Globalização

GLOBALIZAÇÃO

Globalização

O capitalismo conhece hoje uma nova etapa de seu desenvolvimento. Inicialmente, mercantil; depois, industrial livre concorrencial; no século XIX, oligopolista e imperialista; em meados do século XX, monopolista de estado e, atualmente, globalizado, neoliberal, informatizado e pós-industrial.

A globalização consiste em uma maior integração entre os mercados produtores e consumidores de diversos países. Tal integração causa uma interdependência política e econômica entre os países. As decisões em um país podem afetar a economia de outros. Atualmente, a globalização não é apenas econômica, mas também cultural

Há uma crescente internacionalização da produção industrial, dos serviços, das redes de comunicação e do sistema financeiro. O processo de globalização cultural e econômica é facilitado pela aceleração dos meios de transportes e de comunicação. Com a globalização, há uma maior circulação de bens, capitais e informação.

Produtos produzidos em diversos países conhecem uma ampla e rápida circulação mundial. Hoje, as empresas transnacionais produzem bens similares em diversos países: automóveis, calçados, eletrodomésticos e vestuário são praticamente idênticos independentemente de onde são produzidos. Essa mundialização econômica gera a padronização da tecnologia e dos métodos administrativos.

O processo de globalização é um fenômeno inerente aos fundamentos e à lógica do capitalismo: a permanente expansão em busca de mercados consumidores, de áreas fornecedoras de matérias-primas e regiões destinadas a aplicações financeiras.

Globalização do Sistema Financeiro

A globalização aumentou a interligação e a interdependência econômica e financeira entre os países. O sistema financeiro já se encontra, de fato, totalmente "mundializado". As aplicações financeiras, por exemplo, graças aos rápidos sistemas de comunicação existentes, são transferidas, entre as principais bolsas mundiais, em questão de segundos. A rapidez e integração trazem tanto benefícios como malefícios.

Alguns dos benefícios são: maior acesso a capital, dando a países e empresas maior facilidade de financiamento; maior eficiência em investimentos, dando a governos, empresas e indivíduos a possibilidade de investir em lugares mais lucrativos e com mais oportunidades; e a disponibilidade de maiores recursos e instrumentos financeiros.

Contudo, o sistema financeiro globalizado torna as economias mais vulneráveis. A rapidez das transferências financeiras em escala mundial cria para os países pobres o problema dos capitais voláteis, ou seja, necessitando de recursos cambiais para garantir suas moedas, os governos das nações subdesenvolvidas, além de obrigados a oferecer ao investidor externo altas taxas de juros - sacrificando o poder de compra de seus cidadãos - correm o risco permanente de "fuga" de investimentos. Ademais, tais investimentos são sempre improdutivos, pois não geram riquezas, consistindo em capitais estritamente especulativos.

Ao mesmo tempo, eventos em países distantes podem ter um grande impacto na economia de um país. Os países não podem simplesmente ignorar os problemas financeiros de outros países, pois, cedo ou tarde, eles também podem ser atingidos. Exemplificando: avanços tecnológicos no Japão afetam trabalhadores nos Estados Unidos; um aumento na produção têxtil da China afeta a indústria têxtil no Brasil; um conflito no Oriente Médio pode aumentar o preço do petróleo e prejudicar as economias de países que o importam.

Em 1997, houve a crise dos Tigres Asiáticos e, em 1998, houve uma crise financeira na Rússia. Graças a tais crises, muitos investidores perderam a confiança na economia de países emergentes, como o Brasil, o México e a Argentina. Consequentemente, passaram a investir menos dinheiro em tais países, afetando sua economia de forma significativa.

A Globalização do Comércio

A cada dia que passa, o comércio exterior torna-se mais globalizado. Produtos produzidos em diversos países conhecem uma ampla e rápida circulação mundial, apesar de cotas de importação e restrições protecionistas ainda prevalecentes.

No mundo globalizado de hoje, a economia de um país depende significativamente de acordos internacionais de comércio, de políticas de câmbio e da saúde econômica de outros países.

A globalização traz uma maior padronização de produtos, causando um consumo de produtos idênticos ou similares pelo mundo. O exemplo mais icônico é do IPhone – que pode ser visto nas ruas da China, do Brasil, dos Estados Unidos e em grande parte do mundo.

Há, contudo, uma contradição no atual mundo globalizado: por um lado, a facilidade na circulação de bens, produtos e capitais; por outro, uma rigorosa restrição à circulação de pessoas. Os países mais ricos e desenvolvidos estabelecem barreiras migratórias que não permitem fluxos migratórios de países mais pobres.

A Globalização da Cultura

Houve também a globalização da informação. Isto é, os meios de comunicação possibilitam a interatividade com o mundo e entre indivíduos e facilitam o acesso à informação.

O avanço dos meios de comunicação criou um mundo mais globalizado, conectado por redes e fluxos de informação. A enorme circulação de ideias e informações impacta o Brasil e o mundo. O conhecimento e a informação chegam através da tecnologia. Lemos as últimas notícias em Smartphones, falamos e vemos alguém do outro lado do mundo via Skype, vemos fotos via Instagram, nos comunicamos via mensagens de texto (e-mails), what’s app e diversos outros recursos. O mundo se tornou menor. 

A comunicação globalizada cria uma cultura mundial. Os mesmos programas podem ser vistos no mundo inteiro, notícias podem ser obtidas de canais como a CNN, padronizando as informações recebidas. Programas de televisão, filmes e competições esportivas são acompanhados pela imensa maioria dos cidadãos do planeta, cujos hábitos de consumo e valores estéticos são cada vez mais semelhantes.

A circulação de ideias e informações também gera novos comportamentos, um desejo por maior liberdade e a universalização de valores democráticos.

Ocorre também uma uniformização de hábitos de consumo junto com o contato entre diferentes culturas. Assim, o mundo se torna cada dia mais globalizado. 

O maior símbolo de hábitos globalizados talvez seja o McDonald’s. Essa rede de comida fast food, que possui 33,000 estabelecimentos, está presente em seis continentes e em aproximadamente 120 países.

A Globalização e as Relações Exteriores

O mundo, hoje, está organizado sobre novas bases. Antigamente, as relações internacionais tinham como agentes os Estados Nacionais, que defendiam os seus interesses, por vezes ideológicos, como ocorreu durante o período da "Guerra Fria", quando o capitalismo enfrentou o socialismo. Na ocasião, o grande temor mundial era a eventual eclosão da guerra nuclear. Atualmente, são mais relevantes as questões do desenvolvimento econômico e da cooperação econômica mundial. O mundo se tornou interdependente e a globalização exige uma maior cooperação internacional.  

A redefinição das relações políticas, econômicas e culturais entre os países causou uma mudança tanto no papel como no significado das fronteiras nacionais. A globalização enfraquece o poder do estado. Os defensores da globalização alegam que tal fenômeno promove a paz de forma direta – reduz o risco de conflitos militares – e de forma indireta – promove a prosperidade e a democracia.

A globalização pode enfraquecer certos Estados nacionais, pois os compele a competir no mercado mundial. Ao mesmo tempo, a integração de mercados ajuda a conter guerras e conflitos internacionais. Se um país é dependente da economia de outros, hesitará em iniciar um conflito militar e arriscar se isolar economicamente.

Vale ressaltar, porém, que alguns países, como Cuba e Coreia do Norte, estão fechados para o comércio exterior e, portanto, não fazem parte do mundo globalizado.

Sumário

- Globalização do Sistema Financeiro
- A Globalização do Comércio
- A Globalização da Cultura
- A Globalização e as Relações Exteriores
- Divisão Mundial do Trabalho
- As Desvantagens da Globalização
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