América Latina

AMÉRICA LATINA

A América Latina é composta por todos os países que se encontram ao sul dos Estados Unidos (México, Américas Central e do Sul), uma vez que todos eles passaram por uma colonização do tipo exploração (agrícola e/ou mineral), além de apresentarem traços culturais de raiz latina, economia e estrutura social subdesenvolvidas.

Características das Colônias de Exploração

  • predomínio do latifúndio monocultor (plantation)
  • utilização de mão de obra escrava (negros africanos e indígenas)
  • exploração dos recursos minerais e agrícolas (produção voltada à exportação)
  • proibição de instalação de manufaturas e indústrias.

A herança histórica da América Latina e o seu subdesenvolvimento

A colonização da América se caracterizou como uma vasta empresa mercantil, presidida pelo Estado metropolitano e unida à burguesia mercantil, que visava tirar o máximo aproveitamento de suas terras americanas para atender ao desenvolvimento de suas atividades comerciais. Portanto, foram chamadas de colônias de exploração.

Entretanto, algumas colônias tomaram rumos diferentes, e foram chamadas de colônias de povoamento. As colônias inglesas da América do Norte (as da Nova Inglaterra) voltaram-se para si mesmas e desenvolveram um setor de mercado interno que influiu de forma significativa no seu desenvolvimento e no estabelecimento de uma autonomia em relação à metrópole inglesa. É importante lembrar que a Nova Inglaterra pouco servia aos interesses mercantilistas ingleses, não possuindo nem metais preciosos e nem condições naturais propícias aos cultivos tropicais.

Quanto às colônias da América Tropical, estas tornaram-se fornecedoras de matérias-primas e, neste sentido, as relações econômicas e políticas entre as metrópoles europeias e suas colônias contribuíram decisivamente para a acumulação capitalista europeia, permitindo que a Europa, no século XVIII, iniciasse a Revolução Industrial, e implantasse com ela o capitalismo industrial.

A Revolução Industrial estabeleceu uma nova ordem nas relações entre as metrópoles e as colônias, onde houve uma transferência das relações de dominação de Portugal e Espanha para a Inglaterra. Assim, as sociedades latino-americanas, já independentes, transformaram-se em áreas de exploração neocolonial do imperialismo industrial britânico.

A América Latina entrou, no século XX, dependente do exterior, com oligarquias nacionais freando processos de renovação social e econômica e, se caso houvesse uma tentativa de desenvolvimento isolado e autônomo, esta seria sufocada por pressões externas, pois contrariava os interesses do capital estrangeiro.

Após a Primeira Guerra Mundial, dado o enfraquecimento comercial da Inglaterra na América Latina, os Estados Unidos assumem a liderança das relações econômicas e políticas do continente. E assim, mais uma vez, a América Latina mudava de "dono". A América Latina tornou-se área de influência dos EUA, situação essa que se acentuou após a Segunda Guerra Mundial.

A partir da Segunda Guerra Mundial, países da América Latina, como Brasil, Argentina e México, tentaram acelerar o desenvolvimento da indústria por meio de uma política econômica de substituição de importações. Esses países limitavam a importação de produtos manufaturados para proteger e incentivar o nascimento e o crescimento da indústria nacional. Produtos que, até então, eram importados passaram a ser produzidos internamente.

A política de substituição de importações atraiu multinacionais para a América Latina e resultou no desenvolvimento de vários novos setores industriais. Contudo, essa política não resultou em um aumento significativo no nível de renda per capita nos países da América Latina.

A partir do século XXI a América Latina toma outro rumo. A Venezuela, a Bolívia e o Equador se viram para o populismo. Seus líderes rejeitam o neoliberalismo e se voltam contra os Estados Unidos. Já países como o Brasil, o Chile, o Peru e o México adotaram muitas das políticas neoliberais e têm visto seus países se industrializaram e suas economias crescerem.

Nos últimos anos, esses governos populares de esquerda perderam poder e influência. Na Bolívia, por exemplo, Evo Morales perdeu o plebiscito que o permitiria se candidatar para um terceiro mandato. Na Venezuela, o Chavismo – sob a liderança de Nicolás Maduro – atravessa uma profunda crise.

A elevada concentração de renda constitui um dos maiores desafios políticos e econômicos da região. Nas últimas décadas, diminui-se a concentração de renda na América Latina. Contudo, a concentração de renda em certos países da região, como Brasil e México, estão entre as mais altas do mundo.

A diminuição da concentração de renda na América Latina ocorreu graças a vários fatores: a implantação de reformas econômicas, a criação de programas de transferência de renda e anos de forte crescimento econômico.

A pobreza na América Latina diminuiu. Contudo, uma parte significativa da população latino-americana ainda se encontra em situação de miséria.

Imigração

Hoje, os latino-americanos são o maior grupo de imigrantes nos Estados Unidos. Durante a década de 1980, oito milhões de latino-americanos imigraram para o país. Este número é equivalente a quase metade de todos os imigrantes europeus que se estabeleceram nos Estados Unidos durante a primeira década do século XX. De acordo com o U.S. Census Bureau - agência governamental encarregada pelo censo nos Estados Unidos –, em 2015, havia aproximadamente 54 milhões de latinos morando no país, constituindo 17% da população. Os hispânicos representam a maior minoria dos Estados Unidos.

O maior grupo de imigrantes ilegais nos Estados Unidos origina da América Latina. Os quatro países latino-americanos de onde originam o maior número de imigrantes ilegais para os Estados Unidos são: México, Guatemala, El Salvador e Honduras. Estima-se que seis milhões e duzentos mil imigrantes ilegais sejam mexicanos.

População e Urbanização

A população da América Latina atingiu 625 milhões em 2016. Desde 1975, a população que habita a região dobrou. Contudo, o crescimento demográfico em alguns países latino-americanos desacelerou. Os principais motivos disso são doenças e ondas emigratórias.

Segundo relatórios da ONU, 80% da população da América Latina habita nas cidades. As cidades latino-americanas apresentam níveis assustadores de criminalidade. A falta de segurança é uma das maiores preocupações da população urbana.

Outro grave problema é que o crescimento urbano carece de planejamento. A rápida urbanização criou cidades que não comportam o número de pessoas que nelas habitam. Há falta de infraestrutura em educação, saúde, moradia, transporte e saneamento. Além disso, o sistema de transportes é caótico: muitas cidades latino-americanas apresentam os piores congestionamentos do mundo.

A infraestrutura precária faz com que se torne difícil enfrentar desastres naturais, como inundações ou desabamentos de terra, que ocorrem com frequência. Estudos do Banco Mundial demonstram que as consequências de tais fenômenos naturais representam um custo para a região de dois bilhões de dólares por ano.

Aspectos Físicos

O relevo da América Latina pode ser dividido em três grandes compartimentos:

  • a oeste, encontram-se a presença dos dobramentos modernos (cadeias de montanhas);
    • no México, denominam-se Sierras Madre Oriental e Ocidental, com a presença de um planalto entre as suas cristas;
    • na América do Sul, formou-se a Cordilheira dos Andes, onde se destacam os altiplanos;
  • a leste predominam os escudos cristalinos ou maciços antigos, bastante desgastados pela erosão (planalto das Guianas e planalto Brasileiro); e
  • na porção central - entre as montanhas do oeste e os planaltos erodidos do leste, encontram-se extensas planícies fluviais formadas por terrenos sedimentares (rios Madalena e Orenoco, planície Platina, do Pantanal, dos Pampas e Amazônica).

Rede hidrográfica

A América do Sul conta com uma rede hidrográfica densa (as bacias Amazônica, Platina e Orenoco drenam quase 50% de suas terras).

No México devemos destacar o rio Grande, fronteira natural com os Estados Unidos.

Na América Central, a rede hidrográfica é pouco extensa. Como destaque há o rio Coco e o rio San Juan, emissário do lago Nicarágua.

Principais Bacias Hidrográficas

Bacia Amazônica - ocupa uma área superior a 7 milhões de km2, (mais de 4,5 milhões de km2 no Brasil). Estende-se por terras da Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname.

O rio Amazonas nasce no pico Huagro, nos Andes peruanos.

Com 7.025 km, o Amazonas é o maior rio do mundo, tanto em extensão quanto em volume de água.

Bacia Platina - segunda maior bacia hidrográfica do planeta, é formada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. O rio Paraná é o principal da bacia, com 4.025 km. É um rio de planalto em seu curso superior e de planície em seu curso inferior. Seu potencial hidráulico é bem aproveitado:

  • Jupiá e Ilha Solteira que formam o complexo de Urubupungá.
  • Itaipu, a maior hidrelétrica do Brasil.

O rio Paraguai é uma importante via de navegação (Mercosul), por ser um rio de planície.

O rio Uruguai possui um bom potencial hidráulico em seu curso superior.

Bacia do Rio Orinoco - localizada ao norte da América do Sul, em terras da Venezuela.

Clima

A América Latina é cortada pelo Equador e pelos trópicos de Câncer e Capricórnio, com predomínio de climas equatoriais e tropicais. Ao norte do México e no extremo sul do continente, o clima é temperado.

Vegetação

A vegetação, um reflexo das condições de clima, solo e relevo, é bastante diversificada:

  • florestas tropicais e equatoriais;
  • cerrados e caatinga no Brasil;
  • lhanos na Venezuela
  • chaco no Paraguai e Argentina;
  • florestas de coníferas nas porções meridionais da América do Sul;
  • vegetação de montanha;
  • desertos: Atacama, Chihuahua, Sonora

Sumário

- Características das Colônias de Exploração
- A herança histórica da América Latina
- Imigração
- População e Urbanização
- Aspectos Físicos
- Rede hidrográfica
i. Principais Bacias Hidrográficas
- Clima
- Vegetação
- México
- Na parte ístmica, ou continental, destacam-se:
i. Nicarágua
ii. Panamá
iii. El Salvador
iv. Haiti
- Países da América Central Insular
i. As grandes Antilhas
ii. Cuba
iii. Porto Rico
iv. República Dominicana
- As Bahamas e as pequenas Antilhas
- América do Sul
i. Populações da América do Sul
- Países Andinos
i; Fatores de Identidade
ii. Aspectos Econômicos e Políticos
- Países Platinos
i. Economia dos Países Platinos
- Os acordos econômicos na América Latina
i. O Mercosul
- Reformas Econômicas
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