Imperialismo

Império Britânico

O império construído pela Grã-Bretanha era maior que os impérios de qualquer outro poder europeu durante o século XIX. Como o país possuía territórios por todo o globo, pessoas costumavam dizer: "o sol nunca se põe no Império Britânico".

O Canadá

O Canadá foi originalmente colonizado pela França, mas passou para domínio britânico sob o Tratado de Paris em 1763. Os franceses viviam em sua maioria no Vale do São Lourenço. Muitos colonos de língua inglesa chegaram ao Canadá após o país passar a fazer parte do Império Britânico. Alguns deles eram escoceses e ingleses, e outros eram norte-americanos que haviam permanecido leais à Grã-Bretanha durante a Revolução Americana. Eles se estabeleceram separadamente dos franceses - a maioria deles ao longo da borda do Oceano Atlântico e norte dos Grandes Lagos.

As diferenças culturais e religiosas entre franceses e ingleses e a tradicional rivalidade entre seus países de origem, resultaram em conflitos no Canadá. O Parlamento Britânico então impôs o Ato de Quebec de 1774 para proteger os direitos dos canadenses franceses.

Em 1791, a Grã-Bretanha tomou uma nova medida para tentar garantir uma relação pacífica entre pessoas de língua inglesa e francesa no Canadá.  O Parlamento inglês criou duas novas províncias: o Alto Canadá, que era em sua maioria de língua inglesa, e o Baixo Canadá, em sua maioria de língua francesa. As Províncias Marítimas - Nova Escócia, Nova Brunswick, a Ilha de Príncipe Eduardo e Terra Nova - permaneceram colônias separadas.

Os canadenses tornaram-se mais unidos durante a Guerra de 1812, lutada entre os Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os Estados Unidos queriam parar com os ataques britânicos a seus navios. Muitos norte-americanos também queriam conquistar território britânico no Canadá, e quando invadiram o país, os colonos franceses e britânicos lutaram juntos para expulsar as tropas norte-americanas de seu país. No final da guerra em 1814, o Canadá permanecia sob o domínio britânico.

Após a Guerra de 1812, ressurgiram as tensões entre colonos franceses e ingleses no Canadá. No final da década de 1830, ocorreram rebeliões em ambos o Alto e o Baixo Canadá. Um estadista britânico, Lorde Durham, foi ao Canadá para examinar as exigências dos colonos canadenses por autogoverno e depois fazer recomendações a respeito desse assunto ao Parlamento britânico.

O relatório de Durham, publicado em 1839, recomendava duas grandes reformas. Primeiro, o Alto e o Baixo Canadá deveriam ser unificados, se tornado a Província do Canadá e a imigração britânica ao Canadá deveria ser incentivada. Desta forma, explicou Durham, os franceses iriam gradualmente tornar-se parte da cultura dominante britânica. Em segundo lugar, os colonos em ambas as Províncias do Canadá e Províncias Marítimas deveriam ter governos locais para administrar seus assuntos domésticos. O Parlamento britânico deveria controlar apenas os problemas de política externa. Durante os 10 anos seguintes, ambas as propostas foram efetuadas.

Em meados do século XIX, muitos canadenses acreditavam que o país precisava de um governo central, que seria mais capaz de proteger seus interesses contra os objetivos expansionistas dos Estados Unidos. O governo poderia também planejar a construção de estradas e ferrovias para ligar a fronteira noroeste do país ao resto do Canadá.

Em 1867, Nova Escócia e Nova Brunswick uniram-se à Província do Canadá - tendo sido divididas nas províncias de Ontário e Quebec - para formar o Domínio do Canadá. O Domínio era um governo responsável por todos os assuntos domésticos e internacionais do país, mas que permanecia parte do Império Britânico. Durante os 30 anos seguintes, Manitoba, Colômbia Britânica, Ilha de Príncipe Eduardo, Alberta e Saskatchewan entraram para o Domínio.

O governo de Domínio tomou várias medidas para fortalecer o Canadá. Por exemplo, construiu ferrovias que atravessavam o país para unificar regiões distantes. O governo também encorajou investimentos estrangeiros para desenvolver o rico suprimento canadense de recursos naturais. O governo também incentivou a imigração com o objetivo de garantir mão de obra para as fazendas e fábricas canadenses.

Austrália e Nova Zelândia

A Austrália foi primeiramente colonizada pela Grã-Bretanha em 1788. Diferente dos Estados Unidos e Canadá, a região não estava aberta a colonizadores comuns. Ela era usada como uma colônia prisão, onde os criminosos britânicos eram enviados para cumprirem suas sentenças. Após serem libertados, eles poderiam comprar terras e estabelecerem-se como homens e mulheres livres. Alguns deles escapavam, fugindo para a ilha de Nova Zelândia, localizada a sudeste da Austrália.

Com o passar do tempo, os ex-criminosos tanto na Austrália como na Nova Zelândia foram acompanhados por outros colonizadores britânicos que vieram por vontade própria. Os imigrantes eram atraídos pela oferta de livre posse de terras, e em 1851 e 1892, pela corrida do ouro. A população aumentou tremendamente à medida que os estabelecimentos se multiplicavam e tornaram-se colônias separadas. Em meados do século, os colonos livres tiveram sucesso ao pressionar os britânicos para não mais enviarem criminosos à Austrália.

Assim como os canadenses, os povos da Austrália e Nova Zelândia queriam ter seu próprio governo enquanto permanecendo sob o Império Britânico. Durante a década de 1850, as colônias da Austrália e Nova Zelândia conquistaram seu autogoverno e estabeleceram o parlamentarismo. Em 1901, as colônias australianas foram unificadas sob uma constituição federal chamada de Comunidade da Austrália. Durante o começo do século XX, tanto a Austrália como a Nova Zelândia tornaram-se domínios britânicos. 

Os povos da Austrália e Nova Zelândia realizaram reformas políticas e sociais. O voto secreto, frequentemente chamado de urna australiana, foi primeiramente utilizado na Austrália na década de 1850. Em 1893, a Nova Zelândia tornou-se a primeira nação no mundo a conceder direitos totais de voto à mulher. Os dois países também adotaram políticas de bem-estar social antes de qualquer outra nação de língua inglesa, incluindo seguros aos mais velhos, leis de compensação aos trabalhadores e leis que apoiavam os sindicatos.

A Irlanda Dividida

A expansão inglesa na Irlanda teve início no século XII, quando o Papa cedeu o controle do país ao rei inglês. Cavaleiros ingleses invadiram a Irlanda, e muitos se estabeleceram lá para formar uma nova aristocracia. Os irlandeses, que tinham diferentes tradições ancestrais, cultura e língua, ressentiram amargamente a presença inglesa em seu país.

Este ressentimento aumentou ainda mais após o rei Henrique VIII tentar fortalecer o controle inglês sobre a Irlanda. Com esperança de estabelecer uma população pró-inglesa na Irlanda, Henrique VIII e alguns futuros líderes britânicos (tais como Elizabete I e Oliver Cromwell) incentivaram súditos ingleses e escoceses a imigrarem para lá. Muitos assim fizeram, a maioria no norte da Irlanda. Os irlandeses nativos, que eram católicos, se opuseram à presença desses colonizadores protestantes.


Oliver Cromwell

Nos séculos XVII e XVIII, os protestantes irlandeses estabeleceram leis limitando os direitos dos católicos. De acordo com estas novas leis, os católicos não poderiam mais exercer cargos públicos e tinham que pagar impostos para apoiar a Igreja da Irlanda, que era protestante. Além disso, o inglês foi firmado como língua oficial do país.

Muitos irlandeses odiavam o governo britânico que, determinado a preservar seu controle sobre o país, oficialmente anexou a Irlanda à Grã-Bretanha, em 1801 (a Grã-Bretanha foi então renomeada de Reino Unido). Além de ferir os interesses nacionalistas irlandeses, os ingleses não deram à Irlanda lugar no Parlamento Britânico. Sob pressão dos católicos irlandeses, o Parlamento posteriormente aboliu algumas das leis que discriminavam contra católicos no país.

Na década de 1840, a Irlanda foi devastada pela fome. Uma peste arruinou a plantação de batata, e por volta de 500.000 pessoas morreram com a falta de comida e pelas consequentes doenças. Aproximadamente um milhão de pessoas fugiram do país. A maioria foi para os Estados Unidos, e alguns, para a Grã-Bretanha, Austrália e Canadá. Muitos na Irlanda culpavam os britânicos por não terem ajudado sua população faminta.

Durante a segunda metade do século XIX, a oposição na Irlanda ao governo britânico tomou duas formas. Algumas pessoas queriam que o país fosse completamente independente. Um grande número de irlandeses preferia ter um governo local que cuidasse apenas de problemas domésticos. Os britânicos se recusaram, porém, a considerar a autonomia irlandesa durante muitas décadas.

Uma das razões pelas quais a Grã-Bretanha se opunha à autonomia irlandesa era a sua preocupação com a segurança e bem-estar dos protestantes no país. Os protestantes constituíam uma pequena minoria da população irlandesa. Eles viviam principalmente no norte do país e sentiam que a proteção britânica era necessária para sua segurança. Finalmente, em 1914, o Parlamento britânico cedeu o direito de autonomia, mas somente para o sul da Irlanda. Porém, antes dessa medida ser implantada, eclodiu a Primeira Guerra Mundial na Europa.

Sumário

- Império Britânico
i. O Canadá
ii. Austrália e Nova Zelândia
iii. A Irlanda Dividida
- A Índia
i. O Comércio Europeu na Índia
ii. O Domínio Britânico da Índia
iii. A Revolta dos Cipaios
iv. A Índia como parte do Império Britânico
v. Nacionalismo Indiano
- A China
i. O Comércio Exterior da China
ii. A Guerra do Ópio
iii. Os Problemas Internos da China
iv. Revolução Chinesa
- O Imperialismo do Japão
- O Imperialismo no Sudeste da Ásia
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