Urbanização Brasileira

A Urbanização Brasileira

Em 1940, apenas 31% dos brasileiros viviam em cidades; 61% viviam no campo. Em 1980, tal situação havia se invertido: 67,5% vivam em cidades e 32,5% na área rural. Em 2010, 84% dos brasileiros viviam em áreas urbanas.

A urbanização brasileira durante o século XX e XXI

Desde o início do processo de colonização do Brasil, as cidades brasileiras foram estabelecidas na faixa litorânea do país. A maioria das cidades brasileiras foram cidades espontâneas, isto é, surgiram de pequenos povoados. No Brasil, há poucas cidades planejadas, como Brasília, Belo Horizonte e Goiânia.

Brasília 
Vista aérea de Brasília

A partir da década de 1960, o governo brasileiro passou a intervir na organização do espaço do país. O projeto desenvolvimentista do governo objetivava modernizar o território nacional e desenvolver a economia capitalista do país. Para realizar tais objetivos, era necessário expandir a indústria nacional e construir uma sociedade de consumo que fosse urbana.

O Brasil se urbanizou durante a década de 1970. Durante os anos 1940-2000, a população rural brasileira passou de 28,3 para 31,8 milhões de pessoas (um aumento de apenas 12,4%), enquanto a população urbana passou de 12,8 milhões para 137,6 milhões: um aumento de 1.006%. Hoje, mesmo o Maranhão, que é o estado menos urbanizado do Brasil, apresenta um alto índice de população urbana: 63,1% (Censo 2010).

O maior grau de urbanização ocorre na região Sudeste do país, com 92,9%. Os graus de urbanização das demais regiões do Brasil são: Centro-Oeste (88,8%), Sul (84,9%), Norte (73,5%) e Nordeste (73,1%).

A população rural

A população rural brasileira economicamente ativa é constituída por aproximadamente 25 milhões de pessoas. Contudo, é importante ressaltar que os critérios que distinguem a população rural da urbana são tênues. O motivo disso é que há muitas pessoas que trabalham no campo, mas residem nas cidades: os boias-frias, por exemplo.

Devido à mecanização do campo e à concentração de terras, até meados da década de 1990, os trabalhadores rurais deixavam os campos e migravam para as cidades. Mas a partir da segunda metade da década de 1990, a população rural se estabilizou. Isso se deve ao programa de reforma agrária e às novas opções de trabalho rural não agrícolas em hotéis-fazenda, pesqueiros, pousadas, reservas ecológicas, etc.

A urbanização nas regiões brasileiras

A Região Sudeste é a que concentra o maior parque fabril do Brasil. Por esse motivo, é a região que mais atrai migrantes das outras regiões do país. De fato, a elevada taxa de urbanização na Região Sudeste em 1970, 72,8%, foi o fator que mais contribuiu para transformar o Brasil em um país urbana: a população urbana (56%) ultrapassou a rural (44%). O Censo de 1980 constatou que pela primeira vez na história do Brasil, as demais regiões do país também haviam se tornado urbanas.

Metropolização no Brasil

Desenvolveu-se no Brasil uma urbanização concentradora: foram formadas grandes cidades e metrópoles. No ano de 2000, 67,8 milhões de pessoas, 40% do total do país, viviam em regiões metropolitanas. Contudo, devido às precárias condições de vida e à falta de emprego nas metrópoles brasileiras, houve, na década de 1990, uma reversão no crescimento delas. Esse fenômeno é chamado de desmetropolização. Mais e mais indústrias passaram a escolher localizações alternativas às do Centro-Sul. Empresas nacionais e internacionais se estabeleceram em cidades como Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto, Goiânia, Florianópolis e várias capitais nordestinas.

A criação das regiões metropolitanas

As regiões metropolitanas brasileiras foram criadas por lei aprovada no Congresso Nacional, em 1973, e definidas como “um conjunto de municípios contíguos e integrados socioeconomicamente a uma cidade central, com serviços públicos e infraestrutura comum”. O objetivo dessa lei federal era estudar e solucionar em conjunto, por meio de um planejamento central, os problemas de infraestrutura: transporte, saneamento, etc. A Constituição de 1988 deixou a cargo dos governos estaduais a prerrogativa de reconhecimento legal das metrópoles.

As regiões metropolitanas foram constituídas para oferecer serviços públicos e solucionar problemas de infraestrutura. Contudo, a maioria delas cresceu sem planejamento. Isso gerou muitos problemas urbanos e, consequentemente, agravou as desigualdades sociais no país. A maioria dos migrantes se estabeleceu em relativamente poucas cidades, que acabaram se transformando em metrópoles. Outra consequência negativa do crescimento não planejado das regiões metropolitanas foi a inabilidade de seus governos de resolver problemas como o tratamento de esgoto e a captação de água.

À medida que cidades próximas vão se expandindo horizontalmente, ocorre a conurbação: elas se tornam contínuas, integradas. Por exemplo, a formação da Área Metropolitana de São Paulo (a maior do Brasil) é resultado da conurbação entre São Paulo e cidades vizinhas, como São Caetano do Sul, Santo André, São Bernardo do Campo, Guarulhos e Osasco. No ano de 2000, essa região metropolitana incluía 39 municípios e continha quase 18 milhões de pessoas.

São Paulo
Vista aérea São Paulo

No Brasil, até o ano de 2000, havia 19 regiões metropolitanas legalmente reconhecidas. Duas delas são nacionais, por polarizarem o país inteiro. As outras 17 metrópoles são consideradas regionais, pois exercem seu poder de polarização apenas regionalmente.

As megalópoles

O processo de urbanização nacional ocorrido nas últimas décadas está formando a primeira megalópole brasileira: a aglomeração urbana ao longo do Vale do Paraíba, entre as duas maiores metrópoles: São Paulo e Rio de Janeiro. Essa megalópole envolve mais de 30 milhões de pessoas e deve incorporar outras importantes cidades, como Campinas, Jundiaí e Itu, em São Paulo, e Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro.

A hierarquia urbana é estabelecida de acordo com a capacidade de alguns centros urbanos de liderar e influenciar outros por meio da oferta de bens e serviços à população.

O IBGE identifica a seguinte hierarquia urbana:

1. Metrópole nacional: cidade principal e mais bem equipada, que influencia todo o território;

2. Metrópole regional: cidade importante e mais bem equipada de uma região, que influencia certa região ou área do Brasil.

São Paulo e Rio de Janeiro são cidades globais, integradas às redes mundiais. Em tais cidades, encontram-se as sedes administrativas das grandes indústrias e bancos do país, os centros de pesquisa mais avançados e os melhores hospitais.

O Brasil possui sete metrópoles nacionais – Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) –, e três regionais – Manaus (AM), Belém (PA) e Goiânia (GO).

No Brasil, há também as chamadas metrópoles regionais incompletas: Londrina, Campinas e São José dos Campos.

Além dessas categorias, há os centros regionais – cidades que exercem influência sobre as áreas urbanas vizinhas –, como Florianópolis, Santos, Vitória, Campo Grande, Cuiabá, Maceió e Teresina, e os centros sub-regionais ou locais, que são cidades de menor importância.

Brasília e seu conjunto de 13 cidades-satélites estão sob a administração do governo do Distrito Federal. Em 1998, foi aprovado pelo Senado um projeto autorizando a Presidência da República a instituir a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (RIDE), sendo constituída pelo Distrito Federal e por mais 21 municípios – 19 de Goiás e dois de Minas Gerais.

Manaus, apesar de abrigar mais de um milhão de habitantes e de exercer poder na vasta área da Amazônia, não possui nenhum município a ela conurbado. Manaus é administrada apenas pelo poder municipal.

Sumário

- A urbanização brasileira durante o século XX e XXI
i. A população rural
- A urbanização nas regiões brasileiras
- Metropolização no Brasil
i. A criação das regiões metropolitanas
- As megalópoles
- A rede urbana brasileira
- Problemas ambientais urbanos
- A Reforma Urbana
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