Descobrimento do Brasil

O Descobrimento do Brasil

No final do século XV, as potências marítimas Ibéricas entrariam em conflito. O imperialismo europeu era então concretizado por Portugal, cujo rei era Dom João II (cognominado o “Príncipe Perfeito”), e pela Espanha dos “Reis Católicos”, Fernando de Aragão e Isabela de Castela. Pela sua situação especial de via marítima agora fundamental, o Atlântico se tornou o principal foco de atenções dos interesses geopolíticos e geoestratégicos das duas grandes monarquias ibéricas. O objetivo de D. João II, no plano da competição ultramarina, era desviar o interesse espanhol em relação ao empreendimento português no ocidente africano. Afinal, o governo de Lisboa desejava garantir, para Portugal, o monopólio do caminho para o subcontinente indiano. A obsessão do “Príncipe Perfeito” era o Levante (Oriente), área rica de especiarias e de outros exóticos gêneros comerciais. Lisboa não se interessava pelo Ocidente, que era relativamente desconhecido na época. Em 1480, pelo Tratado de Toledo, a Espanha concordava com a proposta portuguesa de que as terras situadas ao sul do arquipélago das Canárias seriam única e exclusivamente de interesse e posse lusitanos. Dessa maneira, Portugal eliminaria a concorrência hispânica na rota africana. Podemos, por essa razão, dizer que Portugal, já detentor de um claro projeto de expansão oceânica, estava plenamente ciente de seus interesses; a Espanha, cujo planejamento naval era ainda embrionário, foi suficientemente ingênua para ceder ao concorrente ibérico o “périplo africano”. Como bem observa o professor Manuel Nunes Dias, da Universidade de São Paulo (USP), “Portugal sabia o que tomava; a Espanha não sabia o que dava”.

O Tratado de Toledo levou a Espanha a buscar o Oriente pelo Ocidente: Cristóvão Colombo, navegador a serviço de Castela, buscou o caminho para as Índias através dos mares ocidentais. Colombo nasceu na cidade italiana de Gênova que era um dos importantes centros de comércio com o mundo oriental. Desde pequeno, Colombo ouvira falar de Marco Polo, um comerciante italiano que havia viajado pelo império chinês. Chegar ao Extremo Oriente – às Índias – por um novo caminho tornou-se o sonho de Colombo. O navegador genovês também ambicionava adquirir ouro e acreditava na missão de expandir a fé cristã em terras pagãs que eram habitadas por não católicos, como os muçulmanos.


Cristóvão Colombo

Por que a viagem de Colombo não foi financiada por Gênova, e sim pela Espanha? Porque não interessava aos comerciantes genoveses encontrar um novo caminho para as Índias. Junto com os comerciantes de Veneza, os comerciantes de Gênova já controlavam a lucrativa rota das especiarias. Uma outra razão é que Colombo acreditava que poderia chegar ao Oriente navegando em direção ao Ocidente. Mas, na época, a maioria dos europeus não tinha certeza sobre a forma da Terra e, portanto, havia a desconfiança de que as ideias de Colombo estivessem erradas.

Surge a pergunta: por que então a Coroa espanhola decidiu financiar a viagem de Colombo? A resposta é a seguinte: Aragão e Castela eram regiões ricas, pois possuíam cidades portuárias onde ocorriam atividades marítimas e comerciais. No litoral atlântico da África, os castelhanos conquistaram as ilhas Canárias, concorrendo assim com os portugueses. O casamento de Fernão, príncipe de Aragão, com Isabela, princesa de Castela, em 1469, e a expulsão dos mouros de Granada em 1492, resultaram numa unificação política espanhola que permitiu a expansão marítima.

Apesar de poucos recursos financeiros, a Coroa espanhola patrocinou a viagem de Colombo que partiu do porto de Palos em agosto de 1492. Como os portugueses, os espanhóis tinham os objetivos de descobrir novas rotas de comércio, encontrar terras para a exploração de ouro e expandir a fé cristã.


Uma nau portuguesa no “Mar Oceano”

A viagem de Colombo e de sua tropa foi muito longa e difícil e, às vezes, desesperadora. Mas em 12 de outubro, a embarcação do navegante genovês chegou a uma pequena ilha do Caribe: a ilha de Guanaani, como era chamada pelos nativos. Os exploradores acreditaram ter chegado às Índias. Ao descer à ilha, Colombo fez registrar, por escrito, a possa da ilha e nomeou-a de San Salvador, em homenagem a Sua Majestade. As outras ilhas próximas a San Salvador ele chamou de Santa Maria de Concepción, Fernandina, Isabela e Juana. Colombo chamou os nativos de índios, pois acreditava que a ilha fazia parte das Índias. Porém, mais tarde, Américo Vespúcio explorou o Novo Mundo e descobriu que Colombo não havia chegado às Índias, mas a um outro continente. Esse continente foi posteriormente chamado de América em sua homenagem.

Colombo e os membros de sua tripulação acreditaram ter chegado a um paraíso terrestre. Alguns fenômenos descritos pelos espanhóis eram verdadeiros; outros eram frutos de sua imaginação. Os diários e cartas de Colombo e os escritos de Américo Vespúcio sobre suas viagens à América tiveram grande repercussão na Europa e tornaram-se importantes fontes históricas que nos permitem conhecer melhor esse passado.

A viagem de Colombo fez renascer a competição ultramarina entre as duas Coroas ibéricas. O Rei d. João II, apoiando-se no Tratado de Toledo, buscou preservar os direitos lusitanos. Com essa finalidade, promoveu uma demonstração de poderio naval, mandando aprontar uma esquadra com o objetivo de percorrer os territórios “descobertos” por Colombo, pois o governo de Lisboa considerava essas ilhas como suas. Em resposta, os “Reis Católicos” da Espanha, ampliando a polêmica, buscaram a aprovação do Papado, visando assegurar a posse das terras e águas encontradas por Colombo.

O Papa Alexandre VI foi requisitado para intermediar esta disputa. Em 1493, ele proclamou a Bula Intercoetera, segundo a qual seria traçada uma linha imaginária, a partir das ilhas de Cabo Verde, localizada 100 léguas em direção ao Ocidente. As terras a oeste dessa linha ficariam para a Espanha e as terras a leste para Portugal. Porém, os portugueses não aceitaram esta partilha, pois sabiam que estariam adquirindo pouco território. Sendo assim, d. João II exigiu um novo acordo. Em 1494, o Tratado de Tordesilhas foi assinado. O tratado ampliava a distância para 370 léguas a partir das ilhas de Cabo Verde.

Resolvido o conflito com a Espanha, os portugueses partiram para as Índias, aonde chegaram em 1498. A necessidade de consolidar as conquistas de Vasco da Gama fez com que Portugal preparasse, em dois anos, a maior esquadra na história da Europa: treze navios.

O descobrimento do Brasil

Os portugueses estavam determinados a afirmar seu domínio sobre as regiões asiáticas que haviam alcançado e a estabelecer novos domínios. O monarca português, D. Manuel, o Venturoso, organizou uma grande expedição de dez naus, duas caravelas e 1500 homens comandados por Pedro Álvares Cabral. A esquadra deixou Lisboa em 9 de março de 1500.

A ordem expressa dada a Cabral era a de, antes de prosseguir às Índias, onde deveria pacificar militarmente os nativos de Calicute, verificar se havia regiões no Ocidente capazes de proteger o tráfego português no Atlântico.

Mas durante o percurso da expedição, a esquadra de Cabral se afastou das costas africanas em direção a oeste. No dia 22 de abril, os navios rumavam para o norte, chegando a Porto Seguro, no litoral sul do atual estado da Bahia. No dia 26 de abril, domingo de Páscoa, o frei Henrique Soares, rezaria a primeira missa no Brasil, então denominado, pelo próprio Cabral, de Ilha de Vera Cruz. Uma outra missa foi realizada no dia 1o de maio, quando Cabral tomou posse oficial da terra em nome do rei português, com a presença da tripulação e dos nativos. Por fim, a 2 de maio de 1500, Cabral zarparia de Porto Seguro em direção à Índia. Na realidade, Cabral não “descobriu” o Brasil, mas dele tomou posse oficial em nome da Coroa Lusitana. Gaspar de Lemos retornou a Portugal, levando ao rei uma carta escrita por Pero Vaz de Caminha, narrando o descobrimento do Brasil.


Cabral em Porto Seguro

A carta de Caminha ao rei português registrou o encantamento dos navegadores com a terra descoberta. A descrição da extensão do clima, da água e da vegetação da terra indicava que os viajantes haviam descoberto um paraíso terrestre. Caminha registrou detalhadamente as condições da terra descoberta e as de seus habitantes, os contatos entre os portugueses e os nativos – que também foram chamados de índios – e o potencial de explorar riquezas e de expandir a fé católica nessa nova terra.

A carta de Caminha é considerada um documento histórico. Ela só foi encontrada em 1817, na Torre do Tombo, em Lisboa, e foi publicada pelo padre Aires Casal, no livro Corografia Brasílica. Desde a sua publicação, a carta de Caminha passou a ser considerada o registro do nascimento do Brasil.

A descoberta do Brasil por Cabral foi acidental? Hoje os historiadores acreditam que sua chegada ao Brasil foi intencional, pois o Tratado de Tordesilhas, exigido por Portugal, indicava que os portugueses tinham conhecimento sobre as terras da região; caso contrário, por que teriam rejeitado a Bula Intercoetera? Além disso, os portugueses eram navegantes habilidosos e é pouco provável que tenham chegado ao Brasil devido a um desvio involuntário durante a viagem.

Os donos da terra: os indígenas no Brasil

Os primeiros contatos entre os portugueses e os indígenas no Brasil foram pacíficos. Contudo, essas relações se deterioram quando os portugueses começaram a ocupar as terras e a escravizar os indígenas. Os nativos não praticavam a escravidão e o trabalho era realizado em cooperação; a economia era de subsistência.

As grandes nações indígenas estavam espalhadas em quase toda a extensão do território brasileiro. Os tupis, espalhados por todo o litoral, foram os primeiros a ter contato com os exploradores portugueses. Outros povos, chamados de jês, habitavam o interior. Os caraíbas e os nuaruaques viviam na Amazônia e no Centro-Oeste.

Na América Portuguesa não havia nenhum grande império indígena, como havia na América Espanhola (os astecas e os incas, por exemplo). Os grupos tupis viviam da caça, da pesca e da agricultura. A vida deles era baseada na natureza. Portanto, se houvesse algum desequilíbrio nas condições naturais, os tupis migravam para uma outra região para viver – o que ocorreu com a chegada e exploração da terra pelos portugueses.

Os portugueses se beneficiaram muito em sua relação com os nativos. Eles aprenderam como sobreviver na terra recém-descoberta e utilizaram a mão de obra indígena para se estabelecer. Já os indígenas foram imensamente prejudicados pela chegada dos portugueses. Além de sofrerem escravização e a imposição de uma nova cultura, os indígenas contraíram doenças de origem europeia. Estas doenças não existiam entre os índios e, em razão disso, eles não possuíam uma imunidade natural contra elas. Como consequência, um incontável número de nativos morreu devido às doenças que contraíram dos portugueses. Dos milhões de indígenas que havia no Brasil no século XVI, apenas alguns milhares restaram nos dias de hoje.

Sumário

- O descobrimento do Brasil
- Os donos da terra: os indígenas no Brasil
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