Redação PUC-GO 2018 - Inverno

REDAÇÃO

ORIENTAÇÕES GERAIS

Há, a seguir, três propostas para a produção de seu texto escrito, a partir da concepção de gêneros textuais. Escolha uma delas e desenvolva o seu texto, em prosa, observando atentamente as orientações que acompanham cada proposta. Você deverá se valer das ideias presentes na coletânea desta Prova de Redação (mas sem fazer cópia), bem como de seu conhecimento de mundo e dos fatos da atualidade. Observe que cada proposta se direciona para um gênero específico de texto (artigo de opinião, carta argumentativa e conto fantástico).

• Sua Prova de Redação deverá ter no máximo 30 linhas.
• Se a sua redação não corresponder a um dos gêneros textuais que compõe esta Prova, ela será penalizada.
• Você pode utilizar o espaço destinado para rascunho, mas, ao final, deve transcrever o texto para a folha definitiva da Prova de Redação em Língua Portuguesa no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos.

ATENÇÃO

Esta prova receberá pontuação ZERO caso a redação apresente:
• Fuga ao tema;
• Extensão inferior a sete linhas (incluindo o título);
• Transcrição para a folha definitiva a lápis;
• Letra ilegível/incompreensível;
• Problemas sistemáticos e graves de domínio da norma padrão ou total comprometimento na produção de sentido do texto;
• Sinais inequívocos de que seja cópia da coletânea apresentada ou de outros textos, exceto se usados como recurso de intertextualidade;
• Presença de marcas ou sinais que possam levar à identificação do candidato: nome; sobrenome; pseudônimo; rubrica.

Não assine a Folha de Redação definitiva, tampouco faça nela qualquer marca de identificação: nem com nome, nem com pseudônimo, nem com siglas ou quaisquer outras formas gráficas de sinalização.

COLETÂNEA

TEXTO 1

TSE monta estratégia para combater fabricantes de fake news

Leonardo Cavalcanti, Bernardo Bittar

[...]

De Berlim, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministro Gilmar Mendes, explicou ao Correio que a instituição criou uma “força de trabalho especial para o combate de notícias falsas nas eleições”. Os encontros começaram ainda em 2017 e foram retomados na primeira quinzena de janeiro. “É uma tentativa de, além de combater as fake news, alertar a população para o perigo que elas representam. Então, a ideia é conseguir antecipar situações e encontrar maneiras de prevenir. Com a ajuda de diversos setores, a Academia da Coordenação dos Serviços da Internet está dialogando com o intuito de criar mecanismos eficazes para as eleições de 2018.”

O ministro acredita que, diante de problemas ocorridos nas recentes disputas eleitorais nos Estados Unidos e na França, “o Brasil não pode fingir que isso não vá ocorrer aqui”. Tínhamos reclamações em 2014, mas, agora, com as mudanças da reforma política dando protagonismo à internet, esse campo deve ser ainda mais explorado por quem quer espalhar as fake news. A tentativa de implementar mudanças é necessária, especialmente porque as próprias decisões judiciais perdem efetividade diante da difusão tão intensa das mensagens na rede. Não adianta você mandar tirar uma informação dos sites de busca, por exemplo, porque eles apenas mostram onde está a notícia. E notificar todos os portais com os mandados é um trabalho inglório e pouco palpável.” A segunda reunião do Conselho Consultivo estabelecido pela Presidência do TSE debateu, na última segunda-feira, as novas regras para a propaganda eleitoral na internet, especialmente no que se refere às fake news. A reunião foi conduzida pelo secretário-geral da Presidência do TSE, Luciano Fuck. “É importante passar as informações para juízes, eleitores e candidatos conseguirem diferenciar quais ferramentas são apropriadas, definir o que é o impulsionamento positivo que a legislação permitiu, daqueles outros mecanismos de spam que prejudicam bastante os serviços e que podem prejudicar até os procedimentos das eleições.”

[...]

Na pauta do encontro estiveram os seguintes temas: levantamento da legislação pelo mundo; modelagem Interface de Programação de Aplicativos (API); cartilhas de conscientização e manuais de procedimentos; criação de ambiente virtual para recebimento de denúncias e sugestões; e composição do Conselho Consultivo. De acordo com o secretário-geral do TSE, o foco do Conselho Consultivo não está na punição, mas na prevenção do que pode ser feito para coibir a utilização das fake news durante as eleições de 2018.

O juiz Carlos Alberto Martins, que esteve à frente da Coordenação de Organização e Fiscalização da Propaganda Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) nas últimas eleições, garante que, “com a previsão de que as campanhas vão se fortalecer na internet, as ameaças de fake news aumentam”. Por isso, garante, é importante que o TSE organize e distribua as diretrizes a serem seguidas em 2018. “Temos que contar com esse planejamento, pois, da mesma forma que um rumor não se cria do dia para a noite, os mecanismos de segurança para combatê-los também não.”

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Falcão, doutor em direito eleitoral, “a gente corre o risco de esbarrar em uma legislação muito frágil, porque ainda é tudo novo demais. A primeira vez que um presidenciável teve problemas reais com boatos desmedidos contra candidatos na internet foi nas eleições do Trump, há 14 meses. Há bastante força no tema, principalmente no TSE, mas o combate ainda é um grande mistério. Muito mais de que quem vai ganhar, a grande dúvida é vermos quem vai resistir.”

O diretor executivo da Fundación Para El Nuevo Periodismo Iberoamericano, Ricardo Corredor, acredita que “as notícias falsas não são um fenômeno novo, pois a manipulação e a desinformação existem desde sempre. Nesses momentos do jornalismo, vale lembrar os princípios básicos da profissão: investigação rigorosa com vários pontos de vista, reportagem com fontes primárias, narração verdadeira que busque dar contexto e a perspectiva dos leitores. É uma ética com base na independência, na responsabilidade e na transparência”, afirma Ricardo Corredor, responsável pela instituição criada pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, com sede em Cartagena, na Colômbia.

À frente da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP), Marco Aurélio Ruediger participou da mesa de debate “Propaganda Eleitoral e Bots”, no TSE, apresentando recente pesquisa da instituição sobre interferências de contas automatizadas em momentos-chave da política brasileira. O estudo “Robôs, redes sociais e política no Brasil” identificou que os bots — mecanismos de disseminação de informações eletrônicas — chegaram a responder por mais de 20% das interações ocorridas no Twitter na greve geral de abril do ano passado. Durante as eleições presidenciais de 2014, os robôs geraram mais de 10% do debate. Esse levantamento é um dos pontos de partida para as soluções que o Tribunal Superior Eleitoral busca implementar.

(CAVALCANTI, Leonardo e BITTAR, Bernardo. TSE monta estratégia para combater fabricantes de fake News. Disponível em: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2018/01/22/internas_polbraeco,654720/tse-monta-estrategia-para-combater-fabricantes-de-fake-news.shtml. Acesso em: 25 jan. 2018. Adaptado.)

TEXTO 2

Criminalizar a prática de fake news é a solução?

Luiz Augusto Filizzola D’Urso

No Espírito Santo, ocorreu o indiciamento, pela Polícia Federal, de um empresário capixaba, em razão do compartilhamento de uma pesquisa eleitoral falsa, durante a campanha ao governo do Estado, nas eleições de 2014. Trata-se de um dos primeiros indiciamentos por compartilhamento de fake news ocorrido no Brasil, pois, para os casos de divulgação de pesquisa falsa, essa conduta já é prevista como crime.

O dano provocado pelas fake news é indiscutível, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), preocupado com o tema, já está se mobilizando para monitorar e combater as fake news durante as campanhas para as eleições de 2018. Também a Polícia Federal tem-se ocupado do tema, e cogita apresentar um projeto de lei para criminalizar tal conduta, pois, à exceção da divulgação de pesquisa falsa, a publicação de notícias falsas na internet não é punida criminalmente.

Atualmente, é possível localizar facilmente fake news sendo compartilhadas com a utilização de uma das três redes sociais mais populares dentre os brasileiros (Facebook, Youtube e WhatsApp).

Os brasileiros são os usuários que mais compartilham conteúdo no Facebook, e o Brasil é o segundo país com maior número de usuários no Facebook, em relação ao resto do mundo. Com o costume de compartilhamento, as fake news têm ganhado muito espaço na internet.

As fake news, apesar de serem danosas e mentirosas, proliferam-se, pois o seu criador se aproveita da internet e do compartilhamento irresponsável feito pelos usuários para disseminar notícias falsas.

No entanto, a criminalização da conduta de publicar fake news não solucionará o problema, pois não há comprovação de que a utilização do Direito Penal, para combater um comportamento, resulte em uma redução significativa de sua prática.

Inclusive, mesmo se houvesse a criminalização das fake news, não seria fácil identificar o autor para puni-lo, muito mais complexo seria identificar aqueles que compartilharam. Isso porque, após a viralização, com milhares de compartilhamentos, seria muito difícil ter certeza da origem e autoria da notícia falsa, até porque ela poderia ter sido alterada diversas vezes, durante os milhares de compartilhamentos. Seria muito complexo, também, identificar e punir todos aqueles que compartilharam a falsa notícia de má-fé.

Outro problema nas investigações seria no caso das fake news que se disseminam pelo WhatsApp, pois o aplicativo conta com a criptografia, o que mantém em segredo quem compartilha, impedindo o rastreamento do conteúdo.

Portanto, o combate imediato às fake news deve ser realizado com a colaboração de todos, que devem verificar a informação antes de compartilhá-la ou publicá-la. Assim agindo, irá se verificar uma diminuição na viralização de notícias falsas na internet e uma evolução no combate às fake news, pois de nada adiantará a criação de uma notícia falsa.

Criminalizar essa conduta não será a solução.

(D’URSO, Luiz Augusto Filizzola. Criminalizar a prática de fake news é a solução? Disponível em: http://politica.estadao.com.br/ blogs/fausto-macedo/criminalizar-a-pratica-de-fake-news-e-a-solucao/. Acesso em: 27 jan. 2018. Adaptado.)

TEXTO 3

Mentiras em rede

Editor da Folha de São Paulo

Notícias falsas sempre circularam. Sobretudo nos estratos menos expostos ao jornalismo e a outras formas de conhecimento verificável, boatos encontram terreno para se propagar.

Basta recordar a persistente crença sobre a falsidade das viagens tripuladas à Lua, cujas imagens teriam sido forjadas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). No âmbito nacional, murmurou-se durante anos que o presidente Tancredo Neves fora vítima de um atentado que se dissimulara como doença.

A novidade é que as redes sociais da internet se mostram o veículo ideal para a difusão de notícias falsas. Não apenas estapafúrdias, como seria de esperar, mas às vezes inventadas de modo a favorecer interesses e prejudicar adversários.

A circulação instantânea, própria desse meio, propicia a formação de ondas de credulidade. Estimuladas pelos algoritmos das empresas que integram o oligopólio da internet, essas ondas conferem escala e ritmo inéditos à tradicional circulação de boatos.

Dado que as pessoas, nas redes sociais, tendem a se agregar por afinidade de crenças, não é difícil que os rumores se disseminem sem ser confrontados por crítica ou contraponto.

O melhor antídoto para os males da liberdade de expressão é a própria liberdade de expressão, que tende a encontrar formas de se autocorrigir. E o melhor antídoto contra as falsidades apresentadas como jornalismo é a prática do bom jornalismo, comprometido com a veracidade dos fatos que relata e com a pluralidade de pontos de vista no que concerne às questões controversas.

Numa reportagem que serve como exemplo de jornalismo bem realizado, o repórter Fábio Victor comprovou, no caderno “Ilustríssima” da Folha de São Paulo, que existem no Brasil sites dedicados à exploração comercial de notícias falsas ou distorcidas.

Embora haja remédios legais para reparar os excessos, a maioria dos casos passará despercebida no ruído incessante da internet. E parece improvável que as providências anunciadas às pressas pelo Facebook sejam mais que jogo de cena.

O fenômeno se associa de modo preocupante à política populista de direita que volta a empolgar multidões. Exemplo máximo dessa maré, o presidente norte-americano, Donald Trump, move campanha obstinada contra os veículos dedicados ao jornalismo profissional.

Bastaria isto para ressaltar a que tipo de interesses convém a confusão entre notícia e falsidade. No Brasil, de Jânio Quadros a Fernando Collor e Lula, guerras contra a imprensa são antigo costume dos governantes que não querem prestar contas de seus atos.

(Mentiras em rede. Editorial da Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/02/1862060-mentirasem-rede.shtml. Acesso em: 27 jan. 2018. Adaptado.)

TEXTO 4

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo, em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado. Imagine que você é articulista de uma revista semanal e foi convidado a escrever sobre “Fake News”. Escreva, então, um artigo de opinião em que apresente o seu ponto de vista sobre o tema: Como impedir a disseminação das Fake News? Você deverá usar argumentos convincentes e persuasivos.

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

PROPOSTA 2 – CARTA ARGUMENTATIVA

A carta argumentativa é um gênero textual que permite ao cidadão se manifestar em relação aos problemas sociais. Possui como característica fundamental a persuasão, dada a intenção de o emissor convencer o interlocutor (normalmente uma pessoa responsável ou uma autoridade) a tomar uma atitude no sentido de solucionar um determinado problema.

Imagine que você é um político preocupado com o crescente aumento das notícias falsas disseminadas pela internet, especialmente em ano de eleição. Diante da acirrada discussão sobre o assunto na sociedade, resolve se manifestar. Escreva, então, uma carta argumentativa para o presidente do TSE, apresentando seu ponto de vista sobre o tema: Como impedir a disseminação das fake news? Utilize a coletânea e seus conhecimentos prévios sobre o assunto. Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

PROPOSTA 3 – CONTO FANTÁSTICO

O conto fantástico é um gênero em cuja estrutura há, como na maioria dos contos, apresentação, complicação, clímax e desfecho. Ele se organiza de modo que fatos absurdos aconteçam ao longo da narrativa, criando tensão e suspense e despertando no leitor um estranhamento, provocado pela oposição entre o comum e o insólito, o natural e o sobrenatural.

Imagine a seguinte situação: a publicação de uma fake news provoca uma grande confusão e prejudica a persona gem envolvida na notícia de tal forma que esta resolve descobrir os autores da falsa notícia e se vingar deles. Por meio de um estratagema que envolva uma solução fantástica, a personagem consegue seu intento e desmascara os autores da notícia falsa, impossibilitando, assim, a criação de novas “fake news”. A partir dessa proposta de texto, escreva um conto fantástico em que aborde o tema: Como impedir a disseminação das fake news?

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

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