Redação sobre Educação

Redação sobre Educação

Educação

Tema 1

“A Educação é o mais importante fator no desenvolvimento de um país”.

Você concorda com tal afirmação? Justifique sua resposta.

Tema 2

“O sucesso de uma criança na escola depende mais da influência dos alunos de sua sala de aula do que a de seus pais”

Você concorda com tal afirmação? Quanto influenciado você foi pelos alunos em sua sala de aula? Elabore uma redação com exemplos específicos.

Tema 3

Há várias formas de aprender algo. Algumas pessoas preferem ler e outras, ouvir. Já outras preferem fazer coisas. Por exemplo, há pessoas que aprenderam a cozinhar por meio de livros de culinária. Outras pessoas preferem comparecer a aulas de culinária. Já outros preferem entrar na cozinha e “colocar a mão na massa”.

Qual forma de aprendizado você julga ser a mais eficaz? Elabore uma redação justificando sua resposta.

Tema 4

“À medida que o mundo se torna mais globalizado e mais competitivo, a educação se torna mais importante. Hoje, é imprescindível saber ler e escrever. O futuro de um país depende da educação formal de sua população”.

Você concorda com tal observação. Justifique sua resposta.

Redação Unicamp 2019  

PROPOSTA 1

Você é um(a) estudante do Ensino Médio na rede pública estadual e soube de um acontecimento revoltante na sua escola: sua professora de Filosofia recebeu ofensas e ameaças anônimas por suposta tentativa de doutrinação política, ao ter iniciado o curso sobre as origens da Cidadania e dos Direitos Humanos modernos com o texto a seguir:

Teócrito e o pensamento

A ninguém, nem aos deuses nem aos demônios, nem às tiranias da terra nem às tiranias do céu, foi dado o poder de impedir aos homens o exercício daquele que é o primeiro e o maior de seus atributos: o exercício do pensamento.

Podem amarrar as mãos de um homem, impedindo-lhe o gesto. Podem atar-lhe os pés, impedindo-lhe o andar. Podem vazar-lhe os olhos, impedindo a vista. Podem cortar-lhe a língua, impedindo a fala. O direito de pensar, o poder de pensar, porém, estão acima de todas as violências e de todas as repressões, que nada podem contra seu exercício. (...) Parece claro que não há abuso mais abominável que o de tentar impor limitações ao pensamento de qualquer pessoa.

Pretender suprimir o pensamento de quem quer que seja é o maior dos crimes. Pois não é apenas um crime contra uma pessoa, mas contra a própria espécie humana, uma vez que o pensamento é o atributo que distingue o ser humano dos demais seres criados sobre a face da terra. (...)

Na vida na cidade, se um homem neutraliza dentro de si o direito de pensar, a cidade pode ser tomada e dominada pela ferocidade de um tirano, cujo despotismo levará o povo à morte pela fome, pela crueldade ou por outras formas de injustiça e prepotência. E se não o povo todo, pelo menos uma parte do povo, certamente, será arrastada à opressão, à tortura, ao cárcere ou a qualquer outra forma de perdição. Os tiranos não gostam que as pessoas pensem. (Teócrito de Corinto, filósofo grego, século II d.C.)

A direção da escola ainda não se manifestou publicamente sobre o episódio. Indignado(a) com a tentativa de censura que a professora sofreu por propor aos alunos reflexões fundamentais à formação cidadã, você decidiu escrever o texto de um abaixo-assinado encaminhado à direção da escola, em nome dos estudantes, no qual deve: a) reivindicar que a escola se posicione publicamente em defesa da professora; b) reivindicar a manutenção de aulas de Filosofia que tematizem os Direitos Humanos; e c) justificar suas reivindicações. Para tanto, você deve levar em conta tanto o texto acima quanto os excertos abaixo.

1. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. (Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo XXVI, item 2, 1948.)

2.



3. No que toca aos direitos humanos, a filósofa Hannah Arendt identificou na ruptura trazida pela experiência totalitária do nazismo e do stalinismo a inauguração do tudo é possível, que levou pessoas a serem tratadas como supérfluas e descartáveis. Tal fato contrariou os valores consagrados da Justiça e do Direito, voltados a evitar a punição desproporcional e a distribuição não equitativa de bens e situações. Arendt propõe assegurar um mundo comum, marcado pela pluralidade e pela diversidade, o qual, através do exercício da liberdade, impediria o ressurgimento de um novo estado totalitário de natureza. No mundo contemporâneo, continuam a persistir situações sociais, políticas e econômicas que, mesmo depois do término dos regimes totalitários, contribuem para tornar os homens supérfluos e sem lugar num mundo comum, como a ubiquidade da pobreza e da miséria, a ameaça do holocausto nuclear, a irrupção da violência, os surtos terroristas, a limpeza étnica, os fundamentalismos excludentes e intolerantes. (Adaptado de Celso Lafer, A reconstrução dos direitos humanos: a contribuição de Hannah Arendt. Estudos Avançados, v. 11, n. 30, São Paulo, p. 55-65, maio/ago. 1997.)

4. O bicho está pegando na educação. Fico pensando em que mundo vivem os que acham que as escolas brasileiras sofrem de “contaminação político-ideológica” comandada por “um exército organizado de militantes travestidos de professores”. É uma baita contradição para quem diz defender a “pluralidade”, e é o caminho oposto dos países de alto desempenho em educação: Estados Unidos (em que alguns Estados oferecem educação sexual desde o século XIX), Nova Zelândia, Suécia, Finlândia e França. No Brasil, querem interditar o debate. Mesma coisa com os estudos indígenas e africanos, classificados aqui como porta de entrada para favorecer “movimentos sociais”. Já na Noruega, o currículo é generoso com o povo sami, habitantes originais do norte da Escandinávia. “Doutrinação”, por lá, chama-se respeito à diversidade e às raízes da história do país. Para piorar, o principal evangelista dessa “Bíblia do Mal” seria Paulo Freire. Justo ele, pacifista convicto e obcecado pela ideia de que as pessoas deveriam pensar livremente. Presos na cortina de fumaça da suposta doutrinação, empobrecemos um pouco mais o debate sobre educação. (Adaptado de Blog do Sakamoto. Disponível em https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br. Acessado em 05/07/2018.) 

EXPECTATIVAS DA BANCA – REDAÇÃO 

PROPOSTA 1

A primeira proposta de redação apresenta aos candidatos e às candidatas uma situação semelhante a algo que, nos últimos anos, tem acontecido no Brasil: uma professora de Filosofia do Ensino Médio de uma escola da rede pública estadual de ensino foi acusada de doutrinação política por ter apresentado aos seus alunos o texto de um filósofo grego da Antiguidade nas aulas sobre as origens da Cidadania e dos Direitos Humanos. A professora recebeu ofensas e ameaças anônimas e a direção da escola não se manifestou em sua defesa. A docente foi, portanto, duplamente atingida: pela tentativa de censura anônima e pela omissão da direção da escola. Já os alunos se sentiram lesados pelo risco de perder as aulas de filosofia, fundamentais para sua formação. A prova de redação propõe então aos(às) candidatos(as) a escrita de um abaixo-assinado no qual deveriam se colocar no lugar dos estudantes dessa escola que, indignados com a situação, reivindicam junto à direção um posicionamento institucional em defesa da liberdade de cátedra da professora e a manutenção de aulas que tematizem os Direitos Humanos.

Definidos o gênero discursivo, os interlocutores e a situação de produção escrita, cabe aos(às) candidatos(as) lerem com atenção os textos disponibilizados na prova em busca de argumentos que justifiquem suas reivindicações. Dentre eles, o texto Teócrito e o pensamento, motivo da acusação de doutrinação política e parte da situação de produção. Nele, o filósofo grego defende a liberdade irrestrita do exercício do pensamento e denomina crime a tentativa de impedir o direito de pensar, concluindo que "os tiranos não gostam que as pessoas pensem". Esse texto dialoga diretamente com o texto 2, uma tirinha de Alexandre Beck, em que as personagens sugerem que os professores são perigosos porque "podem ensinar o povo a pensar".

O texto do filósofo grego dialoga também com o texto 3, de Celso Lafer, no qual o autor apresenta as reflexões de Hannah Arendt sobre as experiências desastrosas de regimes totalitários. A filósofa temia que, mesmo com o fim do nazismo e do stalinismo, persistissem no mundo contemporâneo a pobreza, a miséria, o perigo de um holocausto nuclear, a violência, os surtos terroristas, a limpeza étnica, os fundamentalismos excludentes e intolerantes. O temor de Teócrito de Corinto frente à tirania dos déspotas da Antiguidade (que levariam o povo à fome, à injustiça, à opressão, à tortura, ao cárcere, à perdição) foram atualizados por Hannah Arendt. Como se depreende da leitura desses textos, a ideia do totalitarismo e a ameaça da tirania continuam ecoando ao longo dos séculos.

A situação vivida pela professora na escola pode ser tomada como uma arena desse impasse: por um lado, a instrução deve promover "a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, em prol da manutenção da paz", como propõe a Declaração Universal dos Direitos Humanos (texto 1); por outro, a professora, ao tematizar justamente Cidadania e Direitos Humanos em seu curso, sofre represálias e uma tentativa de silenciamento.

Tal incoerência é tratada de modo irônico por Sakamoto (texto 4) que, em um tom bastante informal (o que o distingue de outros excertos da proposta), ridiculariza esse tipo de acusação aos professores ("militantes que visam doutrinar político-ideologicamente os seus alunos"). O autor critica parte da população brasileira que alega defender a pluralidade de pensamento, porém busca interditar debates em torno da educação sexual e excluir dos currículos questões que envolvem os Direitos Humanos - caminho oposto ao de países de alto desempenho em educação. Por fim, conclui Sakamoto, acusam erroneamente Paulo Freire de mentor dessa "doutrinação", o que só reforçaria a ignorância acerca da contribuição desse educador - pacifista e defensor do livre pensar - quando o assunto é educação no Brasil.

Para cumprir a primeira tarefa (reivindicar que a escola defenda a liberdade de cátedra da professora), os(as) candidatos(as) podem, por exemplo, mobilizar o texto de Teócrito de Corinto, a tirinha do Armandinho e o excerto do Sakamoto, que argumentam em favor da pluralidade de pensamentos, necessária em toda instituição de ensino, desconstruindo assim a falsa ideia de "doutrinação político-ideológica". Para cumprir a segunda tarefa (reivindicar a manutenção de aulas de Filosofia que tematizem os Direitos Humanos), os candidatos têm a possibilidade de recorrer às reflexões de Hannah Arendt e de Teócrito de Corinto para apontar os regimes totalitários como responsáveis por atos de barbárie, e concluir que os Direitos Humanos são imprescindíveis aos regimes democráticos. Podem, ainda, defender uma educação fundamentada nos Direitos Humanos e, para tanto, recorrer ao Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual determina que a instrução deva ser orientada no sentido de fortalecer e respeitar esses direitos. Mais especificamente, podem aproveitar exemplos citados por Sakamoto de países que são referência mundial em educação e cujos currículos valorizam os Direitos Humanos.

Espera-se que os(as) candidatos(as) construam uma "máscara discursiva" que se aproxime da situação de produção e da interlocução referidas e apresentem explicitamente as reivindicações indicadas, articulando as informações trazidas pelos textos da coletânea e outras que julgar pertinentes.

Redação Mackenzie 2019

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto I

É absolutamente importante o contato com a arte por crianças e adolescentes. Primeiro, porque no processo de conhecimento da arte são envolvidos, além da inteligência e do raciocínio, o afetivo e o emocional, que estão sempre fora do currículo escolar. A minha geração fez sua educação emocional a partir de filmes de Hollywood, o que é uma barbaridade. Não se conversava sobre sentimentos na escola. Segundo, porque a arte estimula o desenvolvimento da inteligência racional, medida pelo teste de QI. O pesquisador Janes Catteral estudou a influência da aprendizagem de arte na inteligência, que será aplicada a qualquer outra disciplina. Além disso, grande parte da produção artística é feita no coletivo. Isso desenvolve o trabalho em grupo e a criatividade.

Ana Mae Barbosa, professora e pesquisadora em arte-educação

Texto II


Disponível em: https://economiaclara.files.wordpress.com

Texto III 

Por vezes à noite há um rosto / Que nos olha do fundo de um espelho / E a arte deve ser como esse espelho / Que nos mostra o nosso próprio rosto.

Jorge Luis Borges, escritor

Redação PUC-RS 2017 

Recorte e colagem em trabalhos escolares

Conforme sustentam alguns estudiosos do assunto, as pesquisas escolares apresentadas como simples cópias de textos têm origem em uma série de fatores ligados diretamente à atuação do professor.

Sendo assim, a origem do problema da metodologia de copiar e colar empregada pelos alunos não está em uma “falha de caráter dos alunos”, na sua “preguiça de ler e resumir” ou na “facilidade com que se pode copiar e colar textos inteiros ou excertos e imagens da Internet”, mas sim na incapacidade do professor de propor, apoiar, acompanhar e participar com o aluno de pesquisas em que a cópia pura e simples não atenda aos requisitos previamente definidos na tarefa.

Adaptado de: CAMARGO, Orson. “Ctrl C Ctrl V, o plágio escolar”; Brasil Escola. 
Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/ctrl-c-ctrl-v-plagio-escolar.htm. Acesso em 15 de abril de 2017.

Você deverá analisar as afirmações acima do ponto de vista do aluno, considerando-as coerentes, ou não, com a realidade escolar da qual é oriundo(a). Para dar consistência ao texto, fundamente seu ponto de vista com argumentos plausíveis.

Redação Puc-Goiás 2017

ORIENTAÇÕES GERAIS 
Há, a seguir, três propostas de produção de texto escrito, a partir da concepção de gêneros textuais. Escolha uma delas e desenvolva o seu texto, em prosa, observando atentamente as orientações que acompanham cada proposta. Você deverá se valer das ideias presentes na coletânea desta Prova de Redação (mas sem fazer cópia), bem como de seu conhecimento de mundo e dos fatos da atualidade. Observe que cada proposta se direciona para um gênero específico de texto (artigo de opinião, carta de leitor e crônica). 

COLETÂNEA

TEXTO 1

Queremos uma educação voltada para o mercado ou para a inclusão?

Rodrigo Hübner Mendes

[...]

Nos últimos anos, tenho viajado para diversas regiões do mundo em busca de experiências consistentes de educação inclusiva. Com esse objetivo, tive a oportunidade de visitar escolas que se destacam por implementar propostas pedagógicas orientadas não só pelo desempenho escolar mas também pelo acolhimento das diferenças humanas. Além de entrevistar professores e diretores dessas instituições, sempre me aproximo dos gestores públicos responsáveis pela educação da respectiva cidade ou do país.

Ao perguntá-los sobre o tipo de educação que almejam, observo a existência de uma aparente dicotomia entre duas vertentes: uma que é defensora da meritocracia e do desenvolvimento de competências cognitivas voltadas às demandas tradicionais do mercado de trabalho; outra que é comprometida com a igualdade de direitos e é pautada pelo desenvolvimento de competências socioemocionais e pela construção de uma sociedade inclusiva. Em outras palavras, parece haver uma tensão binária entre a educação para o mercado e a educação para a cidadania.

Tenho refletido muito sobre essa suposta dicotomia e acredito que seja resultado de uma falta de visão. Sejam quais forem os referenciais políticos e ideológicos que nos guiam, todos somos conscientes da amplitude de demandas que nos impactam a cada instante. Somos chamados a planejar, calcular, analisar, estruturar e persuadir, e, ao mesmo tempo, somos convocados a ponderar, tolerar, respeitar, ressignificar e ceder.

Não se trata, portanto, de escolher competitividade ou cidadania, meritocracia ou tolerância, competências cognitivas ou competências socioemocionais. Trata-se de assumirmos a necessidade de uma visão mais ambiciosa de sociedade e, consequentemente, de educação.

Há alguns anos, tive a chance de conversar com Pirjo Koivula, integrante do Ministério da Educação da Finlândia – país que tem se destacado em rankings internacionais sobre qualidade de ensino. Ao perguntá-la sobre como conciliar a busca por desempenho acadêmico com o acolhimento das diferenças, Pirjo explicou que a Finlândia investe continuamente em suporte ao aluno.

Seja qual for o background, todo aluno em algum momento pode precisar de atenção individualizada, e os professores são orientados a identificar diariamente aqueles que precisam de apoio. Pessoas com deficiência fazem parte desse processo e acabam sendo tratadas como iguais, pois, assim como as outras, uma criança com deficiência pode precisar de “suporte”, e é isso que buscam oferecer. Outra evidência de que tal abordagem não é discriminatória é a opção por abandonar a expressão “educação especial”.

Uma fonte notável de ideias para uma educação inclusiva é o professor Thomas Hehir, membro da Harvard Graduate School of Education. Segundo ele, os docentes precisam ter em mente as diversas necessidades e os desafios que os estudantes podem enfrentar. Por exemplo, um aluno disléxico ou um que sofra de ansiedade podem se sentir constrangidos quando chamados para uma leitura oral em classe.

É papel do professor conhecer a história de cada aluno e evitar esse tipo de situação. Ao mesmo tempo, Hehir argumenta que todos os estudantes podem se beneficiar de estratégias de ensino que são criadas a partir de um conceito de desenho universal de aprendizagem. É o caso das pessoas que preferem utilizar tecnologias que transformam textos escritos em textos falados, em vez de utilizarem a leitura convencional. Esse é um recurso normalmente adotado por pessoas cegas, mas que pode ser útil para todos.

Voltando à nossa reflexão inicial, nenhuma das referências aqui citadas rendeu-se à dicotomia entre educação para o mercado versus educação para a cidadania. Mais do que isso, indicaram que é possível transcender a armadilha da escolha simplista entre dois extremos e perseguir uma educação baseada na soma.

Sob outro ponto de vista, assumo a crença de que a educação de que precisamos não deve se contentar com a formação de pessoas que se limitem a seguir as regras do jogo e a enxergar o mundo tal como o herdamos. Precisamos buscar um tipo de educação que nutra o desenvolvimento de cidadãos críticos e incomodados. Isso implica considerarmos a formação de seres humanos capazes de romper com visões dicotômicas e de interferir positivamente na complexa tessitura de uma sociedade coesa e igualitária.

(MENDES, Rodrigo Hübner. Queremos uma educação voltada para o mercado ou para a inclusão? Disponível em: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2016/07/22/queremos-uma-educacao-voltada-para-o-mercado-ou-para-a-inclusao.htm. Acesso em: 25 jul. 2016. Adaptado.)

TEXTO 2

Meritocracia na Educação: um modelo desejável?

Daniel Archer Duque

Diante de recentes esforços, ainda que insuficientes, por parte do governo para incrementar o investimento público em educação, mais do que dobrando o gasto real por aluno nos últimos dez anos, uma série de questionamentos e debates foram iniciados a fim de se discutir o modelo apropriado para ser adotado nas escolas brasileiras. Hão de ser debatidas todas as propostas, principalmente as de conservadores e liberais, que, ao passo que ganham voz, começam a defender uma mudança diametral nesse setor, para seguir em um sistema cada vez mais meritocrático, com amplas recompensas por resultados, tanto para alunos quanto para professores e escolas.

Rodrigo Constantino, um dos principais articulistas desse segmento da sociedade, chegou a apresentar no seu blog e em palestras – uma no recente encontro do Instituto Liberal – sua defesa pela meritocracia, hoje, segundo ele, inexistente nas escolas, a ponto de diminuir o incentivo aos alunos de melhorar seu desempenho. Para o economista, a falta de um modelo meritocrático na educação pública brasileira acarreta o “nivelamento por baixo”, exaltando a mediocridade nas mentes jovens e desestimulando o esforço pessoal e público para melhores resultados. As cotas raciais seriam o mais claro exemplo da falta de meritocracia na educação, e deveriam ser totalmente abolidas, segundo o pensamento.

Uma vertente dessa ideia consiste na adoção de um sistema de recompensas materiais para alunos de alto desempenho, como laptops e, no limite, até dinheiro vivo. Além disso, as escolas com estudantes melhor avaliados – no PISA, por exemplo – receberiam maiores recursos do Governo Federal, que poderia até dar vouchers (transferências para serem gastas em escolas privadas) como alternativa para as famílias. Assim, pela lógica, alunos e escolas começariam a competir entre si para obterem maiores ganhos, se esforçando cada vez mais e progressivamente elevando suas médias.

O modelo é sedutor por sua ideia baseada na competição para acabar com a mediocridade, nos estímulos materiais ao esforço individual etc… Mas, como toda sociedade que se propõe a ser democrática, havemos de pensar se esse sistema seria efetivamente justo no caso brasileiro. Para um ensaio sobre o assunto, podem ser usadas como base as ideias de John Rawls, filósofo liberal, que escreveu Uma teoria de justiça.

Segundo o pensador, a meritocracia, ou seja, as recompensas desiguais, para obedecer de fato o princípio de justiça, deve então distribuir os ganhos conforme as virtudes individuais, não o desempenho. Isso se dá porque o resultado final de uma avaliação depende de uma série de fatores não necessariamente controláveis pelo indivíduo. Admitindo, por exemplo, que a virtude digna de mérito nas escolas seja o esforço pessoal, há uma numerosa gama de elementos na nossa sociedade que diferenciam o esforço necessário aos indivíduos e escolas para o alcance de um mesmo desempenho acadêmico.

A pobreza, por exemplo, transforma o conjunto familiar em um ambiente disfuncional ao aprendizado, segundo Sônia Rocha, pesquisadora do IPEA. Por fatores como insegurança alimentar, elevada variância de renda, maior ocorrência de conflitos violentos e inexistência de estímulos culturais, viver em uma família pobre exige da criança e do jovem um esforço individual muito maior para obter desempenho semelhante aos de seus pares mais abastados nas escolas. Rui-se, assim, a ideia de meritocracia por resultado, diante da exigência de diferentes esforços para um mesmo patamar na avaliação final.

Ser negro no Brasil é outro fator que pode comprometer o desempenho acadêmico. Segundo o professor de antropologia da UFF, Julio Tavares, o negro é desumanizado sempre que se torna ameaça, presença desafiante ou alvo da frustração. Já para Jaime Pinsky, professor de História da Unicamp, o preconceito é uma forma consciente ou não de marginalizar o outro para ocupar melhor os espaços. Ou seja, em um ambiente competitivo, o racismo funciona como ferramenta de rebaixamento social do afrodescendente, para favorecer os caucasianos. A presença da discriminação e do bullying por preconceito exige, assim, de todos aqueles com pele escura, maior esforço para um resultado semelhante ao dos brancos nas escolas.

(DUQUE, Daniel Archer. Meritocracia na Educação: um modelo desejável? Disponível em: http://www.debatesculturais.com.br/ meritocracia-na-educacao-um-modelo-desejavel/. Acesso em: 25 jul. 2016. Adaptado.)

TEXTO 3

Quando o discurso da meritocracia ignora a desigualdade

Vanda Mendes Ribeiro

O esforço é algo extremamente importante no tipo de sociedade em que vivemos, e a meritocracia tem se tornado um conceito defendido por muitos. Mas precisamos questionar a ideia de que tudo o que as pessoas conseguem ou têm decorre de tal esforço. É comum veículos de imprensa divulgarem casos de pessoas que conseguiram “subir na vida” devido a um grande empenho pessoal. Esses casos podem nos levar a pensar que, se alguém não consegue um bom emprego ou não passa no vestibular de uma universidade de prestígio, é porque não se esforçou o suficiente. Mas será que isso é verdade?

Até a Idade Média, o nascimento determinava o lugar social de cada pessoa. Um filho de nobre tinha posições sociais (como cargos na estrutura do Estado ou títulos de nobreza) garantidas pelo simples fato de ter nascido em uma família nobre. O filho de um trabalhador do campo jamais conseguiria tais títulos ou cargos. A ascensão social era algo que nem estava no imaginário das pessoas.

Com o fim desse sistema social, a ascensão da burguesia e o surgimento da democracia moderna, garantiu-se legalmente o direito de qualquer um, independente da posição social de seus familiares, poder obter um status elevado. Uma filha de um trabalhador rural pode, por direito, chegar a ser Presidente da República, juíza ou professora universitária. Dessa noção consolidou-se a crença de que, para ascender socialmente, basta que nos esforcemos.

Há, porém, fortes evidências científicas, detectadas por meio de pesquisas, como as do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que permitem questionar esse pensamento tão arraigado entre nós. No tipo de sociedade em que vivemos, qualquer pessoa pode, teoricamente, alcançar qualquer posição social. Mas, na prática, o peso da origem social ainda é muito mais determinante do que gostaríamos de acreditar.

Para começar, nas sociedades democráticas não há posições vantajosas em número suficiente para todos. Se a totalidade dos indivíduos recorressem à mesma quantidade de esforço pessoal, não haveria como cumprir a máxima do “se esforce e então conseguirá o que deseja”. Portanto, esse pensamento expressa uma profecia que jamais poderia ser cumprida.

Crianças de famílias mais pobres ou de posições sociais menos vantajosas têm menor rendimento nos estudos, reprovam mais e possuem índices de abandono escolar maiores. Isso independe do quanto se esforcem. Devido aos avanços das pesquisas no campo social, já sabemos que até mesmo as expectativas dos jovens com relação às suas profissões futuras são influenciadas pelo nível socioeconômico da família. Ter ou não acesso desde cedo à educação infantil, por exemplo, exerce grande impacto na trajetória escolar das crianças.

[...]

Sabe-se também que as redes de contatos, o conhecimento acumulado ao longo da vida e a capacidade de falar outras línguas são importantes para se galgar uma posição vantajosa na vida adulta. Mesmo que o filho de um industrial não tenha estudado tanto quanto o filho de uma faxineira, por exemplo, sem dúvida ele terá mais portas abertas para oportunidades interessantes.

A repercussão disso na escola pode ser terrível e perpetuar as desigualdades. Diante da injustiça de serem tratados como incapazes, com o tempo, alunos que “fracassam” tendem a tornar-se inertes ao ambiente escolar, segundo alguns especialistas, como François Dubet. Esses alunos podem abandonar mentalmente os estudos, ou tornar-se indisciplinados, ou mesmo violentos. [...].

É preciso que ampliemos a capacidade de nossas instituições gerarem igualdade de oportunidades. Isso é extremamente necessário na Educação Básica, um momento da vida em que a sociedade determina que todos temos os mesmos direitos educacionais. O período da escolaridade obrigatória não combina com a ideia de que os resultados de aprendizagem e a trajetória escolar devam depender do esforço individual. Deve, sim, depender do esforço institucional, do Estado. Quando todos os jovens, ao deixarem a Educação Básica, tiverem galgado um patamar considerado adequado, aí então será mais justo falar em mérito para tratar do acesso às suas futuras oportunidades.

(RIBEIRO, Vanda Mendes. Quando o discurso da meritocracia ignora a desigualdade. Disponível em: http://www.inclusive.org.br/ arquivos/29268. Acesso em: 25 jul. 2016. Adaptado.)

TEXTO 4

A educação e a meritocracia

Francisco Lacombe

Por que a educação privada é, em média, no ensino fundamental e no médio, melhor do que a pública? Porque as escolas privadas têm uma estrutura menor, em que a avaliação é mais fácil e imediata. O topo da estrutura está em permanente contato com as bases. Professores e administradores correm riscos e são premiados ou punidos pelo seu desempenho. Existe uma relação direta entre os resultados alcançados e as receitas obtidas.

As universidades públicas são boas porque os alunos que aí entram são muito melhores do que os que optam pelas particulares, pela simples razão que estas são pagas e caras. Lecionei muitos anos em ambas e pude comprovar este fato. Existe ainda um pouco de meritocracia nas universidades públicas, se bem que muito prejudicada pelas políticas internas e pelo erro de procurar avaliar apenas pela titulação que nada diz sobre o conhecimento prático, nem sobre a dedicação e as qualidades didáticas e muito menos pelos resultados alcançados pelos alunos.

O provão, idealizado no governo Fernando Henrique e descontinuado pelo governo Lula, tinha alguns pontos que precisavam melhorar, mas, pelo menos, media exatamente o que precisa ser medido: o conhecimento dos alunos.

(LACOMBE, Francisco. A educação e a meritocracia. Disponível em: http://www.institutoliberal.org.br/blog/a-educacao-e-a-meritocracia/. Acesso em: 25 jul. 2016.)

TEXTO 5

(Armandinho e o currículo insensível e pragmático estabelecido pelo deus Mercado. Disponível em: http://paraalemdocerebro.blogspot.com.br/2015/04/armandinho-e-o-curriculo-insensivel-e.html. Acesso em: 25 jul. 2016.)

PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO

Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo em que o autor expressa a sua opinião sobre determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado.

Imagine que você é articulista de uma revista de circulação nacional, especializada em educação, que está discutindo meritocracia, cidadania, inclusão e mercado na educação brasileira. Escreva, então, um artigo de opinião sobre o tema Uma educação voltada para o mercado, o mérito, a competição é o melhor modelo para o nosso país? Apresente o seu ponto de vista e use argumentos convincentes e persuasivos.

PROPOSTA 2 – CARTA ARGUMENTATIVA

A carta argumentativa é um gênero textual que permite ao cidadão se manifestar em relação aos problemas sociais. Possui como característica fundamental a persua são, dada a intenção de o emissor convencer o interlocutor (normalmente uma pessoa responsável ou uma autoridade) a tomar uma atitude com a finalidade de solucionar um determinado problema.

Imagine-se um jovem que acaba de entrar em uma universidade, mas que vivenciou, de forma bastante atuan te, toda a fase de Educação Básica e se sente estimulado a discutir o tema Uma educação voltada para o mercado, o mérito, a competição é o melhor modelo para o nosso país? Escreva uma carta argumentativa a ser encaminhada ao Ministro da Educação defendendo o seu ponto de vista. Considere as marcas de interlocução peculiares ao gênero carta na construção do seu texto e apresente argumentos convincentes.

PROPOSTA 3 – CRÔNICA

Crônica é um gênero discursivo que relata acontecimentos do cotidiano e pode apresentar os elementos básicos da narrativa (fatos, personagens, tempo, espaço, enredo). Possui leveza, humor, bem como provoca reflexões sobre fatos da vida e dos comportamentos humanos.

Imagine a seguinte situação: você é um estudante universitário e mantém um blog em que escreve crônicas sobre vários temas. Escreva uma crônica, apresentando narrador em primeira pessoa e diálogos que contri buam para o debate sobre o tema: Uma educação voltada para o mercado, o mérito, a competição é o melhor modelo para o nosso país? Em sua crônica, o narrador protagonista vive uma situação conflituosa em que se destaca a necessidade de um posicionamento crítico sobre as vantagens ou desvantagens de uma educação pautada pela meritocracia.

Redação UNIOESTE 2016

PROPOSTA 1

Escreva uma CARTA DO LEITOR, para ser publicada na seção de cartas da Revista Superinteressante, posicionando-se sobre a temática contida no texto abaixo.

Ensino domiciliar

Cerca de 2.500 famílias brasileiras instruem os filhos fora das salas de aula - e fora da lei. Muitos deles são adeptos do unschooling, movimento que quer mais do que tirar as crianças de dentro da escola: o objetivo é tirar a escola de dentro de alunos, pais e mestres.
“Minha filha não sabe o que é ser obrigada a acordar cedo, colocar uma mochila nas costas, estudar o que um professor decidiu que ela deveria saber e ter de fazer uma prova para mostrar do que é capaz”, conta Cleber Nunes sobre a filha Ana, de 8 anos. “Nessa idade, o único compromisso de uma criança é brincar. Ela aprende só o que acha interessante. E, mesmo assim, fazemos com que isso faça parte da brincadeira. Sem agenda. Sem ritmo”. O que Cleber ensina neste depoimento é o princípio do unschooling - desescolarização, em tradução livre - prática que consiste em expor a criança ao mundo, perceber seus interesses e facilitar para que cada situação seja uma chance de aprendizagem. Tudo isso fora da escola - e da lei. No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) afirma ser dever dos pais ou responsáveis matricular os menores na rede regular de ensino a partir dos 4 anos.

Veja quais são os países com mais estudantes caseiros:*
EUA: 2 milhões
África do Sul: 150 mil
Rússia: 70 a 100 mil
Reino Unido: 20 a 100 mil
Canadá: 80 a 95 mil
França: 12 a 23 mil
*Fonte: Associação de Defesa do Ensino Domiciliar (HSLDA), EUA.
(Adaptado de Camila Matos, Revista Superinteressante, ed. 348, jun./2015).

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ESTUDO PERSONALIZADO

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Colégios

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