Descolonização

Descolonização

Descolonização é o processo pelo qual uma ou mais colônias adquirem a sua independência e isso pode ocorrer de forma pacífica ou não. Geralmente faz-se um acordo entre a potência colonial e os líderes de movimentos de libertação.

Historicamente, a descolonização ocorre após um conflito entre os colonos e os colonizadores. No caso da Argélia, por exemplo, houve uma guerra de libertação, mas, em geral, há um golpe de estado onde os líderes da colônia tomam o poder da administração colonial. Raramente o processo de descolonização é totalmente pacífico, ocorrendo através de petições legais e pressão diplomática. No entanto, já houve casos em que a própria potência colonial abriu mão de suas colônias. Isto pode ocorrer quando a manutenção das colônias traz mais prejuízos que benefícios à potência colonial. Nestes casos, a potência colonial mantém privilégios no comércio de suas ex-colônias; esta nova relação, em que uma ex-colônia permanece economicamente submissa à potência que a colonizou, é chamada de neocolonialismo.

Os Fatores da Descolonização

Foram vários os fatores que levaram ao processo de descolonização ocorrido após a Segunda Guerra Mundial. Um primeiro fator foi o enfraquecimento das economias dos países europeus que participaram do conflito. Esses ficaram sem recursos econômicos suficientes para manter suas colônias.

Um segundo fator foi o nacionalismo despertado nas colônias. Os colonos argumentavam, com bom motivo, que não tinha lógica as nações aliadas participantes de uma guerra contra o totalitarismo continuar com sua soberania sobre outros povos.

Um terceiro fator que incentivou a descolonização foi a Carta de São Francisco (Carta das Nações Unidas) – documento que criou a Organização das Nações Unidas (ONU) em substituição à Liga das Nações. Assinada em 26 de junho de 1945, a Carta estimulava a independência das nações consagrando o direito à autodeterminação dos povos.

As Características da Descolonização

O processo de descolonização ocorreu de várias formas. Quando a independência de uma colônia realizava-se de forma pacífica, concessões graduais eram feitas pelas metrópoles. Em geral, a ex-colônia e a ex-metrópole mantinham boas relações. Os novos Estados passavam a fazer parte da área de influência do antigo dominador e recebiam ajuda econômica. Por outro lado, quando a independência ocorria de forma violenta, havia uma total ruptura na qual as ex-colônias enfrentavam a repressão violenta de ex-metrópoles: a força era empregada no movimento de libertação nacional.

Em geral, os processos de descolonização mais pacíficos foram os das colônias inglesas. A Grã-Bretanha, poderosa potência colonizadora, percebeu que a descolonização no pós-guerra era um processo irreversível. O país, portanto, tratou de manobrar para manter as ex-colônias como sua área de influência. Para isso, fez com que a independência política não significasse, na maioria dos casos, independência econômica. A Grã-Bretanha também adotou uma política de descolonização gradativa: primeiramente interna, depois também na política externa (como foi o caso da Índia e do Ceilão).

A França, por outro lado, que não pretendia reconhecer a independência de suas colônias, veio a sofrer inúmeros problemas. Tentou promover “reformas” econômicas e sociais, porém, houve um agravamento da situação, pois o país recorreu à violência para conter as agitações que ficaram descontroladas (como na Argélia). Esse tratamento violento gerou oposição rancorosa entre colonizados e colonizadores. Tal situação permitiu o desenvolvimento de grupos armados comunistas, como no caso do Vietnã do Norte, que terminou aderindo ao socialismo.

A descolonização na África

No processo de descolonização da África, vários líderes africanos procuraram adaptar ideologias ocidentais à realidade africana. A teoria pan-africanista foi desenvolvida principalmente por africanos que viviam na América e que eram descendentes de africanos escravizados. O pan-africanismo foi um movimento político, social e filosófico, que promoveu a defesa dos direitos do povo e da unidade do continente africano como um único Estado soberano, para todos os africanos, tanto na África como fora dela. Considerado o pai do pan-africanismo, William Edward Burghardt Du Bois, organizou, entre 1919 e 1945, os cinco primeiros Congressos pan-africanos. O Quinto Congresso, ocorrido em Manchester, defendeu a Carta do Atlântico e a luta contra a subnutrição e o analfabetismo.

Em 1958, a Conferência de Acra (capital de Gana) congregou dirigentes de nações africanas independentes: Egito, Líbia, Sudão, Libéria, Etiópia, Gana e Marrocos. Na conferência foi decidido que haveria solidariedade em relação às potências colonialistas.

Na Conferência de Adis-Abeba (Etiópia, 1963), foi criada a organização da Unidade Africana e assinada a Carta Africana. Esta organização tinha como objetivo promover a unidade dos Estados africanos e eliminar todas as formas de colonialismo no continente. No ano seguinte, em Dar Es Salaam (Tanzânia), foi criado o Comitê de Libertação Africana para coordenar a ajuda financeira e o treinamento militar de africanos.

A última etapa da descolonização da África ocorreu nas colônias portuguesas. Em Cabo Verde e Guiné, desde 1956, existia o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que recorreu à luta armada para se libertar de Portugal. Ainda em 1956, Agostinho Neto formou o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que também declarou guerra contra o colonialismo português. Em Moçambique, foi criada a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Em 1973, Guiné-Bissau adquiriu a sua independência.

O golpe de estado militar do dia 25 de abril de 1974 derrubou em um único dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. Este levante é conhecido como Dia D, 25 de Abril, ou Revolução dos Cravos. A partir daí foram iniciadas as negociações para que as colônias portuguesas se tornassem independentes. No caso de Moçambique, isto ocorreu em 25 de julho de 1975.

Angola deveria ter se tornado independente em 1975. Mas, em decorrência das relações deterioradas, Portugal abandonou o território antes da data, o que ocasionou uma luta pelo poder. O país sofreu uma terrível guerra civil, pois três grupos políticos lutavam pela independência: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), de orientação socialista e liderado por Agostinho Neto, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). O MPLA, por ser um movimento de esquerda, foi apoiado por Cuba e pela União Soviética, enquanto a UNITA pelos Estados Unidos. Angola foi dividida entre a UNITA e o MPLA, com a ONU tentando promover uma política de desarmamento.

Angola é um exemplo concreto das consequências terríveis do imperialismo europeu na África. Não há dúvida de que deixou marcas profundas no território e na civilização africana. A estrutura da sociedade primitiva tribal foi destruída, ou descaracterizada, sem haver assimilação do novo modo de vida “europeizante”. A mais grave consequência da colonização europeia na África foi o fato de que as fronteiras estabelecidas pelos poderes imperiais não levaram em consideração as divergências tribais, resultando até hoje em guerras tribais e campanhas de genocídio.

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Sumário

- Os Fatores da Descolonização
- As Características da Descolonização
- A descolonização na África
- A descolonização no Oriente Médio
- A descolonização da Índia
- A Independência da Indochina
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