Redação sobre Racismo

Redação sobre Racismo

Etnias

Redação FGV-RJ 2018

Negros e brancos no mercado de trabalho

Não passa muito tempo sem que a imprensa divulgue alguma pesquisa “demonstrando” que os negros são discriminados no mercado de trabalho. É como se não somente os departamentos de recursos humanos mas todos os departamentos de nossas empresas fossem dirigidos por racistas inveterados. Do tipo que olha para um candidato a algum posto de trabalho e pensa: “É negro, pago menos.” Não há mal-intencionados entre esses pesquisadores, mas a visão é torta.

Vejamos o caso do Instituto Ethos, que luta com muito esforço para promover o conceito de responsabilidade social nas empresas. A cada dois anos, este instituto, em parceria com outras entidades, divulga um estudo sobre a participação do negro nas quinhentas maiores empresas do país. E sempre lamenta, em coro com os jornais, o mau posicionamento do negro no mercado de trabalho. A grande grita sempre gira em torno do fato de que uma parte expressiva das empresas não sabe responder quantos negros há em cada nível funcional. Em 2003, o número era de 27%; em 2006, caiu levemente para 24%. Esses dados sempre são divulgados como indício de que, no Brasil, existe racismo. Um paradoxo.

Quase um terço das empresas demonstra a entidades seriíssimas que “cor” ou “raça” não são filtros em seus departamentos de RH e, exatamente por essa razão, as empresas passam a ser suspeitas de racismo. Elas são acusadas por aquilo que as absolve. Tempos perigosos, em que pessoas com ótimas intenções não percebem que talvez estejam jogando no lixo o nosso maior patrimônio: a ausência de ódio racial. (...)

Não, nada é simples. O mal deste país não é o racismo. Ele existe aqui, como em todo lugar, mas, entre nós, nem de longe se transformou na marca de nossa identidade. Sempre nos orgulhamos do nosso ideal de nação, um país de miscigenados, em que o próprio conceito de raça faz pouco sentido. (...)

O nosso problema não é o racismo, mas a pobreza e o modelo econômico que, ao longo dos anos, só fez concentrar a renda: os que eram pobres permaneceram pobres ou ficaram mais pobres; e os que eram ricos, ricos ficaram ou enriqueceram ainda mais.

O Brasil deveria estar unido para resolver esse problema, distribuindo renda e investindo maciçamente em educação. Quando os pobres deste país tiverem uma educação de qualidade, todos terão a mesma chance no mercado de trabalho. E as distorções entre brancos e negros terão um fim.

Ali Kamel, Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor. RJ, Nova Fronteira, 2006. (Excerto).
Ali Kamel, Diretor de Jornalismo da Rede Globo.

Diferença de renda entre brancos e negros cresce com o desemprego.

O avanço do desemprego fez a desigualdade de renda entre brancos e negros voltar a crescer, interrompendo um processo de redução que se iniciara na década passada.

Entre 2015 e o primeiro trimestre deste ano, a remuneração recebida por brancos em todos os trabalhos teve variação positiva de 0,8%. Já o rendimento de pardos caiu 2,8% no período, e o de pretos, 1,6%, de acordo com dados e classificação do IBGE. (...)

O impacto da recessão econômica foi maior sobre negros do que sobre brancos porque eles estão concentrados no setor informal, mais vulnerável a oscilações, mas também, segundo especialistas, pela sobrevivência de uma visão racista no mercado de trabalho, à qual profissionais qualificados no setor formal não estão imunes. (...)

“Além de serem preferencialmente demitidos, os negros também são preferencialmente recusados”, afirma Caio Magri, presidente do Instituto Ethos, que desde 2001 estuda o perfil racial e de gênero das quinhentas maiores empresas com atuação no Brasil.

Segundo a edição mais recente do estudo, publicada em 2016, os negros concentram-se nos níveis de aprendiz (57,5%), estagiário (28,8%) e trainee (58,2%), cenário que reflete a ampliação do acesso ao ensino superior, resultado das políticas de financiamento Pro Uni e Fies.

Conforme se sobe na hierarquia empresarial, porém, o porcentual de negros cai para 6,3% no nível de gerência, 4,7% no quadro executivo e 4,9% no conselho de administração, aponta o estudo. “Existe uma percepção cultural inconsciente de que, para uma mesma tarefa, o branco vai ser melhor que o negro”, diz o diretor do Ethos.

Um exemplo recente do que Magri se refere foi denunciado pelo presidente da filial brasileira da multinacional Bayer, Theo van der Loo. Segundo o executivo, um conhecido negro “com uma excelente formação e currículo” foi reprovado em processo seletivo por sua cor.

‘’Quando o entrevistador viu sua origem étnica, disse à pessoa de RH que ele não sabia deste detalhe e que não entrevistava negros!”, afirmou em rede social.

O profissional, que atua na área de tecnologia da informação, afirmou em entrevista à “BBC Brasil” que essa não foi a primeira vez que foi vítima de racismo em sua carreira – já foi chamado de “macaco” e ouviu que tinha sorte por “não ser burro”.

Fernanda Perrin, Repórter de Economia. Folha de S. Paulo. 20.05.2017. (Excerto).

Os textos aqui reproduzidos apresentam visões opostas da questão do racismo no Brasil. Com base nas ideias neles veiculadas, bem como em outras informações que você considere pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você apresente seu ponto de vista sobre o tema

Brasil: país sobretudo orgulhoso de sua miscigenação ou predominantemente racista?

Redação ENEM 2016

TEXTOS MOTIVADORES

TEXTO I

Ascendendo à condição de trabalhador livre, antes ou depois da abolição, o negro se via jungido a novas formas de exploração que, embora melhores que a escravidão, só lhe permitiam integrar-se na sociedade e no mundo cultural, que se tornaram seus, na condição de um subproletariado compelido ao exercício de seu antigo papel, que continuava sendo principalmente o de animal de serviço. [...] As taxas de analfabetismo, de criminalidade e de mortalidade dos negros são, por isso, as mais elevadas, refletindo o fracasso da sociedade brasileira em cumprir, na prática, seu ideal professado de uma democracia racial que integrasse o negro na condição de cidadão indiferenciado dos demais.

RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995 (fragmento).

TEXTO II

LEI N° 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989

Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor

Art. 1° — Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 25 maio 2016 (fragmento).

TEXTO III

TEXTO IV

O que são ações afirmativas

Ações afirmativas são políticas públicas feitas pelo governo ou pela iniciativa privada com o objetivo de corrigir desigualdades raciais presentes na sociedade, acumuladas ao longo de anos.
Uma ação afirmativa busca oferecer igualdade de oportunidades a todos. As ações afirmativas podem ser de três tipos: com o objetivo de reverter a representação negativa; para promover igualdade de oportunidades; e para combater o preconceito e o racismo.

Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade que as ações afirmativas são constitucionais e políticas essenciais para a redução de desigualdades e discriminações existentes no país.

No Brasil, as ações afirmativas integram uma agenda de combate à herança histórica de escravidão, segregação racial e racismo contra a população negra.

Disponível em: www.seppir.gov.br. Acesso em: 25 maio 2016 (fragmento).

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema "Caminhos para combater o racismo no Brasil", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Redação Mackenzie 2012

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

Ao ler-se em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura “cigano” significa “aquele que trapaceia, velhaco”, entre outras coisas do gênero, ainda que deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou, ainda, que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação.

Cléber Eustáquio Neves, procurador

Texto II

Agora há novamente paladinos da sociedade perfeita, o que lá seja isso, que querem censurar dicionários. De vez em quando, aparece um desses. Censurar a lexicografia é uma curiosa inovação. Dicionário é um trabalho lexicográfico, não uma peça normativa. O lexicógrafo não concorda ou discorda do uso de uma palavra ou expressão qualquer. Obedecendo a critérios tão objetivos e neutros quanto possível, constata o uso dessa palavra ou expressão e tem a obrigação de registrá-la. Eliminar do dicionário uma palavra lexicograficamente legítima não só é uma violência despótica, como uma inutilidade, pois a palavra sobreviverá, se tiver funcionalidade na língua, para que segmento seja. João Ubaldo Ribeiro, escritor

Texto III

O Ministério Público entendeu que houve racismo nos itens 5 e 6 do verbete “cigano” e, por isso, entrou com uma Ação Civil Pública contra a Editora Objetiva, que publica o Dicionário Houaiss, e contra o Instituto Antônio Houaiss. O MPF espera conseguir na justiça uma indenização por dano moral coletivo e a retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do dicionário que apresentem as expressões que depreciam os ciganos. A significação atribuída pelo Houaiss aos ciganos violaria o artigo 20 da Lei 7.716/89, que tipifica o crime de racismo.

Adaptado do portal de notícias newsrondonia.com.br

Texto IV

Quando a gente pensa que já viu tudo, não viu. Faz algum tempo, dentro do horroroso politicamente correto que me parece tão incorreto, resolveram castrar, limpar, arrumar livros de Monteiro Lobato, acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da cozinheira Tia Nastácia. [...] Se formos atrás disso, boa parte da literatura mundial deve ser deletada ou “arrumada”. Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere a raça e pessoas, embora tenhamos uma banda Raça Negra, grupos de Teatro Negro e incontáveis oficinas, açougues, borracharias “do Negrão”, como “do Alemão”, “do Portuga” ou “do Turco”. Vamos deletar as palavras. Quem sabe, vamos ficar mudos, porque ao mal-humorado essencial, e de alma pequena, qualquer uma pode ser motivo de escândalo.

Lya Luft, escritora

Redação  ACAFE 2009

O Homo sapiens europaeus é branco, sério e forte. O Homo sapiens asiaticus é amarelo, melancólico e avaro. O Homo sapiens afer é negro, impassível e preguiçoso. E o Homo sapiens americanus é vermelho, mal-humorado e violento.

Essa caracterização da espécie humana, proposta, em 1767, pelo naturalista sueco Carl Linnaeus (1707-78), marca a primeira divisão "científica" da humanidade em "raças". Somado a crenças ancestrais e estudos científicos posteriores, o trabalho de Linnaeus colaborou para a consolidação do conceito de que a humanidade se divide em "raças" e para a justificação de todos os subprodutos dessa lógica, como o racismo.

“Tratar um indivíduo com base na cor da sua pele ou na sua aparência física é claramente errado, pois alicerça toda a relação em algo que é moralmente irrelevante com respeito ao caráter ou ações daquela pessoa", afirma o doutor em genética humana Sérgio Pena, no livro Humanidade sem raça.

Disponível in: http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u451586.sht ml. Acesso em: 23/10/2008. Adaptado.

Considerando as informações acima e a posição de Sérgio Pena, escreva uma redação sobre “a caracterização da espécie humana em raças”.

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