Regiões geoeconômicas do Brasil

Divisão do Brasil em complexos regionais

O planejamento governamental ocorre em nível municipal, estadual e federal.

A partir do governo de Getúlio Vargas, o governo federal passou a centralizar a arrecadação de impostos, fato agravado durante o regime militar. Esse processo de centralização de poder assumiu características marcantes após a integração econômica que ocorreu com o processo de concentração industrial no Sudeste. A região recebeu uma alocação maciça de recursos federais para criar uma infraestrutura energética e uma rede de transportes.

No final da década de 1950, as disparidades regionais criadas pela concentração espacial das atividades econômicas já era fato marcante e o governo federal passou a intervir na criação de órgãos de planejamento de desenvolvimento regional (SUDENE, SUDAM, etc.). Contudo, a via de desenvolvimento adotada por esses órgãos foi a do crescimento econômico por meio de grandes projetos que, de fato, não amenizaram significativamente as graves condições de vida da população.

PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS NO PIB (2006)


IBGE - Contas Regionais do Brasil 2006

 

PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS NO PIB

Fonte: IBGE

 O Brasil sofreu influências da colonização de exploração e do povoamento do país. As atividades econômicas e culturais de cada região mantêm uma forte influência histórica. Com o processo de industrialização, acelerado após 1930, a desigualdade no Brasil aumentou. Há enormes contrastes no desenvolvimento das grandes cidades do país e entre as suas regiões. O mapa acima ilustra desequilíbrios na concentração do PIB nos estados do Brasil.

O governo federal tem tomado medidas para diminuir a desigualdade por meio de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero, que visam a ajudar dezenas de milhões de brasileiros.

Herança do Planejamento Centralizado

O objetivo da divisão regional do território brasileiro era o de facilitar o planejamento governamental, diretamente ou por meio das superintendências regionais, nas áreas de atuação do governo: saúde, educação, moradia, transportes, comunicações, energia e lazer.

Uma das divisões regionais usada em estudos geográficos é a do Brasil em três regiões geoeconômicas: Amazônia Legal, Nordeste e Centro-Sul. Essa divisão, diferentemente da divisão do Brasil em cinco regiões, considera aspectos econômicos, mas não os limites dos estados. Por exemplo, os aspectos econômicos do norte de Minas Gerais se assemelham aos do Nordeste. Portanto, o norte de Minas, diferentemente do sul do estado, é classificado como fazendo parte da região geoeconômica do Nordeste.

As áreas geoeconômicas identificam em mais detalhes as grandes necessidades de cada região. Contudo, assim como há disparidades entre as regiões brasileiras, há também grandes contrastes dentro de cada macrorregião. É, portanto, impossível estabelecer uma política de desenvolvimento para toda uma região. Há uma profunda desigualdade social no país, com grande concentração de renda em certos estados, como ilustra o mapa acima.

Estudaremos, a seguir, a divisão regional que considera três grandes conjuntos geoeconômicos: a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Sul.

OS TRÊS GRANDES COMPLEXOS REGIONAIS

 

Amazônia Legal

A região da Amazônia Legal foi delimitada em 1966 pelo Governo Federal, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), visando a criar incentivos para desenvolvê-la. A Amazônia Legal inclui os estados do Amazonas, Amapá, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e parte dos estados de Maranhão e Goiás.

A região da Amazônia Legal compreende a Floresta Amazônica brasileira que, com quase cinco milhões de quilômetros quadrados, representa mais da metade do território nacional. A natureza domina a região: há enormes bacias hidrográfica e diversa fauna e flora. A Amazônia Legal também inclui o cerrado e outros ecossistemas.  A natureza é um componente fundamental para o desenvolvimento dessa região.

Por ser uma região de difícil acesso – as distâncias são grandes para se chegar às principais cidades –, apresenta baixas densidades populacionais, as menores do país, apesar de o processo de povoamento ter sido intenso nas últimas décadas. Na década de 1970, o governo, com o objetivo de desenvolver essa região e integrá-la ao restante do país, criou muitos incentivos para que milhões de brasileiros passassem a habitá-la. O governo investiu em estradas, na construção de usinas hidroelétricas e em vários programas de desenvolvimento para estimular a ocupação dessa região. Sua rede urbana é composta por algumas metrópoles, pelas capitais regionais e por cidades locais dispersas.

A economia da Amazônia Legal é fundamentada no extrativismo vegetal e na lavoura. Contudo, a política brasileira da década de 1970 (o Plano de Integração Nacional – PIN) resultou em transformações na região, pois os novos focos econômicos se tornaram a agropecuária e a mineração. Grandes projetos foram implantados, tendo sido financiados parcialmente pela Sudam.

As atividades econômicas da região são, em grande parte, primárias. A derrubada de enormes trechos da floresta para abrir espaço para a pecuária se intensificou a partir da década de 1970, visando à criação de gado para exportação de carne. Áreas desmatadas se tornaram grandes propriedades de terra. Contudo, a pecuária não se desenvolveu tanto quanto se esperava. Muitas das áreas desmatadas permanecem ociosas e pertencem a multinacionais ou empresários brasileiros. Além disso, os limites das propriedades não são claros e, consequentemente, o caos fundiário não é incomum.

A expansão agrícola e o povoamento da Amazônia resultaram em danos ambientais: florestas e cerrados foram desmatados para criar espaço para áreas agrícolas. Tal desmatamento resultou em muitos problemas graves – sociais e ambientais. Além disso, os projetos agropecuários e minerais realizados na Amazônia obtiveram resultados limitados e duvidosos em termos de desenvolvimento sustentável local e regional. Para agravar a situação: em grandes plantações e áreas de garimpo, há formas de escravidão, inclusive exploração sexual.

Os projetos de desenvolvimento econômico na Amazônia foram caracterizados não apenas pelos seus impactos ambientais negativos, mas também por sua ineficácia. Há na Amazônia um ritmo acelerado de destruição: desmatamento de grandes áreas, erosão do solo, poluição e contaminação dos rios. Na Floresta Amazônica há muitas espécies em perigo de extinção. Isso resulta em desequilíbrios ecológicos.


Onça-Pintada

O desmatamento, causado pela pecuária, pelas fábricas de madeira e pelos incêndios, empobrece o solo, prejudica o meio ambiente e resulta na escassez de espécies de plantas. O crescimento do cultivo da soja, com a implantação de monoculturas mecanizadas, também contribui para acelerar o desmatamento da Floresta Amazônica. Se o processo de desmatamento não for impedido, haverá mudanças drásticas no ecossistema da região.

O extrativismo vegetal – a extração da borracha – é uma atividade de importância fundamental para a região, principalmente para o estado do Acre. A extração da borracha é praticada de forma rudimentar, pois não é um produto muito exportado. Entre 1870 e 1910 e, décadas mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil era um grande exportador de borracha. Contudo, após a segunda Grande Guerra, a exportação brasileira de borracha voltou a decrescer: o país não conseguia competir com o Sudeste Asiático.

A madeira e a castanha-do-pará também são produtos extrativos de alguma importância econômica para a região.

A mineração na Amazônia gera quase dois milhões de empregos. Há ferro, ouro, manganês e bauxita em abundância. Há também reservas de cobre, níquel e gás natural e existe a possibilidade de exploração de reservas de petróleo.

A Amazônia Legal inclui a Serra dos Carajás, no sul de Belém, que é rica em ferro, e a Serra Pelada, no Pará, que é rica em ouro. No Amapá, há extração de manganês na Serra do Navio. Em Rondônia, explora-se a cassiterita (minério de estanho).

A Amazônia é também sede de empresas farmacêuticas internacionais que procuram, na fauna da região, plantas de caráter medicinal para serem comercializadas. O ecossistema da Amazônia apresenta uma enorme biodiversidade, com possibilidade de grandes descobertas de remédios e alimentos. Isso atrai à região empresas de biotecnologia. O capital, tanto nacional como multinacional, tem muito interesse nos recursos naturais da Amazônia.

É importante ressaltar que a maioria das tribos indígenas do Brasil, 60%, atualmente vive na Amazônia.

Sumário

- Divisão do Brasil em complexos regionais
i. Herança do Planejamento Centralizado
- Os Três Grandes Complexos Regionais
i. Amazônia Legal
ii. Ação do Governo
iii. Atual conjuntura
- O Nordeste
- O Centro-Sul
i. Principais áreas do Centro-Sul 1. O Centro Econômico Do Brasil 2. Zona Da Mata Mineira 3. Quadrilátero Ferrífero 4. Triângulo Mineiro 5. Região Metropolitana De Belo Horizonte 6. Goiás 7. Mato Grosso Do Sul 8. Parque Industrial De Santa Catarina 9. Região Serrana Do Rio Grande Do Sul 10. Porto Alegre 11. Curitiba 12. Região Dos Pampas
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