Redação PUC-GO 2020 - Mudanças Climáticas

REDAÇÃO

ORIENTAÇÕES GERAIS

Há, a seguir, três propostas para a produção de seu texto escrito, a partir da concepção de gêneros textuais. Escolha uma delas e desenvolva o seu texto, em prosa, observando atentamente as orientações que acompanham cada proposta. Você deverá se valer das ideias presentes na coletânea desta Prova de Redação (mas sem fazer cópia), bem como de seu conhecimento de mundo e dos fatos da atualidade. Observe que cada proposta se direciona para um gênero específico de texto (artigo de opinião, carta argumentativa e conto fantástico).

• Sua Prova de Redação deverá ter no máximo 30 linhas. 
• Se a sua redação não corresponder a um dos gêneros textuais que compõe esta Prova, ela será penalizada. 
• Você pode utilizar o espaço destinado para rascunho, mas, ao final, deve transcrever o texto para a folha definitiva da Prova de Redação em Língua Portuguesa no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos.

ATENÇÃO

Esta prova receberá pontuação ZERO caso a redação apresente: 
• Fuga ao tema; 
• Extensão inferior a sete linhas (incluindo o título); 
• Transcrição para a folha definitiva a lápis; 
• Letra ilegível/incompreensível; 
• Problemas sistemáticos e graves de domínio da norma padrão ou total comprometimento na produção de sentido do texto; 
• Sinais inequívocos de que seja cópia da coletânea apresentada ou de outros textos, exceto se usados como recurso de intertextualidade; 
• Presença de marcas ou sinais que possam levar à identificação do candidato: nome; sobrenome; pseudônimo; rubrica.

Não assine a Folha de Redação definitiva, tampouco faça nela qualquer marca de identificação: nem com nome, nem com pseudônimo, nem com siglas ou quaisquer outras formas gráficas de sinalização.

COLETÂNEA

TEXTO 1

O que o Brasil ganha com as mudanças climáticas

Marcos Buckeridge

[...]

Evidências científicas mostram que até meados de 2040 o mundo deverá atingir a marca de 1,5 ºC de elevação na temperatura, caso continuemos emitindo gases de efeito estufa como ainda fazemos hoje.

As pessoas perguntam: mas o que significa para mim essa pequena variação de 1 ºC? De fato, 1 ºC ou mesmo 1,5 ou até 3 ºC podem significar muito pouco se considerarmos nossas preferências pessoais. Porém, uma variação na temperatura média mundial de 1,5 ºC implica variações de temperatura, chuvas e vários eventos climáticos bem mais amplos e intensos do que o significado pessoal de 1,5 ºC.

Os efeitos climáticos são, sobretudo, o que os climatologistas chamam de eventos extremos, ou seja, mudanças no clima local que provocam enchentes, secas, ondas de calor etc. A frequência desse tipo de evento já vem aumentando em vários lugares do Planeta. Em outras palavras, teremos um maior número de noites quentes, maior frequência de tempestades, maior probabilidade de ocorrência de eventos mais fortes como furacões e tornados. Tudo isso exacerba os riscos relacionados à saúde humana, infraestrutura das cidades, agricultura e muitos outros setores da sociedade. [...]

No Brasil, alguns dos efeitos das mudanças climáticas podem ser considerados como grandes problemas, mas por outro lado poderiam se transformar em oportunidades.

A devastação da Amazônia é o primeiro grande foco de problema, não só para os brasileiros, mas para o mundo. Já está bem estabelecido cientificamente que a maior floresta tropical do mundo tem um papel fundamental na estabilidade do clima em várias regiões do Planeta. [...] É fácil imaginar o que aconteceria se a Floresta Amazônica desaparecesse. Simplesmente não teríamos água suficiente para produzir alimentos e bioenergia. Por outro lado, há mecanismos que dão suporte a estratégias de manutenção da floresta. Um deles é chamado de REDD+ – Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação florestal, com o + significando: a) conservação dos estoques de carbono florestal; b) manejo sustentável de florestas e c) aumento dos estoques de carbono florestal. O REDD+ recebe financiamento internacional e tem tido relativo sucesso no Brasil. Como o Brasil é pioneiro no uso dessa estratégia, pode aperfeiçoá-la antes que outros países o façam. A vantagem é preservar a Amazônia e com isso evitar que nossa agricultura pereça, o que em si já é importante. Com o aperfeiçoamento e o domínio de uso do REDD+, o Brasil poderia assessorar outros países a fazerem o mesmo em suas florestas. E também usar o conhecimento como estratégia de ganhos de mercado como dominadores da tecnologia. Saber como usar o REDD+ com eficiência pode ser uma grande vantagem tecnológica e social, ajudando a diminuir a pobreza e, ao mesmo tempo, estimulando a formação de empresas que tragam divisas para nós.

O segundo grande foco está relacionado com as mudanças climáticas associadas ao aumento de temperatura e suas consequências para a agricultura. [...] na medida em que eventos extremos de seca ou excesso de chuvas se tornem cada vez mais intensos e frequentes, as perdas na agricultura poderão ser significativas. [...]

[...] A ciência da Agrometeorologia1 brasileira é forte e já vem fazendo os cálculos. Paralelamente, será necessário intensificar as aplicações tecnológicas que permitam adaptar as plantas que usamos como culturas agrícolas para que enfrentem mais facilmente os extremos de secas e alagamentos. Para isso, temos que lançar mão da genética e das novas técnicas de biologia molecular, que podem permitir o redesenho de genomas e, dessa forma, ajustar as respostas das plantas o mais rapidamente possível. [...]

As cidades são o terceiro grande foco. Até 2040, 90% da população mundial estará vivendo em cidades. Essa urbanização intensa vem criando condições artificiais geradas pelas ações humanas que aumentam consideravelmente a vulnerabilidade das populações.

As cidades formam ilhas de calor e, ao mesmo tempo, apropriam-se dos ecossistemas ao seu redor. Se houver florestas, elas são normalmente destruídas ou severamente transformadas. Se houver mar, os seres humanos constroem ao longo da costa, alteram os ecossistemas marinhos de várias formas por meio da poluição. Ainda que as cidades sejam uma forma de melhorar vários aspectos da vida humana (melhor acesso à comida, energia e outros bens), o outro lado é que há aumento na poluição, na violência e outros aspectos negativos. Um aumento de temperatura no Planeta que seja capaz de alterar a produção e qualidade da comida, que tenha potencial de gerar desastres (enchentes e escorregamentos de encostas), pode causar caos nas cidades. Algumas das cidades globais mais importantes do mundo (Nova York, Londres e Paris, por exemplo) já vêm investindo significativamente em adaptações às mudanças climáticas. No Brasil, megalópoles como São Paulo e Rio de Janeiro já começaram a investir. [...]

O quarto foco é a produção de energia. O Brasil tem a matriz energética com a maior proporção de renováveis do Planeta. Temos alta proporção de energia que vem das hidroelétricas e temos o etanol combustível distribuído em escala nacional. Fomos pioneiros e somos um exemplo para o mundo nesse aspecto. Porém, espera-se que a demanda por energia aumente muito nos próximos anos, de forma que precisaremos aumentar sua produção. No caso das hidrelétricas, o limite já foi atingido. Porém, o etanol ainda poderia ser expandido consideravelmente,  sem efeitos sobre biomas preservados ou sobre a produção de alimentos. [...]

Nos quatro casos, que são estratégicos para as próximas décadas no Brasil, não podemos ficar à mercê de estratégias de governo. São necessárias, impreterivelmente, estratégias de Estado. Não parece haver opção, sejam diferentes governos ou governos de um mesmo partido. O Brasil precisa entender que há estratégias que não podem depender de orientações ideológicas. As adaptações terão de ser executadas e aperfeiçoadas por décadas para o País se tornar viável para as gerações futuras.

[...]

(BUCKERIDGE, M. O que o Brasil ganha com as mudanças climáticas. 25/02/2019. Disponível em: https://jornal.usp.br/ artigos/o-que-o-brasil-ganha-com-as-mudancas-climaticas/. Acesso em: 20 jul. 2019. Adaptado.)

1Agrometeorologia é o ramo da agronomia que estuda a interação dos fenômenos meteorológicos e seus impactos na cadeia produtiva do sistema agropecuário.

TEXTO 2

Mudanças climáticas: riscos e oportunidades

Jorge Soto

[...]

[...] representantes de diversos países concluíram, em 15 de dezembro, o chamado “Pacote do Clima de Katowice”, com o “Livro de Regras” para implementação do Acordo de Paris, que entrará em vigor em 2020.

O documento, resultado de negociações que atravessaram dias durante a COP 24 (24ª Conferência das Partes da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima de 2018), estabelece mecanismos importantes para o acompanhamento transparente dos esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa por todos os países. [...]

[...]

Infelizmente não houve espaço político na COP 24 para ampliar a ambição de forma coletiva. Apenas alguns poucos países anunciaram que, já em 2020, vão rever suas metas (incluindo União Europeia, Argentina, México e Canadá). Também se esperava mais quanto ao estabelecimento das regras para os incentivos econômicos à redução de emissões, e não houve acordo para a definição de como será implementado o “Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável” estabelecido no artigo 6 do Acordo de Paris.

Tais pendências deixam clara a importância da atuação de outros atores, além dos governos. Uma percepção que está cada vez mais forte inclusive no meio empresarial brasileiro. Várias empresas e organizações, como Pacto Global, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Ethos e a Iniciativa Empresarial pelo Clima (IEC), entre outros, estiveram lá para mostrar, com suas ações e resultados, que seu compromisso de redução das emissões dos gases de efeito estufa deve ser compreendido, não apenas como gestão de risco, mas também como busca de oportunidades de negócios. O setor químico esteve lá mais uma vez. Talvez poucos saibam, mas o Brasil é sede do maior produtor mundial de biopolímeros. As companhias querem ser parte da solução.

O relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também indica que, para limitarmos o aumento de temperatura a 1,5 °C, deveríamos reduzir as emissões globais em 45% até 2030 em relação a 2010. O problema é que o aumento de temperatura já alcançou 1 °C, e as emissões continuam subindo. Portanto, este é o momento de governos, empresas e outros setores da sociedade passarem a buscar, com o uso da inovação, como sair do olhar negativo da ameaça para focar o lado positivo das oportunidades.

O Brasil possui uma matriz energética das menos intensivas em carbono fóssil do mundo e é um dos países com maior produtividade de biomassa. Essas características podem potencializar a competitividade brasileira no mercado global e reforçar a posição de liderança do Brasil no movimento pela economia de baixo carbono. O País tem nas mãos a chance de se tornar referência, liderar o movimento para conter as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, fazer sua economia voltar a crescer. Vamos deixar escapar essa oportunidade?

(SOTO, J. Mudanças climáticas: riscos e oportunidades. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/01/ mudancas-climaticas-riscos-e-oportunidades.shtml. Acesso em: 20 jul. 2019. Adaptado.)

TEXTO 3

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo, em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado.

Imagine que você é articulista de um jornal de circulação nacional e foi convidado(a) a escrever sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Escreva, então, um artigo de opinião em que apresente o seu ponto de vista sobre o tema: Qual o papel do Brasil para conter os impactos negativos das mudanças climáticas? Você deverá usar argumentos convincentes e persuasivos. Utilize a coletânea (sem dela fazer simples cópia) e seus conhecimentos prévios sobre o tema.

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

PROPOSTA 2 – CARTA ARGUMENTATIVA

A carta argumentativa é um gênero textual que permite ao cidadão se manifestar em relação às questões sociais. Possui como característica fundamental a persuasão, dada a intenção de o emissor convencer o interlocutor (normalmente uma pessoa responsável ou uma autoridade) a tomar uma atitude no sentido de solucionar uma determinada questão.

Imagine que você é um(a) cientista preocupado(a) com os riscos das mudanças climáticas no mundo. Diante da acirrada discussão sobre o assunto na mídia brasileira, resolve se manifestar. Escreva, então, uma carta argumentativa para o Ministro do Meio Ambiente, apresentando seu ponto de vista sobre o tema: Qual o papel do Brasil para conter os impactos negativos das mudanças climáticas? Utilize a coletânea (sem dela fazer simples cópia) e seus conhecimentos prévios sobre o tema. Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes.

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

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