Redação UEG 2022 - Verão - Longevidade e os Idosos

A população brasileira com 65 anos ou mais está crescendo mais rapidamente do que todas as outras faixas etárias, sobretudo porque, se a taxa de natalidade global vem caindo desde a segunda metade do século 20, a expectativa de vida tem aumentado, caminhando na direção oposta. Dessa forma, há que se pensar tanto o papel quanto o espaço do idoso em uma sociedade que se mostra até certo ponto paradoxal, pois, se por um lado confere ao idoso sua merecida aposentadoria, por outro lado o alija do mercado de trabalho, desconsiderando sua força produtiva em favorecimento das novas gerações. Sobre esse assunto, leia a coletânea de textos a seguir.

Texto 1

Para Simone de Beauvoir, a sociedade fabrica a impotência da velhice, tal qual fabricou a da mulher. Submetida à alienação social, a velhice torna-se um mal para o homem, condição abjeta aos olhos do mundo e na qual os velhos são obrigados a ler a si mesmos. Ela diz: "Dentro de mim, está a Outra - isto é, a pessoa que sou vista de fora - que é velha: e essa Outra sou eu". A crítica à desumanização da velhice abarca a crítica mais radical de Simone ao próprio capitalismo. Improdutivos numa sociedade baseada na ideia de produtividade como valor essencial, os velhos são vistos como impotentes, sem futuro, excluídos de um papel ativo na sociedade. Só lhes restam os sofrimentos de sua condição e a impaciência dos jovens. Sem serventia alguma num sistema baseado na produção e geração de lucro, o velho sofre o impacto de tornar-se um refugo, um fragmento de sucata. Segundo a pensadora, para melhorar a condição dos velhos, os valores e as estruturas sociais deveriam ser radicalmente transformados. Já na existência individual, "só existe uma solução para que a velhice não seja uma paródia absurda da nossa vida anterior, e essa consiste em prosseguir naquelas ocupações que dão sentido à existência".

Disponível em: https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4015&titulo=Simone_de_Beauvoir:_da_velhice_e_da_morte. Acesso em: 29 out. 2021. (Adaptado).

Texto 2

Em 2018, pela primeira vez na história, o percentual de pessoas com 65 anos ou mais ultrapassou o de crianças com menos de cinco anos no mundo. E a previsão é que o número de indivíduos com 80 anos ou mais triplique – de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050. Mas a população não está apenas envelhecendo: as pessoas estão vivendo mais e aumentando sua "expectativa de vida saudável". Isso significa que, à medida que a população de idosos aumenta, cresce também um grupo de consumidores, trabalhadores e empreendedores. Em outras palavras, eles não precisam necessariamente dos serviços da chamada silver economy, voltada exclusivamente para pessoas idosas – a população mais velha pode continuar participando integralmente da economia global. “Estamos falando agora de uma nova fase da vida, que equivale à última parte da vida adulta", diz Joseph Coughlin, diretor do AgeLab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts À medida que os idosos vivem mais e com saúde, participando ativamente da economia global, são abertas novas possibilidades de converter a longevidade em um ativo para a sociedade. Em 2015, os americanos com 50 anos ou mais geraram quase US$ 8 trilhões em atividades econômicas. O Boston Consulting Group estima que, em 2030, a população com mais de 55 anos nos EUA representará metade de todo o crescimento do gasto do consumidor doméstico desde a crise financeira global. Esse percentual sobe para 67% no Japão e 86% na Alemanha.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-52928468. Acesso em: 29 out. 2021. (Adaptado).

Texto 3


Disponível em: https //br.pinterest.com/ pin/799881583796647769/. Acesso em: 29 out. 2021.

Texto 4

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

MEIRELES, Cecília. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/NTUzODU1/. Acesso em: 29 out. 2021.

Texto 5

Devemos olhar para o ócio não apenas sob o ponto de vista geral, mas sob outro mais específico e concreto, como é o ócio dos aposentados. E isso convém que seja assim. Por um lado, porque a centralidade da atividade vital, que até então havia sido ocupada pelo trabalho, pode ser agora substituída pelo ócio. Também, porque se dão as circunstâncias mais propícias para que isso aconteça. Como recorda Weiss, as pessoas aposentadas entram em um momento da vida em que dispõem dos elementos essenciais para experimentar um ócio de qualidade: tempo livre, liberdade e possibilidade de desafiar-se frente a novos projetos e novas realidades. Ainda assim, não temos nenhuma garantia de que todas essas condições e possibilidades se transformem diretamente em experiências gratificantes de ócio. O ócio forma parte de nossas vivências pessoais e não depende apenas das circunstâncias nas quais se desenvolve senão, muito especialmente, da pessoa, de seu mundo de valores, de sua formação, de seu desenvolvimento como indivíduo. Por isso, a aposentadoria, enquanto transição, é uma etapa da vida que demanda preparação. Se a aproveitamos bem, o ócio certamente pode ser uma dádiva; caso contrário, pode ser uma maldição. E essa é uma questão importante, porque não se refere a uns poucos; ao contrário, é algo que cada vez tem maior incidência na população mundial.

Disponível em: https://manuelcuenca.es/para-que-serve-o-ocio-na-velhice/. Trad. Cláudio Augusto Silva Gutierrez. Acesso em: 5 out. 2021. (Adaptado).

Afinal, como converter a longevidade em um ciclo ativo para a sociedade e para o próprio idoso?

PROPOSTA 1

O artigo de opinião é um gênero textual no qual são apresentados argumentos para convencer os leitores a respeito da validade de um ponto de vista sobre determinado assunto.
De posse dessa orientação, amparando-se na leitura dos textos da coletânea e ainda em sua visão de mundo, imagine-se na função de articulista, de uma revista ou de um jornal de circulação nacional, e escreva um artigo de opinião posicionando-se acerca da questão-tema desta prova.

PROPOSTA 2

O gênero crônica, em sentido atual, é uma narrativa que se caracteriza por basear-se em considerações do cronista acerca de fatos correntes e marcantes do cotidiano. Em torno desses fatos, o autor manifesta uma visão subjetiva, pessoal e crítica.

Tendo em vista essa definição de crônica, e levando em consideração a leitura da charge apresentada na coletânea, escreva um texto, em primeira pessoa, colocando-se na condição de um idoso que mora com a família e há anos perdeu a audição, mas que, após ir secretamente a uma consulta médica, passa a usar um aparelho auditivo e volta para casa, sem noticiar aos familiares que voltou a escutar. Conte aos leitores sua reação e suas atitudes perante as conversas ouvidas no convívio familiar. Não deixe de transmitir suas possíveis reflexões e impressões sobre as situações criadas, relacionando-as, obviamente, com a questão-tema desta prova.

PROPOSTA 3

A carta de leitor é um gênero textual, comumente argumentativo, que circula em jornais e revistas. Seu objetivo é emitir um parecer de leitor sobre matérias e opiniões diversas publicadas nesses meios de comunicação.

Considerando a definição desse gênero textual, a leitura da coletânea e, ainda, suas experiências pessoais, escreva uma carta de leitor a um jornal, ou a uma revista de circulação nacional, emitindo seu ponto de vista - contrário, favorável ou outro que transcenda esses posicionamentos a respeito do Texto 2 da coletânea, levando em consideração a questão-tema desta prova.

OBSERVAÇÃO: Ao concluir sua carta, NÃO a assine; subscreva-a com a expressão UM (A) LEITOR (A).

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