Redação sobre o Meio Ambiente

Redação sobre o Meio Ambiente

Danos ao Meio Ambiente

Problemas Ecológicos

TEMA 1

Os danos ao meio ambiente são uma das consequências inevitáveis do progresso e de melhorias no padrão de vida da população. Exemplificando: à medida que a necessidade por mais terras e mais alimentos aumenta, mais florestas são destruídas.

Você concorda com essa afirmação? Em outras palavras, será que o progresso necessariamente implica em danos ao ambiente? Elabore uma redação. Lembre-se: independentemente da posição que você tomar, você deve apresentar fatos e argumentos para sustentá-la. O importante não é ser politicamente correto, e sim, discutir o assunto de forma inteligente, utilizando conhecimentos e argumentos persuasivos para sustentar sua posição.

TEMA 2

Hoje, o mundo está muito mais consciente a respeito da Ecologia e de problemas ecológicos do que estava no passado. Será que ainda há tempo para preservar o planeta ou foram feitos danos irreparáveis ao meio ambiente? Elabore uma redação que responda a essa pergunta.

TEMA 3

Em muitas partes do mundo, recursos naturais importantes, como florestas, a fauna, a flora e os recursos hídricos, estão sendo perdidos. Escolha um recurso natural que está sendo destruído e explique por que ele, mais do que outros, precisa ser salvo. Utilize exemplos específicos para sustentar sua opinião.

Redação Acafe 2020

Considerando seus conhecimentos e os textos 1 e 2, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre: A falta de controle de incêndios e queimadas florestais pode gerar a extinção de ecossistemas.

TEXTO 1

Usando dados de satélite, a Reality Check Team, equipe de checagem da BBC, analisou o que ocorreu em quatro áreas: Brasil, Sibéria Indonésia e África Central. A conclusão é que, embora os incêndios deste ano tenham causado danos significativos ao meio ambiente, eles já foram piores no passado.

Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/09/09/numero-de-incendios-florestais-no-mundo-em-2019-e-umrecorde.htm?cmpid=copiaecola, acesso outubro 2019.

TEXTO 2


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49633696 Greenpeace, acesso em outubro 2019


Disponível em: https://www.google.com/searchq=queimadas+e+biodiversidade&sxsr, acesso em outubro 2019

A Sibéria, um dos lugares mais frios do mundo, está em chamas. A Amazônia, um dos lugares mais úmidos do mundo, está em chamas.

Redação Puc-Goiás 2020

COLETÂNEA

TEXTO 1

O que o Brasil ganha com as mudanças climáticas

Marcos Buckeridge

[...]

Evidências científicas mostram que até meados de 2040 o mundo deverá atingir a marca de 1,5 ºC de elevação na temperatura, caso continuemos emitindo gases de efeito estufa como ainda fazemos hoje.

As pessoas perguntam: mas o que significa para mim essa pequena variação de 1 ºC? De fato, 1 ºC ou mesmo 1,5 ou até 3 ºC podem significar muito pouco se considerarmos nossas preferências pessoais. Porém, uma variação na temperatura média mundial de 1,5 ºC implica variações de temperatura, chuvas e vários eventos climáticos bem mais amplos e intensos do que o significado pessoal de 1,5 ºC.

Os efeitos climáticos são, sobretudo, o que os climatologistas chamam de eventos extremos, ou seja, mudanças no clima local que provocam enchentes, secas, ondas de calor etc. A frequência desse tipo de evento já vem aumentando em vários lugares do Planeta. Em outras palavras, teremos um maior número de noites quentes, maior frequência de tempestades, maior probabilidade de ocorrência de eventos mais fortes como furacões e tornados. Tudo isso exacerba os riscos relacionados à saúde humana, infraestrutura das cidades, agricultura e muitos outros setores da sociedade. [...]

No Brasil, alguns dos efeitos das mudanças climáticas podem ser considerados como grandes problemas, mas por outro lado poderiam se transformar em oportunidades.

A devastação da Amazônia é o primeiro grande foco de problema, não só para os brasileiros, mas para o mundo. Já está bem estabelecido cientificamente que a maior floresta tropical do mundo tem um papel fundamental na estabilidade do clima em várias regiões do Planeta. [...] É fácil imaginar o que aconteceria se a Floresta Amazônica desaparecesse. Simplesmente não teríamos água suficiente para produzir alimentos e bioenergia. Por outro lado, há mecanismos que dão suporte a estratégias de manutenção da floresta. Um deles é chamado de REDD+ – Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação florestal, com o + significando: a) conservação dos estoques de carbono florestal; b) manejo sustentável de florestas e c) aumento dos estoques de carbono florestal. O REDD+ recebe financiamento internacional e tem tido relativo sucesso no Brasil. Como o Brasil é pioneiro no uso dessa estratégia, pode aperfeiçoá-la antes que outros países o façam. A vantagem é preservar a Amazônia e com isso evitar que nossa agricultura pereça, o que em si já é importante. Com o aperfeiçoamento e o domínio de uso do REDD+, o Brasil poderia assessorar outros países a fazerem o mesmo em suas florestas. E também usar o conhecimento como estratégia de ganhos de mercado como dominadores da tecnologia. Saber como usar o REDD+ com eficiência pode ser uma grande vantagem tecnológica e social, ajudando a diminuir a pobreza e, ao mesmo tempo, estimulando a formação de empresas que tragam divisas para nós.

O segundo grande foco está relacionado com as mudanças climáticas associadas ao aumento de temperatura e suas consequências para a agricultura. [...] na medida em que eventos extremos de seca ou excesso de chuvas se tornem cada vez mais intensos e frequentes, as perdas na agricultura poderão ser significativas. [...]

[...] A ciência da Agrometeorologia1 brasileira é forte e já vem fazendo os cálculos. Paralelamente, será necessário intensificar as aplicações tecnológicas que permitam adaptar as plantas que usamos como culturas agrícolas para que enfrentem mais facilmente os extremos de secas e alagamentos. Para isso, temos que lançar mão da genética e das novas técnicas de biologia molecular, que podem permitir o redesenho de genomas e, dessa forma, ajustar as respostas das plantas o mais rapidamente possível. [...]

As cidades são o terceiro grande foco. Até 2040, 90% da população mundial estará vivendo em cidades. Essa urbanização intensa vem criando condições artificiais geradas pelas ações humanas que aumentam consideravelmente a vulnerabilidade das populações.

As cidades formam ilhas de calor e, ao mesmo tempo, apropriam-se dos ecossistemas ao seu redor. Se houver florestas, elas são normalmente destruídas ou severamente transformadas. Se houver mar, os seres humanos constroem ao longo da costa, alteram os ecossistemas marinhos de várias formas por meio da poluição. Ainda que as cidades sejam uma forma de melhorar vários aspectos da vida humana (melhor acesso à comida, energia e outros bens), o outro lado é que há aumento na poluição, na violência e outros aspectos negativos. Um aumento de temperatura no Planeta que seja capaz de alterar a produção e qualidade da comida, que tenha potencial de gerar desastres (enchentes e escorregamentos de encostas), pode causar caos nas cidades. Algumas das cidades globais mais importantes do mundo (Nova York, Londres e Paris, por exemplo) já vêm investindo significativamente em adaptações às mudanças climáticas. No Brasil, megalópoles como São Paulo e Rio de Janeiro já começaram a investir. [...]

O quarto foco é a produção de energia. O Brasil tem a matriz energética com a maior proporção de renováveis do Planeta. Temos alta proporção de energia que vem das hidroelétricas e temos o etanol combustível distribuído em escala nacional. Fomos pioneiros e somos um exemplo para o mundo nesse aspecto. Porém, espera-se que a demanda por energia aumente muito nos próximos anos, de forma que precisaremos aumentar sua produção. No caso das hidrelétricas, o limite já foi atingido. Porém, o etanol ainda poderia ser expandido consideravelmente,  sem efeitos sobre biomas preservados ou sobre a produção de alimentos. [...]

Nos quatro casos, que são estratégicos para as próximas décadas no Brasil, não podemos ficar à mercê de estratégias de governo. São necessárias, impreterivelmente, estratégias de Estado. Não parece haver opção, sejam diferentes governos ou governos de um mesmo partido. O Brasil precisa entender que há estratégias que não podem depender de orientações ideológicas. As adaptações terão de ser executadas e aperfeiçoadas por décadas para o País se tornar viável para as gerações futuras.

[...]

(BUCKERIDGE, M. O que o Brasil ganha com as mudanças climáticas. 25/02/2019. Disponível em: https://jornal.usp.br/ artigos/o-que-o-brasil-ganha-com-as-mudancas-climaticas/. Acesso em: 20 jul. 2019. Adaptado.)

1Agrometeorologia é o ramo da agronomia que estuda a interação dos fenômenos meteorológicos e seus impactos na cadeia produtiva do sistema agropecuário.

TEXTO 2

Mudanças climáticas: riscos e oportunidades

Jorge Soto

[...]

[...] representantes de diversos países concluíram, em 15 de dezembro, o chamado “Pacote do Clima de Katowice”, com o “Livro de Regras” para implementação do Acordo de Paris, que entrará em vigor em 2020.

O documento, resultado de negociações que atravessaram dias durante a COP 24 (24ª Conferência das Partes da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima de 2018), estabelece mecanismos importantes para o acompanhamento transparente dos esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa por todos os países. [...]

[...]

Infelizmente não houve espaço político na COP 24 para ampliar a ambição de forma coletiva. Apenas alguns poucos países anunciaram que, já em 2020, vão rever suas metas (incluindo União Europeia, Argentina, México e Canadá). Também se esperava mais quanto ao estabelecimento das regras para os incentivos econômicos à redução de emissões, e não houve acordo para a definição de como será implementado o “Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável” estabelecido no artigo 6 do Acordo de Paris.

Tais pendências deixam clara a importância da atuação de outros atores, além dos governos. Uma percepção que está cada vez mais forte inclusive no meio empresarial brasileiro. Várias empresas e organizações, como Pacto Global, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Ethos e a Iniciativa Empresarial pelo Clima (IEC), entre outros, estiveram lá para mostrar, com suas ações e resultados, que seu compromisso de redução das emissões dos gases de efeito estufa deve ser compreendido, não apenas como gestão de risco, mas também como busca de oportunidades de negócios. O setor químico esteve lá mais uma vez. Talvez poucos saibam, mas o Brasil é sede do maior produtor mundial de biopolímeros. As companhias querem ser parte da solução.

O relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também indica que, para limitarmos o aumento de temperatura a 1,5 °C, deveríamos reduzir as emissões globais em 45% até 2030 em relação a 2010. O problema é que o aumento de temperatura já alcançou 1 °C, e as emissões continuam subindo. Portanto, este é o momento de governos, empresas e outros setores da sociedade passarem a buscar, com o uso da inovação, como sair do olhar negativo da ameaça para focar o lado positivo das oportunidades.

O Brasil possui uma matriz energética das menos intensivas em carbono fóssil do mundo e é um dos países com maior produtividade de biomassa. Essas características podem potencializar a competitividade brasileira no mercado global e reforçar a posição de liderança do Brasil no movimento pela economia de baixo carbono. O País tem nas mãos a chance de se tornar referência, liderar o movimento para conter as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, fazer sua economia voltar a crescer. Vamos deixar escapar essa oportunidade?

(SOTO, J. Mudanças climáticas: riscos e oportunidades. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/01/ mudancas-climaticas-riscos-e-oportunidades.shtml. Acesso em: 20 jul. 2019. Adaptado.)

TEXTO 3

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo, em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado.

Imagine que você é articulista de um jornal de circulação nacional e foi convidado(a) a escrever sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Escreva, então, um artigo de opinião em que apresente o seu ponto de vista sobre o tema: Qual o papel do Brasil para conter os impactos negativos das mudanças climáticas? Você deverá usar argumentos convincentes e persuasivos. Utilize a coletânea (sem dela fazer simples cópia) e seus conhecimentos prévios sobre o tema.

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

PROPOSTA 2 – CARTA ARGUMENTATIVA

A carta argumentativa é um gênero textual que permite ao cidadão se manifestar em relação às questões sociais. Possui como característica fundamental a persuasão, dada a intenção de o emissor convencer o interlocutor (normalmente uma pessoa responsável ou uma autoridade) a tomar uma atitude no sentido de solucionar uma determinada questão.

Imagine que você é um(a) cientista preocupado(a) com os riscos das mudanças climáticas no mundo. Diante da acirrada discussão sobre o assunto na mídia brasileira, resolve se manifestar. Escreva, então, uma carta argumentativa para o Ministro do Meio Ambiente, apresentando seu ponto de vista sobre o tema: Qual o papel do Brasil para conter os impactos negativos das mudanças climáticas? Utilize a coletânea (sem dela fazer simples cópia) e seus conhecimentos prévios sobre o tema. Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes.

NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO

Redação Puc-Goiás 2015-2

COLETÂNEA

TEXTO 1

Apelo à sapiência

Felipe Martini

Maldito foi o homem que pediu ao inventor King Camp Gillette, em 1901, que criasse algo que fosse usado apenas uma vez para que o cliente comprasse mais produtos. Assim surgiram as lâminas de barbear descartáveis. Essa inovação, no começo, não fez muito sentido para a maioria das pessoas, que só compreendiam a existência de objetos duráveis, como uma navalha. Naquele contexto, Camp não criou apenas um produto prático de higiene pessoal, mas foi ele o primeiro a materializar um conceito fundamental do sistema capitalista: a cultura do descartável.

A consolidação dos descartáveis trouxe conforto, mas com ela veio atrelado um dos maiores problemas da sociedade contemporânea: as toneladas de detritos produzidos diariamente. Lixo não é algo novo, ele tem uma longa história, possuindo muitos significados que revelam valores de diversas culturas. Na China antiga, qualquer pedaço de papel com algo escrito possuía valor e não deveria ser jogado fora, embora pudesse ser queimado, através de um ritual. Na Itália, uma das regiões mais urbanizadas no fim da Idade Média, o controle de lixo já tinha grande importância. Em Siena, a municipalidade alugava porcos para comer os detritos e manter as ruas relativamente limpas. Entretanto, os padrões de higiene urbana, incluindo a questão do lixo, declinaram significativamente após 1800, com o crescimento das primeiras cidades industriais.

A efemeridade imposta pela pós-modernidade e a baixa vida útil dos aparelhos tecnológicos catalisam o caos da situação. Vivemos num período em que tudo fica rapidamente obsoleto. É uma crise da relação entre homem e objeto, quebrando-se a ligação afetiva e sentimental. Infelizmente, descartar tornou-se um hábito contemporâneo. É difícil ir contra a corrente quando o baixo custo dos produtos derivados de plásticos atrai o consumidor, e a indústria desenvolve artigos que tenham prazo diminuto de validade, de forma proposital, para manter a economia aquecida. A cultura do descartável não engloba apenas essa condição material da produção e lógica de mercado; ela consolidou-se como comportamento quase intrínseco do ser humano. É agora, momento em que o homem está mais sapiens do que em qualquer momento da história, que devemos nos perguntar: o que faremos quando acabar o “fio da navalha” de nossos recursos naturais?

(MARTINI, Felipe. Apelo à sapiência. Disponível em: http://www.eusoufamecos.net/editorialj/apelo-a-sapiencia/. Acesso em: 14 jan. 2015. Adaptado.)

TEXTO 2

A cultura do descartável

André pasquale e Igor Grossmann

Repensar a relação com o lixo não é uma utopia ambiental, mas sim uma necessidade urgente. Após a Segunda Guerra Mundial, avanços técnicos e científicos alavancaram a vida e o conhecimento humano a patamares jamais imaginados. Uma infinidade de aparatos tecnológicos passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. Hoje, há conforto material e agilidade para os afazeres diários. O aumento da produção de bens gera maior descarte de resíduos sólidos. [...]

Os brasileiros produzem 183 mil toneladas de detritos urbanos diariamente, e mais de um milhão de pessoas trabalham e sobrevivem da reciclagem desse material. Apesar disso, o País perde quando objetos com possibilidade de reciclagem são descartados incorretamente: “O Brasil deixa de ganhar 8 bilhões de reais por ano por não reciclar tudo que pode. [...] A reciclagem se legitima ao preservar recursos naturais não renováveis e ao possibilitar que pessoas que vivem à margem da sociedade recuperem sua dignidade.

Após quase 20 anos de tramitação no Congresso brasileiro, a política Nacional de Resíduos Sólidos foi sancionada em agosto de 2010 pelo presidente da República. O texto prevê, entre outras diretrizes, que empresas se encarreguem do destino final do seu lixo eletrônico. Um destaque da lei é a logística reversa, que compartilha a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos entre consumidores, produtores, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Assim, todos são responsáveis pelo descarte correto de seus detritos. [...]

(PASQUALI, André; GROSSMANN, Igor. A cultura do descartável. Disponível em: http://www.eusoufamecos. net/editorialj/a-cultura-do-descartavel/. Acesso em: 14 jan. 2015. Adaptado.)

TEXTO 3

Gente é descartável?

Walcyr Carrasco

Convidado a jantar na casa de uma amiga, estranhei a falta de sua funcionária de muitos anos, sempre responsável por delícias gastronômicas. Estranhei. perguntei pela cozinheira, sempre sorridente, que eu já cumprimentava com beijinho.

— Ah, demiti.

— Aconteceu alguma coisa?

— Ela passou do prazo de validade. Chamei outra. A resposta me arrepiou. Cada vez ouço mais que alguém “passou do prazo de validade”. A expressão se inseriu no vocabulário. Como todos os elementos da linguagem, seu significado é maior que as palavras, simplesmente. Empresas costumam ser severas quanto ao que consideram prazo de validade de um funcionário. Em geral, no máximo aos 60 anos, quando não aos 40, o executivo vai para a rua. Mesmo os de alto cargo. O argumento é sempre o mesmo, como ouvi certa vez de uma diretora de RH.

— A gente precisa renovar.

Alguém de 60 anos ou mais pode ser papa, presidente da República, e não diretor de departamento? Idade é necessariamente fator de renovação? Conheço jovens de cabeça fechada e homens e mulheres maduros sempre abertos a ideias novas. Empresas, porém, têm esta política: envelheceu, perdeu. Quando alguém dedicou 20, 30 anos da vida a uma grande corporação, vai fazer o quê? Inicialmente, o demitido procura novo trabalho. Com muita frequência, seu currículo é preterido pelo de alguém mais jovem. Às vezes se propõe a ganhar menos, aceita até uma posição menor. Ainda tem de ouvir o argumento:

— Achamos que era um cargo pequeno para você, que não se adaptaria. Merece mais.

[...]

Dei dois exemplos: a doméstica e o executivo, porque isso acontece em todas as classes sociais. As pessoas se tornaram descartáveis. Muitas vezes, quando entram em crise, por doença, separação, problemas, enfim, sua produtividade cai. Dão uma resposta indevida, demonstram nervosismo. O empregador resolve que passou do “prazo de validade”. No momento em que mais precisam de apoio, perdem o emprego. É difícil. O mais chocante é que também tenho ouvido a mesma expressão para definir sentimentos e relações. Um amigo explicou sua separação.

— Nosso casamento passou do prazo de validade.

Como é? Então o amor é como uma lata de ervilhas, que vem com data de vencimento na tampa? Amizade também? Há muito tempo, quando minha avó Rosa, tão querida, morreu, fui ao enterro. Fiquei até colocarem o último tijolo no túmulo. De noite, recebi alguns amigos em casa, bati papo, mas com um nó no estômago, vocês sabem como é. De repente um deles se saiu com esta:

— Hoje, você está insuportável.

Nunca me senti tão agredido. Levantei e pedi a todos para saírem.

— Estou insuportável porque minha avó morreu, e isso dói muito – disse. – É melhor ficar sozinho.

Pediram desculpas, mas insisti para nos vermos outro dia. Creio que estava chato, irritado, sem sorrisos. Saíram ofendidos. Hoje, certamente diriam que nosso “prazo de validade” tinha acabado. Mesmo porque ficamos muito distantes a partir de então. Se eu não estava bem para participar da alegria alheia, me tornara descartável.

Tratar funcionários, amigos, amores como se tivessem a durabilidade de um pedaço de bacalhau, no máximo, é uma crueldade incorporada à vida de boa parte das pessoas. Se você acha que as pessoas têm prazo de validade, só precisa se fazer uma pergunta. Como agirá quando alguém disser que chegou o seu? 

(CARRASCO, Walcyr. Gente é descartável? 18 ago. 2014. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ walcyr-carrasco/noticia/2014/07/gente-e bdescartavelb.html. Acesso em: 5 fev. 2015. Adaptado.)

TEXTO 4

O mundo descartável

Ana paula della Giustina

[...]

A entrada no mercado de uma classe média mundial gigantesca e sedenta por novidades fez o modelo de consumo, adotado pelos Estados Unidos no século XX, replicar no restante do mundo em uma escala espantosa. A taxa de obsolescência encurtou à medida que a inovação acelerou e o processo de produção ficou mais barato. Muitas vezes, porém, o salto tecnológico não existe. pesquisas mostram que o ponto determinante para a troca de um bem de consumo é o que está por fora: o design.

Em prol dessa inovação, tecnológica ou plástica, o mundo ficou carregado de objetos que logo se tornam inúteis e são descartados. Mas o que isso significa? Quando passou a fazer sentido comprar um produto novo e jogar o usado fora? Parte das respostas está na cultura capitalista de consumo, cumulativa por natureza, na inovação e nas mudanças na estrutura familiar da sociedade e parte no que a economia batizou como obsolescência programada. 

Marca do mercado de consumo no pós-Segunda Guerra, a obsolescência programada é um conceito no qual a indústria de bens prepara desgastes artificialmente curtos para obrigar o consumidor a uma reposição mais rápida do produto. A lógica é simples: se não há novos consumidores suficientes para cada produto, então é preciso fazer que os mesmos consumidores comprem o seu produto outra vez. A princípio, isso ocorreu através de mudanças técnicas, depois através da aparência dos produtos e dos modismos e, finalmente, reduzindo a sua durabilidade.

Ávido por novidades, o consumidor passou a ter mais facilidade para obter o aparelho dos sonhos, que já não precisava durar tanto, mas apresentar design arrojado e reunir várias funções.

O desejo do novo, daquilo que é visto como uma catapulta para a ascensão social e nos torna supostamente superiores, é um valor que não só empurra os produtos para o fundo da gaveta ou para o lixo, como pressiona a indústria por mais tecnologia.

O valor de um produto não é o que me traz diretamente a felicidade, mas deriva do fato de que os demais estão excluídos do acesso a ele.

O problema desse movimento é que ele não tem fim. À medida que a sociedade prospera, as pessoas competem pelos bens posicionais. É aquele estágio em que as necessidades básicas do ser humano foram satisfeitas e passam a abrir espaço para a ânsia de se distinguir em relação às pessoas comuns. É quando o foco da sociedade volta-se para ocupar um lugar de honra na mente dos seus semelhantes. E, quanto mais se avança sobre os bens posicionais, mais as pessoas sentem que falta algo. Não tem solução econômica para isso. Mas a conta recairá sobre o meio ambiente. 

Precisamos de duas atitudes. A primeira é produzir menos lixo. Nosso mundo está descartável demais. Acho que isso contagia; quanto mais coisas descartáveis usamos, mais descartáveis nos tornamos. Assim, não damos mais valor às coisas que temos e lutamos tanto para conseguir.

A segunda atitude é repensar a definição de lixo e quebrar o paradigma de que lixo vai fora. Onde é fora? No aterro, no lixão, na rua? Esse fora aí é no nosso mundo. Temos de pensar no destino correto e numa definição diferente.

No entanto, o mais importante não é mudar o nome e sim a atitude de todos. [...]

(GIUSTINA, Ana paula della. O mundo descartável. 26 jul. 2013. Disponível em: http://www.adjorisc.com.br/jornais/asemana/coluna-pensando-bem-paula/o-mundo-descartavel-1.1317097#.VN-yzSvF91Y. Acesso em: 5 fev. 2015. Adaptado.)

TEXTO 5

Amor efêmero, encontros descartáveis

Silvia Graubart

[...]

Com a globalização estabelece-se uma cultura consumista, em que o produto está pronto para uso imediato. E os relacionamentos também estão incluídos na categoria de mercadorias obtidas sem qualquer esforço ou dedicação. Apenas examina-se o conteúdo, pesam-se os prós e contras e leva-se para casa (ou para a cama), com a cláusula incluída de que o afeto fica fora, porque se o produto falhar pode ser deixado de lado.

[...]

A disposição para a entrega, para o “outro”, e o amor vive (ou sobrevive) sob o impacto do exagero, da aceleração e da competitividade. O excesso de oferta engole com voracidade a possibilidade de relacionamentos férteis, determinando a insignificância do instante; e a sexualidade, experimentada como mero produto de consumo, fica disponível num mercado de troca que não vai além da dimensão ilusória.

[...]

Essa exibição indiscriminada – que comercializa afetividade da mesma forma que produtos para higiene íntima – faz que as pessoas percam o mistério de tudo. Enfeitiçadas pela dinâmica do transitório, de seres reflexivos passam a autômatas de práticas descartáveis: a alteridade não conta, porque só importa o que é manifesto e visto; o afeto é desvalorizado, porque o que vale mesmo é o desempenho. Isso nos desafia em outdoors, na televisão, nas revistas, na internet e dá seu testemunho nos consultórios, onde a máscara de falsa felicidade, olhada de perto, revela nervos em frangalhos, sofrimentos, medos, solidão, insegurança, egoísmo e compulsão à repetição.

Que homens e mulheres se constroem a partir desse espetáculo?

[...]

Podemos concluir a partir daí que, quanto maior a anestesia provocada por imagens coletivas estereotipadas e superficiais, menor a possibilidade do contato com o mundo interior e com a realidade multifacetada do “outro”, cujo livre-arbítrio e seu contínuo exercício asseguram a real possibilidade de arranjos amorosos fecundos.

(GRAUBART, Silvia. Amor efêmero, encontros descartáveis. Disponível em: http://ijusp.org.br/artigos/amor-efemero-encontros-descartaveis. Acesso em: 5 fev. 2015. Adaptado.)

TEXTO 6

Saber cuidar

Leonardo Boff

Mais que o fim do mundo, estamos assistindo ao fim de um tipo de mundo. Enfrentamos uma crise civilizacional generalizada. Precisamos de um novo paradigma de convivência que funde uma relação mais benfazeja para com a Terra e inaugure um novo pacto social entre os povos no sentido de respeito e de preservação de tudo o que existe e vive. Só a partir dessa mutação faz sentido pensarmos em alternativas que representem uma nova esperança.

(BOFF, Leonardo. Saber cuidar. 18. ed. petrópolis: Vozes, 2012. p. 18. Adaptado.)

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado.

Imagine que você é articulista de um jornal de circulação nacional que traz como manchete de capa uma reportagem sobre a cultura do descartável que vem se disseminando no mundo contemporâneo. Escreva, então, um artigo de opinião sobre o tema: Quais as consequências da cultura do descartável para o meio ambiente e para as relações sociais? Apresente seu ponto de vista e argumentos convincentes.

PROPOSTA 2 – CARTA DE LEITOR

Carta de leitor é um gênero discursivo em que o autor do texto dirige-se a um interlocutor específico ou ao editor da mídia jornalística com o objetivo de defender um ponto de vista sobre um tema. Apresenta informações, fatos e argumentos que caracterizam um ponto de vista sobre determinada questão.

Você é um leitor consciente e preocupado com os problemas que afetam o homem contemporâneo. Ao ler na mídia artigos sobre a cultura do descartável, resolve apresentar seu ponto de vista ao debate. Escreva, para isso, uma carta de leitor, endereçada a uma revista de circulação nacional, em que aborde o tema: Quais as consequências da cultura do descartável para o meio ambiente e para as relações sociais? Apresente seu ponto de vista e argumentos convincentes e persuasivos.

Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes. Utilize a coletânea e seus conhecimentos prévios sobre o tema.

PROPOSTA 3 – CRÔNICA

Crônica é um gênero de caráter narrativo, em que o cronista faz uma reflexão pessoal sobre os fatos do cotidiano. possui leveza, humor e crítica.

Imagine a seguinte situação: você é um jornalista goiano e recebe um convite para escrever uma crônica para a próxima edição de um jornal da Capital sobre o tema: Quais as consequências da cultura do descartável para o meio ambiente e para as relações sociais? Você deverá escrever essa crônica, em terceira pessoa, mostrando as consequências da cultura do descartável, especialmente nas relações sociais.

Para essa crônica, os personagens poderão ter os seguintes nomes: Consumo, Terra, Resíduo e Reciclagem.

Redação ACAFE 2012.2 

Texto A

“É fundamental que o novo Código Florestal garanta segurança para que o país continue produzindo o melhor e mais barato alimento do planeta. É inaceitável que o Brasil abra mão da sua capacidade produtiva, deixando de contribuir plenamente para a redução da pobreza, já tendo a maior área de preservação do mundo.”

(Kátia Abreu – senadora e presidente da Federação da Agricultura e da Agropecuária do Brasil).

Texto B

“O código do deputado Rebelo surge como um remédio fraco para uma doença forte. Pois, certamente, não é reduzindo a área de preservação permanente, eliminando a reserva legal de pequenas propriedades e concedendo moratória ao desmatamento ilegal que o Brasil vai avançar na produção agrícola sustentável, ao contrário. Na verdade, o país vai caminhar na contramão das políticas ambientais já estabelecidas e comprometer as projeções de uma agricultura de sucesso, que prevê o controle do desmatamento, a recuperação de pastagens, o uso de novas tecnologias, a elevação da produtividade, a qualificação da atividade rural e a redução significativa das emissões de CO2.”

(Marcelo Dutra – Professor da FURG)

Texto C

“As ONGs de ecotalibãs e os jahadistas do ambientalismo fundamentalista estão gastando todos os seus recursos de propaganda, que não são poucos e vêm em dólar, para constranger a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a calar o Congresso Nacional brasileiro vetando o texto aprovado, qualquer que seja ele. A pressão das ONGs internacionais e sua 5ª coluna na imprensa e nas academias de "ciência" brasileira podem funcionar, e a presidente Dilma pode vetar o texto. Caso isso aconteça, o povo brasileiro através dos Deputados e Senadores que o representam pode, entretanto, derrubar o veto. Saiba como funciona o processo de apreciação de veto presidencial e entenda o que será necessário fazer e quem será necessário apertar para derrubarmos o veto.” 

Disponível em: http://www.codigoflorestal.com/. Acesso em: 12-05-2012. Adaptado. 

A partir do que se afirma nos textos acima, escreva uma redação na qual você expõe e analisa as controvérsias sobre o novo código florestal brasileiro.

Redação Unicamp 2011

TEXTO

Coloque-se na posição de um articulista que, ao fazer uma pesquisa sobre as recentes catástrofes ocorridas em função das chuvas que afetaram o Brasil a partir do final de 2009, encontra a crônica de Drummond, publicada em 1966, e decide dialogar com ela em um artigo jornalístico opinativo para uma série especial sobre cidades, publicada em revista de grande circulação. Nesse artigo você, necessariamente, deverá: 

a) relacionar três (3) problemas enfrentados recentemente pelas cidades brasileiras em função das chuvas com aqueles trabalhados na crônica; 
b) mostrar em que medida concorda com a visão do cronista sobre a questão.

Os dias escuros

Carlos Drummond de Andrade

Amanheceu um dia sem luz – mais um – e há um grande silêncio na rua. Chego à janela e não vejo as figuras habituais dos primeiros trabalhadores. A cidade, ensopada de chuva, parece que desistiu de viver. Só a chuva mantém constante seu movimento entre monótono e nervoso. É hora de escrever, e não sinto a menor vontade de fazê-lo. Não que falte assunto. O assunto aí está, molhando, ensopando os morros, as casas, as pistas, as pessoas, a alma de todos nós. Barracos que se desmancham como armações de baralho e, por baixo de seus restos, mortos, mortos, mortos. Sobreviventes mariscando na lama, à pesquisa de mortos e de pobres objetos amassados. Depósito de gente no chão das escolas, e toda essa gente precisando de colchão, roupa de corpo, comida, medicamento. O calhau solto que fez parar a adutora. Ruas que deixam de ser ruas, porque não dão mais passagem. Carros submersos, aviões e ônibus interestaduais paralisados, corrida a mercearias e supermercados como em dia de revolução. O desabamento que acaba de acontecer e os desabamentos programados para daqui a poucos instantes. 

Este, o Rio que tenho diante dos olhos, e, se não saio à rua, nem por isso a imagem é menos ostensiva, pois a televisão traz para dentro de casa a variada pungência de seus horrores. Sim, é admirável o esforço de todo mundo para enfrentar a calamidade e socorrer as vítimas, esforço que chega a ser perturbador pelo excesso de devotamento desprovido de técnica. Mas se não fosse essa mobilização espontânea do povo, determinada pelo sentimento humano, à revelia do governo incitando-o à ação, que seria desta cidade, tão rica de galas e bens supérfluos, e tão miserável em sua infraestrutura de submoradia, de subalimentação e de condições primitivas de trabalho? Mobilização que de certo modo supre o eterno despreparo, a clássica desarrumação das agências oficiais, fazendo surgir de improviso, entre a dor, o espanto e a surpresa, uma corrente de afeto solidário, participante, que procura abarcar todos os flagelados. 

Chuva e remorso juntam-se nestas horas de pesadelo, a chuva matando e destruindo por um lado, e, por outro, denunciando velhos erros sociais e omissões urbanísticas; e remorso, por que escondê-lo? Pois deve existir um sentimento geral de culpa diante de cidade tão desprotegida de armadura assistencial, tão vazia de meios de defesa da existência humana, que temos o dever de implantar e entretanto não implantamos, enquanto a chuva cai e o bueiro entope e o rio enche e o barraco desaba e a morte se instala, abatendo-se de preferência sobre a mão de obra que dorme nos morros sob a ameaça contínua da natureza; a mão de obra de hoje, esses trabalhadores entregues a si mesmos, e suas crianças que nem tiveram tempo de crescer para cumprimento de um destino anônimo. No dia escuro, de más notícias esvoaçando, com a esperança de milhões de seres posta num raio de sol que teima em não romper, não há alegria para a crônica, nem lhe resta outro sentido senão o triste registro da fragilidade imensa da rica, poderosa e martirizada cidade do Rio de Janeiro.

Correio da Manhã, 14/01/1966.

Redação PUC-RS 2011

A seguir, são apresentados três temas. Examine-os atentamente, escolha um deles e elabore um texto dissertativo com 25 a 30 linhas, no qual você exporá suas ideias a respeito do assunto.
Ao realizar sua tarefa, tenha presentes os seguintes aspectos:

  • Você deverá escrever uma dissertação; portanto, mesmo que seu texto possa conter pequenas passagens narrativas ou descritivas, nele deverão predominar suas opiniões sobre o assunto que escolheu.
  • Evite fórmulas preestabelecidas ao elaborar seu texto. O mais importante é que ele apresente ideias organizadas, apoiadas por argumentos consistentes, e esteja de acordo com a norma culta escrita.
  • Procure ser original. Não utilize em sua dissertação cópias de textos da prova nem de parágrafos que introduzem os temas para a redação.
  • Antes de passar a limpo, à tinta, na folha definitiva, releia seu texto com atenção e faça os reparos que julgar necessários.
  • Não é permitido usar corretor líquido. Se cometer algum engano ao passar a limpo, não se preocupe: risque a expressão equivocada e reescreva, deixando claro o que pretende comunicar.
  • Lembre-se de que não serão considerados:
    • - textos que não desenvolverem um dos temas propostos;
    • - textos redigidos a lápis ou ilegíveis.

Boa prova!

TEXTO 1

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      “Reconheço”, disse o homem, “fui um poluidor
implacável. Matei todo tipo de bicho, criei todo tipo de
lixo, transformei bom oxigênio em ar irrespirável.”
      E suspirou, contrito, envenenando mais um litro.
      “Nem sei quanto spray usei, mas aposto meu
patrimônio: há um buraco com meu nome na tal
camada de ozônio.”
      “Florestas foram arrasadas para me dar calor e
notícia. Sem falar nos troncos de lei em que canivetei
que amava uma tal de Letícia.”
      “Fui um flagelo sem dó, uma horda de hunos de
um só.”
      “Transformei rios em cloacas e cloacas em
rios de sujeira, em transbordante nojeira. `Abaixo o
ecossitema´ foi, eu quase diria, meu lema.”
      “Fui um Átila irreciclável, um biodesagradável.”
      “Agredi a natureza. Destruí a sua beleza.”
      “Mas, em compensação, em matéria de devastação,
de agressão e desatino...” (mostrando suas
próprias rugas, sua calvície, sua velhice): “... vejam o
que Ela fez com este menino.”
VERISSIMO, L. F. Jornal Zero Hora, 26/08/1990.

TEXTO 2

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     “Quando eu era bem pequena, meus pais me levaram
para passear na praia, num lugar que tinha mar
e luz. Tudo era bonito e alegre: a areia, as conchinhas,
as ondas inquietas e até aquele montão de gente que
caminhava de um lado para outro, como formigas. Um
dia, cheguei na beira da água e vi um monte de coisinhas
prateadas. Fiquei curiosa. Cheguei perto e descobri
que eram peixinhos, como aqueles que a gente
vê nos livros e na televisão. Só que não nadavam nem
se mexiam. Não sei por quê, mas naquela manhã me
deu vontade de chorar e de voltar para casa.”

 TEXTO 3

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     Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer.
Isso desde que você começou a ler este texto, há um
segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará
a vida como sempre – esperamos. Mas os integrantes
de 137 espécies de plantas, animais e insetos,
não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano
têm: a extinção. Argumentos como “15 Maracanãs de
mata tropical devastados desde o início deste parágrafo”
são fortes, mas nem sempre suficientes. Só
que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinheiro
não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.
     Hoje, manter uma floresta em pé é negócio da
China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé,
o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por
hectare reflorestado. O objetivo é conter as enchentes
que alteram o fluxo de água do rio. Equilíbrio ecológico,
manutenção do ecossistema, mais espécies preservadas,
esses são os objetivos do Partido Comunista
Chinês? Não. Trata-se de um investimento.
     O reflorestamento mantém o curso do rio estável
e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de
chuva – as plantas liberam vapor d’água durante a
fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O
que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta turbinas
das hidrelétricas distribuídas pelo rio – inclusive
a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu,
que abriu as comportas em 2008.
     Investindo em reflorestamento, os chineses agem
de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores.
Mais árvores = mais água no rio. Mais água =
mais energia elétrica barata (ainda mais no país que
inaugura duas usinas a carvão por semana para dar
conta de crescer como cresce). Mais energia barata,
mais produção para a economia – e dinheiro para pagar
os reflorestadores. O final dessa equação é surreal
para os padrões brasileiros. A China, nação que mais
polui e que mais consome matéria-prima, tem índice
de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam
mais árvores do que derrubam.
REZENDE, Rodrigo. Revista Superinteressante,
março, 2011.


Embora diferentes em forma e conteúdo, os textos que fundamentam as questões objetivas desta prova compõem um eixo temático relacionado ao meio ambiente e a experiências de vida.

Em consonância com esse eixo temático, foram elaboradas três propostas, dentre as quais você vai selecionar uma para desenvolver sua redação.

Lembre-se de que você deve elaborar um texto dissertativo, no qual exporá sua opinião sobre a questão proposta.

TEMA 1

De que forma posso, como cidadão, contribuir positivamente para a preservação do planeta?

Esta proposta solicita que você avalie sua responsabilidade em relação ao meio ambiente, e aponte atitudes que você pode tomar para preservá-lo, explicando a importância dessas ações.

TEMA 2

Acredito que, no futuro, o meio ambiente no planeta Terra estará muito ............. (melhor/pior), porque .............

De acordo com esta proposta, você deverá posicionar-se em relação ao futuro do planeta Terra, em termos de meio ambiente.

Se você está otimista, considere que preencheu a primeira lacuna com “melhor” e apresente formas de tornar real essa previsão positiva.

Se você tem razões para ser mais pessimista, considere que preencheu a lacuna com “pior” e apresente evidências que justifiquem sua escolha.

Redação Acafe 2009

TEXTO 1

“A Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou na noite de hoje um novo Código Ambiental que diminui a área de preservação determinada pelo Código Florestal Brasileiro. Entre as principais mudanças está a redução da área de proteção das matas ciliares, às margens dos rios, de 30 para 5 metros. No caso das nascentes fluviais, a área cai de 50 para 10 metros. [...]
Em um de seus dispositivos está prevista a remuneração, por parte do poder público, de agricultores que desenvolverem e executarem projetos que possam preservar o meio ambiente. Os agricultores também vão contar com a gratuidade dos licenciamentos ambientais, além de usufruírem de um fundo de compensação ambiental, a ser criado pelo governo.
Para o ambientalista e biólogo Juliano Albano, o projeto de lei foi aprovado sem conteúdo ambiental. “É um desrespeito com as leis federais. Foi aprovado sem critério e de forma irresponsável. As gerações futuras é que sofrerão com o que foi decidido aqui”. [...] Relator do projeto, o deputado Romildo Titon rebateu: “Fizemos inúmeras consultas à Ordem dos Advogados do Brasil e estamos muito à vontade, mas nada impede que lá na frente possamos reformulá-lo” [...]. O território catarinense conta com 41% de mata e 168 mil hectares de matas ciliares.”

In: http://www.ecodebate.com.br/. Acessado em 22/05/2009. Adaptado.

TEXTO 2

“Sou uma fêmea de borrachudo e venho dizer que estou muito feliz com este projeto que reduz as matas em volta dos córregos em Santa Catarina, e explico a seguir por quê. Sugo sangue de pessoas e de vários animais, para produzir minha descendência. Ponho ovos em córregos e rios, aderidos a pedras e galhos, e meus filhotes precisam sobreviver aos seus inimigos, que são os vários animais pequenos (filhotes de libélulas e outros) que vivem na água corrente.”

MARCONDES, Carlos Brisola. In:http://www2.apufsc.ufsc.br/texto/201/. Acesso em: 22/05/2009. Adaptado.

TEXTO 3

“Um grupo de pessoas contrárias ao Código Ambiental de Santa Catarina, sancionado no dia 13 de abril pelo governador Luiz Henrique da Silveira, fez uma manifestação nesta terça-feira, em Florianópolis”. [...]

Além de alegar inconstitucionalidades em pontos da lei, os integrantes consideram que o código coloca em risco o futuro da sociedade catarinense. Segundo o estudante Robson Ricardo Resende, faltou discussão e respaldo técnico para a criação do código.

Outro ato público, desta vez dos defensores do código, está programado para sexta-feira, às 15h, na Praça Coronel Bertaso, em Chapecó, que deverá contar com a presença da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu. De acordo com ela, o código tem base jurídica no artigo 24 da Constituição Federal, segundo o qual compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar sobre floresta, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição.”

In:http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=POR& pagina=http://www.an.com.br. Acessado em: 22/05/2009. Adaptado.

Considerando a polêmica causada pela aprovação do Projeto de Lei nº. 0238.0/2008, que Institui o Código Estadual do Meio Ambiente e estabelece outras providências, escreva um texto no qual você expõe o que conhece sobre esse assunto e manifesta sua opinião.

Redação PUC-PR 2006

TEXTO 1

Leia o trecho do editorial “Mudança climática”:

            Enquanto uma conferência da ONU no Canadá tenta definir as diretrizes de um acordo internacional para suceder o Protocolo de Kyoto, que caduca em 2012, vão surgindo novos dados que evidenciam a urgência da tarefa de tentar conter o efeito estufa, o aquecimento anormal da atmosfera do planeta.
            Estudo de oceanógrafos britânicos publicado na revista Nature aponta perda de força de correntes do Atlântico que carregam água quente dos trópicos para o norte da Europa. A circulação das águas já está 30% mais fraca do que em 1957 e, segundo os pesquisadores, trata-se de uma tendência e não de uma variação.

(Folha de S. Paulo, 5 dez. 2005, Caderno Opinião, p.A2.)


Elabore um texto argumentativo como resposta à seguinte questão:

Os países devem aderir ao acordo para redução de emissão de gases que causam o efeito estufa?

Justifique a sua resposta.

TEXTO 2

A lista de espécies animais nativas do Paraná, reconhecidas pelo estado como ameaadas de extinção, cresceu na última década.

Analise os dados das tabelas e utilize-os para produzir o seu segundo texto. 

Suponha que esse texto interpretativo seja para publicação em jornal ou revista.

SOBRE A REDAÇÃO:

1. Estruture cada um dos dois textos com um mínimo de 10 e um máximo de 13 linhas.
2. Faça o rascunho no espaço reservado.
3. Transcreva os textos do rascunho para a FOLHA DE REDAÇÃO, que lhe foi entregue em separado.
4. Não há necessidade de colocar título.
5. Não coloque o seu nome, nem a sua assinatura na FOLHA DE REDAÇÃO, nem faça marcas nela. A FOLHA DE REDAÇÃO já se encontra devidamente identificada.

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