FENÍCIA

A Fenícia, situada no atual território da República do Líbano, era uma estreita faixa de terra comprimida entre áreas planálticas, no leste, e o mar Mediterrâneo, no lado ocidental. Território árido, a não ser em alguns vales onde havia água para alimentar a agricultura, os fenícios foram obrigados a encontrar formas diversificadas de sobrevivência. Povo semita, possivelmente oriundo da Caldeia, os fenícios se fixaram na região por volta de 3000 a.C., dedicando-se inicialmente ao cultivo de videiras, oliveiras, cereais e também à pesca e a um artesanato rústico. A posição geográfica da Fenícia, roteiro obrigatório de caravanas nômades, favoreceu a aquisição de excedentes agrícolas do Egito e de produtos dos povos vizinhos. Pouco a pouco, surgiria uma camada de mercadores, e os fenícios descobririam o seu destino: o comércio marítimo, facilitado pela presença, nas montanhas, de cedro, madeira ideal para a construção de barcos. É por esse motivo, que até hoje, o cedro é o símbolo nacional do Líbano, como se pode observar em sua bandeira:

A Fenícia nunca chegou a criar um Estado unificado nos moldes dos que se desenvolveram às margens do Nilo, do Tigre e do Eufrates. Sua estrutura política fundamental e permanente foi a cidade-estado, isto é, repúblicas urbanas independentes, tais como Biblus, Tiro e Sídon, chefiadas por uma elite mercantil plutocrática que constituiu uma talassocracia, termo que, em grego, significa "elite comercial marítima" ("thalassa: mar"). A grande massa da população era formada por artesãos e marinheiros que trabalhavam para enriquecer a aristocracia mercantil, que detinha nas mãos o poder, a riqueza e a administração das regiões comerciais. As cidades fenícias eram também caracterizadas pela existência de milhares de escravos comprados pelos comerciantes nas rotas mediterrâneas. Por seu turno, a defesa das áreas urbanas e dos barcos era assegurada pelas tropas mercenárias que a elite talassocrática podia, com facilidade, pagar. Além de hábeis navegantes os fenícios desenvolveram um sofisticado artesanato, produzindo armas, vasos, objetos de adornos, tecidos e artigos de vidro, que eram amplamente comercializados em todo o Oriente. Umas das mais importantes atividades das cidades fenícias era a busca de estanho destinado a produzir artigos de bronze. Com este objetivo, navios fenícios atravessavam o Estreito de Gibraltar, aportavam em Cádis (hoje, Espanha) e chegavam até às Ilhas Britânicas. Em suas andanças, os fenícios fundaram, ao longo do litoral Mediterrâneo, inúmeros entrepostos comercias que, progressivamente, transformaram-se em cidades. A mais importante delas foi chamada pelos romanos de Cartago e pelos descendentes dos fenícios de Punis (atualmente, Túnis, capital da Tunísia, país localizado no norte da África). Um dos mais espetaculares feitos dos fenícios foi uma viagem de circunavegação do Continente africano, a soldo de um faraó egípcio.


Reprodução de barco fenício mercante 1500 a.C.

Além de exímios vendedores, os fenícios também se dedicaram ao comércio de importação. Da Mesopotâmia compravam tapetes, vestimentas e tecidos, que eram tingidos, na Fenícia, por um corante vermelho-escuro, denominado púrpura, extraído de conchas marítimas; da Arábia, traziam ébano, marfim, ouro e essências aromáticas para a perfumaria e da Ásia Menor, importavam cavalos.

A ESTRUTURA POLÍTICA

Como já realçamos, a Fenícia não chegou a desenvolver um Estado centralizado, limitando-se, do ponto de vista político, a fundar cidades-estados que, no máximo, formavam efêmeras confederações. Por volta de 2500 a.C., Biblus chegou ao apogeu, dominando comercialmente boa parte do mar Mediterrâneo. Mil anos depois, foi a vez de Sidon, cuja supremacia comercial foi logo substituída por Tiro, cujo alcance mercantil foi inigualável, principalmente na época do rei Hiram.

A RELIGIÃO

A religião dos fenícios era animista, que consiste em acreditar que os objetos naturais são sagrados e dotados de alma. Assim, para os habitantes da Fenícia, as árvores, as montanhas e todas as coisas da natureza eram dotadas de espírito e paixões. Cada cidade tinha o seu Baal, um deus protetor da vida e da realidade urbanas. O Baal de Tiro era Melcart; o de Biblus, Adonis e em Sidon, cultuava-se Eshum. Cartago, colônia fenícia, criou o deus Moloc. Além dos deuses principais, havia divindades menores destinadas a proteger atividades empresariais específicas: as rotas comerciais, os navios, o comércio, o artesanato, etc. Os rituais fenícios, legado cultural da Mesopotâmia, eram sangrentos e quase sempre envolviam sacrifícios humanos, principalmente a morte de crianças. Todos esses cultos, sempre públicos, eram oficiados pela casta sacerdotal que participava, junto com a plutocracia local, do governo da cidade.

A CULTURA

Além do aperfeiçoamento das técnicas de navegação e da ampliação do conhecimento geográfico, outra importante contribuição cultura fenícia foi o alfabeto fonético, uma simplificação da escrita hieroglífica egípcia, utilizando 22 letras, que serviria de base para dezenas de outros alfabetos, do grego até os atuais. O motivo da criação desse tipo de alfabeto foi simplificar as anotações sobre operações comerciais, pois não existe, entre os fenícios, nenhuma obra literária digna de menção.

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