O cinema

O cinema é o âmago da revolução na mídia. Representa muito mais do que uma nova tecnologia ou uma forma de entretenimento. Já o primeiro vislumbre de um filme encantou as pessoas. Isso ocorreu durante os anos de 1890. Até então, havia o teatro: o entretenimento era ao vivo. Desde a produção dos primeiros filmes, transcorreu apenas uma década até que o cinema se tornasse a forma de arte mais popular – e também a mais polêmica.

Nesta aula, estudaremos a história do cinema e os desenvolvimentos que o tornaram o que ele é hoje.

Introdução

A palavra cinema deriva de uma palavra grega, “kinema-matos”, que significa, “a ciência do movimento puro”. Desde que o homem foi criado, mantém o desejo insaciável de recriar seus próprios movimentos. Sabe-se, por exemplo, que os gregos da antiguidade tinham uma noção básica de óptica.

O nascimento do cinema ocorreu na década de 1890, quando se conseguiu, por meio de uma câmera e de um projetor primitivo, projetar imagens de tal modo que fosse possível representar movimentos.

A história do cinema

A cinematografia é a ilusão do movimento ao se projetar, de forma veloz, muitas imagens estáticas. A cinematografia é fruto da criatividade e do progresso científico do século XIX. De fato, o filme é produto de várias outras invenções, particularmente no ramo da fotografia. As invenções de pessoas que trabalhavam com projetores também foram fundamentais para a criação de filmes. Alguns inventores tinham interesse em projetar imagens, enquanto outros estudavam como as imagens poderiam ser gravadas em diferentes tipos de materiais. Ao final do século, essas descobertas, experimentos e invenções se uniram, formando uma nova arte – o cinema.

No final da década de 1880, um famoso inventor norte-americano, Thomas Alva Edison (1847-1931) e seu jovem assistente britânico, William Kennedy Laurie Dickson (1860-1935), iniciaram a construção de um aparelho, o cinetógrafo, para gravar movimentos em filme. Em 1891, a Edison Company apresentou o cinetoscópio, que permitia que uma pessoa de cada vez assistisse a imagens em movimento. Atribui-se a Edison e Dickson o desenvolvimento das primeiras câmeras cinematográficas e dos primeiros projetores de filmes.

Os irmãos Lumiere (Louis e Auguste), da França, também são considerados os criadores do cinema. Inspirados pelo trabalho de Edison, criaram sua própria câmera cinematográfica e projetor de filmes. Eles inventaram um instrumento multifuncional (câmera, impressora e projetor), que era portátil e projetava imagens de filmes em uma tela grande para serem vistas por vários espectadores ao mesmo tempo. Em 1895, os irmãos patentearam o cinetoscópio. Louis Lumiere filmou, entre outras cenas, a chegada do trem expresso em Ciotat, operários saindo pelos portões de uma fábrica e uma criança sendo alimentada por seus pais.

O desenvolvimento do cinema

Durante os primeiros 20 anos do cinema, a maioria dos filmes mudos tinha duração de apenas alguns minutos. O filme mudo era inicialmente uma novidade; com o passar do tempo, tornou-se uma forma de arte. No início dos anos 1910, os filmes mudos se tornaram mais longos e complexos. Passaram a contar uma história. E durante a apresentação de um filme mudo, costumava haver algum tipo de acompanhamento musical – um pianista ou uma orquestra que tocava enquanto o filme era projetado.

Em 1929, uma descoberta revolucionou o cinema: descobriu-se como gravar som de forma sincronizada com a imagem gravada. A partir dessa descoberta, pouco tempo se passou até que os filmes deixassem de ser mudos. Poucos filmes mudos foram produzidos nos anos de 1930. Os mais famosos continuam sendo os de Charlie Chaplin, que se recusou a fazer filmes sonoros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os filmes eram utilizados como forma de propaganda de governos. Esses filmes eram geralmente manipulativos e populistas e transmitiam uma série de inverdades, objetivando influenciar a opinião pública. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, o governo nazista produzia filmes para manipular e seduzir a população alemã e disseminar o ódio contra judeus e outros povos. Os filmes produzidos pelos nazistas glorificam o Partido Nazista e incentivavam o racismo e o antissemitismo. Charlie Chaplin, que morava nos Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, lutou contra o nazismo por meio de um de seus filmes mais famosos, o Grande Ditador (1940).


Cena do filme O Grande Ditador

A partir da década de 1930, os estúdios de Hollywood passaram a utilizar som e cores na produção dos filmes. As novas produções se tornaram mais criativas e sofisticadas. Milhares de filmes foram lançados pelos estúdios durante os anos de 1930 a 1950.

É interessante notar que, nessa época, os astros e as estrelas do cinema não eram profissionalmente independentes. Os atores e atrizes firmavam um contrato com um único estúdio e cabia ao estúdio “emprestá-los” a outros. Alguns dos principais estúdios de cinema eram o 20th-Century Fox (1935), o Paramount Pictures (1912), o Metro-Goldwyn-Mayer (1924), o Columbia Pictures (1920) e o Warner Brothers (1923). Alguns deles existem até hoje e produzem muitos dos grandes sucessos de bilheteria.

Os filmes sempre tiveram o objetivo entreter. Mas muitos deles se tornaram clássicos, pois representaram os melhores trabalhos de alguns dos mais famosos atores e atrizes na história do cinema: Clark Gable, Judy Garland, John Wayne, Henry Fonda, Cary Grant, Joan Fontaine, Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Alguns desses filmes antigos também são considerados grandes clássicos porque estabeleceram um gênero cinematográfico: comédia romântica (Capra); suspense (Hitchcock), etc.

Diferentemente dos filmes produzidos pelos estúdios norte-americanos, a maioria dos filmes internacionais da época era produzida por pequenas equipes que não contavam com o apoio nem o financiamento de grandes empresas. Muitos desses filmes internacionais eram semelhantes, em termos de tema e produção, aos filmes independentes que se tornaram famosos durante a década de 1980. Tais filmes são diferentes e originais e não dependem de grandes astros e estrelas para fazer sucesso. Produções independentes tendem a refletir mais a personalidade artística de seu diretor do que filmes que precisam ser aprovados pelos executivos de um grande estúdio.

Na década de 1950, a televisão tomou de assalto os lares norte-americanos. A televisão representava uma ameaça aos cinemas. Os estúdios tentavam atrair as pessoas de volta a eles, mas muitas salas de cinema acabaram sendo fechadas, pois não conseguiam competir com os programas de TV.

Na década de 1960, os filmes promoveram uma grande mudança na cultura mundial: em vez de abordar assuntos como o patriotismo e o heroísmo, passaram a enfocar temas como a tolerância, a introspecção e o crescimento pessoal. Muitos filmes de gênero dramático, como “O Sol é para todos” (“To Kill a Mockingbird”, de 1962), tratavam de temas sociais. Os mocinhos dos novos filmes passaram a ser retratados como meros mortais e os bandidos dos novos filmes de terror não eram monstros fictícios, e sim, entidades que habitavam o íntimo dos seres humanos. Um exemplo desse novo tipo de filme de terror é o clássico de Hitchcock, Psicose (1960).

Essa nova proposta de filmes tinha o objetivo de atrair as pessoas de volta aos cinemas, pois os novos temas abordados nos filmes não eram transmitidos na televisão. Contudo, com o tempo, essa maturidade cultural também passou a se refletir em programas de televisão.

A década de 1970 presenciou o surgimento de produtores independentes em Hollywood. A tecnologia cinematográfica permitiu a produção de filmes que encantaram plateias e foram grandes sucessos de bilheteria. De fato, um dos maiores de todos os tempos foi lançado na década de 1970: “Guerra nas Estrelas” (“Star Wars”), de George Lucas. “Guerra nas Estrelas” utilizou modelagem e técnicas de efeitos especiais. O primeiro filme dessa série foi lançado em 1977; o sexto e último, em 2005. Juntos, os seis filmes arrecadaram aproximadamente $4.3 bilhões (dólares norte-americanos).

Steven Spielberg

Antes da invenção do videocassete, um dos desafios enfrentados pela indústria cinematográfica era a necessidade de o estúdio relançar um filme nos cinemas para que as pessoas pudessem revê-lo. Isso limitava o faturamento do estúdio, pois as pessoas não podiam assistir a um filme do passado sempre que quisessem; era necessário esperar que o filme voltasse a ser exibido em alguma sala ou na televisão. Isso mudou com o advento do cinema em casa.

Na década de 1980, tornou-se possível escolher a que filmes assistir, quando e onde. Isso se deveu à invenção de um aparelho – o videocassete.

Este se assemelhava às invenções idealizadas por Thomas Edison. Então, as pessoas podiam transformar a sala de estar em pequenos cinemas. É evidente que a tela de uma televisão não se comparava à de um cinema. Mas o filme visto no videocassete oferecia muitas vantagens: não havia fila para vê-lo; o filme poderia ser visto mais de uma vez por dia sem que houvesse nenhum custo adicional e a qualquer hora. Durante a década de 1980, a venda e o aluguel de filmes em fita videocassete se tornaram uma grande fonte de renda para os estúdios.

Na década de 1990, o cinema progrediu ainda mais: os estúdios passaram a empregar a tecnologia digital. Ao mesmo tempo, o DVD substituiu o videocassete. Hoje, praticamente todos os filmes vendidos e alugados estão em formato DVD ou Blue-Ray.

Atualmente, na era da tecnologia digital e da Internet, a indústria dos filmes está enfrentando um grande desafio: como lidar com os problemas de pirataria e garantir direitos autorais.

Sumário

- Introdução
- A história do cinema
- O desenvolvimento do cinema
- O cinema no Brasil
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