Era Napoleônica

Era Napoleônica

A Era Napoleônica ocorreu de 1799 a 1815. A Era Napoleônica foi o período em que Napoleão Bonaparte passou de general a imperador da França: inicia-se com sua chegada ao poder no Consulado e termina com sua derrota na Batalha de Waterloo e seu exílio na Ilha de Santa Helena, em 1815.

 

No final do século XVIII, o povo da França estava cansado de guerras, revoluções e violência. Eles estavam insatisfeitos com o governo fraco do Diretório. Em novembro de 1799, um grupo de políticos realizou um coup d’etat (golpe de estado), conhecido como golpe de 18 de Brumário, derrubou o Diretório e apontou um general como governante.


Napoleão Bonaparte

Durante a década seguinte, este líder – Napoleão Bonaparte – transformou a França na maior superpotência europeia. Sob sua liderança, as reformas da Revolução Francesa se espalharam pelo continente. Napoleão Bonaparte também se provou um dos maiores gênios militares de todos os tempos.

O início da carreira de Napoleão

Napoleão nasceu na ilha de Córsega em 1769. Frequentou um colégio militar na França e tornou-se um oficial. Em 1793, uniu-se às forças revolucionárias francesas e mostrou grande liderança e talento no planejamento de estratégias militares.

Em 1796, Napoleão assumiu o comando dos exércitos franceses ao enfrentar as forças austríacas na Itália. Suas brilhantes táticas militares renderam importantes vitórias aos franceses, forçando os austríacos a pedirem trégua. Napoleão foi considerado um herói francês, mas sendo um homem extremamente ambicioso, ele não se contentava em ser apenas um grande general. Seu objetivo era governar a França.

A preocupação imediata de Napoleão, contudo, era a guerra da França com a Grã-Bretanha. Numa tentativa de enfraquecer o poder britânico no Mediterrâneo, Napoleão invadiu o Egito em 1798. A campanha foi um fracasso militar, mas fez com que os franceses viessem a se interessar pelo antigo Egito. De fato, foi um dos oficiais de Napoleão que encontrou a Pedra de Roseta – a chave para ler os hieróglifos egípcios.

O Consulado

Em seu retorno à França, Napoleão participou de um complô para substituir o Diretório. Em novembro de 1799, os soldados de Napoleão cercaram a legislatura francesa enquanto ele tentava negociar com seus líderes. Mas os legisladores sentiram que o objetivo de Napoleão era o de tomar o poder para si próprio, e o expulsaram aos gritos de “Abaixo o tirano!”.

Napoleão deixou o prédio enfurecido e convocou suas tropas para banir a legislatura. Baionetas erguidas, seus soldados marcharam em direção ao salão, e os legisladores fugiram. O Consulado, um novo governo liderado por Napoleão, substituiu o Diretório.

A França de Napoleão

Além de grande general, Napoleão foi um político extraordinário. Ele entendia que, para permanecer no poder, deveria preservar as reformas iniciadas durante a Revolução e resolver os problemas enfrentados pelo país. Napoleão objetivou obter a aprovação de todos os segmentos populacionais da França.

Napoleão agradou a burguesia, prometendo aos seus membros empregos no governo e no exército, e restaurando a ordem no país. Promoveu o comércio e a indústria, e impôs tarifas sobre as importações para proteger as empresas francesas da competição estrangeira. Também fundou um banco nacional para prover crédito para negócios e ajudar a manter a economia estável.

Ao mesmo tempo, Napoleão ganhou o apoio de trabalhadores e camponeses. A expansão do comércio gerou muitos empregos. Para ajudar os habitantes pobres das cidades, Napoleão fixou preços baixos para comida. Os camponeses apoiaram o líder francês, pois ele permitiu que mantivessem a terra que adquiriram durante a Revolução.

Napoleão foi até mesmo capaz de agradar aos nobres. Apesar de não ter restaurado seus privilégios feudais, perdoou os nobres que haviam fugido durante a Revolução. A maioria dos emigrantes retornou à França e prometeu lealdade a Napoleão. Muitos logo passaram a assumir altos cargos no governo.

Napoleão também firmou um acordo com o Papa, chamado de Concordata de 1801, que equilibrava os direitos da Igreja e do Estado francês. A Concordata deu ao governo francês a autoridade de nomear membros do clero francês e de pagar seus salários. A Igreja ganhou o direito de confirmar ou recusar estas nomeações, mas desistia de suas reivindicações pelas suas terras tomadas durante a Revolução.

Ao reorganizar todo o governo francês, em 1800, Napoleão nomeou uma equipe de advogados para desenvolver um código de leis que seria válido para toda a França. Este Código Napoleônico ainda é utilizado hoje no país e reflete algumas das ideias iluministas e da Revolução. De acordo com o Código, todo homem francês seria tratado como igual, não importando em que classe havia nascido ou o quão rico era. O feudalismo e os privilégios de classes sociais mais altas foram abolidos. O Código autorizava a liberdade de religião, e protegia o direito de propriedade de praticantes de todas as religiões.

Por outro lado, algumas leis do Código Napoleônico fomentaram a desigualdade na França. Trabalhadores eram considerados inferiores aos patrões. Os homens exerciam controle quase que absoluto sobre suas famílias e suas propriedades, enquanto as mulheres perderam alguns direitos. Uma mulher, por exemplo, somente poderia adquirir propriedade com o consentimento escrito de seu marido.

Napoleão também apoiou firmemente a educação. Seu governo precisava de soldados treinados para o exército e de oficiais públicos bem-educados. Para garantir-lhes isso, Napoleão iniciou uma academia militar nacional e criou um corpo educacional que estabeleceu um curso padrão de estudo para todos os professores e alunos, e passou a supervisionar as escolas e universidades por toda a França.

Napoleão manteve a maioria das reformas sociais conquistadas durante a Revolução Francesa, mas ignorou algumas das liberdades individuais que haviam sido conquistadas pelo povo francês. Napoleão não favorecia a liberdade política ou eleições livres. Fechou jornais que criticavam seu governo. Seus espiões caçavam e aprisionavam aqueles que eram considerados desleais ao seu governo.


Napoleão imperador

Para simbolizar seu controle sobre a França, Napoleão adotou o título de imperador em 1804. O evento foi marcado por uma cerimônia sofisticada em Paris. Quando o Papa se aproximou para coroá-lo, Napoleão tomou a coroa e a colocou sobre a sua cabeça com suas próprias mãos. Com este ato, Napoleão informava à França e ao mundo que ele não aceitava nenhuma autoridade acima de sua própria.

As Guerras Napoleônicas

Napoleão não se contentava com o trono da França; ele desejava governar toda a Europa. Utilizando tanto da diplomacia como de sua habilidade militar, ele conseguiu quebrar a aliança entre Rússia, Áustria e Grã-Bretanha, e assinou acordos de paz com estes países.

Mas este período de paz não poderia ser duradouro, sendo que a expansão francesa ameaçava o comércio e o poder marítimo britânico. Em 1803, Grã-Bretanha e França estavam novamente em guerra. Em 1805, Rússia, Áustria e Suécia formaram uma aliança contra Napoleão, e a Prússia uniu-se a elas no ano seguinte. As guerras que se seguiram foram chamadas de Guerras Napoleônicas.

Entre 1805 e 1807, o exército de Napoleão derrotou as forças da Áustria, Prússia e Rússia. A impressionante vitória francesa em Austerlitz, em 1805, tirou a Áustria da guerra. Em apenas dois anos, Prússia e Rússia também foram forçadas a pedir trégua. A França havia então se tornado a principal potência da Europa. Napoleão anexou algumas das terras conquistadas ao país; outras ele ofereceu a seus parentes ou a oficiais leais ao seu governo.

Ao conquistar outros países, Napoleão trouxe as reformas da Revolução a outras regiões da Europa. Seus administradores nas terras conquistadas reduziram os privilégios dos nobres e do clero. Estabeleceram o Código Napoleônico e sistemas de impostos mais justos. Também encerraram a servidão, promoveram a educação pública, nomearam pessoas qualificadas para cargos importantes e apoiaram a tolerância religiosa. Estas reformas aceleraram a modernização social e política da Europa.

Todavia, os povos conquistados eram obrigados a fornecer soldados para seu exército, pagar impostos ao seu governo e prover matéria-prima às indústrias francesas. Os opositores ao governo napoleônico eram cruelmente esmagados. Muitos daqueles que inicialmente receberam Napoleão como “libertador” logo começaram a odiá-lo.

O exército que lutava com mais determinação contra Napoleão era o da Grã-Bretanha. Os britânicos tomaram navios franceses e impediram navios de outros países de chegarem aos portos franceses. Em 1805, uma tripulação francesa partiu do Mar Mediterrâneo para invadir a Inglaterra. Em Trafalgar, um ponto de terra na costa sudoeste da Espanha, os franceses enfrentaram uma tripulação britânica, liderada por Lorde Nelson. Os britânicos afundaram metade dos navios de Napoleão sem perder um único navio de sua frota.


Batalha de Trafalgar

Após a derrota de Trafalgar, Napoleão desistiu de seu sonho de invadir a Inglaterra. Em vez disso, ele decidiu derrotar os britânicos atacando seu comércio. O plano de Napoleão, denominado de Bloqueio Continental (ou Sistema Continental), proibia os aliados franceses e todos os países sob domínio francês de importar bens britânicos. Napoleão esperava que o Bloqueio Continental arruinasse a Grã-Bretanha. Mas o inverso acabou ocorrendo: apoiados por sua poderosa marinha, os britânicos quase arruinaram a França.

A Grã-Bretanha enfrentou o Bloqueio Continental aumentando seu comércio com os Estados Unidos e contrabandeando bens para a Europa. A marinha britânica, enquanto isso, bloqueou a França e seus aliados. Os mercantes da classe média na Europa, que tiveram seus negócios enfraquecidos pelo rompimento do comércio com a Grã-Bretanha, se revoltaram contra Napoleão.

Quando Portugal recusou-se a aderir ao Bloqueio Continental, Napoleão invadiu o país e decidiu tomar também a Espanha. Em 1808, ele enviou um grande exército, forçando o rei espanhol a abdicar – desistir do trono. Napoleão então fez de seu próprio irmão, José Bonaparte, rei da Espanha.


José Bonaparte

Resistindo severamente à ocupação francesa, os portugueses e espanhóis retrucaram com guerrilhas – ataques surpresa por pequenos grupos de soldados. As tropas francesas não conseguiram esmagar os rebeldes; além disso, a Grã-Bretanha enviou um exército para ajudar as guerrilhas, fato que ficou conhecido como Guerra Peninsular. Após cinco anos de arrebatadoras batalhas, os franceses foram forçados a deixar a Espanha, e os britânicos invadiram a França.


Guerra Peninsular

A Guerra Peninsular foi uma grande derrota para Napoleão. O conflito havia requerido centenas de milhares de tropas francesas, deixando a França vulnerável a ataques britânicos. Além disso, o sucesso dos guerrilheiros inspirou alguns patriotas em outras terras a resistirem a Napoleão.

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