HEBREUS

Ao longo da Antiguidade Oriental, período marcado pela criação, às margens dos grandes rios, de dois monumentais impérios (o egípcio e o mesopotâmico), formaram-se também outras civilizações, denominadas de mediterrâneas, que não dispunham de grandes recursos hidrográficos e, portanto, fadadas ao comércio, ao artesanato, ao pastoreio e a uma agricultura de mera subsistência. Uma dessas comunidades foi a hebreia.

Por volta de 2000 a.C., os hebreus, também denominados de israelitas por serem descendentes de Jacó, conhecido pelo nome de Israel, neto do patriarca Abraão, oriundos da Mesopotâmia, estabeleceram-se na Palestina, vencendo militarmente os Cananeus, habitantes originários da região. Essa área, irrigada por um modesto rio, o Jordão, é castigada por um clima quente e solo árido. Somente em alguns poucos campos é possível a criação de gado, fundamentalmente ovinos e caprinos, dada a pobreza da vegetação local. Em função das severas condições climáticas aí prevalecentes, os pastores e seus rebanhos eram obrigados a um constante nomadismo em busca de melhores pastagens. O desenvolvimento da agricultura era mínimo, limitado às áreas ribeirinhas ao Jordão, praticamente desconhecendo excedentes.

A SOCIEDADE HEBREIA

A primitiva sociedade judaica era calcada em estruturas familiares do tipo patriarcal. A vontade do pai era incontestável, podendo ele, inclusive, vender os filhos como escravos. A poligamia era extremamente difundida e os anciãos, por sua sabedoria e conhecimento religioso, eram alvo do respeito comunitário. O chefe da família era denominado de Patriarca, sendo, em caso de seu falecimento, substituído pelo primogênito.

A vida era frugal, pois as culturas do trigo, cevada, figueira e oliveira eram insuficientes para atender à demanda. Assim, o nomadismo era uma necessidade imperiosa. Próximo ao rio Jordão, desenvolveu-se um pequeno comércio de lã e pele, cujo pequeno volume não possibilitava o surgimento de grandes fortunas. Além de grãos, frutas e, de quando em vez, carne, a base da alimentação do povo era o leite.

A ESTRUTURA POLÍTICA

A principal fonte de informações sobre a antiga história hebraica é a Bíblia, notadamente o Antigo Testamento. Dessa maneira verdades históricas estão mescladas com mitos religiosos, envolvendo as personagens e eventos num halo de mistério. Segundo a tradição bíblica o primeiro grande líder judeu foi Abraão, tido como o primeiro patriarca. Nascido em Ur, na Caldeia, pregava uma nova religião cujo elemento distintivo era a noção de um Deus único (monoteísmo), que se tornaria o principal fator de aglutinação da comunidade hebraica. Deus prometeu para Abraão e seus descendentes uma terra próspera, onde jorrariam "leite e mel" em abundância. Também de acordo com os escritos religiosos, Abraão foi sucedido pelos patriarcas Isaac e Jacó. Os descendentes deste último teriam gerado os clãs judaicos originais: as 12 tribos de Israel. Como, além do texto bíblico, não existe qualquer outro documento que se refira aos patriarcas, muitos historiadores defendem a ideia de que o monoteísmo hebreu só surgiu muito depois do patriarcado.

Por volta de 1750 a.C., uma grande seca assolou a Palestina, levando os judeus a buscar refúgio no Egito, então dominado pelos hicsos, povo semita que recebeu os hebreus de braços abertos, chegando esses últimos a ocupar importantes cargos na administração egípcia. Após a expulsão dos hicsos pela comunidade egípcia, os judeus foram acusados de colaboração com o invasor, sendo escravizados. Em 1250 a.C., os israelitas, sob a liderança de Moisés, abandonaram o Egito e rumaram em direção à Palestina. De acordo com a tradição religiosa, durante esse percurso - conhecido como êxodo - Deus, no Monte Sinai, teria dado a Moisés as Tábuas da Lei, um código moral disposto em Dez Mandamentos. A religião judaica é, fundamentalmente, a mescla entre o conceito de Deus único e certos preceitos éticos, que depois seriam incorporados pelo cristianismo.

Após 40 anos, de acordo com o relato religioso, os hebreus, agora encabeçados por Josué, adentram a Palestina, habitada pelos filisteus, amoritas e moabitas. Tem início os combates pelo controle do território e Josué ocupa a cidade de Jericó. Dividido em 12 tribos, lideradas pelos Juízes, o povo hebreu encontrou enormes dificuldades para vencer a resistência a ele oposta pelos adversários. De fato, os únicos vínculos entre as formações tribais judaicas eram a religião e a língua. No período, alguns Juízes destacaram-se como líderes militares, notadamente Samuel, Sansão Gideão. Para chegar à vitória, a comunidade hebreia precisou, sob o comando de Saul, centralizar o poder, o que daria início à Monarquia. Davi, que assumiu o trono após o suicídio de Saul, consolidou o domínio da Palestina, organizou um exército permanente e formou quadros burocráticos. Implantava-se, de maneira efetiva, um Estado judeu sob o novo monarca, ocorreu um grande desenvolvimento comercial e Jerusalém foi escolhida para ser a capital religiosa e política.

O apogeu do Reino aconteceria sob a liderança de Salomão, filho de Davi, que estimulou as atividades econômicas e completou a construção do Templo de Jerusalém, iniciada por seu pai, e onde seria depositada a Arca da Aliança, símbolo da união entre a Humanidade e Deus.


Representação do Grande Templo de Salomão em Jerusalém

Para levar adiante uma política de grandes construções e sustentar o luxo da corte, Salomão instituiu pesados impostos sobre a comunidade, criando uma legião de fiscais encarregados das cobranças tributárias. Essas medidas governamentais, além do recrutamento forçado dos camponeses para trabalhar nas obras públicas, provocaram enormes descontentamentos que se manifestaram sob a forma de levantes sociais.

Em 935 a.C., morria Salomão, acelerando o processo de fragmentação do Reino judaico: nasceriam dois Estados: o Reino de Israel, agrupando as 10 tribos do norte chefiadas por Jeroboão, com sede na região da Samaria, e o Reino de Judá, liderado por Roboão, constituído pelas duas tribos do sul e tendo como capital Jerusalém. Esse episódio é conhecido como o Cisma Hebraico. Essa divisão, como não podia deixar de ser, enfraqueceu a sociedade judaica, facilitando sucessivas invasões estrangeiras. Em 721 a.C., Sargão II, rei assírio, atacou o Reino de Israel, provocando a dispersão da população: as 10 tribos perdidas, que desapareceram da história dos hebreus. Em 566 a.C., o líder babilônico Nabucodonosor conquistou o Reino de Judá, destruiu Jerusalém e levou os judeus como escravos para a Babilônia. Somente em 1532, quando o rei persa Ciro derrotou os babilônios, os judeus puderam retornar à Palestina, agora anexada ao Império Persa.

Em 332 a.C., Alexandre, o Grande, líder da Macedônia, entra na Palestina, onde, a difusão de ideias racionalistas gregas encontrou feroz oposição por parte dos segmentos mais religiosos da comunidade hebraica. Em 63 a.C., Pompeu, comandando poderosas legiões romanas, ocupa a região. A presença romana foi heroicamente combatida por resistentes judeus, o que provocou a destruição, em 70 d.C., do templo em Jerusalém. Pouco depois, teria início a Diáspora: a dispersão do povo judeu.


Reprodução de Jerusalém na época Bíblica

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Sumário

- Hebreus
- A Sociedade Hebreia
- A Estrutura Política
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