Música

A música tem um papel singular na vida de cada pessoa. Para algumas delas, a música é a própria vida.

Música também é história. Uma música é um retrato de certa época do passado. A cultura de um período histórico reflete-se na música da época.

Mas, acima de tudo, música é arte. A música permite que o ser humano empregue técnicas para gerar emoções nele próprio e em outras pessoas.

A música pode afetar nosso estado mental de forma misteriosa. Cientistas, psicólogos e filósofos vêm estudando e tentando explicar seu poder. Qual o motivo de sons organizados nos afetarem a ponto de passarmos tanto tempo e gastarmos tanto dinheiro para criar e ouvir músicas?

Pesquisadores descobriram que nossas expressões faciais são influenciadas pela música. Uma canção alegre faz com que uma expressão alegre se torne ainda mais alegre. Mas uma música melancólica faz uma pessoa triste aparentar tristeza ainda maior.

Os antigos gregos acreditavam que as bases da música foram estabelecidas a partir dos movimentos corporais. De fato, sabe-se que nosso sistema auditivo interpreta os sons gerados por pessoas quando elas se movimentam. Um som delicado ou violento provoca diferentes reações emocionais. Alguns desses movimentos despertam reações positivas – invocam lembranças de atividades prazerosas –, enquanto outros geram sentimentos de medo e ansiedade. Pelo fato de muitas músicas se assemelharem aos movimentos corporais, podem ser facilmente interpretadas pelo sistema auditivo.

Sabe-se que as músicas podem provocar reações emocionais, mas não se sabe exatamente o porquê disso.

Iniciaremos nosso estudo sobre a música definindo alguns de seus aspectos que mais nos influenciam. São eles:

  • tempo e ritmo
  • tom, melodia e harmonia
  • reconhecimento de padrões
  • aspectos culturais

Tempo

A música contém tempo e ritmo. Tende a ter um tempo constante, que é a velocidade em que é tocada. O tempo é, portanto, a velocidade de uma composição musical.

Os tempos estão diretamente relacionados à pulsação da música, e não ao som em si. O tempo musical organiza o espaço entre um som musical e o som seguinte, dependendo, além da duração de sons ou pausas, do intervalo entre eles.

O tempo é geralmente medido como “batimentos por minuto”. Os batimentos por minuto da maioria das músicas variam entre 50 e 200. É interessante observar que os batimentos por minuto de uma música são capazes de influenciar os batimentos cardíacos de uma pessoa. A música clássica, por exemplo, consegue mudar o ritmo de batimentos cardíacos tanto em pessoas saudáveis quanto em pessoas em estado vegetativo. Isso sugere que a música clássica pode afetar os sistemas neurais da emoção, mesmo quando há ausência de pensamento consciente.

Em um experimento realizado na Itália, Francesco Riganello e sua equipe, do Instituto Santa Anna, em Crotone, tocaram quatro músicas clássicas para 16 voluntários saudáveis enquanto mediam seus batimentos cardíacos. A equipe realizou o mesmo experimento, mas com nove pessoas em estado vegetativo.

Riganello e sua equipe descobriram que a música afetou a taxa de batimentos cardíacos da mesma forma em ambos os grupos. Músicas consideradas “positivas” pelos voluntários saudáveis diminuíram sua taxa de batimentos cardíacos, enquanto músicas “negativas” aumentaram os batimentos.

Uma música que tenha de 60 a 80 batimentos por minuto é considerada calma ou relaxada; uma música com menos de 60 batimentos é considerada depressiva; uma música de 80 a 100 batimentos é considerada alerta; e uma música com acima de 100 batimentos é considerada agitada. Como, em geral, o ser humano gosta de ter um certo grau de animação ou agitação, 80 a 120 batimentos por minuto é considerado um tempo médio e até mesmo 120 a 160 batimentos é um tempo aceitável em certas situações. Por exemplo, em diversos momentos, a música pode ser um elemento motivador. Uma música que tenha de 115 a 120 batimentos por minuto é indicada para uma caminhada; uma outra que tenha de 130 a 140 batimentos por minuto é indicada para uma corrida moderada; e uma ainda outra que tenha de 140 a 160 batimentos por minuto é indicada para uma corrida intensa.

É o tempo que estabelece o passo da música. Há muitas maneiras de um compositor alterá-lo ao utilizar diferentes padrões de notas e ritmos. E mesmo que o tempo de uma música seja vagoroso ou relaxado, uma alta frequência de notas pode sugerir um certo grau de agitação contido dentro do próprio estado relaxado da música. A combinação de tempo e ritmo tem um impacto imediato e até físico sobre nós, seres humanos.

Ritmo

O ritmo é a forma musical de organizar os sons e pausas sonoras no tempo, ou seja, o ritmo é o arranjo/organização de sons e silêncio: é o padrão de movimentos musicais através do tempo, é a pulsação da música. Toda música possui uma batida praticamente constante, que se repete. Mas, no decorrer de uma música, algumas batidas são fortes, outras são fracas. É por meio da alternância das batidas, mais fortes ou mais fracas, que o ritmo de uma música é definido. O rock, por exemplo, tem uma batida forte, uma batida fraca e uma batida mais forte em seguida; isso se repete por toda a música. Já a valsa tem uma batida forte seguida por duas batidas fracas.

Tom, melodia e harmonia

O tom afeta a nossa percepção de sons e músicas. Há uma escala básica: de alto (leve, feliz, sem preocupações) a baixo (sombrio, triste). O tom determina a melodia e a harmonia.

Uma melodia é uma série de notas em sucessão. Os sons da melodia possuem um sentido musical e quase sempre durações diferentes. Esse jogo de durações diferentes forma o ritmo. Em geral, preferimos melodias cujos tons estejam relativamente próximos uns dos outros, com uma variedade de belos intervalos harmônicos entre eles e um ritmo similar ao da fala.

Harmonia é a relação de notas com notas e de cordas com cordas quando tocadas simultaneamente. A função da harmonia é dar vida à música. O que uma harmonia contém de agradável é um critério subjetivo. Uma consonância é uma harmonia estável; já uma dissonância é considerada instável. Há pessoas que preferem as consonantes e outras que preferem as dissonantes.