Gametogênese

Gametogênese

Gametogênese é o processo de produção de gametas que são sempre células haploides (n), com a função de reprodução sexuada dos seres vivos (animal ou vegetal).

Nos animais essa produção é realizada no interior de órgãos especializados: testículos (gônadas masculinas) produzem espermatozoides (gametas masculinos) e ovários (gônadas femininas) produzem óvulos (gametas femininos).  Nos vegetais, as estruturas especiais que terão essas funções são: anterídeos (gametângios masculinos) produzirão os anterozoides (gametas masculinos) e arquegônios ou oogônios produzirão oosferas (gametas femininos).

Na gametogênese animal, a espermatogênese é responsável pela produção de espermatozoides e a ovulogênese (ou ovogênese) formará os óvulos.

Principais diferenças

1 Ovogônia= fase de crescimento mais longa (= maior quantidade de vitelo) .

2 Nº espermatozoides e óvulos.

3 Ovócito II= está bloqueado em metáfase II.

4 Espermatogênese 2 a 3 semanas, a vida inteira.

Interpretando a tabela da gametogênese, devemos entender:

  • No período de multiplicação, as gônias (células diploides - 2n - indiferenciadas) proliferam intensamente através de mitoses sucessivas, no interior do testículo (espermatogônias) e do ovário (ovogônias).
  • O período de crescimento é caracterizado pelo aumento volumétrico das gônias que irão formar os citos I. As ovogônias terão uma fase de crescimento mais longa, acumulando maior quantidade de vitelo (reserva alimentar do retículo endoplasmático e do complexo de Golgi) do que as espermatogônias, ficando bem maiores. Cada espermatogônia (2n) forma um espermatócito primário - 2n (espermatócito I ou de primeira ordem), enquanto a ovogônia (2n) produzirá o ovócito primário - 2n (ovócito I ou de primeira ordem).
  • É no período de maturação que ocorrerá a meiose (divisão celular reducional). Espermatócitos e ovócitos primários (diploides - 2n) duplicam seus cromossomos (DNA).  Ao término da 1a divisão meiótica (telófase I), cada espermatócito I (2n) produzirá dois espermatócitos II (secundários ou de segunda ordem - cada um deles será "n").
  • Na espécie humana as células serão: espermatócito I (2n = 46 cromossomos) e espermatócito II ("n" = 23 cromossomos, cada um deles ainda duplicado, por não ter ocorrido ruptura do centrômero na anáfase I). Essa 1a divisão é reducional, pois cada célula (cito II) apresentará metade dos cromossomos da espécie.
  • Na ovulogênese, cada ovócito I (2n), ao término da meiose I, formará duas células volumetricamente diferentes: uma será maior, o ovócito II ("n" = 23 cromossomos, ainda bivalentes) e a outra menor, o 1o corpúsculo polar (ou polócito I: "n" = 23 cromossomos bivalentes).

Na meiose II ocorrerão diferenças importantes na gametogênese masculina e feminina, da espécie humana:

  • Cada espermatócito II ("n" = 23 cromossomos bivalentes), ao terminar a telófase II, formará duas novas células de igual tamanho: espermátides (n = 23 cromonemas). Assim, partindo de uma célula 2n (espermatócito I), ao fim da meiose serão produzidas quatro células haploides (espermátides).

Na etapa seguinte, espermiogênese, cada espermátide passa por importantes modificações no tamanho, forma e organização citoplasmática, diferenciando o espermatozoide (gameta masculino). Assim, estará completada a espermatogênese.

A interpretação sequencial das figuras mostra:

  • O retículo endoplasmático rugoso (ergastoplasma) produz grande quantidade de enzimas e as encaminha para o complexo de Golgi.
  • Ocorre fragmentação do complexo de Golgi que irá se reorganizar próximo do núcleo, formando o acrossomo, o qual armazena as enzimas que irão "abrir caminho" durante a fecundação, digerindo o espessamento celular protetor do ovócito II ("óvulo").
  • Multiplicação das mitocôndrias e migração, juntamente com os centríolos, para a peça intermediária. As mitocôndrias irão gerar a energia para o batimento do flagelo, formado a partir do centríolo.
  • Importante redução do volume do citoplasma da célula que estará diferenciada em espermatozoide.
  • O ovócito II, quando completar a telófase II, formará uma grande célula haploide (ovótide ou óvulo: n = 23 cromonemas) e o (pequeno) 2o corpúsculo polar (n = 23 cromonemas). O 1o corpúsculo polar poderá ou não completar a meiose II, formando ou não dois outros corpúsculos polares. Desta forma, através da ovulogênse, de cada ovócito I (diploide - 2n) que completar a meiose, serão produzidos um óvulo e três corpúsculos polares.

ATENÇÃO !!!

 Na espécie humana, cada ovócito II está contido num folículo de Graaf, dentro do ovário, desde o nascimento das meninas. Estes ovócitos II estão com a meiose interrompida (bloqueada) em metáfase II. Essa meiose só será completada se o ovócito II, eliminado em cada ciclo menstrual ("ovulação"), for fecundado pelo espermatozoide. Esse encontro entre espermatozoide e ovócito II (fecundação) deverá ocorrer no início da tuba uterina (trompa), visto que o ovócito tem vida curtíssima (aproximadamente 24 horas).

 Essa meiose para a produção de gametas ocorre na grande maioria dos animais e é chamada meiose gamética. A meiose espórica ocorre no interior de esporângios de vegetais, produzindo os esporos haploides, que são células de reprodução assexuada.