Neoliberalismo - Divisão Internacional do Trabalho

Neoliberalismo - Divisão Internacional do Trabalho

Neoliberalismo é uma doutrina econômica que defende a liberdade de mercado e uma menor participação do governo na economia. O neoliberalismo afirma que a intervenção estatal deve ocorrer apenas em setores absolutamente essenciais, e que mesmo assim deve ser minimizada.

Friedrich Von Hayek, o mais famoso teórico do ultraliberalismo, escreveu "O Caminho da Servidão" (1944) considerado o Manifesto do Neoliberalismo. Nesta obra, o economista expôs sua doutrina privativista, declarando que o crescente controle estatal levaria à perda da liberdade. Nos Estados Unidos, o liberalismo se desenvolveu na Universidade de Chicago com forte apoio de Milton Friedman, professor laureado com o Prêmio Nobel de Economia. Este economista, um dos mais influentes na história, se opunha vigorosamente à intervenção do Estado na Economia. Friedman era contra qualquer regulamentação que inibisse as empresas e se opunha também a qualquer piso salarial fixado pelos sindicatos, pois, segundo ele, pisos salariais distorciam os custos de produção, o que resultava em inflação. A teoria econômica de Milton Friedman ficou conhecida como "monetarista".

A partir da crise do petróleo de 1973, o mundo foi assolado por uma onda inflacionária que resultou no fim da conversibilidade do dólar em ouro, pondo fim ao acordo que havia sido estabelecido em Bretton Woods. Para combater a inflação e a queda da produção na economia, o neoliberalismo foi adotado no Chile de Pinochet, sendo implementado por economistas da Universidade de Chicago - os "Chicago Boys". As teorias econômicas de Milton Friedman passaram a ser implementadas também nos Estados Unidos, de Ronald Reagan e na Grã-Bretanha, de Margaret Thatcher.

Os neoliberais, liderados por Milton Friedman, demonstravam que a inflação era consequência do aumento da oferta de moeda pelos bancos centrais. Os "Chicago Boys" afirmavam que os culpados pela queda da produção e pelo aumento da inflação eram os impostos elevados, os encargos excessivos e a participação do governo na economia. A solução que propunham era a redução gradativa do poder do Estado, privatização e a diminuição de tributos. Para os neoliberais, o poder do Estado de fixar preços é uma prática extremamente nociva para a economia de um país.

O neoliberalismo defende um sistema de governo em que o indivíduo tenha mais importância do que o Estado. Para os neoliberais, quanto menor for a participação do governo na economia, maior será a possibilidade de uma sociedade se desenvolver e progredir economicamente. O neoliberalismo valoriza a competição e a liberdade econômica e propõe que o mercado seja o mais amplo possível. Para os neoliberais, as pessoas, e não o Estado, devem tomar suas próprias decisões: por exemplo, quanto gastar e quanto poupar para a velhice e quanto gastar em saúde e educação para os filhos. O neoliberalismo também defende a competição econômica entre países, onde todos eles teriam idêntica liberdade de comércio. Em outras palavras, o neoliberalismo prega a queda de barreiras de comércio e a eliminação ou redução drástica de impostos alfandegários, para que seja promovida uma eficiência econômica global.

GOVERNOS QUE ADOTARAM O NEOLIBERALISMO

O primeiro governo ocidental democrático a adotar o neoliberalismo foi o de Margaret Thatcher, na Inglaterra, a partir de 1980. Apenas o Chile, de Pinochet havia adotado os princípios econômicos da Escola de Chicago, ocorrido na década anterior.

O governo de Thatcher aprovou leis que revogaram muitos privilégios concedidos aos sindicatos; também privatizou empresas estatais e estabilizou a moeda.

Thatcher estabilizou a libra esterlina e obteve aprovação de uma parcela significativa da população, que havia sido beneficiada por suas políticas econômicas. Mas o custo social de seu governo foi grande: a produção industrial caiu, houve um aumento no desemprego, e muitas empresas e bancos quebraram. Em 1990, quando Thatcher foi derrotada, 28% das crianças inglesas eram consideradas pobres.

No Brasil, o governo de Fernando Henrique Cardoso (de 1994 a 2002) foi acusado por alguns de seus opositores de ser neoliberal. Esta afirmação não é totalmente correta, pois o governo de FHC, apesar de ter implementado uma política de privatizações, tomou medidas intervencionistas na economia, instituiu programas de redistribuição de renda e aumentou a carga tributária do país. As medidas desenvolvimentistas do governo de FHC, além de decretos como a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos e a criação do "remédio genérico" - campanha liderada pelo ex-Ministro da Saúde, José Serra - refutam a afirmação de que o governo de Fernando Henrique Cardoso baseou-se num modelo econômico neoliberal.

Deve-se ressaltar que nenhum líder político, nem mesmo Pinochet, adotou exclusivamente ações neoliberais. Todos os governos adotam uma mistura de práticas indicadas por diversas escolas do pensamento econômico. Os Estados Unidos, por exemplo, apesar de sua forte política liberalizante, criou o "Community Reinvestment Act" (Lei do Reinvestimento Comunitário) que obriga seus bancos a reaplicar parte do dinheiro que captam em sua comunidade. Na Alemanha - apesar de ser um dos maiores países capitalistas do mundo - 60% da poupança da população alemã encontra-se em caixas municipais, que financiam escolas, empresas e hospitais.

Já se passaram décadas desde o início da implementação de medidas econômicas neoliberais. Estas continuam a ser aplicadas, em maior ou menor grau, por um grande número de países. As teorias econômicas neoliberais têm ajudado a promover economias mais livres e a combater a inflação e a estagnação econômica. Ao mesmo tempo, países subdesenvolvidos que adotaram o neoliberalismo se encontram, frequentemente, no meio de crises internacionais financeiras. O neoliberalismo tem como objetivo promover o crescimento econômico e o desenvolvimento dos países. Porém, nas últimas décadas, o neoliberalismo foi incapaz de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, principalmente em países em desenvolvimento.

NOVA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO

Divisão Internacional do Trabalho (DIT) significa a divisão das atividades entre os países do mundo, principalmente entre os desenvolvidos (detentores de capital e indústrias desenvolvidas) e os subdesenvolvidos (exportadores de matéria-prima). Estes costumam ter mão de obra barata e industrialização primária e tardia. A Divisão Internacional do Trabalho (DIT) busca definir as desigualdades existentes entre países pobres e ricos.

A DIT constitui a interdependência econômica entre os países, estabelecendo o papel que cada país desempenha na economia mundial. O Brasil, por exemplo, foi, durante séculos, exportador de matérias-primas e importador de produtos industrializados. A atual DIT revela que o Brasil é dependente de recursos financeiros de países ricos, que se tornaram credores do Brasil. Estes países ricos exportam tecnologia de ponta, o que é muito oneroso para um país em desenvolvimento como o Brasil.

Essa divisão do trabalho entre países desenvolvidos e em desenvolvimento existe até hoje. Porém, após a Segunda Guerra Mundial, muitos países pobres e subdesenvolvidos industrializaram-se e se transformaram em economias emergentes, passando a exportar também produtos industrializados, e não apenas matérias-primas. Mesmo assim, esses países continuaram a depender de capital e tecnologia provenientes de países desenvolvidos.

A partir dos anos 1980, com o desenvolvimento da economia informacional e da globalização, estruturou-se uma nova divisão internacional do trabalho. Esta é baseada no domínio tecnológico, no nível educacional de sua população e, consequentemente, na qualificação de sua mão de obra. A nova divisão internacional do trabalho não coincide inteiramente com os países. De acordo com Manuel Castells, professor catedrático de Sociologia e Planejamento Urbano e Regional da Universidade da Califórnia, em Berkeley (Estados Unidos), a nova divisão internacional do trabalho divide-se em quatro posições: produtores de alto valor com base no trabalho informacional; produtores de grande volume baseado no trabalho de mais baixo custo; produtores de matérias-primas que se baseiam em recursos naturais; e produtores redundantes, reduzidos ao trabalho desvalorizado. Essas quatro posições podem ser encontradas dentro de um único país. No entanto, a primeira posição - produtores de alto valor - se encontra, principalmente, nos países desenvolvidos.

Na antiga divisão internacional do trabalho, havia uma relação entre países que exploravam e países que eram explorados. Na nova divisão do trabalho, milhões de pessoas estão tão marginalizadas que nem mesmo são exploradas, ficando à margem dos fluxos financeiros globais. Esta exclusão de milhões de pessoas e de muitos lugares deve-se às novas demandas da economia internacional, em termos de tecnologia e educação. Para um país se desenvolver, é necessário que sejam feitos maciços investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e em educação. Nos países desenvolvidos, mesmo a maioria da população pobre frequenta escolas e é exposta à tecnologia. A taxa de analfabetismo em tais países é quase nula.

Os países do G-7 são responsáveis por quase três quartos de toda a produção científica mundial. Esses países desenvolvidos investem grandes quantias em educação, em tecnologia e em pesquisas científicas.

Em países subdesenvolvidos, investe-se pouco em educação e tecnologia, sendo que a mão de obra qualificada, buscando uma melhor qualidade de vida, emigra para países desenvolvidos, que se beneficiam ao contratar profissionais estrangeiros qualificados e talentosos.

As economias mais desenvolvidas produzem produtos de alto valor agregado - isto é, produtos que foram concebidos com pesquisa científica, tecnologia e mão de obra qualificada. Países que investem em educação e pesquisa científica são beneficiados ao passo que países que baseiam sua economia na produção e exportação de produtos primários são prejudicados.

Sumário

- Governos que adotaram o Neoliberalismo
- Nova Divisão Internacional do Trabalho
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