Embriologia do anfioxo

Segmentação

O óvulo do anfioxo é do tipo oligolécito e apresenta segmentação total, quase igual.

A 1a clivagem do ovo é vertical, ocorrendo desde o polo animal até o polo vegetativo. Formam-se os dois primeiros blastômeros que serão responsáveis pela futura simetria bilateral do animal.

A 2a clivagem é também vertical, porém a 90o da primeira, formando-se quatro células. A 3a clivagem é horizontal, subequatorial e perpendicular aos dois planos anteriores de divisão, originando-se oito células.

A divisão subequatorial faz com que os blastômeros resultantes tenham tamanhos diferentes: os micrômeros são os menores e macrômeros são os maiores.

A 4a clivagem é vertical e a 5a horizontal, atingindo-se um estágio de 32 células denominado mórula. Até a formação da mórula não há aumento de tamanho do embrião.

Durante as próximas divisões celulares começa a formar-se uma cavidade cheia de líquido. O final da segmentação é a formação da blástula, estágio embrionário caracterizado por uma camada de célula, a blastoderme, envolvendo uma cavidade denominada blastocele. A observação da blastoderme permite o reconhecimento de micrômeros na região do polo animal e macrômeros no polo vegetativo.

Gastrulação

As modificações sofridas pela blástula levam ao estágio de gástrula. O polo vegetativo se invagina, os macrômeros invadem a blastocele migrando em direção aos micrômeros.

A invaginação do polo vegetativo acaba por obliterar a blastocele surgindo uma nova cavidade delimitada pelos macrômeros. Essa cavidade é o arquêntero, intestino primitivo do embrião, que se comunica com o meio externo através de uma abertura ou boca primitiva, o blastóporo.

A gástrula apresenta dupla camada de células circundando o arquêntero. A camada externa, constituída por micrômeros é a ectoderme. A camada interna é constituída por macrômeros e denomina-se endoderme. Na endoderme há uma região no teto do arquêntero, a mesentoderme.

Organogênese no anfioxo

A partir da gástrula inicial, ocorre um achatamento dorsal do embrião do anfioxo - a placa neural - que será coberta pela ectoderme. Esta placa sofrerá um dobramento e terminará formando o tubo neural (tubo nervoso).

Enquanto é formado o tubo neural, a mesentoderme vai se diferenciando para formar a mesoderme (bolsas evaginadas em ambos os lados) e a notocorda (bastão central e dorsal). Essa mesoderme forma pacotes celulares dorsais e longitudinais, os somitos, de grande importância na organogênese.

Os somitos crescem até se encontrarem na região ventral do embrião. A cavidade interna dos somitos é chamada celoma e está completamente envolvida pela mesoderme. Este estágio de desenvolvimento, chamado nêurula, já mostra o plano fundamental de como será o organismo adulto. Daí para frente serão diferenciados todos os tecidos e órgãos do anfioxo adulto (organogênese).



Embora nos vertebrados o tipo de segmentação varie conforme a quantidade de vitelo do ovo e a gastrulação possa dar-se de maneira diferente da do anfioxo, o plano fundamental é muito semelhante.

Durante a diferenciação posterior (organogênese) a notocorda é substituída pela coluna vertebral e os tecidos e órgãos apresentarão vários avanços evolutivos, aumentando a complexidade e competência de execução das atividades biológicas respectivas.