Grécia Antiga

GRÉCIA ANTIGA

A Grécia Antiga desempenhou papel fundamental na Antiguidade e constituiu uma civilização cuja influência foi profunda na formação da cultura ocidental. Da Grécia Antiga, o mundo ocidental herdou uma extensa gama de conhecimentos científicos, filosóficos e políticos. Além disso, nosso padrões estéticos de arte e beleza foram herdados da Grécia Antiga.

A Grécia Antiga abrangeu a região denominada Hélade, compreendendo o sul da Península Balcânica (Grécia Continental), a Península do Peloponeso (Grécia Peninsular), as Ilhas do Mar Egeu (Grécia Insular) e, também as colônias no litoral da Ásia Menor e a porção meridional da península itálica (a Magna Grécia). Do ponto de vista étnico, a civilização helênica teve como origens os cretenses (Civilização Egeia), os pelasgos (habitantes primitivos da Península Balcânica) e os povos indo-europeus (árias ou arianos), que desceram do Planalto do Cáucaso e, por volta de 2000 a.C., penetraram os Bálcãs. A essa migração é dado o nome de "invasionismo ária".

O PROCESSO DE EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CIVILIZAÇÃO GREGA

A história da Grécia Antiga é dividida em cinco períodos:

OS PERÍODOS DA GRÉCIA ANTIGA

PRÉ-HOMÉRICO - séculos XX a XII a.C.

HOMÉRICO - séculos XII a VIII a.C.

ARCAICO - séculos VIII a VI a.C.

CLÁSSICO - séculos VI a IV a.C.

HELENÍSTICO - a partir do século IV a.C. (a Grécia perde sua independência, caindo sob domínio macedônio)

QUADRO RESUMO

A CIVILIZAÇÃO PRÉ-HOMÉRICA: CRETA E MICENAS

A civilização egeia teve como berço geográfico os numerosos arquipélagos do Mar Egeu, tendo como núcleo principal a Ilha de Creta. A civilização cretense chegou a ocupar parte das costas ocidentais da Ásia Menor e a porção meridional da Península Balcânica. Carentes de terras agricultáveis e desprovidos de recursos minerais, os cretenses tornaram-se um povo de navegadores e o comércio marítimo foi a sua grande atividade econômica. Por esse motivo, a formação social egeia não conheceu uma aristocracia agrária, caracterizando-se, pelo contrário, pelo florescimento de cidades, cuja mais importante foi Cnossos, governada por reis que recebiam o título de Minos. A unidade política básica da civilização cretense também foi a cidade-estado, dotada de soberania política. Muitos historiadores acreditam que essas diversas cidades-estados chegaram a formar uma espécie de confederação, sob a liderança de Cnossos, cujos reis ("Minos") exerceram uma clara dominação sobre todos os povos egeus, daí o fato de que a formação social cretense seja denominada de civilização minoica.

As relações entre as cidades egeias eram pacíficas, o que é demonstrado pela não existência de fortalezas em nenhuma delas. Já em seus domínios na Grécia continental, proliferaram fortificações, visando conter as sucessivas levas de povos caucasianos que aí foram se estabelecendo.

Um dado original da comunidade egeia foi o papel de destaque nela ocupado pela mulher, que gozava de um prestígio e de uma liberdade raros nas civilizações arcaicas. A comprovação do respeito dedicado às mulheres foi o fato de que a religião cretense, politeísta e animista, tinha como base o culto à Grande- Mãe, deusa da fertilidade e genitora de todos os outros deuses e dos homens.

Do ponto de vista estético, a cultura egeia era viva, brilhante, individualista e voltada à defesa dos valores humanos. Outro importante característico da arte cretense foi seu total desligamento da religião e do Estado. A não ser por restos materiais descobertos pelos estudos arqueológicos, pouco sabemos sobre a civilização cretense. Pode se afirmar com certeza que ela exerceu profunda influência junto aos povos mediterrâneos, especialmente entre os gregos.

Por volta de 1600 a.C., Cnossos foi destruída por Micenas, chefiando uma aliança de cidades egeias da Grécia meridional.

A CIVILIZAÇÃO MICÊNICA

Denominamos de civilização micênica ao conjunto de povos indo-europeus (aqueus, eólios e jônios) que, oriundos do Cáucaso, penetraram a região balcânica (por volta de 2000 a.C.), conquistando boa parte dos domínios egeus, assimilando a cultura cretense. Daí decorre o nome, dado pela maioria dos historiadores, de civilização creto-micênica. A cidade de Micenas, situada numa colina e cercada por muros com funções defensivas, media 600 metros por 1000 metros, possuindo quatro entradas, conhecidas como as "Portas dos Leões". As elites que habitavam a área circundada pelas muralhas, obrigavam as camadas periféricas a viver nas encostas do monte fora dos muros, pois assim serviriam de "escudos humanos" contra invasores estrangeiros. Importante cidade mercantil, Micenas dedicou-se, fundamentalmente, a produção e circulação de produtos de cobre. O expansionismo comercial micênico provocou a Guerra de Troia ("Ílion", como era conhecida pelos gregos), causada pela disputa das rotas da Ásia Menor.

Esse conflito é contado por Homero, em sua obra "A Ilíada", na qual atribui, de forma lendária, a eclosão da guerra ao rapto da princesa Helena por Páris, filho do rei troiano Príamo. Esse clássico da literatura grega foi complementado pelo livro, também de autoria de Homero, "A Odisseia", que relata as aventuras do herói Ulisses quando do seu retorno para Micenas, após o término da Guerra de Troia.

Cavalo de Troia: Na obra de Homero era um grande cavalo de madeira oco usado pelos gregos como estratagema para conseguir penetrar na cidade de Troia e assim vencer a guerra.

Em razão de sua prosperidade, Micenas passou a ser alvo das ambições de outros povos indo-europeus e inúmeras invasões, principalmente dos jônios e eólios assolaram a Península Balcânica até o século XII A.C., quando os belicosos dórios ou dóricos dominaram a região, causando a queda da civilização micênica. Atemorizados pela violência dórica, eólios e aqueus se espalharam pelas ilhas do Mar Egeu e ao longo do litoral da Ásia Menor, processo conhecido como a primeira diáspora grega.

A presença dórica, povo de alto desenvolvimento militar, mas culturalmente primário, gerou um período conhecido como a "Idade das Trevas" ou "Período Obscuro". A arte e a escrita desapareceram, o artesanato decaiu e os instrumentos de bronze foram substituídos por rústicos artefatos de ferro. A produção agrícola passou a ser de subsistência, levada a efeito pelo grupo familiar auxiliado por escravos e uma pequena mão de obra assalariada. A Grécia conhecia a regressão.

A TRANSIÇÃO DO PERÍODO HOMÉRICO AO ARCAICO (XII A.C. - VIII A.C.)

A estrutura econômica, social, política e religiosa da transição entre o período homérico ao arcaico foi formada pelos genos. Essa unidade social, de cunho familiar, tinha como autoridade o Pai clânico, que, ao morrer, era substituído pelo primogênito. Tratava-se de um grupo consanguíneo, cujos matrimônios eram de caráter minúsculo e endogâmico (casamentos realizados dentro da própria família). Quanto ao aspecto econômico, o trabalho e a posse dos meios de produção eram coletivos e a produção era distribuída uniformemente entre todos os membros do clã. Em consequência, a sociedade era igualitária, não havendo diferenças econômicas. A hierarquia social era baseada nas relações de parentesco, ocupando o topo da pirâmide social aqueles que eram mais próximos ao Pai clânico, cujo poder político decorria do fato de oficiar o culto aos antepassados e, também, de comandar o exército familiar. A legislação era oral e consuetudinária. Pouco a pouco, o crescimento dos genos e a decorrente escassez de gêneros alimentícios - já que a produção agrícola coletiva era ineficiente - obrigaram a uma transformação da estrutura gentílica em função do surgimento da propriedade privada. Os parentes mais próximos do Pai clânico, que passaram a ser chamados de Eupátridas (os "bem-nascidos"), recebiam as melhores terras; os mais afastados, alcunhados de Georgoi (agricultores), ficavam com as terras menos férteis. A parentela mais distante do Pater ("Pai clânico") não adquiria qualquer posse fundiária, recebendo a denominação de Thetas ("marginais"). Os Eupátridas - elite dominante - formaram a Aristocracia (do termo grego "aristoi", que significa os "melhores"). Na eventualidade de ameaças militares, os Eupátridas se agrupavam, formando as fratrias, que, reunidas, davam origem às tribos. Da reunião de várias tribos surgiram as Cidades-Estados (Pólis) entidade política típica da civilização grega. Ao longo da antiga Grécia, floresceram mais de 160 cidades-estados. Quase todas elas eram localizadas em colinas, cujo símbolo de autonomia era a Acrópole, templo construído no topo das elevações topográficas.


Representação da Acrópole de Atenas

A Pólis era sempre governada por uma assembleia de aristocratas, que delegavam o poder a um Basileu (Rei), cujo poder era bastante restrito. Com o tempo, temendo as ambições autoritárias dos Basileus, as oligarquias gregas os substituíram pelos Arcontes, magistrados eleitos pela assembleia e substituídos anualmente.

A escassez de solos agricultáveis e a crescente expansão demográfica levaram inúmeros excedentes populacionais gregos, ao longo dessa época de transição, a buscar outras regiões para sua sobrevivência. Teria início o processo de colonização helênica do Mediterrâneo, onde foram criadas inúmeras Poleis, notadamente na área meridional da Península Itálica e na Ilha da Sicília. Também no litoral do Mar Negro, floresceram inúmeras colônias gregas. Esse processo migratório foi denominado de segunda diáspora grega.

ESPARTA E ATENAS

Nos seus primórdios, a economia das inúmeras comunidades gregas era fundamentalmente agrária, sendo, por conseguinte, a posse da terra o elemento determinante para a definição da condição socioeconômica, dos indivíduos, bem como o seu grau de participação política na sociedade. Assim, na maioria das cidades-estados helênicas, ocorreu uma progressiva concentração do poder nas mãos da aristocracia, segmento social formado pelos grandes proprietários rurais. A consequência política desse processo foi a evolução das monarquias para oligarquias ("governo nas mãos de poucos"). A concentração da propriedade fundiária nas mãos da aristocracia, a escassez de terras agricultáveis, o crescimento demográfico e um regime de transmissão da propriedade única e exclusivamente para o primogênito, o que relegava à pobreza os secundogênitos, geraram uma crescente tensão social que punha em risco a dominação aristocrática. Essas foram as razões - como ressaltamos na aula anterior - que desencadearam o processo de ocupação de terras não gregas por povos gregos, que instalaram, nos novos territórios, diversas cidades-estados. Tais movimentos colonizatórios, alcunhados de segunda diáspora grega levaram os gregos a ocupar áreas da Ásia Menor (o litoral da Anatólia); o Mar de Mármora e o Mar Negro, regiões cortadas por inúmeros estreitos e onde foi fundada a cidade de Bizâncio e anexar o sul da Itália, a Magna Grécia, polvilhada de cidades, destacando-se Tarento, Síbaris, Crotona e Nápoles. Na Sicília, edificou-se outro importante centro urbano: Siracusa.

A colonização grega no Mediterrâneo implicou:

  • a helenização cultural da região, e uma ampla circulação de bens agrícolas entre as colônias e as cidades-estados da Grécia.

Localizadas em solos férteis, as colônias passaram a produzir gêneros em abundância, cujos excedentes eram exportados para o território grego original. Essa crescente importação de produtos agrícolas coloniais provocou o declínio da estrutura agrária tradicional. De início, foram arruinados os pequenos proprietários; em seguida, a própria aristocracia foi solapada em seu poderio econômico. Agora, as terras em mãos da aristocracia dedicavam-se ao plantio de vinha e oliva. Assim o circuito comercial entre as colônias e a Grécia passou a ser o seguinte: as primeiras forneciam alimentos e os gregos exportavam vinho e azeite para as regiões coloniais. Como a plantação da vinha e da oliva exigiam grandes contingentes de mão de obra, progressivamente difundiu-se o sistema escravista. Na Grécia, três eram as formas de aquisição de escravos: conquista, compra ou escravização por dívidas.

Noutros termos, todo e qualquer devedor que não tivesse condições de pagar seus débitos era, junto com sua família, escravizado pelo credor. As maiores vítimas dessa legislação eram os pequenos proprietários de terra, que, não dispondo de recursos para o plantio, tomavam empréstimos de agiotas e da aristocracia, acabando por perder, de início, as propriedades e, logo em seguida, a liberdade.

A decadência da agricultura grega acarretou a urbanização, o incremento do artesanato e um extraordinário progresso comercial. Em consequência, a maior parte das populações das cidades-estados passou a se dedicar a atividades especificamente urbanas; comércio, artesanato e profissões liberais.

CONSEQUÊNCIAS DA SEGUNDA DIÁSPORA GREGA

- decadência agrícola da Grécia
- desenvolvimento de uma sociedade urbano-mercantil
- enfraquecimento econômico e político das oligarquias agrárias com o consequente fortalecimento dos setores sociais urbanos

O novo cenário grego gerou uma profunda contradição: o poderio econômico concentrava-se, de maneira crescente, nas mãos dos setores sociais urbanos, mas, pelo menos no início desse processo, o poder político continuava monopolizado pelas oligarquias agrárias. Essa crescente tensão social levou, progressivamente, a transformações políticas que, particularmente em Atenas, provocou a evolução de uma estrutura oligárquica (governo nas mãos de alguns poucos) para uma democracia (governo dos cidadãos).

Dentre as mais de 160 cidades-estados gregas, destacaram-se duas Pólis: EspartaAtenas.

  • Aulas relacionadas

Sumário

- Processo de Evolução Histórica
- A Civilização Pré-Homérica
- A Transição do Período Homérico ao Arcaico
- Esparta
i. A Sociedade Espartana
ii. A Estrutura Política
iii. Um Estado Totalitário
- Atenas
i. A Evolução Política de Atenas
ii. A Democracia Ateniense
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