Evidências da Evolução

Fixismo

Teoria que acreditava que os seres vivos haviam sido criados tal e qual se apresentam atualmente. Admitia que as espécies não se modificassem no decorrer do tempo.

Evolução

Evolução significa transformações, mudanças, ao contrário de fixismo, que significa existência de espécies imutáveis. As mutações são a fonte primária da diversidade biológica. Os alelos surgidos por mutações dominantes e que forem incompatíveis com a vida não chegam a passar para a geração seguinte: são alelos letais, pois matam precocemente seus portadores.

Alelos prejudiciais, mas não letais, permanecem na população mais ou menos tempo, conforme seu valor adaptativo, ou seja, sua contribuição para a sobrevivência e a reprodução do indivíduo em que estão.

Fatos

a) Há uma grande variedade de seres vivos.

b) Transformação gradual das espécies podendo dar origem a outras espécies, com o passar de milhares de gerações.

Um exemplo de evolução rápida no tempo ocorre com vírus da gripe que se multiplicam muito rapidamente e podem apresentar novas formas em pouco tempo.

c) Os mais aptos sobrevivem e assim sendo, as espécies atuais são as que estão melhor adaptadas ao meio onde vivem. Não é o indivíduo que se adapta, mas sim a espécie como um todo!

As mudanças que as espécies sofrem por evolução as tornam quase sempre mais aptas a sobreviver nos seus ambientes.

Evidências da Evolução

I) Comparações anatômicas e desenvolvimento embrionário

Semelhanças anatômicas sugerem parentesco. Um sapo e um cachorro possuem em comum um plano básico de construção do organismo: são vertebrados (coluna vertebral, membros anteriores e posteriores, crânio, etc.).

· Homologia:  dois órgãos são homólogos quando têm mesma origem embrionária, embora possam ter funções diferentes. Nossos braços são homólogos das patas dianteiras de todos os mamíferos e também das asas das aves, pois todos se iniciam de um mesmo broto, na ontogenia.

Admite-se que as nadadeiras pares dos peixes tenham dado origem aos membros dos anfíbios e estes aos dos répteis, que, por sua vez, originaram os dos mamíferos e das aves. Sendo assim, pode-se dizer que os órgãos homólogos se originaram, ao longo da filogenia, de um mesmo órgão ancestral.

A razão da homologia seria que os diferentes organismos teriam uma origem evolutiva comum.

Analogia:  dois órgãos são análogos quando têm origem embrionária diferente, porém executam a mesma função. Exemplos: asas de aves e asas de insetos; patas dos gafanhotos e pererecas; sistema traqueal dos insetos, brânquias dos animais aquáticos e pulmões dos vertebrados terrestres.

Órgãos vestigiais: nas espécies atuais não apresentam funções vitais - são estruturas atrofiadas, sem função evidente no organismo -, mas são homólogos (mesma origem embrionária) com órgãos funcionais em outras espécies, o que sugere o parentesco evolutivo entre as espécies.

O apêndice vermiforme no intestino do homem tem em outros mamíferos maior desenvolvimento e exerce funções importantes na digestão da celulose; nele vivem microrganismos que atuam na digestão desse polissacarídeo. Tudo indica que os mamíferos atuais, carnívoros e herbívoros, tiveram ancestrais comuns, cuja alimentação deveria ser baseada em alimentos vegetais, ricos em celulose. No decorrer da evolução, cecos e apêndices deixaram de ser vantajosos para alguns grupos de organismos, nos quais se encontram reduzidos, como vestígios de sua origem.

A região coccígea humana corresponderia ao resto de cauda dos outros mamíferos.

As carúnculas nos cantos dos olhos do homem correspondem à membrana nictitante em répteis que evoluíram para aves ou para mamíferos.

· Embriologia: - comparações mostram que quanto mais precoce é a fase embrionária, mais parecidos são os embriões de grupos diferentes. Os embriões apresentam ainda, num certo período de seu desenvolvimento, certas estruturas que não aparecem no adulto.

Por exemplo, embriões de vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) apresentam muitas semelhanças, como notocorda, fendas faríngeas, cauda etc. Essa semelhança pode ser explicada se considerarmos que durante o processo embrionário é esboçado o plano estrutural básico do corpo, que todos eles herdaram de um ancestral comum.

Também as etapas do desenvolvimento embrionário dos rins e coração, nos vertebrados, é um fato que sugere parentesco evolutivo.

Ernst Haeckel, um ardente evolucionista, afirmava que o embrião humano, por ter sulcos faringianos, se parecia, um pouco, com o peixe adulto. Utilizando esse exemplo, dentre outros, Haeckel ilustrava uma lei geral, que pode ser resumida em uma frase: "a ontogenia recapitula sumariamente a filogenia".

Ontogenia é o estudo do desenvolvimento do organismo desde o embrião (e da larva, quando existe) até sua forma adulta e filogenia é a sequência das espécies que se sucederam até produzir a espécie que estamos considerando. Haeckel dizia que o embrião humano passa por fases sucessivas que lembram seus ancestrais adultos. O zigoto recapitula o ancestral unicelular, a gástrula lembra uma hidra de água doce adulta, a fase com sulcos faringianos repete a fase das fendas branquiais dos peixes, e assim por diante.

A lei da recapitulação contribuiu para que a teoria da evolução se popularizasse. Na verdade, a lei da recapitulação resultou de uma generalização indevida, pois, embora descrevesse as relações entre filogenia e ontogenia de modo elegante, não o faz totalmente de acordo com a realidade, uma vez que a semelhança acontece apenas entre embriões e não entre embriões de uma espécie e adultos de outra "menos evoluída", como queria Haeckel.

II) Paleontologia

Fósseis são marcas (impressões, vestígios) ou partes de seres vivos vegetais ou animais de espécies, em geral, extintas. Eles representam a maior evidência de que nosso planeta já foi habitado por seres diferentes dos atuais.

Raramente é encontrado um organismo inteiro, como em 1977, foi encontrado fóssil de um filhote de mamute congelado na Sibéria e que viveu há cerca de 10.000 anos.

Fósseis de insetos, às vezes são encontrados no interior do âmbar (resina de plantas fósseis).

A análise dos fósseis encontrados em camadas sucessivas de rochas sedimentares permite deduzir a sequência das formas de vida que viveram em determinado local.

As condições para que ocorra a fossilização são muito especiais para evitar a decomposição do ser vivo por microrganismos, assim como a ação das intempéries naturais (vento, chuvas, sol direto, etc.). Alguns ambientes podem apresentar estas condições, como o fundo de lagos e mares, âmbar, geleiras, petróleo etc. Naturalmente, os seres que deixaram fósseis em determinada camada de sedimento viveram e morreram quando tal camada estava sendo depositada. Os fósseis têm, pois, a idade dos terrenos em que se encontram.

O estudo comparado dos fósseis, mostra a contínua modificação das espécies através dos tempos e um aumento gradual da complexidade dos seres vivos.

III) Estudo bioquímico

Mais recentemente foi introduzido o método que analisa a composição de proteínas semelhantes entre várias espécies.

Espécies muito próximas, evolutivamente, que descendem de ancestral comum, têm maior semelhança na sua composição química, do que espécies mais distantes.

Comparam-se as sequências de aminoácidos das proteínas e consequentemente o DNA que codifica a formação das proteínas. A comparação entre moléculas de DNA de diferentes espécies tem revelado o grau de semelhança de seus genes, o que mostra o parentesco evolutivo.

Por exemplo: a globina do ser humano difere em 4 aminoácidos da globina do macaco Rhesus, mas diferem em 17 aminoácidos da globina do boi e 71 da globina da carpa. O citocromo c é uma proteína presente em todos os seres vivos que fazem respiração aeróbia, sendo constituído por 104 aminoácidos encadeados. A porcentagem de cada tipo de aminoácido presente nessa proteína varia nas diferentes espécies de organismos e está relacionada com a proximidade evolutiva entre as espécies.

A técnica da hibridização molecular consiste na comparação entre moléculas de DNA de duas espécies. Esses DNAs são extraídos e suas duas cadeias separadas. São misturadas as cadeias simples de DNA das duas espécies, de modo que, em caso de existirem segmentos de DNA complementares, estes se combinam formando moléculas híbridas, com uma cadeia de cada espécie. O grau de homologia entre o DNA das duas espécies pode ser determinado pela quantidade de moléculas híbridas formadas.

Quanto maior a taxa de pareamento, maior a semelhança entre as sequências do DNA; portanto, mais próximas evolutivamente estarão as espécies.

Os resultados da análise bioquímica têm confirmado as estimativas de parentesco entre espécies obtidas por meio do estudo de fósseis e da anatomia comparada. Isso reforça ainda mais a teoria de que os seres atuais resultam da evolução de seres que viveram no passado, estando todos os seres vivos relacionados por graus de parentesco mais ou menos distantes.

Sumário

- Fixismo
- Evolução
- Evidências da evolução
i. Comparações anatômicas e desenvolvimento embrionário
ii. Paleontologia
iii. Estudo bioquímico
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