Redação sobre Desigualdade de Gênero

Redação sobre Desigualdade de Gênero

Redação Fatec 2022

TEXTO I

A desigualdade salarial de gênero é formada, muitas vezes, antes da entrada dos indivíduos no mercado de trabalho. No entanto, o mercado de trabalho pode funcionar como um reprodutor e consolidador dessa desigualdade. Por exemplo, algumas pessoas argumentam que mulheres, coincidentemente, têm preferência por certas profissões que pagam menos e, por isso, a desigualdade salarial não tem relação direta com a desigualdade de gênero.

Para diversos cientistas sociais, compreender como essas preferências profissionais são firmadas é muito importante. O essencial aqui seria perguntar o porquê de mulheres estarem concentradas em cursos como educação e humanidades, além de comporem apenas 20 % dos profissionais de Engenharia ou 40 % dos profissionais de Economia. Será que existe um incentivo menor, na nossa cultura como um todo, para mulheres seguirem carreiras nas áreas mais ligadas às engenharias?

<https://tinyurl.com/rfc4tbc> Acesso em: 20.04.2022. Adaptado.


<https://tinyurl.com/3mfjdxmc> Acesso em: 21.04.2022. Original colorido.

A partir da coletânea apresentada, elabore um texto narrativo ou um texto dissertativo-argumentativo explorando o seguinte tema:

Desigualdade de gênero e mercado de trabalho no Brasil contemporâneo

Orientações
• Narração – explore adequadamente os elementos desse gênero: fato(s), personagem(ns), tempo e lugar.
• Dissertação – selecione, organize e relacione os argumentos, fatos e opiniões para sustentar suas ideias e pontos de vista.

Ao elaborar seu texto:
- Atribua um título para sua redação;
- Não o redija em versos;
- Organize-o em parágrafos;
- Empregue apenas a norma-padrão da língua portuguesa;
- Não copie os textos apresentados na coletânea e na prova;
- Utilize apenas caneta de tinta azul ou preta para elaborar a versão definitiva; e
- Faça um rascunho antes de passar para a Folha de Redação.

Não assine ou se identifique na Folha de Redação.

Redação UECE 2022.1

Prezado(a) Candidato(a),

A história da humanidade insiste, por diversas questões, em apresentar uma relação negativamente opositiva entre homens e mulheres. Isso é ainda mais acentuado, segundo pesquisas, quando a mulher é negra e ou pobre. Assim, a interseccionalidade gênero, raça e classe acentua as dificuldades para o estabelecimento equitativo da mulher na sociedade. No campo profissional, não há muitas diferenças, pois áreas que são habitualmente tomadas como masculinas reproduzem o modelo. Embora grandes conquistas tenham sido realizadas, muitos desafios ainda estão postos para a mulher exercer plenamente sua cidadania.

Proposta 1:

Considere a seguinte situação: você participa de um jornal na sua escola e foi indicado(a) para redigir o editorial da edição especial em homenagem ao dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. Sabendo que a data é um símbolo de resistência das mulheres negras, seu editorial deve apresentar fatos, opiniões e argumentos sobre o papel da mulher negra na ciência. Redija seu texto de acordo com o uso da norma padrão culta da escrita de língua portuguesa.

Proposta 2:

Em um concurso de redação para a escola, foi solicitado que se procurassem, na comunidade, mulheres que conseguiram mudar de vida através dos estudos e, a partir da entrevista realizada com uma delas, se elaborasse um mural no qual fossem expostas as biografias desse público. Para isso, escreva uma biografia, em terceira pessoa, narrando a história de vida de uma dessas mulheres que você entrevistou, detendo-se em seus feitos a partir da melhoria de vida através da educação. Atente para o uso da norma padrão culta da escrita de língua portuguesa.

TEXTO I

O MURO PERMANECE ALTO PARA MULHERES NEGRAS

Em 2012, Paloma Calado tinha 17 anos e decidiu que queria fazer faculdade de Ciência da Computação. Ela bolou um plano: cursar o último ano do ensino médio de manhã, dois cursos profissionalizantes à tarde e fazer o pré-vestibular à noite, no Centro de Educação do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde mora. A ideia era passar na faculdade, mas, caso não conseguisse, entraria no mercado de trabalho. ‘‘Graças a Deus deu certo, fui aprovada em três universidades’’, conta.

Decidiu pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e foi aí que ela deu de cara com um outro universo, mais desigual do que qualquer outro espaço que ocupava. ‘‘Foi um choque de realidade. Eu não sabia dessa discrepância de mulheres e homens na computação. Para mim era normal, mas quando eu cheguei lá não era assim: 10% da turma eram mulheres, e mulheres negras tinham duas, contando comigo, em uma turma de 60’’.

Paloma estudou em escolas públicas municipais e estaduais. Ela explica que, por isso, sempre teve contato com pessoas próximas a sua realidade. ‘‘Na faculdade, eu vi de cara a diferença. Foi mais gritante a questão de gênero e depois veio a questão de raça porque, mesmo entre os homens, pouquíssimos eram negros. Mas eu fico feliz porque nessa minha trajetória dentro da universidade, eu vi esse quadro mudando’’.

Quando Paloma entrou na universidade, em 2013, excluindo os casos sem informação ou que não responderam, mulheres negras eram 22% das pessoas que haviam ingressado nas Instituições de Ensino Superior (IES), mulheres brancas 32%, homens brancos 26% e homens negros 18%. Em 2019, considerando os que declararam cor ou raça, houve um salto entre alunos negros que ingressaram no ensino superior: mulheres negras passaram para 27% do total, e homens negros, para 20%. Já a proporção entre os brancos caiu para 29% entre as mulheres e para 22% entre os homens. A política de cotas nas universidades federais foi instituída em 2012, logo o aumento em 2019 demonstra ser um possível reflexo da medida.

Neste domingo (25) em que se celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é importante olhar para avanços, mas sem deixar de reconhecer que são as mulheres negras que ainda enfrentam mais barreiras para se manter na universidade e entrar no mercado de trabalho. Elas seguem sub-representadas nas instituições públicas do país. Do total de mulheres negras que entraram em uma universidade, 16% ingressaram em instituições públicas e 84% em instituições privadas. Os dados são do Censo Escolar mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Já de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados da Pnad Contínua, a taxa de desocupação das mulheres negras atingiu 19,8% no terceiro trimestre de 2020.

Dados do Censo do Ensino Superior analisados pelo datalabe mostram que a porcentagem de mulheres matriculadas nos cursos de tecnologia é bem menor. Em 2016, em engenharia da computação, 10% das pessoas matriculadas eram mulheres e, destas, 62% eram brancas. Ou seja, mesmo as mulheres negras sendo 28% da população brasileira, o maior grupo demográfico do país, menos da metade de mulheres ingressantes em engenharia da computação era negra.

‘‘A gente tinha uma ilusão de que as questões de gênero já estavam resolvidas na educação porque as mulheres eram maioria tanto na conclusão da educação básica quanto na participação no ensino superior. Mas a pergunta é: de quais mulheres estamos falando? O que elas escolhem e quem pode escolher?’’, questiona Suelaine Carneiro, coordenadora do Programa de Educação e Pesquisa do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Para sua pesquisa de mestrado, Suelaine entrevistou estudantes de ensino médio e percebeu que, já dentro da universidade, muitas escolhas profissionais são possibilitadas ou impossibilitadas pela questão de gênero, de raça e pelas condições socioeconômicas. Ou seja, passar não basta. Concluir a graduação é outro desafio significativo para essas mulheres.

Disponível em: https://www.geledes.org.br/o-muro-permanece-alto-para-mulheres-negras/ Acesso em 20 de ago. de 2021. Texto adaptado.

TEXTO II

Biografia de Conceição Evaristo

Maria da Conceição Evaristo de Brito é uma professora e escritora brasileira contemporânea sendo especialmente ativa nos movimentos pela luta negra. A autora, que publica poemas, ficção e ensaios, nasceu no dia 29 de novembro de 1946 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Filha de Joana Josefina Evaristo, Conceição teve pouco contato com o pai, tendo sido criada pela mãe, uma lavadeira, e pelo padrasto (Aníbal Vitorino), que era pedreiro, numa comunidade da Avenida Afonso Pena.

A autora cresceu na companhia de três irmãs filhas do mesmo pai e da mesma mãe (Maria Inês, Maria Angélica e Maria de Lourdes) e dos cinco irmãos filhos do novo relacionamento da mãe com o padrasto.

Quando a menina tinha sete anos, foi viver com a tia, Maria Filomena da Silva, a irmã mais velha da mãe, que também era lavadeira e o tio, Antônio João da Silva, que era pedreiro. O casal não tinha filhos. Aos oito anos, Conceição começou a trabalhar como empregada doméstica.

A menina, assim como os irmãos e os pais, sempre estudou em escolas públicas. O curso de professora primária tirou no Instituto de Educação de Minas Gerais.

Em 1973, Conceição Evaristo se mudou para o Rio de Janeiro. Lá se formou em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais tarde, concluiu um mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro defendendo a dissertação Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (1996). A seguir fez o doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense tendo defendido a tese Poemas malungos, cânticos irmãos (2011).

Conceição deu os seus primeiros passos profissionais atuando como docente em escolas do ensino público do Rio de Janeiro. Como autora, o seu percurso se iniciou durante a década de 90 tendo publicado obras dos mais variados gêneros literários: desde poesia, passando pela ficção e também pelo ensaio.

Disponível em: https://www.ebiografia.com/conceicao_evaristo/. Acesso em 20 de ago. de 2021. Texto adaptado.

Redação Unicamp 2020

PROPOSTA 

Você é um(a) escritor(a) que publica uma crônica em uma revista semanal. Sempre se viu como uma pessoa livre de preconceitos e sempre apoiou a igualdade de gêneros. Hoje, porém, ao ler uma matéria no El País, você se deu conta de que, certa vez, vivenciou um episódio em que considerou normal uma das atitudes listadas nessa matéria, as quais, segundo lanko López, revelam o micromachismo enraizado em nossa sociedade.

Diante da sua tomada de consciência, você decidiu que esse será o tema da sua crônica desta semana. Identificou, então, entre as atitudes listadas (excerto 1) a que corresponde à situação que você vivenciou. Em sua crônica, você deve, tal como fez Chimamanda Ngozi Adichie (excerto 2): a) narrar o episódio vivenciado por você, b) relacioná-lo à atitude micromachista escolhida e c) expor suas reflexões sobre os sentimentos que o reconhecimento dessa atitude despertou em você.

Crônica é um gênero textual que aborda temas do cotidiano. Normalmente é veiculada em jornais e revistas. O cronista trata de situações corriqueiras sob uma ótica particular.
Para redigir o seu texto, leve em conta os excertos apresentados a seguir.

1) As atitudes machistas mais flagrantes são claras para nós. Aquelas que, de forma manifesta e constante, colocam a mulher em uma posição inferior ao homem em contextos sociais, econômicos, jurídicos e familiares. Aquelas que consideram que o homem e a mulher nascem com objetivos e ambições diferentes na vida. No entanto, apesar das reivindicações históricas dos anos 1970 e da crescente conscientização em relação ao machismo em todos os âmbitos culturais e políticos nos últimos anos, há pequenos resquícios que continuam interiorizados em muitos de nós. São sequelas da nossa educação e dos produtos culturais que nos formaram como pessoas e que fazem com que, apesar de criticarmos e denunciarmos o machismo, ainda possamos cair em algumas de suas armadilhas sem perceber. O micromachismo, como vem sendo chamado nos últimos cinco anos, se manifesta em formas de discriminação muito sutis que acontecem todos os dias, até mesmo nos ambientes mais progressistas. Segue uma lista baseada em exemplos que demonstram que talvez tenhamos entendido o grosso das reivindicações feministas, mas ainda precisamos ler as letras miúdas.

1. Achei necessário explicar algo a uma mulher sem que ela me pedisse, pelo simples fato de ser mulher.
2. Comentei com um amigo que ficou cuidando dos filhos: "Hoje te deixaram de babá."
3. Perguntei a uma mulher se ela estava "naqueles dias" quando me respondeu com indiferença ou desprezo.
4. Disse que "ajudo" nas tarefas do lar, subentendendo que esse é um trabalho da mulher em que eu estou ajudando, e não participando em condições de igualdade.
5. Em meu trabalho ou entre amigos, só chamo os homens para jogar futebol, pressupondo que as mulheres não querem jogar.
6. Perguntei a uma mulher quando vai ter filhos, mas nunca perguntei o mesmo a um homem.
7. Pago todos os meus jantares com mulheres acreditando que é o que se espera de mim.
8. Descrevi uma mulher como "pouco feminina".
9. Usei a palavra "provocante" para descrever a roupa de uma mulher.
10. Comentei que "essas não são formas para uma moça falar."
11. Na televisão, aprecio homens ácidos e divertidos e mulheres bonitas.
12. Fiz o comentário "Ela é uma mulher forte", subentendendo que as mulheres, em geral, são fracas.
13. Deixo meu filho adolescente ficar na rua até as 3 da madrugada, mas obrigo minha filha a voltar antes da meia-noite.

(Adaptado de lanko López, Micromachismos: se é homem e faz alguma destas coisas, deve repensar seu comportamento. Disponível em El País. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/07/politica/ 1520426823_220468.html. Acessado em 28/06/2019.)

2) Quando eu estava no primário, em Nsukka, uma cidade universitária no sudeste da Nigéria, no começo do ano letivo, a professora anunciou que iria dar uma prova e quem tirasse a nota mais alta seria o monitor da classe. Ser monitor era muito importante. Ele podia anotar, diariamente, o nome dos colegas baderneiros, o que por si só já era ter um poder enorme; além disso, ele podia circular pela sala empunhando uma vara, patrulhando a turma do fundão. É claro que o monitor não podia usar a vara. Mas era uma ideia empolgante para uma criança de nove anos, como eu. Eu queria muito ser a monitora da minha classe. E tirei a nota mais alta. Mas, para minha surpresa, a professora disse que o monitor seria um menino. Ela havia se esquecido de esclarecer esse ponto, achou que fosse óbvio. Um garoto tirou a segunda nota mais alta. Ele seria o monitor. O mais interessante é que o menino era uma alma bondosa e doce, que não tinha o menor interesse em vigiar a classe com uma vara. Mas eu era menina e ele, menino, e ele foi escolhido. Nunca me esqueci desse episódio. Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar "normal" que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens. Eu tendo a cometer o erro de achar que uma coisa óbvia para mim também é óbvia para todo mundo. Um dia estava conversando com meu querido amigo Louis, que é um homem brilhante e progressista, e ele me disse: "Não entendo quando você diz que as coisas são diferentes e mais difíceis para as mulheres. Talvez fosse verdade no passado, mas não é mais. Hoje as mulheres têm tudo o que querem." Oi? Como o Louis não enxergava o que para mim era tão óbvio? 

(Adaptado de Chimamanda Ngozi Adichie. Sejamos todos feministas. Tradução de Christina Baum. São Paulo: Companhia da Letras, 2015, p. 15-17.)

Você deverá escolher apenas UMA das propostas para desenvolver. Não se esqueça de marcar a proposta escolhida na folha de resposta reservada para a Redação.

Comentário UNICAMP

A expectativa nesta proposta de redação é a de que os candidatos: 1) compreendam o conceito de micromachismo; 2) coloquem-se no papel de um cronista que, embora se considere livre de preconceitos de gênero, se dá conta de seu micromachismo; 3) escrevam uma crônica na qual, obrigatoriamente, narram um episódio vivenciado pelo cronista, relacionando esse episódio à atitude micromachista escolhida e expondo seus sentimentos.

Espera-se que os candidatos, tendo em mente a questão norteadora da proposta (o micromachismo enraizado em nossa sociedade), deixem claro que o cronista toma consciência do micromachismo a partir do momento em que lê a matéria de lanko López no El País, e se dá conta de que considerava natural uma atitude micromachista. Espera-se que, no desenrolar da sua crônica, os candidatos não confundam atitudes machistas e micromachistas, ou seja, que indiquem ter entendido que são conceitos distintos, o que deve ser compreendido tanto pela explicação sobre "atitudes micromachistas" (excerto 1) quanto pela narrativa de Chimamanda Ngozi Adichie (excerto 2), que explica o processo de "normalização de atitudes".

A matéria do El País (excerto 1) explica a diferença entre o machismo institucionalizado ou macromachismo, presente em contextos sociais, econômicos, jurídicos e familiares, causa das reivindicações feministas desde os anos 1970, e o micromachismo, resquícios de um machismo culturalmente enraizado: um machismo sutil, interiorizado em nós, e que às vezes escapa e se revela por meio de pensamentos e atos do cotidiano - uma armadilha mesmo para aqueles que se consideram progressistas, livres de preconceito e a favor da igualdade de gêneros. A narrativa de Chimamanda (excerto 2), por sua vez, não apenas exemplifica o gênero crônica como também descreve um exemplo clássico de micromachismo praticado no ambiente escolar: só os meninos são aprovados para ser monitores da classe. Da instituição escolar para o mundo do trabalho, o micromachismo se repete ciclicamente até ser normalizado e, consequentemente, normatizado -critica a autora africana. E há ainda quem negue (como Louis, seu amigo de infância) que o mundo é mais difícil para as mulheres só porque são mulheres.

Em relação ao gênero solicitado, os candidatos devem elaborar uma crônica. Além de considerar como exemplos crônicas que circulam em diferentes suportes (livros, jornais, revistas, redes sociais), poderiam também se apoiar na descrição resumida do gênero apresentada em um boxe na prova e, sobretudo, seguir "passo a passo" as tarefas da proposta: a) narrar o episódio micromachista vivenciado, b) relacioná-lo a alguma atitude micromachista selecionada da lista do El País, para, enfim, c) expor reflexões e sentimentos despertados a partir do reconhecimento de que tal atitude vivenciada, e inconscientemente naturalizada como normal, era, na verdade, micromachista.

Os candidatos deveriam então recorrer aos tipos de texto narrativo e expositivo para construir sua crônica, de forma a caracterizar, de maneira produtiva, a personagem-cronista, ou outras personagens envolvidas, se esta for uma opção do seu projeto de texto. Para tecer suas reflexões e expor seus sentimentos, o narrador-cronista pode também recorrer ao tipo de texto argumentativo para, por exemplo, fundamentar a importância da sua tomada de consciência sobre o micromachismo. A expectativa é a de que os melhores textos sejam aqueles cuja situação de produção da proposta possa ser explorada tanto para a caracterização da personagem-cronista quanto para a construção do tempo da narrativa, de tal forma que as ações e os sentimentos vivenciados sejam construídos em função da tomada de consciência, constituída como o momento de ruptura ou mesmo como o clímax do episódio narrado.

Note-se que os candidatos deveriam selecionar, dentre as 13 opções da matéria do El País (excerto 1), a que considerassem mais interessante para suscitar reflexões e, a partir disso, construir sua crônica. Cabe ressaltar que eles não têm a obrigação de propor mudanças de atitudes para o futuro; podem, por exemplo, apenas reanalisar alguma situação já vivida sob uma nova perspectiva e repensá-la, sem que isso acarrete um replanejamento de ações futuras ou uma mudança de atitude.

Fonte: Unicamp

Redação Insper 2019.2

Texto 1

Em todo o mundo, a igualdade de gênero no ambiente profissional levará séculos para ser alcançada, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial (FEM). O relatório estima que a lacuna global entre os gêneros em várias áreas não se fechará por mais 108 anos e que serão necessários mais de 200 anos para eliminar as diferenças.

“O quadro geral é que a igualdade de gênero estagnou”, diz Saadia Zahidi, chefe de agendas sociais e econômicas do Fórum Econômico Mundial. “O futuro do nosso mercado de trabalho pode não ser tão igualitário quanto à trajetória em que pensávamos estar”, acrescenta.

Segundo o relatório, o Brasil notou em 2018 uma reversão significativa no progresso em direção à igualdade de gênero — com a maior lacuna registrada desde 2011.

(“Igualdade de gênero no trabalho levará mais de 200 anos, diz estudo”. www.cartacapital.com.br, 18.12.2018. Adaptado.)

Texto 2

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as mulheres brasileiras estudam mais que os homens, mas ainda recebem salários menores e têm menos cargos de poder.

(Luiza Calegari. “A desigualdade de gênero no Brasil em um gráfico”. https://exame.abril.com.br, 07.03.2018. Adaptado.)

Texto 3

“Discutir a igualdade de gênero no mercado de trabalho não significa tratar apenas de salário”. A frase é da procuradora Valdirene de Assis, coordenadora nacional de Promoção da Igualdade do Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com os dados mais recentes do IBGE, em 2017, o salário médio pago às mulheres foi equivalente a 77,5% do rendimento pago aos homens no Brasil. Enquanto eles receberam R$ 2.410, elas ganharam R$ 1.868. A porcentagem ficou levemente acima da registrada em 2016 (77,2%).

A procuradora ainda afirma: “Há mulheres que têm uma qualificação profissional extraordinária, uma história dentro da empresa de profundo respeito e vão passar 10, 15, 20 anos naquela estrutura organizacional sem alcançar os cargos de chefia ou de direção da empresa, ao passo que colegas homens têm carreiras muito menos consistentes, currículos muito menos recomendados e chegam a esses cargos.”

(Marcella Fernandes. “Igualdade de gênero no mercado de trabalho não pode ser reduzida ao salário, afirma procuradora”. www.huffpostbrasil.com, 13.09.2018. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

A desigualdade de gênero no ambiente profissional:
retrocessos numa sociedade de mulheres cada vez mais qualificadas

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