Intentona Comunista

Intentona Comunista 

O Levante Comunista de 1935

A crise econômica durou por toda a década de 1930; o desemprego aumentou, os salários diminuíram. As lutas ideológicas internacionais também se refletiam no Brasil.

Na Europa, as ideologias nazistas e fascistas, em oposição violenta ao socialismo, cresceram em diversos países durante as décadas de 1920 e 1930.

No Brasil, os ideais nazifascistas tiveram origem em 1932, com a formação da Ação Integralista Brasileira, um movimento de extrema-direita liderado por Plínio Salgado. O objetivo desta organização era estabelecer um Estado corporativo e antidemocrático. A Ação Integralista tinha grupos armados, conhecidos como camisas-verdes, que lutavam nas ruas e perseguiam civis acusados de serem comunistas. A saudação especial dos integralistas era o "anauê".

  
                       Plínio Salgado                  Militares da Ação Integralista Brasileira

Os integralistas receberam apoio de membros da alta classe, do alto clero, do Exército e da classe média que estavam insatisfeitos com as oligarquias, mas temiam o comunismo.

Em muitos outros países, os grupos antifascismo, mesmo quando tinham ideologias e propostas bastante diferentes, uniram-se para lutar contra o aumento do nazifascismo. Isso também ocorreu no Brasil. Para combater o integralismo, a deterioração das condições sociais dos assalariados e o autoritarismo do governo, foi formada a Aliança Nacional Libertadora em março de 1935, sendo constituída pelas camadas liberais, socialistas e comunistas, pelos líderes sindicais e até pela ala reformista dos tenentes.

Hercolino Cascardo foi levado a presidir a Aliança Nacional Libertadora. Cascardo havia sido um líder ativo na rebelião tenentista de 1924, em São Paulo. Luís Carlos Prestes, o líder da Coluna que se uniu ao Partido Comunista Brasileiro, foi eleito presidente de honra. As exigências deste novo movimento eram a nacionalização das empresas estrangeiras, a suspensão do pagamento da dívida externa brasileira, a reforma agrária, maiores liberdades políticas e a formação de um governo popular.

O número de pessoas que se uniram ao movimento foi maior que o esperado. Nos dois primeiros meses, apenas no Rio de Janeiro, aproximadamente 50 mil pessoas faziam parte da Aliança Nacional Libertadora. O movimentou cresceu tanto e com tanta rapidez que impôs uma séria ameaça aos interesses da oligarquia e das companhias estrangeiras. Porém, a reação do governo foi rápida: em abril, foi aprovada uma Lei de Segurança Nacional com o objetivo de frear o crescimento da ANL.

Apesar dos protestos dos militares, da imprensa e dos sindicatos, a lei foi aprovada, pois era apoiada pelos segmentos mais conservadores da sociedade. No dia 11 de julho, o governo decretou o fechamento dos núcleos da ANL que na época tinham aproximadamente 400 mil filiados. Membros e simpatizantes da ANL sofreram uma dura repressão.

A facção de esquerda da ANL preparou um levante liderado por Luís Carlos Prestes. A rebelião teve início em Natal, no Rio Grande do Norte, onde os rebeldes obtiveram controle durante quatro dias; outros levantes ocorreram em Recife e Olinda. Em 27 de novembro de 1935, a insurreição eclodiu no Rio de Janeiro, que era a capital federal, onde os rebeldes resistiram na Escola de Aviação e no III Regimento da Infantaria. Eles foram bombardeados incessantemente, até desistirem. Este episódio ficou conhecido como a Intentona Comunista. Apesar da rebelião ter sido rapidamente esmagada pelo governo, ela teve graves consequências para o País, pois o comunismo passou a ser considerado o maior perigo para o governo. Milhares de pessoas foram presas e o Congresso passou a aprovar todas as medidas repressivas solicitadas pelo Poder Executivo. Aos poucos, o Legislativo foi cedendo poder para o fortalecimento de Vargas.


Luís Carlos Prestes

Em setembro de 1936, foi criado o Tribunal de Segurança Nacional com o propósito de julgar os crimes de pessoas acusadas de terem tido alguma ligação com o levante comunista. Entre elas estava o prefeito do Distrito Federal – Pedro Ernesto.

A Campanha Sucessória

Em 1936, devido à intensa perseguição, as oposições estavam muito enfraquecidas para conseguirem ameaçar o governo. Entretanto, no bloco dominante, começaram a ocorrer disputas pelo poder novamente, devido às eleições que ocorreriam em 1938.

Armando de Sales Oliveira se lançou como candidato, representando os interesses de alguns setores paulistas de conquistarem novamente o poder. Sales Oliveira teve o apoio do Partido Constitucionalista (uma continuação do Partido Democrático), do Partido Republicano Mineiro (que era apoiado pelo governador gaúcho Flores da Cunha), e de facções das oligarquias de outros estados.

Algumas semanas depois, outra candidatura foi lançada: a de José Américo de Almeida, ex-Ministro da Viação. Ele foi apoiado pelo Partido Republicano Rio-grandense, pelo Partido Libertador do Rio Grande do Sul, pelo Partido Republicano Paulista, pelo governo de Minas Gerais e pela maioria das oligarquias do Nordeste. Seu programa de governo não era muito diferente do programa de seu adversário, exceto por ser um pouco mais nacionalista, o que lhe rendeu o apoio do restante dos tenentistas.

O terceiro candidato foi Plínio Salgado, que representava a Ação Integralista.

Getúlio Vargas apoiava outro candidato paulista, Macedo Soares, que havia sido presidente da Associação Comercial. Esta candidatura pretendia desestimular Sales Oliveira a continuar concorrendo ao cargo; a oligarquia paulista percebeu isso e, portanto, rejeitou a candidatura de Macedo Soares. A partir de então, Getúlio passou a favorecer José Américo; porém seu principal interesse era o de continuar no poder.

Para realizar um golpe, Vargas precisava do apoio dos militares. Entretanto, desde 1930 ele havia sido incapaz de conquistar o apoio das Forças Armadas. Diferente do Congresso Nacional e da maioria dos estados, até a intervenção federal, os militares não o apoiaram.

Vargas conseguiu obter o apoio de dois generais, Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, que utilizavam fraude para promover expurgos entre os militares, tramando um golpe. Ao mesmo tempo, Vargas realizou uma nova política de intervenção nos estados durante o primeiro semestre de 1937, com a intenção de eliminar qualquer oposição contra ele.

O Nascimento do Estado Novo

A conspiração para a permanência no poder, organizada por Vargas e Góes Monteiro, foi esquematizada para que parecesse justificável. Uma situação de pânico foi inventada entre os setores dominantes da sociedade, para que o povo viesse a acreditar que o golpe era necessário para a salvação nacional.

Com este objetivo, os setores governamentais publicaram nas páginas dos jornais de todo o País a declaração de um golpe comunista para tomar o poder, conhecido como o Plano Cohen. Forjando a existência de um golpe, o presidente obteve do Congresso no início de outubro, o direito de declarar estado de guerra e de exercer poderes excepcionais.

O Congresso foi fechado em 10 de novembro de 1937, e alguns líderes militares foram substituídos. Os governadores estaduais que apoiavam o golpe foram nomeados interventores federais. O “Diário Oficial” publicou uma Constituição outorgada; em dezembro, todos os partidos políticos foram reprimidos.

Algum tempo depois, foi descoberto que o Plano Cohen havia sido forjado por um oficial militar chamado Olímpio Mourão Filho: tudo havia sido uma estratégia para o treinamento de militares e havia sido usado para gerar os temores nacionais que justificariam o golpe.

Com o golpe, o Brasil deu início a uma fase não democrática conhecida como Estado Novo, ou Nova Ordem e Estado Nacional.