Rebeliões no Brasil

Rebeliões no Brasil

Uma vez rompidos os laços do Brasil com Portugal, a nova nação tinha que organizar o Estado.

Os grandes proprietários rurais desejavam obter o máximo possível de autonomia político-administrativa. Já as outras camadas, que não possuíam terras, objetivavam promover rebeliões para alterar a estrutura social brasileira. Em vários pontos do país, movimentos de revolta ocorreram. Os rebeldes buscavam autonomia provincial e, em alguns casos, até lutavam para implantar um regime republicano no Brasil. As camadas populares participavam dessas rebeliões, mas eram geralmente manipuladas.

A Cabanagem

A população pobre do Pará estava ciente de que a independência do Brasil não os favoreceu. Sua condição social e econômica permaneceu praticamente inalterada. Após a abdicação de D. Pedro I, autoridades nomeadas pelo poder regencial foram obrigadas a demitir-se devido às pressões da população. Em reação às revoltas populares, a política repressora ampliou-se. Todo suspeito de participar em movimentos de rebeldes era recrutado à força para servir nas forças armadas do governo. Mas essa repressão acabou fomentando mais rebeliões.

Intensas movimentações populares - em Belém e na região rural da província - geraram o surgimento de líderes, como Eduardo Angelim, democrata convicto; os irmãos Vinagre - Francisco Pedro e Antônio - lavradores do rio Itapicuru; o fazendeiro Clemente Malcher e o jornalista Vicente Ferreira Lavor.

Os movimentos de rebelião foram, em parte, contidos em 1834 devido à proposta federalista contida no ato adicional. A ameaça da radicalização do movimento popular fez com que alguns setores mais moderados se retirassem da campanha de rebeliões.

Entretanto, na noite de 6 de janeiro de 1835, os cabanos - a população pobre que vivia em cabanas à margem dos rios - revoltaram-se, dominando a capital do Pará e executando o presidente da província e outras autoridades.

O novo governo foi liderado pelo rebelde Clemente Malcher que, surpreendentemente, declarou a sua fidelidade a D. Pedro II, afirmando que só ficaria no poder até a maioridade do imperador. Malcher passou até a reprimir as pessoas que o colocaram no poder. Ele tentou deportar Angelim e Ferreira Lavor.

Ao mesmo tempo, o prestígio de Francisco Vinagre cresceu. Malcher tentou um golpe, mas foi executado e substituído por Vinagre. Mas como seu antecessor, Francisco Vinagre também declarou a sua fidelidade ao imperador. Ele até se dispôs a negociar diretamente com a Regência, mas foi impedido de fazer isso por seu irmão Antônio.

O governo regencial enviou ao Pará uma grande força militar comandada por Manuel Jorge Rodrigues, que tomou o poder em Belém, com o apoio de Francisco Vinagre. Mas Rodrigues dominava apenas a capital; no interior, os cabanos reagruparam-se e tomaram Belém, proclamando a República.

Os cabanos, aconselhados por Angelim, tentaram se organizar no poder, mas foram enfraquecidos por constantes traições. Em abril de 1836, uma nova e poderosa esquadra regencial chegou ao Pará, impondo um novo presidente à província. Os cabanos, derrotados no conflito armado, buscaram refúgio no interior, mas foram aniquilados pelas forças da Regência.

Apesar de esmagada, a Cabanagem teve uma grande importância na história do Brasil: foi a primeira insurreição popular que resultou numa tomada de poder que foi mantida com uma certa estabilidade durante um razoável período de tempo.

A guerra dos Farrapos

A guerra dos Farrapos, também denominada de revolução Farroupilha, foi a mais longa guerra civil brasileira. Seus líderes foram os criadores de gado gaúchos - os estancieiros - classe dominante no Rio Grande do Sul, que lutavam pela separação política de sua província.


Guerra dos Farrapos

O movimento também tinha um motivo econômico. O principal produto da região, o charque, era taxado de forma elevada, o que privilegiava a concorrência do charque platino que era taxado com baixas tarifas alfandegárias.

Politicamente, os farrapos, que favoreciam maior autonomia para as províncias, tinham como opositores os chimangos, que apoiavam o status quo. Os farrapos pertenciam ao Partido dos Exaltados que era constituído, em sua maioria, por republicanos. Os chimangos pertenciam ao Partido Moderado e representavam a aristocracia rural. Os chimangos apoiavam a monarquia.

Em 1838, o principal chefe dos farrapos, Bento Gonçalves, exigiu a demissão do presidente da província. Os estancieiros se rebelaram e a revolta foi iniciada. O presidente da província fugiu e buscou asilo na vila do Rio Grande. Ao final de 1835, os rebeldes dominaram Porto Alegre e, um ano mais tarde, proclamaram a República de Piratini.

Bento Gonçalves tornou-se o primeiro presidente, mas foi preso num combate que ocorreu pouco depois. Levado à Bahia, ele fugiu em 1837 e retornou ao Rio Grande do Sul, onde reassumiu a liderança dos farrapos.

Em 1839, o italiano Giuseppe Garibaldi, que lutava ao lado dos rebeldes, e Davi Canabarro lideraram expedições militares que resultaram na conquista de Santa Catarina, proclamando ali a República Juliana.

Em 1840, D. Pedro II assumiu o trono. Objetivando estabilizar politicamente o país, ele ofereceu anistia a todos os rebeldes. Porém, isso não encerrou a luta dos farrapos. Dois anos depois, o então barão de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, foi designado para pôr fim à revolta dos farrapos. Sua primeira medida foi interceptar o intercâmbio do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Dessa forma, ele aliou a luta armada à negociação com os revoltosos.

Davi Canabarro e Caxias finalmente firmaram um acordo em 1845. As concessões oficiais satisfizeram os revoltosos. Os revoltosos foram anistiados, os oficiais farrapos foram integrados ao exército imperial e as terras confiscadas foram devolvidas. A guerra civil, que durara dez anos, havia sido encerrada.

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Sumário

- A Cabanagem
- A Guerra dos Farrapos
- A Sabinada e a Balaiada
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