As Cruzadas

As Cruzadas foram expedições militares, organizadas por católicos da Europa Ocidental, cujo objetivo inicial era a reconquista de lugares sagrados para o cristianismo, como o Santo Sepulcro, em Jerusalém. As Cruzadas, que ocorreram entre os séculos XI e XIII, não constituíram um movimento exclusivamente religioso. Contudo, as Cruzadas possuíam um forte elemento de religiosidade da cristandade europeia.

No início da Idade Média, tropas invasoras muçulmanas ameaçavam a Europa cristã. Porém, por volta do século XI, reis e nobres da Europa Ocidental e Central eram suficientemente poderosos para derrotar os muçulmanos.

No ano 1015, as cidades-estados italianas de Gênova e Pisa expulsaram os muçulmanos da ilha da Sardenha. Ao final do século, cavaleiros normandos haviam recapturado a Sicília dos muçulmanos. Navios italianos e normandos passaram a patrulhar o Mediterrâneo Ocidental para impedir que os muçulmanos atacassem os navios cristãos.

Os cristãos também lutavam contra os muçulmanos na Espanha. Em meados do século VIII, os muçulmanos controlavam a maior parte da Espanha e de Portugal. Apenas alguns pequenos reinos no norte da península permaneciam sob o domínio cristão. Estes reinos cristãos, determinados a reconquistar o resto da Espanha, iniciaram uma batalha que durou 500 anos, conhecida como a Reconquista. A partir do século XI, os governantes cristãos de Castilha lideraram uma guerra contra os muçulmanos da Espanha. Ao longo desta guerra, conquistaram grandes extensões territoriais; assim, por volta do século XIII, apenas o Reino de Granada permanecia sob o domínio muçulmano.

As Cruzadas

No final do século XI, os europeus decidiram iniciar uma grande batalha contra os muçulmanos que viviam na Terra Santa - a região onde hoje se constitui o moderno Estado de Israel. No ano 1095, o Papa Urbano II recorreu aos nobres e cavaleiros europeus para que eles libertassem a Terra Santa dos turcos Seljuk. O Papa queria que a cidade sagrada de Jerusalém estivesse sob o exclusivo domínio cristão. Ele acreditava que os esforços bélicos para conquistar a Terra Santa uniriam os cavaleiros e nobres europeus, fazendo com que cessassem a luta entre si.

O apelo do Papa Urbano gerou forte interesse entre nobres e cavaleiros que almejavam glória, aventura e riqueza. Eles começaram a organizar exércitos, considerando sagrada a sua missão militar - de resgatar os lugares sagrados cristãos do controle muçulmano. Assim, começaram as Cruzadas. O termo Cruzada vem de uma palavra em latim, "crux", que significa cruz. Os participantes das Cruzadas costuravam o símbolo de uma cruz em suas roupas.

O entusiasmo pelas Cruzadas rapidamente se espalhou pela Europa Ocidental. Pregadores religiosos viajavam pelos diferentes países, convencendo as pessoas a participar das Cruzadas. O mais famoso deles foi Pedro, o Eremita, que viajava no lombo de um burro pelo interior da França.


Pedro o Eremita

Milhares de pessoas deixaram suas vilas e formaram a Cruzada dos Mendigos (Cruzada Popular). Mas esta Cruzada logo gerou intenções e ações malévolas, considerando todos os não cristãos como inimigos. Os camponeses que participavam iniciaram um massacre aos judeus que encontravam em sua viagem à Terra Santa. Poucos camponeses chegaram a Jerusalém; a maioria deles foi capturada e morta por forças muçulmanas, na Ásia Menor.

As Quatro Cruzadas

A primeira grande Cruzada foi mais bem organizada do que a marcha dos camponeses. No ano de 1096, nobres e cavaleiros uniram seus exércitos, que se agregaram em Constantinopla no ano seguinte. De lá, o exército cristão atravessou a Ásia Menor (Anatólia) e chegou à Antioquia, capturando-a dos turcos após longo sítio. Em junho de 1099, dois anos após iniciarem a viagem, os participantes das Cruzadas chegaram às muralhas de Jerusalém. Cinco semanas depois, eles finalmente conseguem capturar a cidade.

Neste esforço militar conhecido como a Primeira Cruzada, também chamada de Cruzada dos Nobres, os cavaleiros da Europa obtiveram uma grande vitória: capturaram Jerusalém e formaram quatro estados cristãos no Oriente Médio. Porém, estes estados eram cercados por muçulmanos e tinham poucas chances de sobreviver.

Quando os muçulmanos tomaram dos cristãos o Condado de Edessa, uma Segunda Cruzada foi organizada. Era o ano de 1144. O rei da França, Luís VII, o Jovem, e o Sacro Imperador Romano - Conrado III - organizaram uma grande força militar. No entanto, estas tropas cristãs sofreram grandes perdas em suas batalhas contra os turcos. Assim, apenas um pequeno número de participantes desta Segunda Cruzada chegou à Terra Santa.

Sob o comando de Saladino, sultão do Egito, os muçulmanos lutaram bravamente contra os invasores cristãos. Renomado por sua coragem e honra, Saladino era respeitado até mesmo pelos cavaleiros cristãos. Ele uniu sob a sua liderança os egípcios e os sírios e, em 1187, suas tropas capturaram Jerusalém.

Chocados com a perda de Jerusalém, líderes europeus organizaram uma Terceira Cruzada (1189-1192). Eram eles Ricardo I, da Inglaterra; Filipe II, cognominado Augusto, da França; e o Sacro Imperador Romano, Frederico I. A rivalidade entre estes líderes prejudicou a campanha militar; além disso, as forças cristãs que participaram da Terceira Cruzada eram militarmente muito inferiores ao exército de Saladino.

O Papa Inocêncio III, líder da Europa cristã, convocou uma Quarta Cruzada. No ano 1202, aproximadamente 10.000 pessoas se agregaram em Veneza, na Itália, prontos para participar da nova Cruzada e partir para a Terra Santa. Mas, apenas alguns deles alcançaram o Oriente Médio para lutar contra os muçulmanos. A maioria dos integrantes da Quarta Cruzada atacou Constantinopla, em 1204. Saquearam igrejas e massacraram bizantinos. A reação do Papa foi de ultraje: a única consequência da Quarta Cruzada foi de manchar a imagem da Igreja e dos esforços das Cruzadas.


Papa Inocêncio III

Os muçulmanos continuavam a reconquistar as terras que haviam caído em mãos cristãs durante as Cruzadas. Em 1291, quase 200 anos após o início das Cruzadas, todas as posses territoriais dos cristãos na Terra Santa haviam sido capturadas pelos muçulmanos.

As Consequências das Cruzadas

As Cruzadas trouxeram consequências históricas de grande significado. Um resultado relevante foi a perda de prestígio do Papa. No início, as que tiveram sucesso serviram para aumentar o poder do Papa. No entanto, o eventual fracasso das missões levou muitas pessoas a acreditar que o Papa havia manipulado o fervor religioso popular para aumentar o poder político da Igreja. Quanto mais era disseminada esta ideia, mais caía o prestígio do papado.

Um segundo resultado das Cruzadas foi uma forte queda também no poder dos nobres europeus. Alguns morreram durante as batalhas, enquanto outros perderam grandes fortunas ao financiar as Cruzadas. Monarcas europeus se aproveitaram da situação para fortalecer os seus poderes. Portanto, o feudalismo sofreu um enfraquecimento na Europa.

Um terceiro resultado das Cruzadas foi o crescimento do comércio internacional. Os europeus que delas participaram foram expostos a produtos orientais: açúcar, arroz, seda, algodão, cosméticos, pistache, etc. A demanda por estes produtos gerou o aumento do comércio entre o Ocidente e o Oriente. Isso beneficiou a Itália: comerciantes italianos importavam produtos do Oriente e os vendiam, com altas margens de lucro, para a população da Europa Ocidental.

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