Som - Audição

Som - Audição

Informação acerca do meio ambiente interior e exterior é transmitida, dos vários órgãos dos sentidos para o sistema nervoso central. Nos órgãos dos sentidos estão células receptoras ou elementos que convertem várias formas de energia do ambiente, em potenciais de ação nos nervos sensitivos.

As formas de energia convertidas pelos receptores incluem, por exemplo, energia mecânica (pressão ou tato), térmica (gradações de temperatura), eletromagnética (luz) e química (odor, sabor e O2 e CO2 do sangue). Os receptores, em cada órgão dos sentidos estão adaptados para responder a uma forma particular de energia, a um limiar muito mais baixo do que outros receptores respondem a esta forma de energia.

A forma de energia, à qual o receptor é mais sensível, é chamada de estímulo adequado. Por exemplo, a luz é o estímulo adequado para os cones e bastonetes da retina.

Som

Os sons são ondas mecânicas propagadas através do ar, dos líquidos e dos sólidos. Duas de suas características importantes são o volume (som mais forte ou mais fraco) e o tom (som mais grave ou mais agudo).

O volume de um som corresponde à amplitude das ondas sonoras e é medido em decibéis (dB). Um leve sussuro, por exemplo, tem entre 10 e 15 dB, e está no limite de nossa percepção auditiva. Animais como o cachorro, por exemplo, têm ouvidos mais sensíveis do que o nosso e podem ouvir sons mais fracos. Sons de volume superior a 90 dB, como os que se ouvem em certos concertos de rock, são prejudiciais ao aparelho auditivo.

O tom de um som corresponde à frequência das ondas sonoras e é medido em hertz (Hz), que corresponde ao número de vibrações por segundo. Nossos ouvidos conseguem captar desde sons com frequências de 15 a 20 Hz até os de frequência entre 15 mil e 20 mil Hz. Diversos animais, como cães, gatos e morcegos, conseguem captar sons de frequências ainda mais altas.

A audição

A capacidade de perceber sons foi pré-requisito para o desenvolvimento da linguagem articulada, um dos atributos exclusivos da espécie humana. Produzir sons é mais simples do que percebê-los e analisá-los.

Os receptores para duas modalidades de sensibilidade, audição e equilíbrio, estão alojados no ouvido. Constituem-se, basicamente, de três regiões: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno.

No ouvido interno, a cóclea está relacionada com a audição, enquanto os canais semicirculares e suas duas dilatações, o utrículo e o sáculo, estão relacionados com o equilíbrio. Os canais do aparelho vestibular estão preenchidos por endolinfa.

O ouvido externo conduz as ondas sonoras ao meato auditivo externo. Em alguns animais, as orelhas podem ser movidas como antenas de radar, para buscar o som. Do meato, o canal auditivo externo se dirige para dentro, até a membrana timpânica ou tímpano.

Som é a sensação produzida quando vibrações longitudinais de moléculas no ambiente externo, isto é, fases alterantes de condensação e rarefação das moléculas, atingem a membrana timpânica.

O ouvido médio é uma cavidade cheia de ar, no osso temporal, que se abre, através da tuba de Eustáquio, na nasofaringe e através deste se comunica com o exterior. A tuba usualmente está fechada, mas durante a deglutição, a mastigação e o bocejo, ela se abre, conservando equilibrada a pressão do ar em ambos os lados do tímpano.

Quando uma pessoa sobe uma serra, a pressão atmosférica diminui. Então, a pressão do ar contido no ouvido médio torna-se relativamente maior e parte do ar é expelida através da tuba de Eustáquio. Caso isso não acontecesse, a pressão exercida sobre o tímpano faria com que ele se projetasse para o meio externo.

Os três ossículos auditivos, o martelo, a bigorna e o estribo, localizam-se no ouvido médio.O manúbrio ou cabo do martelo, está ligado à face interna do tímpano e transmite a vibração do tímpano, através da bigorna, até o estribo que está articulado com a janela oval. Esta separa o ouvido médio do ouvido interno (labirinto).

O ouvido interno ou labirinto, é constituído de duas partes, uma dentro da outra. O labirinto ósseo é uma série de canais na parte petrosa do osso temporal. Dentro deste canais, rodeado por um líquido chamado perilinfa, está o labirinto membranoso. O labirinto membranoso é mais ou menos a réplica dos canais ósseos. É cheio de um líquido chamado endolinfa, e não há comunicação entre o espaço que contém a endolinfa com o que contém a perilinfa.

A porção coclear do labirinto é um tubo enrolado e que no homem tem cerca de 2 voltas e três quartos. Na base da cóclea, a escala vestibular termina na janela oval, que é fechada pela base do estribo. A escala timpânica termina na janela redonda, uma abertura na parede medial do ouvido médio, a qual é fechada pela flexível membrana timpânica secundária.

Localizado na membrana de base, está o órgão de Corti, estrutura que contém as células auditivas receptoras. Este órgão tem forma espiral e suas células são ciliadas. Cobrindo as filas de células ciliadas, há uma membrana fina e viscosa mas elástica, chamada membrana tectorial. Os corpos celulares dos neurônios aferentes se ramificam extensivamente ao redor das células ciliadas. Seus axônios formam o ramo auditivo do nervo acústico e terminam no bulbo raquidiano. Daí, os estímulos auditivos são encaminhados até o córtex auditivo localizado na região superior do lobo temporal, encravada no fundo da fissura cerebral lateral.

De cada lado da cabeça, os canais semicirculares são perpendiculares entre si, de forma que são orientados nos três planos do espaço. Uma estrutura receptora, a crista ampolar, localiza-se na extremidade expandida de cada um dos canais membranosos, chamada ampola. Cada crista contém células ciliadas que estão ligadas aos terminais das fibras aferentes do ramo vestibular do nervo acústico.

Dentro de cada um dos labirintos membranosos, no assoalho do utrículo, há um órgão otolítico ou mácula. Outra mácula acha-se localizada na parede do sáculo. As máculas contêm células de sustentação e células ciliadas onde estão incrustados cristais de carbonato de cálcio, os otólitos. A movimentação dos otólitos, provocada pelas variações na posição do corpo, servirá de estímulo para os ramos nervosos vestibulares. Cada nervo vestibular termina no cerebelo, onde estará o centro de equilíbrio em relação à postura espacial corporal.

Surdez

A surdez clínica pode ser devida à transmissão sonora deficiente no ouvido externo ou médio (surdez de condução), ou a danos nas vias nervosas (surdez nervosa). Entre as causas da surdez de condução, estão: obstrução do canal auditivo externo, por cerúmen ou corpos estranhos; destruição dos ossículos auditivos; espessamento da membrana timpânica devido a repetidas infecções do ouvido médio; rigidez anormal das inserções do estribo da janela oval. As causas da surdez nervosa incluem degeneração tóxica do nervo acústico produzida por estreptomicina (antibiótico), tumores do nervo acústico e do ângulo ponto-cerebelar e lesões vasculares no bulbo.

Sumário

- Som
- A audição
- Surdez
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