Redação sobre Idosos

Redação sobre Idosos

Redação UEG 2022

A população brasileira com 65 anos ou mais está crescendo mais rapidamente do que todas as outras faixas etárias, sobretudo porque, se a taxa de natalidade global vem caindo desde a segunda metade do século 20, a expectativa de vida tem aumentado, caminhando na direção oposta. Dessa forma, há que se pensar tanto o papel quanto o espaço do idoso em uma sociedade que se mostra até certo ponto paradoxal, pois, se por um lado confere ao idoso sua merecida aposentadoria, por outro lado o alija do mercado de trabalho, desconsiderando sua força produtiva em favorecimento das novas gerações. Sobre esse assunto, leia a coletânea de textos a seguir.

Texto 1

Para Simone de Beauvoir, a sociedade fabrica a impotência da velhice, tal qual fabricou a da mulher. Submetida à alienação social, a velhice torna-se um mal para o homem, condição abjeta aos olhos do mundo e na qual os velhos são obrigados a ler a si mesmos. Ela diz: "Dentro de mim, está a Outra - isto é, a pessoa que sou vista de fora - que é velha: e essa Outra sou eu". A crítica à desumanização da velhice abarca a crítica mais radical de Simone ao próprio capitalismo. Improdutivos numa sociedade baseada na ideia de produtividade como valor essencial, os velhos são vistos como impotentes, sem futuro, excluídos de um papel ativo na sociedade. Só lhes restam os sofrimentos de sua condição e a impaciência dos jovens. Sem serventia alguma num sistema baseado na produção e geração de lucro, o velho sofre o impacto de tornar-se um refugo, um fragmento de sucata. Segundo a pensadora, para melhorar a condição dos velhos, os valores e as estruturas sociais deveriam ser radicalmente transformados. Já na existência individual, "só existe uma solução para que a velhice não seja uma paródia absurda da nossa vida anterior, e essa consiste em prosseguir naquelas ocupações que dão sentido à existência".

Disponível em: https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4015&titulo=Simone_de_Beauvoir:_da_velhice_e_da_morte. Acesso em: 29 out. 2021. (Adaptado).

Texto 2

Em 2018, pela primeira vez na história, o percentual de pessoas com 65 anos ou mais ultrapassou o de crianças com menos de cinco anos no mundo. E a previsão é que o número de indivíduos com 80 anos ou mais triplique – de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050. Mas a população não está apenas envelhecendo: as pessoas estão vivendo mais e aumentando sua "expectativa de vida saudável". Isso significa que, à medida que a população de idosos aumenta, cresce também um grupo de consumidores, trabalhadores e empreendedores. Em outras palavras, eles não precisam necessariamente dos serviços da chamada silver economy, voltada exclusivamente para pessoas idosas – a população mais velha pode continuar participando integralmente da economia global. “Estamos falando agora de uma nova fase da vida, que equivale à última parte da vida adulta", diz Joseph Coughlin, diretor do AgeLab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts À medida que os idosos vivem mais e com saúde, participando ativamente da economia global, são abertas novas possibilidades de converter a longevidade em um ativo para a sociedade. Em 2015, os americanos com 50 anos ou mais geraram quase US$ 8 trilhões em atividades econômicas. O Boston Consulting Group estima que, em 2030, a população com mais de 55 anos nos EUA representará metade de todo o crescimento do gasto do consumidor doméstico desde a crise financeira global. Esse percentual sobe para 67% no Japão e 86% na Alemanha.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-52928468. Acesso em: 29 out. 2021. (Adaptado).

Texto 3


Disponível em: https //br.pinterest.com/ pin/799881583796647769/. Acesso em: 29 out. 2021.

Texto 4

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

MEIRELES, Cecília. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/NTUzODU1/. Acesso em: 29 out. 2021.

Texto 5

Devemos olhar para o ócio não apenas sob o ponto de vista geral, mas sob outro mais específico e concreto, como é o ócio dos aposentados. E isso convém que seja assim. Por um lado, porque a centralidade da atividade vital, que até então havia sido ocupada pelo trabalho, pode ser agora substituída pelo ócio. Também, porque se dão as circunstâncias mais propícias para que isso aconteça. Como recorda Weiss, as pessoas aposentadas entram em um momento da vida em que dispõem dos elementos essenciais para experimentar um ócio de qualidade: tempo livre, liberdade e possibilidade de desafiar-se frente a novos projetos e novas realidades. Ainda assim, não temos nenhuma garantia de que todas essas condições e possibilidades se transformem diretamente em experiências gratificantes de ócio. O ócio forma parte de nossas vivências pessoais e não depende apenas das circunstâncias nas quais se desenvolve senão, muito especialmente, da pessoa, de seu mundo de valores, de sua formação, de seu desenvolvimento como indivíduo. Por isso, a aposentadoria, enquanto transição, é uma etapa da vida que demanda preparação. Se a aproveitamos bem, o ócio certamente pode ser uma dádiva; caso contrário, pode ser uma maldição. E essa é uma questão importante, porque não se refere a uns poucos; ao contrário, é algo que cada vez tem maior incidência na população mundial.

Disponível em: https://manuelcuenca.es/para-que-serve-o-ocio-na-velhice/. Trad. Cláudio Augusto Silva Gutierrez. Acesso em: 5 out. 2021. (Adaptado).

Afinal, como converter a longevidade em um ciclo ativo para a sociedade e para o próprio idoso?

PROPOSTA 1

O artigo de opinião é um gênero textual no qual são apresentados argumentos para convencer os leitores a respeito da validade de um ponto de vista sobre determinado assunto.
De posse dessa orientação, amparando-se na leitura dos textos da coletânea e ainda em sua visão de mundo, imagine-se na função de articulista, de uma revista ou de um jornal de circulação nacional, e escreva um artigo de opinião posicionando-se acerca da questão-tema desta prova.

PROPOSTA 2

O gênero crônica, em sentido atual, é uma narrativa que se caracteriza por basear-se em considerações do cronista acerca de fatos correntes e marcantes do cotidiano. Em torno desses fatos, o autor manifesta uma visão subjetiva, pessoal e crítica.

Tendo em vista essa definição de crônica, e levando em consideração a leitura da charge apresentada na coletânea, escreva um texto, em primeira pessoa, colocando-se na condição de um idoso que mora com a família e há anos perdeu a audição, mas que, após ir secretamente a uma consulta médica, passa a usar um aparelho auditivo e volta para casa, sem noticiar aos familiares que voltou a escutar. Conte aos leitores sua reação e suas atitudes perante as conversas ouvidas no convívio familiar. Não deixe de transmitir suas possíveis reflexões e impressões sobre as situações criadas, relacionando-as, obviamente, com a questão-tema desta prova.

PROPOSTA 3

A carta de leitor é um gênero textual, comumente argumentativo, que circula em jornais e revistas. Seu objetivo é emitir um parecer de leitor sobre matérias e opiniões diversas publicadas nesses meios de comunicação.

Considerando a definição desse gênero textual, a leitura da coletânea e, ainda, suas experiências pessoais, escreva uma carta de leitor a um jornal, ou a uma revista de circulação nacional, emitindo seu ponto de vista - contrário, favorável ou outro que transcenda esses posicionamentos a respeito do Texto 2 da coletânea, levando em consideração a questão-tema desta prova.

OBSERVAÇÃO: Ao concluir sua carta, NÃO a assine; subscreva-a com a expressão UM (A) LEITOR (A).

Redação Acafe 2020

Proposta 1

Considerando seus conhecimentos e os textos 1 e 2, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre: O segredo de uma vida longeva

TEXTO 1

Os brasileiros estão vivendo 30 anos a mais do que viviam em 1940. Naquele ano, a expectativa de vida era de 45,5 anos. Para os nascidos em 2016, a estimativa de vida deu um salto para 75,8 anos segundo dados do IBGE. Porém, mais desejável que conquistar anos de vida é ter uma longevidade saudável, evitando que o passar dos anos venha acompanhado de doenças, perda de autonomia e qualidade de vida.

Disponível em:https://www.aguasantarita.com.br/blog/longevidade-saudavel-9-dicas-simples-para-alcancar/ Acesso em outubro de 2019. Adaptado.

TEXTO 2


Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/idosos-idoso-antigos-homem-pessoa-3688950/ Acesso em outubro de 2019

Redação UECE 2018

Prezado(a) Candidato(a)

Reconhece-se, hoje, o grande aumento da expectativa de vida no Brasil. Entretanto, por sermos considerados ainda um país, em grande parte, formado por uma população de jovens, não estamos, infelizmente, preparados para lidar com o envelhecimento de nossa gente.

Tendo como base suas experiências de vida, os textos que compuseram a Prova de Língua Portuguesa desta segunda fase do vestibular que retratam o tema da velhice, bem como os três textos motivadores dispostos abaixo que também versam sobre a temática da velhice e do idoso, escolha UMA das propostas abaixo e componha seu texto.

Proposta 1: Escreva um artigo de opinião, adotando um posicionamento acerca do despreparo do nosso país, incluindo aí a sociedade em geral e as autoridades, para encarar o envelhecimento de nossa população. Suponha que este seu texto será publicado na sessão “Opinião” do jornal de maior circulação da sua cidade.

Proposta 2: Escreva uma crônica, que poderá ser publicada numa coletânea de textos literários com o tema geral sobre a velhice, narrando um episódio de desrespeito a uma pessoa idosa e as implicações de tal ato.

TEXTO I
Excerto da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que institui o Estatuto do Idoso

TÍTULO I
Disposições Preliminares

Art. 1o É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

Art. 2o O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
[...]

Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.74 1.htm. Acesso: 29.10.2017.

TEXTO II
Família e estado lideram atos de desrespeito aos idosos

O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em 2012, aponta a existência de 24,85 milhões de idosos no país. Apesar de representar 12,6% da população brasileira e de ter direitos assegurados pela Constituição Federal e Estatuto do Idoso, grande parte das pessoas que já passaram dos 60 anos sofre com atos de desrespeito, violência psicológica e descaso.

Durante o mês de junho a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa. A data chama a sociedade à reflexão para a questão, muitas vezes protagonizada pelos próprios familiares dos idosos.

Contudo, se as legislações vigentes garantem os direitos dos idosos, quem pode ser responsabilizado pelos atos de violência e desrespeito, a família ou o estado?

“Eu diria que em ambos os ambientes acontecem atos de violência e talvez um possa desencadear o outro”, opina a coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, irmã Terezinha Tortelli.

[...]

Notícia adaptada do site: http://www.a12.com/jornalsantuario/noticias/familia-eestado- lideram-atos-de-desrespeito-aos-idosos divulgada no dia 22 de junho de 2015.

TEXTO III
Como se Morre de Velhice

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

MEIRELES, Cecília. Como se morre de velhice. Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/como-se-morre-develhice-cecilia-meireles. Acesso: 29/10/2017.

Redação Puc-Goiás 2016-1

COLETÂNEA

TEXTO 1

Século 21 em ação: longevidade é desafio para a Medicina e a sociedade

Gabriella Azevedo

Hoje, o Brasil comporta 14,9 milhões de pessoas acima de 65 anos, o que representa 7,4% do total. De acordo com pesquisa do IBGE, em 12 anos, o Brasil será o sexto país com maior número de idosos em todo o mundo, e no de 2060 serão 58,4 milhões de idosos, o equivalente a 26,7% de toda a população. Além do aumento da expectativa de vida, que passará dos atuais 75 anos para 81, o contingente populacional atingirá seu ápice em 2042. Tudo isso contribuirá para o aumento do número de pessoas idosas no País.

Sobre os “centenários”, projeções apontam que, em todo o mundo, o número de pessoas com 100 anos de idade ou mais passará de 145 mil em 1999 para 2,2 milhões em 2050, aumentando 15 vezes até 2050. No Brasil, os centenários já são cerca de 30 mil pessoas, ainda de acordo com o IBGE. para a Medicina, esse novo perfil populacional em escala mundial representa novos desafios e, ainda, a necessidade de uma nova abordagem da formação de profissionais da área da saúde.

Para o médico geriatra Salo Buksman, diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as pessoas que já têm genética predisposta a viver décadas a mais que o restante da população foram beneficiadas com o avanço da Medicina, que garantiu o tratamento de doenças que, há algumas décadas, eram incuráveis, como cânceres e infecções. Uma maior facilidade de cura dessas doenças permitiu que esses “centenários” pudessem desfrutar da boa genética e viver ainda mais.

[...]

O médico ainda explica que a melhoria da qualidade de vida também é um dos fatores que contribuem para que a população como um todo viva mais, inclusive aqueles que podem chegar aos 100 anos ou mais. “O desenvolvimento da Medicina trouxe soluções para a morte dessas pessoas. paralelamente, a sobrevida melhorou, à medida que as condições sanitárias melhoram, o acesso à saúde básica melhora, a obtenção de medicamentos melhora, a alimentação melhora. Dessa forma, a sobrevida também melhora como um todo”. E acrescenta: “Esses ‘supercentenários’ são pessoas com genética privilegiada, e isso ainda não é realidade para todos os seres humanos, ainda que, teoricamente, vários seres humanos possam conseguir isso. Talvez num futuro não tão longínquo seja natural essa sobrevida”, aposta Buksman.

Apesar disso, Buksman ainda aponta para alguns problemas na abordagem da Medicina em relação aos mais velhos. Segundo ele, os experimentos para a descoberta de novos medicamentos e novas práticas cirúrgicas são realizados com pessoas jovens, na maioria das vezes, e não levam em consideração o organismo de pessoas mais velhas, ignorando os problemas específicos da idade avançada. Buksman aponta isso como um “furo” na medicina contemporânea.

[...]

A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Edinilsa Ramos, graduada em psicologia e doutora em saúde pública, concorda com o geriatra e explica que essa nova realidade, que inclui a presença de pessoas extremamente idosas em um número cada vez maior, pede por uma adaptação dos cursos de Medicina e dos serviços de saúde. Para ela, é preciso que as mudanças sejam percebidas e que o sistema se ajuste, integrando, inclusive, a família dos “centenários”.

“Hoje, no Brasil, temos um sistema de saúde que, na própria formação médica, é voltado para os problemas das pessoas mais jovens e, atualmente, a gente tem essa parcela de pessoas mais velhas crescendo. As faculdades de Medicina, os serviços de saúde têm de se adaptar a essa nova realidade. Ao invés de focar apenas nas doenças infantis, como as infecciosas, é preciso pensar nas doenças das pessoas mais velhas, que sofrem de problemas crônicos e degenerativos, que ainda são muito mais complexos. E isso tudo requer um aprendizado desde a formação, de toda a área médica, inclusive da família, que é o principal cuidador e não sabe lidar com esses problemas”, aponta Edinilsa.

Já as mudanças de relação entre o idoso e o restante da sociedade já podem ser claramente observadas, tanto da forma como o idoso enxerga a si mesmo, quanto da maneira que a sociedade o encara atualmente, na comparação com algumas décadas atrás, segundo a pesquisadora. “O idoso de hoje não é mais o idoso de 50 anos atrás. A pessoa hoje com 60 anos é considerada idosa, mas está em plena atividade, dá conta da sua vida, está trabalhando, ajuda a família financeiramente e garante, muitas vezes, o sustento familiar. É mais ativa, participa mais da sociedade. Não é mais o vovô que fica na cadeira de balanço ou a vovó que faz tricô e crochê, mas é a vovozinha que vai à academia, que faz exercício na praça, que gosta de teatro, de sair. É um outro idoso, e a sociedade está mudando o modo como ela percebe esse idoso, embora exista ainda muito preconceito”, aponta.

A psicóloga Márcia Rochido, que trabalha com idosos desde 1998, acredita que a mudança está também na forma como o próprio idoso passou a se enxergar e se colocar perante o restante da sociedade. Além de serem mais ativas e reivindicativas, as pessoas de idade mais avançada não enxergam mais a chegada da velhice como um fator limitante, que precede a morte. Hoje, os idosos ainda acreditam que têm muita vida pela frente e, por isso, buscam novos vínculos sociais, culturais e afetivos, principalmente após a morte de amigos e familiares.

[...]

(AZEVEDO, Gabriella. Século 21 em ação: longevidade é desafio para a medicina e a sociedade. JBOnline. 4 jan. 2014. Disponível em: www.jb.com.br/. Acesso em: 23 jul. 2015. Adaptado.)

TEXTO 2

(Re)significando a solidariedade na velhice: para além de laços consanguíneos

Raimunda Silva d’Alencar

Nos últimos trinta anos, é visível a mudança na esperança e expectativa de vida do brasileiro, a partir da presença substancial de pessoas idosas não só nos espaços privados mas também nos espaços públicos. Apesar do acelerado crescimento dessa população e independentemente das diferenças no padrão de vida em diferentes regiões (os velhos ampliam-se numericamente e vivem cada vez mais em todos os estados da Federação), não é difícil perceber que ainda se constrói uma imagem negativa da velhice, associando-a à degeneração celular, considerada, na concepção ainda dominante, um processo irremediável e irreversível, uma real tragédia.

Além disso, as diferenças significativas das estruturas sociais, em que recursos econômicos e socioculturais são desigualmente distribuídos, colocam os indivíduos em posições também diferenciadas na velhice. Essa diferença de posição repercute diretamente nas relações familiares e na qualidade de vida, individual e coletiva, inclusive definindo epidemiologias ‘típicas’ da faixa etária e antecipando, para todas as estruturas, os requerimentos atuais e futuros para aplicação de recursos públicos (moradia, educação, saneamento, qualidade do alimento, qualidade dos recursos da saúde), dentre outros.

Uma imagem negativa da velhice, socialmente aceita, acaba por determinar a autopercepção dos próprios idosos, ainda que a defesa de sua independência e autonomia seja cada vez maior nos debates, discursos e documentos, tanto oficiais quanto oficiosos. porém, a pessoa idosa de hoje, com uma formação construída dentro de uma racionalidade piramidal e estável, depara-se com uma realidade organizada a partir de parâmetros de liquidez, em que tudo tem duração provisória, tênue, rápida, veloz, inclusive os afetos.

O que fazer, e como viver, quando a organização da sociedade se dá com base na provisoriedade, na superficialidade, na convivência de verdades em que tudo é e não é? [...]

O momento atual exige reflexão, de modo mais firme e confiável a respeito dos impactos do envelhecimento sobre as sociedades e sobre as pessoas, considerando que ainda é grande a desinformação sobre as particularidades do envelhecimento populacional. Trata-se de fenômeno que tem operado mudanças significativas sobre as estruturas sociais e sobre as populações, tanto do campo quanto da cidade, na vida dos indivíduos e no seio das famílias, em especial pelo caráter de maior longevidade com que se tem caracterizado. Além de rápidas, muitas dessas mudanças não são planejadas ou mesmo esperadas, constituindo-se, assim, provocadoras de desestabilização dessas estruturas.

Considerada um problema social, a velhice é um exemplo da forma como certas perspectivas podem contribuir para deformar a concepção que se tem a respeito dela. [...].

[...]

Associada às incapacidades, sejam elas físicas, psíquicas ou materiais, a velhice vincula-se, então, a dependência, peso, inutilidade, quanto mais avançada seja a idade. Apesar das reconhecidas mudanças nas concepções de velhice, é inquestionável que ela ainda é concebida com forte ênfase biológica e financeira, até mesmo pelos grandes avanços que sinalizam a manipulação e as tecnologias genéticas para controle do envelhecimento.

[...].

(ALENCAR, Raimunda Silva d’. (Re)significando a solidariedade na velhice: para além de laços consanguíneos. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences. Maringá, v. 34, n. 1, p. 9-17, jan.-jun. 2012. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index. php/ActaSciHumanSocSci/article/view/16182/pdf. Adaptado. Acesso em: 23 jul. 2015.)

TEXTO 3

Política nacional do Idoso

SEÇÃO II
Das Diretrizes
Artigo 4o

Constituem diretrizes da política nacional do idoso:

I - viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações;

II - participação do idoso, através de suas organizações representativas, na formulação, implementação e avaliação das políticas, planos, programas e projetos a serem desenvolvidos;

III - priorização do atendimento ao idoso através de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar, à exceção dos idosos que não possuam condições que garantam sua própria sobrevivência;

IV - descentralização político-administrativa;

V - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços;

VI - implementação de sistema de informações que permita a divulgação da política, dos serviços oferecidos, dos planos, programas e projetos em cada nível de governo;

VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais do envelhecimento;

VIII - priorização do atendimento ao idoso em órgãos públicos e privados prestadores de serviços, quando desabrigados e sem família;

IX - apoio a estudos e pesquisas sobre as questões relativas ao envelhecimento.

Parágrafo Único

É vedada a permanência de portadores de doenças que necessitem de assistência médica ou de enfermagem permanente em instituições asilares de caráter social.

(BRASIL, Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Política nacional do idoso. Disponível em: http://www. mds.gov.br/assistenciasocial/secretaria-nacional-deassistencia-social-snas/cadernos/politica-nacionaldo-idoso/Politica Nacional do Idoso. Acesso em: 23 jul. 2015.)

TEXTO 4

Envelhecer
Arnaldo Antunes / Ortinho / Marcelo Jeneci

a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça
aparecer
os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora
é pra valer
os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser
envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que
vai acontecer

eu quero que o tapete voe
no meio da sala de estar
eu quero que a panela de pressão pressione
e que a pia comece a pingar

eu quero que a sirene soe
e me faça levantar do sofá
eu quero pôr Rita Pavone
no ringtone do meu celular

eu quero estar no meio do ciclone
pra poder aproveitar
e quando eu esquecer meu próprio nome
que me chamem de velho gagá

pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não pára de
crescer

não sei por que essa gente vira a cara pro presente e
esquece de aprender
que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai
correr

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser
envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que
vai acontecer

eu quero que o tapete voe…

(ANTUNES, Arnaldo. Envelhecer. Ao vivo lá em casa. 2011. Disponível em: http://www.arnaldoantunes.com.br/new/sec_discografia_sel.php?id=679. Adaptado. Acesso em: 23 jul. 2015.)

TEXTO 5

Velhice
Mario Quintana

Chega a velhice um dia... E a gente ainda pensa
Que vive... E adora ainda mais a vida!
Como o enfermo que em vez de dar combate à doença
Busca torná-la ainda mais comprida...

(QUINTANA, Mario. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006. p. 226.) 

TEXTO 6

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado. Imagine que você é articulista de um jornal de circulação nacional que está discutindo os desafios da longevidade no Brasil do século XXI. Escreva, então, um artigo de opinião sobre o tema: Longevidade no Brasil: qual o lugar reservado aos idosos no século XXI? em que apresente o seu ponto de vista. Você deverá usar argumentos convincentes e persuasivos.

PROPOSTA 2 – CARTA ARGUMENTATIVA

A carta argumentativa é um gênero textual que permite ao cidadão se manifestar em relação aos problemas sociais. possui como característica fundamental a persuasão, dada a intenção de o emissor convencer o interlocutor (normalmente uma pessoa responsável ou uma autoridade) a tomar uma atitude a fim de solucionar um determinado problema.

Coloque-se no lugar de um sociólogo brasileiro, estudioso do assunto longevidade e preocupado com os desafios que ela apresenta para a sociedade e para a saúde pública. Você resolve, então, escrever uma carta argumentativa endereçada aos congressistas brasileiros da Câmara e do Senado sobre o tema Longevidade no Brasil: qual o lugar reservado aos idosos no século XXI? Como redator do texto, posicione-se sobre o assunto e escreva uma carta argumentativa apresentando o seu ponto de vista. Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes. Utilize a coletânea e seus conhecimentos prévios sobre o tema.

PROPOSTA 3 – DIÁRIO PESSOAL

Diário pessoal é um gênero do discurso autobiográfico. Tem um caráter subjetivo e, às vezes, confessional. Materializa-se em um texto que registra impressões, sentimentos, experiências, sensações relativas à vivência cotidiana do sujeito que se expressa. É escrito em primeira pessoa.

Imagine que você seja um idoso com mais de 80 anos de idade que, após passar por uma série de exames médicos, descobre-se em perfeito estado de saúde e com uma expectativa de vida ainda bastante significativa pela frente. Apreensivo, mas estimulado com as possibilidades que virão pela frente, você escreve uma página de seu diário pessoal, relatando as suas impressões sobre o tema Longevidade no Brasil: qual o lugar reservado aos idosos no século XXI? Assuma, então, a voz desse idoso e escreva essa página de diário. Considere a coletânea apresentada e contextualize a linguagem à situação discursiva do seu texto. Use a primeira pessoa, mas não coloque o seu nome.

Redação Fuvest 2014

Leia o seguinte extrato de uma reportagem do jornal inglês The Guardian, de 22 de janeiro de 2013, para em seguida atender ao que se pede:

O ministro de finanças do Japão, Taro Aso, disse na segunda-feira (dia 21) que os velhos deveriam "apressar-se a morrer", para aliviar a pressão que suas despesas médicas exercem sobre o Estado.
"Deus nos livre de uma situação em que você é forçado a viver quando você quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior se soubesse que o tratamento é todo pago pelo governo", disse ele durante uma reunião do conselho nacional a respeito das reformas na seguridade social. "O problema não será resolvido, a menos que você permita que eles se apressem a morrer".

Os comentários de Aso são suscetíveis de causar ofensa no Japão, onde quase um quarto da população de 128 milhões tem mais de 60 anos. A proporção deve atingir 40% nos próximos 50 anos.
Aso, de 72 anos de idade, que tem funções de vice-primeiro-ministro, disse que iria recusar os cuidados de fim de vida. "Eu não preciso desse tipo de atendimento", declarou ele em comentários citados pela imprensa local, acrescentando que havia redigido uma nota instruindo sua família a negar-lhe tratamento médico para prolongar a vida.

Para maior agravo, ele chamou de "pessoas-tubo" os pacientes idosos que já não conseguem se alimentar sozinhos. O ministério da saúde e do bem-estar, acrescentou, está "bem consciente de que custa várias dezenas de milhões de ienes" por mês o tratamento de um único doente em fase final de vida.

Mais tarde, Aso tentou explicar seus comentários. Ele reconheceu que sua linguagem fora "inapropriada" em um fórum público e insistiu que expressara apenas sua preferência pessoal. "Eu disse o que eu, pessoalmente, penso, não o que o sistema de assistência médica a idosos deve ser", declarou ele a jornalistas.

Não foi a primeira vez que Aso, um dos mais ricos políticos do Japão, questionou o dever do Estado para com sua grande população idosa. Anteriormente, em um encontro de economistas, ele já dissera: "Por que eu deveria pagar por pessoas que apenas comem e bebem e não fazem nenhum esforço? Eu faço caminhadas todos os dias, além de muitas outras coisas, e estou pagando mais impostos".

theguardian.com, Tuesday, 22 January 2013. Traduzido e adaptado.

Considere as opiniões atribuídas ao referido político japonês, tendo em conta que elas possuem implicações éticas, culturais, sociais e econômicas capazes de suscitar questões de várias ordens: essas opiniões são tão raras ou isoladas quanto podem parecer? 0 que as motiva? 0 que elas dizem sobre as sociedades contemporâneas? Opiniões desse teor seriam possíveis no contexto brasileiro? Como as jovens gerações encaram os idosos?

Escolhendo, entre os diversos aspectos do tema, os que você considerar mais relevantes, redija um texto em prosa, no qual você avalie as posições do citado ministro, supondo que esse texto se destine à publicação - seja em um jornal, uma revista ou em um site da internet.

Instruções:
- A redação deve ser uma dissertação, escrita de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
- Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível. Não ultrapasse o espaço de 34 linhas da folha de redação.
- Dê um título a sua redação.

Redação UPF 2012

Tema 

A população brasileira vive, hoje, em média, 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 90. Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas (13% do total), e a esperança de vida, a 70,3 anos. 

A importância dos idosos para o País não se resume à sua crescente participação no total da população. Boa parte deles hoje são chefes de famílias nas quais a renda média é superior, inclusive, à renda daquelas chefiadas por adultos não-idosos. Segundo o Censo 2000, 54,5% dos idosos chefes de família vivem com os seus filhos e os sustentam.

Texto adaptado de http://bancodeprofissionais.com/guiaidoso/18.htm 

Produza um texto dissertativo-argumentativo sobre o novo perfil dos idosos brasileiros e os reflexos dessa mudança no âmbito social e/ou familiar. 

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