Redação sobre Pobreza

Redação sobre Pobreza

Redação Puc-RS 2015

TEMA 1

Moradores de rua X Circulação pública

Não é trabalho dos mais difíceis encontrar estruturas que impeçam a presença de moradores de rua junto a prédios na área central de Porto Alegre. Mesmo em regiões mais afastadas do Centro Histórico, é possível achar estratégias variadas para afastar essa população, normalmente sob o pretexto de que exalam mau cheiro e deixam os locais sujos.

O caso de uma grade instalada para impedir a presença de sem-tetos sob a marquise de um prédio da Rua da República, no bairro Cidade Baixa, levantou o debate nas redes sociais sobre a rejeição à presença de moradores de rua.

Fragmento adaptado de: http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2014/08/ estruturas-antimoradores-de-rua-se-espalham-por-porto-alegre-4574237.html. Acesso em 21 ago. 2014


Se escolher o tema 1, você deverá apresentar o seu ponto de vista sobre a instalação de estruturas antimoradores de rua em calçadas e demais ambientes públicos.

TEMA 2

Ajuda X Esmola

Foi de uma premissa simples que as amigas Luana Flôres, 30 anos, Helena Legunes, 22 anos, e Laura Camardelli Brum, 24 anos, iniciaram o projeto que espalha cabides pela cidade para que as pessoas deixem roupas e agasalhos: “se você precisa, é seu”. Para reproduzir o Amor no cabide, as idealizadoras recomendam que as roupas não sejam penduradas em árvores e fiquem ao abrigo da chuva. O projeto foi copiado em cidades do interior e de outros estados, como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Adaptado de: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/07/ iovens-espalham-cabides-nas-ruas-para-doacao-de-agasalhos-4558281.html.Acesso em 22 ago. 2014.

Você considera projetos como Amor no cabide uma medida efetiva ou paliativa para amenizar os problemas sociais no País?

Redação Puc-Goiás 2014

COLETÂNEA

TEXTO 1

Dilma Diz que ‘Falta Pouco’ para Brasil Erradicar a Miséria

Priscilla Mendes

A presidente Dilma Rousseff disse que “falta pouco” para o Brasil erradicar a miséria. Ao anunciar a ampliação do programa Bolsa Família para quem vive com menos de R$ 70 por mês, Dilma citou que se trata de um dos momentos mais importantes de sua gestão.

“Não estamos dizendo que não existem mais brasileiros extremamente pobres ou destituídos da condição de vida digna. Infelizmente, ainda existe. Nós sabemos disso. É necessário incluí-los para que recebam o benefício a que têm direito. Por isso falamos em busca ativa. É necessário encontrá-los. O estado deve ir atrás. Não deve esperar que esse brasileiro bata a nossa porta. O que estamos garantindo aqui hoje é que o mais difícil já foi feito. Falta pouco para que não haja mais brasileiros mergulhados na miséria”, disse a presidente.

[...]

Ela citou que, após erradicar a miséria, o Brasil precisa alcançar outras metas, como emprego de qualidade.

“Estamos virando uma página decisiva na nossa longa história de exclusão social que tem a marca perversa da escravidão. Outras páginas precisam ser viradas. Como acesso a emprego de qualidade, por isso, os cursos de capacitação.”

[...]

(MENDES, Priscilla. Dilma diz que ‘falta pouco’ para Brasil erradicar a miséria. Disponível em: http://g1.globo.com/politica/ noticia/2013/02/dilma-diz-que-falta-pouco-para-brasil-erradicar-miseria.html. Acesso em: 25 jul. 2013.)

TEXTO 2

Notícia de Jornal

Fernando Sabino

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia da Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homemmorreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.

Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que aprodecesse, para escarmento do outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da Cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

(SABINO, Fernando. Notícia de jornal. In: ______. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Sabiá, 1962. p. 37-38.)

TEXTO 3

A Miséria da Superação

Cristovam Buarque

A presidenta Dilma Rousseff anunciou que, nos últimos anos, cerca de 22 milhões de brasileiros superaram a miséria. Os números podem estar certos, mas o conceito de superação está errado. Superar é saltar, uma conotação muito diferente do que suspender provisoriamente uma condição.

A realidade é que 22 milhões de brasileiros passaram a receber, a partir de 2011, o valor de R$ 70 mensais por transferência de renda. Essas transferências representam um raro gesto de generosidade da parcela rica para os pobres do Brasil.

É certo que essa generosidade já estava presente no gesto do governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, no regime militar, com a criação da Previdência Social Rural/Prorural, em 1971. Podemos citar também a criação da Bolsa-Escola no Distrito Federal e em Campinas, em 1995. A ampliação deste programa, em 2001, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, para 4 milhões de famílias beneficiadas, só fez crescer a generosidade.

Mas foi o presidente Lula quem deu o salto para 12 milhões de famílias, ao colocar o programa como centro de sua política social, reunindo no Bolsa Família todos os programas de assistência social do governo federal. A presidenta Dilma não apenas ampliou o número de beneficiados, como complementou a rede de proteção social com os programas Brasil sem Miséria (2011) e Brasil Carinhoso (2012).

Graças a isso, o número de famílias em condições de penúria extrema, de desnutrição crônica, diminuiu substancialmente nos últimos 20 anos.

Primeiro, cabe observar que os 22 milhões de brasileiros que são apresentados como tendo superado a miséria recebem R$ 70 por mês. Isso equivale a R$ 2,34 por dia para uma família de cinco pessoas ou 1,4 pão por dia para cada um dos membros. Não são mais os retirantes que a fome expulsava de suas terras por comida, mas ainda não é possível afirmar que saíram da miséria.

Bastaria uma inflação de 8% ao ano para que, em quatro anos, os atuais R$ 70, sem reajuste, passassem a valer R$ 51,45, o que não compraria nem mesmo um pão por dia para cada membro da família.

Segundo, é grave a ilusão de que a miséria pode ser superada sem se assegurar a estrutura que permita o salto sem volta. Mesmo com a renda do Bolsa Família, os beneficiados permanecerão na mesma situação social. Continuarão sendo cidadãos sem educação, sem esgoto, sem água potável e sem condições de empregabilidade. Isso não é superação.

Terceiro, apesar de mitigar o sofrimento, o programa Bolsa Família não abre a porta de saída da extrema pobreza, não abole a miséria nem provoca um salto social sem retrocesso. Embora o governo não informe, há grande possibilidade de que alguns dos atuais pais beneficiados pelo Bolsa Família tenham sido crianças de famílias com a bolsa.

Cria-se um círculo que nega totalmente o conceito de superação aplicado aos resultados obtidos. Prova disso é que o governo comemora o aumento do número dos que recebem o Bolsa Família. Não comemora, no entanto, a redução do número dos que necessitam da transferência de renda do governo para compensar o que a estrutura social e econômica não faz para superar a miséria de forma sustentável, com mudanças estruturais e escola de qualidade para todas as crianças.

Ao dizer que houve superação da miséria, a presidenta corrompe o dicionário. Cria a ilusão que pode acomodar o espírito de solidariedade transformadora de que o país precisa. Todos sonham com a superação da miséria, não com o conceito de superação empobrecido.

(BUARQUE, Cristovam. A miséria da superação. Folha de S. Paulo. 1 mar. 2013. Disponível em: http://www1.folha. uol.com.br/fsp/opiniao/96263-a-miseria-da-superacao. shtml. Acesso em: 17 ago. 2013.)

TEXTO 4

ONU: Brasil Vai Acabar com a Miséria Extrema

Pedro Peduzzi

O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Jorge Chediek, disse que o Brasil conseguirá cumprir uma das principais promessas da presidenta Dilma Rousseff e tirar toda a população da pobreza extrema. Ele falou depois de conhecer o estudo Vozes da Nova Classe Média, divulgado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Segundo ele, as políticas do governo brasileiro para a nova classe média influenciarão a Organização das Nações Unidas (ONU).

“Vemos que políticas públicas sociais e econômicas farão com que o Brasil atinja o resultado de 100% de redução da pobreza extrema. E a ONU tem um compromisso assumido de combate à pobreza. Pensamos muito nisso, mas [pensamos] pouco no ponto de chegada, que é a classe média. É muito útil o Brasil estar pensando neste ponto de chegada”, disse o representante do PNUD.

Para Jorge Chediek, os números apresentados pelo estudo “são impressionantes”. Ele avalia que a formalização do emprego foi fundamental para os bons resultados. “O que mais melhorou a situação do país foi a criação de empregos. [Também] por isso é muito importante conhecer a classe média”, acrescentou. “A presidenta Dilma Rousseff disse que quer fazer do Brasil um país de classe média. Queremos influenciar a política e ampliá-la para fazer, também do mundo, um mundo de classe média”.

O estudo Vozes da Nova Classe Média mostra a contribuição do empreendedor para a expansão da nova classe média brasileira. Tem como um dos destaques o aumento na formalização dos empregos. Entre as conclusões que há no estudo está a de que 40% dos postos de trabalho disponíveis foram gerados a partir de pequenos negócios.

(PEDUZZI, Pedro. ONU: Brasil vai acabar com a miséria extrema. [s. l.] 29 abr. 2013. Disponível em: http://www. brasil247.com/pt/247/brasil/100250/. Acesso em: 25 jul. 2013. [Adaptado].)

TEXTO 5

O Fim da Miséria?

J. R. Guzzo

O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. [...]

[...] A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela – uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.

Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.

O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais – mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.

Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.

(GUZZO, J. R. O fim da miséria? Revista Exame. 14 fev. 2013. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revistaexame/edicoes/1035/noticias/o-fim-da-miseria. Acesso em: 17 ago. 2013.)

TEXTO 6

(SILVA, Newton. Aliciando no país das maravilhas. Disponível em: http:// newtonsilva.blogspot.com.br/2013/03/aliciando-no-pais-das-maravilhas.html. Acesso em: 27 jul. 2013.)

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustenta a defesa do ponto de vista apresentado. Imagine que você é um economista e foi convidado por um jornal de circulação nacional para escrever sobre o tema: Combate à Miséria no Brasil: Realidade ou Mito? Escreva, então, um artigo de opinião, em que apresente seu ponto de vista sobre o tema.

PROPOSTA 2 – DISCURSO POLÍTICO

O discurso político é um gênero de caráter argumentativo, fundamentado em pontos de vista do autor ou de enunciadores que ele representa e por informações que traduzem valores sociais, políticos, religiosos e outros.

Imagine que você é candidato a vereador de uma grande metrópole e foi convidado para participar de um evento público de repercussão nacional em que se discute a desigualdade social no Brasil. Você deverá, em seu discurso, abordar o tema: Combate à Miséria no Brasil: Realidade ou Mito? Escreva um discurso político para ser lido na abertura do evento, considerando as marcas de interlocução peculiares ao gênero na construção do seu texto. Apresente argumentos convincentes.
Não identifique o autor do texto.

PROPOSTA 3 – CRÔNICA

Você é cronista de um jornal diário e procura uma notícia que possa inspirar-lhe a produção de seu texto. Ao ler em diferentes mídias sobre o combate à miséria no Brasil, tem uma ideia para sua crônica: escrever a partir do ponto de vista de personagens que vivem em situação de miséria absoluta e para os quais se direciona o programa Brasil Sem Miséria do Governo Dilma. Escreva, então, uma crônica, representando o seu ponto de vista sobre o tema. Em seu texto, deverá aparecer a situação inicial de miséria extrema dos personagens e o que acontece com eles após serem incluídos no programa do Governo.

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