao Estado e aos sacerdotes).

SOCIEDADE - estamental (com pouca mobilidade social vertical); família real, nobreza, casta sacerdotal, guerreiros e camponeses compunham o tecido social; entre os fenícios, "talassocracia": controle da sociedade por parte de uma rica camada de comerciantes marítimos.

PODER POLÍTICO - monarquia legitimada pelas divindades; entre os hebreus: evolução do controle político desde os "Patriarcas" (líder da família clânica), passando pelos "Juízes", acabando por desembocar numa estrutura monárquica. NA Fenícia: cidades-estados submetidas à oligarquia mercantil.

RELIGIÃO - politeísmo com deuses antropomórficos (com figuras humanas) ou zoomórficos (com forma de animais). Religiões em geral animistas: sacralização das forças naturais; entre os persas: maniqueísmo mazdeísta; monoteísmo entre os hebreus e, durante curto espaço de tempo, no Egito por imposição do faraó Amenófis IV (culto ao deus Aton, o disco solar).

CULTURA - portentosas obras arquitetônicas (Egito e Mesopotâmia); literatura (a Bíblia judaica, o Livro dos Mortos egípcio e o Zend-Avesta persa); desenvolvimento da astronomia e matemática, em função da necessidade de conhecimento do ritmo dos rios.

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Sumário

- Império Persa
- A Sociedade Persa
- Evolução Política
- Uma Religião Maniqueísta
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