A Eleição de Donald Trump


Donald Trump. Foto: CNN

Em junho de 2015, Donald Trump anunciou que estava se candidato para a presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2016 pelo Partido Republicano.

O Partido Republicano dos Estados Unidos é um dos dois grandes partidos políticos do país. A base fundamental do partido é o conservadorismo, posição que contrasta com a do Partido Democrata, que, em geral, defende políticas intervencionistas voltadas à social-democracia. O Partido Republicano está dividido em diversas alas, entre elas, a Direita Religiosa, os Conservadores Sociais, os Conservadores Fiscais, Moderados e Libertários. Associado ao Partido Republicano está o Movimento Tea Party. Não chega a ser uma ala do partido, mas conta com o apoio de eleitores e políticos republicanos que defendem um movimento conservador fiscal: uma redução drástica nos impostos e menos envolvimento do governo na vida dos cidadãos.

O outro grande partido dos Estados Unidos, o democrata, adota uma linha política de centro-esquerda. A plataforma do partido é voltada para o liberalismo social: defende igualdade social e econômica, junto com o chamado Estado de bem-estar social.

Durante a candidatura, Trump liderou as pesquisas de opinião entre os candidatos republicanos. Muitos consideram seu discurso populista, pois Trump descreveu suas posições políticas de várias formas, muitas vezes contraditórias. O atual presidente dos Estados Unidos afirmou que “evoluiu em muitas questões”, mas seus opositores afirmavam que o candidato Trump mudava tanto de posição que era difícil determinar sua postura sobre várias questões. Além disso, ele fazia certas declarações e depois as negava.

Donald Trump conquistou apoio entre ultraconservadores. Durante a campanha, foi muito criticado por democratas e até mesmo por alas mais moderadas de seu partido, principalmente devido aos seus comentários sobre imigrantes, muçulmanos e mexicanos.

Em julho de 2016, Trump foi confirmado pelo partido republicano como candidato na eleição. O foco de sua campanha foram assuntos econômicos e sociais. Trump atacou os políticos de seu país: afirmou que eram ineficazes e que não trabalhavam pelo interesse do povo. Ele prometeu rever acordos comerciais dos Estados Unidos, especialmente o Nafta e a Parceria Transpacífico. Acusou a China de manipular o câmbio e prometeu impor barreiras tarifárias para reduzir importações chinesas.

Durante a campanha, Trump prometeu uma série de medidas protecionistas. Além disso, afirmou que se fosse eleito presidente, endureceria as leis de imigração. Após os ataques de novembro de 2015 em Paris, afirmou que se vencesse as eleições, imporia um banimento temporário de entrada de todos os muçulmanos nos Estados Unidos. Após ser muito criticado por tal declaração, afirmou que o banimento valeria apenas para países com histórico de terrorismo.

Trump também prometeu construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México para prevenir que mexicanos adentrassem o território norte-americano ilegalmente. Chegou a afirmar, repetidamente, que o próprio teria de pagar pela construção do muro.

Uma das promessas de campanha de Trump foi de substituir “Obamacare” – o Affordable Care Act.

O “Obamacare”, lei federal dos Estados Unidos sancionada pelo presidente Barack Obama em março de 2010, é um projeto de mudança no sistema de saúde norte-americano. Constitui uma lei que visa a controlar os preços dos planos de saúde e os expande para uma maior parcela da população dos Estados Unidos. Em junho de 2015, uma pesquisa feita pela CBS News e pelo jornal The New York Times revelou que 47% da população norte-americana aprovava o Obamacare, enquanto 44% se opunham a ela. Em geral, os democratas o apoiam e os republicanos se opõem a ele.

Durante a campanha, Trump se apresentou como nacionalista e não intervencionista. Ele apoia a política de “America First” (os Estados Unidos em primeiro lugar). Isso significa que sua prioridade é o bem dos Estados Unidos e não do restante do mundo. Segundo Trump, seu país deveria “olhar para dentro” e reorientar os recursos nacionais para o bem da nação. Durante a campanha, Trump sugeriu que os Estados Unidos poderiam até mesmo deixar a OTAN a menos que a aliança fosse alterada. Trump também sugeriu a possiblidade de o Japão pagar os custos de tropas norte-americanas que defendem o país. Em entrevista dada ao jornal The New York Times, afirmou que consideraria deixar que o Japão e a Coreia do Sul desenvolvessem armas nucleares para enfrentar as ameaças da Coreia do Norte.

O resultado da eleição

No dia 8 de novembro de 2016, Donald Trump venceu a eleição, derrotando Hillary Clinton, esposa do presidente Bill Clinton, que se lançou Partido Democrata. Donald Trump a derrotou, vencendo a eleição por uma boa margem no colégio eleitoral (apesar de ter perdido no voto popular). Trump obteve 306 votos de delegados do colégio eleitoral contra 232 recebidos por Hillary Clinton. No voto popular, ele perdeu por 2,8 milhões de votos, o que foi a maior derrota nas urnas de um presidente eleito na história do país.

Como funciona o colégio eleitoral nos Estados Unidos:

Nos Estados Unidos, a eleição não é decidida pela totalidade dos votos. Em vez disso, é feito de estado a estado. Cada estado tem direito a um certo número de delegados no colégio eleitoral. O número varia de acordo com seus representantes no Congresso. Exemplificando: se o candidato republicano receber mais votos do que o democrata no estado do Texas, ele adquire todos os votos no colégio eleitoral do Texas.

No total, há 538 votos no colégio eleitoral. Um candidato vence a eleição presidencial se tiver pelo menos 270 votos colegiados – mesmo que tenha um número total de votos populares menor do que seu concorrente.

A vitória de Trump chocou os Estados Unidos e o mundo, pois ele aparecia atrás de Hillary Clinton em praticamente todas as pesquisas. Mesmo as pesquisas estaduais mostravam-na com uma vantagem para ganhar o colégio eleitoral. Durante a campanha, a quase totalidade dos grandes veículos de mídia nos Estados Unidos apoiaram Hillary Clinton. Mesmo veículos que tradicionalmente apoiavam o Partido Republicano apoiaram a candidata do Partido Democrata. Não obstante, Donald Trump, para a surpresa dos analistas políticos, venceu a eleição. Obteve a maioria dos votos de alguns estados que costumam apoiar candidatos democratas em eleições presidenciais.

Donald Trump é o primeiro presidente dos Estados Unidos sem experiencia no governo ou no setor militar. Trump é também o mais velho presidente de primeiro mandato. A vitória de Trump marcou a primeira vez que o Partido Republicano controla tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo (ambas as casas do Congresso) desde o período 2003-2006, quando George W. Bush era presidente.

Donald Trump tomou posse como 45º presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2017.

“Você é Fake News

Fake News são as notícias falsas, mas que aparentam ser verdadeiras. Constitui uma mentira revestida de artifícios que fazem com que aparenta ser verdade.

Fake News não é um fenômeno novo. Contudo, os incríveis avanços tecnológicos, especialmente a Internet, permitiram que notícias falsas sejam produzidas e difundidas para milhões de pessoas. Além dos terríveis danos que causam, colocam em xeque as demais notícias, pois se torna difícil distinguir as falsas das verdadeiras.

Em diversas ocasiões, Donald Trump respondeu às críticas da imprensa ao acusá-la de produzir e propagar Fake News. A CNN (Cable News Network), que, em geral, opõe-se à administração Trump, é frequentemente atacada pelo atual presidente. Ele acusa a CNN de “Fake News” porque “a audiência deles está despencando e a credibilidade logo vai desaparecer”. Em certa ocasião, Trump afirmou que a CNN deixou de ser Fake News (Notícias Falsas) e se tornou “Very Fake News” (Notícias Muito Falsas).

O fenômeno do Fake News – de notícias falsas – se tornar mais grave à medida utiliza as mídias sociais, como o Facebook, que pode ser instantaneamente compartilhado com milhares ou até milhões de pessoas sem que ninguém verifique se o que está sendo divulgado é verdadeiro. Há pessoas com tantos seguidores em mídias sociais que chegam a ter mais leitores que os mais influentes jornalistas dos Estados Unidos.

Certos dados e informações demonstram o perigo que o fenômeno do Fake News representa. Por exemplo, 62% dos adultos nos Estados Unidos leem as notícias em canais de mídia social. Outro dado preocupante: as notícias falsas mais populares do Facebook foram mais lidas do que as principais notícias dos jornais do país. Além disso, pesquisas mostram que muitas pessoas que leem as notícias falsas acreditam nelas. É interessante notar que as notícias falsas mais difundidas favoreceram Donald Trump na mais recente eleição dos Estados Unidos. Isso significa que é muito possível que o fenômeno do Fake News tenha contribuído significativamente para a derrota da democrata Hillary Clinton. Muitos analistas políticos acreditam que Donald Trump deve a vitória ao Fake News.

Alguns exemplos de Fake News que foram difundidos pelo Facebook durante as eleições: “O Papa apoia a campanha de Trump”, “Hillary Clinton vendeu armas para o Estado Islâmico” e “Agente do FBI que vazou o escândalo dos e-mails de Hillary é encontrado morto”. Tais notícias falsas foram lidas por mais pessoas do que notícias verdadeiras publicadas no Facebook.

Há receio que o fenômeno do Fake News se espalhará pela Europa e influenciará as eleições em países em que a extrema-direita visa a obter mais poder.

Os gigantes da mídia social, como o Facebook e o Google, prometem que tomarão medidas para combater as notícias falsas. Não obstante, não aceitam serem culpadas pelo crescimento desse fenômeno bastante perigoso. Cabe ao Facebook e ao Google empregar organizações que verifiquem os fatos publicados e alertar o público a respeito de notícias que possam ser falsas.