Redação sobre o Brasil

Redação sobre o Brasil

diversidade de povos no Brasil

Redação Enem 2022

MOTIVADORES
TEXTO I

Você sabe quais são as comunidades e os povos tradicionais brasileiros? Talvez indígenas e quilombolas sejam os primeiros que passam pela cabeça, mas, na verdade, além deles, existem 26 reconhecidos oficialmente e muitos outros que ainda não foram incluídos na legislação.

São pescadores artesanais, quebradeiras de coco babaçu, apanhadores de flores sempre-vivas, caatingueiros, extrativistas, para citar alguns, todos considerados culturalmente diferenciados, capazes de se reconhecerem entre si.

Para uma pesquisadora da UnB, essas populações consideram a terra como uma mãe, e há uma relação de reciprocidade com a natureza. Nessa troca, a natureza fornece “alimento, um lugar saudável para habitar, para ter água. E elas se responsabilizam por cuidar dela, por tirar dela apenas o suficiente para viver bem e respeitam o tempo de regeneração da própria natureza”, diz.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 17 jun. 2022 (adaptado).

TEXTO II

Povos tradicionais do Brasil
Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 17 jun. 2022 (adaptado).

TEXTO III

Povos e comunidades tradicionais

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) preside, desde 2007, a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), criada em 2006. Fruto dos trabalhos da CNPCT, foi instituída, por meio do Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2017, a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). A PNPCT foi criada em um contexto de busca de reconhecimento e preservação de outras formas de organização social por parte do Estado.

Disponível em: http://mds.gov.br. Acesso em: 17 jun. 2022 (adaptado).

TEXTO IV

Carta da Amazônia 2021

Aos participantes da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26)

Não podia ser mais estratégico para nós, Povos Indígenas, Populações e Comunidades Tradicionais brasileiras, reafirmarmos a defesa da sociobiodiversidade amazônica neste momento em que o mundo volta a debater a crise climática na COP26. Uma crise que atinge, em todos os contextos, os viventes da Terra!

Nossos territórios protegidos e direitos respeitados são as reivindicações dos movimentos sociais e ambientais brasileiros.

Não compactuamos com qualquer tentativa e estratégia baseada somente na lógica do mercado, com empresas que apoiam legislações ambientais que ameaçam nossos direitos e com mecanismos de financiamento que não condizem com a realidade dos nossos territórios.

Propomos o que temos de melhor: a experiência das nossas sociedades e culturas históricas, construídas com base em nossos saberes tradicionais e ancestrais, além de nosso profundo conhecimento da natureza.

Inovação, para nós, não pode resultar em processos que venham a ameaçar nossos territórios, nossas formas tradicionais e harmônicas de viver e produzir.

Amazônia, Brasil, 20 de outubro de 2021.

Entidades signatárias: CNS; Coiab; Conaq; MIQCB; Coica; ANA Amazônia e Confrem

Disponível em: https://s3.amazonaws.com. Acesso em: 17 jun. 2022 (adaptado).

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

Redação Enem 2021 

MOTIVADORES
TEXTO I

Toda sexta-feira, o ônibus azul e branco estacionado no pátio da Vara da Infância e da Juventude, na Praça Onze, Centro do Rio, sacoleja com o entra e sai de gente a partir das 9 h. Do lado de fora, nunca menos de 50 pessoas, todas pobres ou muito pobres, quase todas negras, cercam o veículo, perguntam, sentam e levantam, perguntam de novo e esperam sem reclamar o tempo que for preciso. Adultos, velhos e crianças estão ali para conseguir o que, no Brasil, é oficialmente reconhecido como o primeiro documento da vida - a certidão de nascimento. [...]

Ao longo do discurso desses entrevistados, fica clara a forma como os usuários se definem: "zero à esquerda", "cachorro", "um nada", "pessoa que não existe", entre outras, todas são expressões que conformam claramente a ideia da pessoa sem registro de nascimento sobre si mesma como uma pessoa sem valor, cuja existência nunca foi oficialmente reconhecida pelo Estado.

ESCÓSSIA, F. M. Invisíveis: uma etnografia sobre identidade, direitos e cidadania nas trajetórias de brasileiros sem documento. Tese (Doutorado em História, Política e Bens Culturais). Fundação Getúlio Vargas. Rio de Janeiro, 2019.

TEXTO II

A Lei N° 9 534 de 1997 tornou o registro de nascimento gratuito no Brasil. Só que o problema persiste, mostrando que essa exclusão é complexa e não se explica apenas pela dificuldade financeira em pagar pelo registro, por exemplo.

Estimativa do número de pessoas sem registro de nascimento

TEXTO III

A certidão de nascimento é o primeiro e o mais importante documento do cidadão. Com ele, a pessoa existe oficialmente para o Estado e a sociedade. Só de posse da certidão é possível retirar outros documentos civis, como a carteira de trabalho, a carteira de identidade, o título de eleitor e o Cadastro de Pessoa Física (CPF). Além disso, para matricular uma criança na escola e ter acesso a benefícios sociais, a apresentação do documento é obrigatória.

Disponível em: http://www.senado.leg.br/. Acesso em: 21 jul. 2021.

TEXTO IV

Defensoras e defensores públicos pelo direito à documento pessoal
Disponível em: https://www.ufrgs.br/humanista. Acesso em: 26 jul. 2021 (adaptado).

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

Redação FGV-EAESP 2020.2 

(...) Não temos, tememos, não ter futuro hoje. E não temos porque estamos atolados num passado que não passa. Nas senzalas por todos os lados. Nos genocídios que nem sequer admitimos de nossos povos de origem. Temos passado de mais. Não de menos. Não somos sem memória, como dizemos. Ela está nas coisas, no mundo, nem é preciso lembrar. Memórias terríveis. Na carne de cada um. Nosso principal deficit é ético. Não é fiscal. Não é nem sequer político.

Num passado que não passa, o presente nasce todos os dias arruinado. Sem presente fecundo, não há bom futuro. E nosso terrível passado não passa. E, quando passaria, retorna. Foi assim com o AI-5. Foi assim em tantos momentos. Tememos que seja novamente. Nosso principal deficit é ético. Não é fiscal. Não é nem sequer político.

Por que retornas? Por que não passas, passado?

Alberto Tassinari, Folha de S.Paulo, 13/12/2018.

O Brasil é extremamente colonial. Existe toda uma estrutura colonial arraigada neste país. A arquitetura é um exemplo disso. Há uma porta da frente e uma porta dos fundos. Isso eu só vi aqui no Brasil. E as portas do fundo e as da frente possuem sujeitos diferentes. E essa arquitetura não foi construída no século 19, mas nos anos 1980, 1990. E aqui há um senhor que abre a porta, um senhor que conduz o carro, uma senhora que limpa... Estes são serviços completamente coloniais. Como é possível ter tantos corpos negros prestando serviços dentro de uma estrutura assim? O branco de hoje não é mais o responsável pela escravidão, mas ele tem a responsabilidade de equilibrar a sociedade em que vive. Ninguém escapa do passado.

Grada Kilomba, A Tarde, 09/01/2017.

Um regaste da trajetória socioeconômica e política do Brasil denota como as características que marcam sua posição de país subdesenvolvido guardam similitudes com o Brasil colonial, isto, mesmo depois do extenso processo de industrialização pelo qual o país passou. Na verdade, a formação do Estado nacional e o pacto de poder que o sustentou exibem estreita relação com as relações de poder precípuas a sua constituição como colônia de exploração, com destaque para aquelas relacionadas ao latifúndio e ao comércio exterior. Dado isto, não é equivocado denominar o processo de desenvolvimento brasileiro como “modernização conservadora”.

Águida Cristina Santos Almeida, Brasil colonial X Brasil subdesenvolvido: alguns traços em comum.

Cada um a seu modo, os textos acima reproduzidos veem a História do Brasil como marcada por um passado que não passa, isto é, um passado que as transformações ocorridas no País, ao invés de superar, repõem continuamente.

Com base nas ideias neles contidas, bem como em outras informações que considerar de interesse, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema:

No Brasil, o passado não passa?

Redação FGV-EAESP 2019.2 

A morte moral do Brasil

O Brasil está moralmente morto. A vasta corrupção que destruiu as instituições, a impunidade dos corruptores e de muitos corruptos notórios, os privilégios dos políticos e do alto funcionalismo, a incapacidade do Estado e dos políticos de resolver os problemas fundamentais do país e do povo, a vandalização da Constituição pelo Judiciário, a devastadora destruição de Mariana, as chamas que queimaram a nossa história no Museu Nacional, a regressão eleitoral e a tragédia de Brumadinho são eventos de um único ambiente que provocou a morte moral do Brasil.

Não há limites para os nossos retrocessos. O Brasil está entregue ao grotesco, ao tenebroso, ao assombroso. Muitos dos maiores invocadores da pátria não são patriotas. Alguns dos maiores invocadores de Deus são sócios do demônio. Em nome do moralismo tosco, criminoso, anti-humano, contrário aos direitos civis, apunhala-se a própria moral, busca-se legitimar a violência como método de solução de conflitos, deixa-se de querer e de fazer o bem comum.

O Brasil está moralmente morto porque somos um povo incapaz de acreditar no Brasil e em nós mesmos. Temos o pior índice de confiabilidade interpessoal. Por isso somos dominados pela ausência de um sentido comum e não somos capazes de construir uma comunidade de destino. No Brasil, o senso ético do bem comum foi assassinado, seu corpo foi arrastado pelas ruas das nossas cidades e crucificado nas praças públicas para advertir e impor o medo àqueles que lutam por direitos, justiça e igualdade. Querem que nos curvemos à descrença e que só acreditemos em que nada vale a pena, visando gerar o imobilismo social e político, a impotência para a luta, a incapacidade para a virtude e a descrença no futuro. A morte das vontades e dos desejos de mudança é a morte moral do Brasil e de seu povo.

Um país que tem 106 milhões de pessoas que ganham até um salário mínimo, que tem 54 milhões de pessoas pobres, mais de 15 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza e que ocupa a nona posição entre os mais desiguais do mundo não pode ser um país moralmente vivo. Um país que mata 64 mil pessoas por ano pela violência, que destroça milhares de pessoas no trânsito, que ocupa o sétimo lugar entre aqueles países que mais matam jovens e o quinto lugar entre aqueles que mais matam mulheres é um país moralmente morto.

Recentemente, elites dirigentes nacionais romperam com o consenso que se havia construído após sua redemocratização: o de que o principal problema do país é a desigualdade social e de que só haverá progresso e desenvolvimento se esse problema for resolvido. O Brasil não terá futuro e nem dignidade se esse consenso não for restabelecido e se os governantes não tiverem mais capacidade e eficiência para resolver o problema. O Brasil também não terá paz social se não houver uma união de uma grande maioria consciente e empenhada em resolvê-lo. Sem enfrentar tal problema, a decadência do Brasil continuará de forma inapelável e a riqueza que for aqui construída com o sacrifício de muitos será um benefício de poucos, pois será uma riqueza assaltada pelos mecanismos legais e extralegais da exploração despudorada.

Hoje, somos 212 milhões de brasileiros, todos estranhos entre si, desconfiados uns dos outros, quase hostis. Vivemos mergulhados na solidão das nossas angústias e dos nossos temores, sem capacidade de transformá-los em ação e furor. Quase não temos vida associativa, os partidos são entes ocos, os sindicatos são comitês de burocratas, a sociedade civil não tem capacidade de reação e de mobilização. Se a razão tem motivos de sobra para ser pessimista, a vontade precisa nos animar, restaurar as nossas virtudes cívicas para as lutas e os combates, pois só neles reside a esperança.

Aldo Fornazieri - Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
https://www.contextolivre.com.br. 2019. Adaptado.

O texto acima reproduzido apresenta, de modo convicto e veemente, argumentos e exemplos em favor da tese de que o Brasil se encontra moralmente morto. Considerando as ideias nele contidas, além de outras informações que você julgue pertinentes, redija uma dissertação em prosa, argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o tema:

O Brasil está moralmente morto?

Redação FGV-RJ Economia 2019

O pior do Brasil é o brasileiro

Não pense na exceção, mas na regra para refletir sobre a dramática sentença no título. O mito da generosidade brasileira se desfaz cada vez mais com a ofensiva conservadora que obriga a sociedade a debater direitos fundamentais como a liberdade e a igualdade.

A pesquisa Datafolha que revelou que um em cada três brasileiros culpa mulheres estupradas é apenas uma das provas de que não somos bons, que de um modo geral é a ruindade que prevalece.

Foram ‘normais’ sem características de psicopatas que responderam ao Datafolha, uma parcela imensa de brasileiros que banalizam crimes bárbaros por convicções não só estúpidas, mas desumanas baseadas em normas de conduta de fundamentalismo religioso. A cada duas horas nasce uma igreja no Brasil e a sociedade está espiritualmente cada vez mais distante da generosidade, o primeiro e mais importante princípio cristão. É lenda associar a simpatia do brasileiro com magnanimidade e isso acontece porque a imprensa sensacionalista dá uma proporção gigantesca a casos isolados de bondade para faturar com publicidade. Outras pesquisas revelaram o perfil da sociedade brasileira que se mostra ruim e estúpida por maioria ao aprovar a redução da maioridade, a prisão perpétua ou pena de morte, apesar de saber que neste país a lei não vale para todos. Entendeu agora o título tão provocante?

Por Luciana Oliveira, em seu blog. http://blogdalucianaoliveira.com.br/blog/2016/09/22/o-pior-do-brasil-e-o-brasileiro/.Adaptado.

O pior do Brasil é o brasileiro

O mesmo povo que se mobiliza quando há tragédias pode virar uma corja repugnante

Rio. Ficou famoso o episódio em que uma moradora do Rio se recusou a ajudar um gringo, mesmo sabendo falar inglês. “You’re in Rio for the Olympic Games and doesn’t speak Portuguese? Segue em frente e vira à direita que tu chega no metrô! Gringo tá no Rio e eu tenho que falar inglês?” Se isso aconteceu em 2016, época festiva dos Jogos, imagine agora com a realidade baixo astral em que vivemos.

Durante as greves e paralizações dos transportes em 2018, testemunhamos gente em guerra, empunhando galões de combustíveis que, ao encontrarem as bombas secas, acabaram na cabeça dos que estavam ali também atrás de gasolina. Carros com ¾ de tanque em filas longas, durante horas, apenas para “completar”. Gente que em frente a uma prateleira com duas bandejas de tomates a dez contos o quilo, tratou de catar ambas, mesmo sob protesto de terceiros. Deixa eu garantir o meu, os outros que se danem.

O brasileiro quer um país diferente desde que não envolva sacrifícios pessoais. Quer mais Estado e menos impostos. Não é genial? Quer que as coisas mudem, que a corrupção acabe, mas sem mudar o próprio comportamento. A gente se acha malandro tirando onda de gringo otário. Quem são mesmo os otários?

Mariliz Pereira Jorge. É jornalista e roteirista, titular da coluna Rio, da Folha de S. Paulo. Folha de S. Paulo, 31.05.2018. Adaptado.

O mito da cordialidade do brasileiro: mais uma mentira!

O Brasil é um país construído em cima de algumas verdades, mas, sobretudo, de muitas mentiras. O mito da cordialidade do brasileiro é uma delas. Pode não ser uma mentira total, mas tampouco essa cordialidade é uma verdade integral. Seria ela então uma meia-verdade? Talvez.

Como expressão da nossa identidade nacional costumamos dizer: “Nós, brasileiros, somos o povo da alegria, do calor humano, da hospitalidade e do sexo; tudo bem, temos lá nossas mazelas, nossos problemas, mas nenhum povo é mais caloroso, simpático e sensual neste planeta; nos identificamos pela nossa cordialidade, simpatia e calor humano” (Jessé Souza, 2011:29-39)

A cordialidade do brasileiro é um fenômeno existente, parcialmente, entre as camadas dos favorecidos culturais e socioeconômicos (camada de cima). Entre as pessoas da mesma hierarquia social realmente existe certa cordialidade. Frente aos discriminados (mulher, criança, idoso, negros, pobres, índios etc.), no entando, a realidade é bem distinta, visto que eles são torturáveis, prisionáveis e mortáveis (extermináveis).

De 1980 a 2000 cerca de 2 milhões de pessoas foram mortas no Brasil em razão de causas externas (acidentes, suicídio e homicídio) (dados do IBGE). O Brasil é palco de cerca de 10% de todas as mortes dolosas do planeta (quase 50 mil por ano). Dez mulheres são assassinadas diariamente no nosso país, sendo 7 por pessoas do seu relacionamento (marido ou ex-marido, namorado ou ex-namorado e noivo ou ex-noivo). Com esses números, não dá para dizer que todos somos cordiais, hospitaleiros, simpáticos, cheios de calor humano etc. Pelo menos não é essa, com certeza, a visão dos discriminados (que são torturáveis, prisionáveis e extermináveis).

Luiz Flávio Gomes, Professor e Jurista. Consultado em https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121925684/o-mito-da-cordialidade-do-brasileiro-mais-uma-mentira. Adaptado.

Tudo indica que, na atualidade, a ideia tradicional de que o melhor do Brasil é o brasileiro entrou em crise e se tornou polêmica, o que se reflete nos textos aqui reunidos. Com base nas ideias neles contidas, bem como em outras informações que você considere relevantes, redija uma dissertação em prosa sobre o tema:

O pior do Brasil é o brasileiro?

Redação FGV Relações Internacionais 2019

capas da Economist - o desinteresse crescente pelo Brasil

Quem ainda quer saber do Brasil?

Eu mesmo não havia me dado conta: foi só quando uma colega na Alemanha me pediu para lhe enviar meus recentes textos sobre o Brasil que percebi: eu escrevo cada vez menos sobre o Brasil, como correspondente de América do Sul para jornais alemães.

Eu não escrevo menos do que escrevia antes, mas meus relatos e reportagens falam sobretudo da Argentina, do Chile, da Colômbia, do México e – claro – da Venezuela. No Brasil, há, no momento, poucas coisas interessantes para relatar. Depois de quatro anos de crise e estagnação política e econômica, o país interessa a cada vez menos leitores na Europa. Estes não estão interessados em cada nova reviravolta nos escândalos de corrupção nem em governos cuja única preocupação é, há anos, a própria sobrevivência. Também como jornalista de economia, tenho dificuldades para encontrar temas. As empresas brasileiras não andam brilhando com produtos originais, gestão excelente ou estratégias de mercado que chamem a atenção.

Esse desinteresse crescente pelo Brasil se deixa perceber também de outras maneiras. O Brasil é um dos locais onde há cada vez menos pesquisadores, executivos, técnicos ou outros especialistas vindos do exterior. Cerca de 0,25% de todos os empregados formais são estrangeiros. Nos Estados Unidos, são 17%, e, mesmo no Chile, o número é sete vezes maior que no Brasil.

Há dez anos, em pleno auge econômico brasileiro, havia cerca de 300 mil estrangeiros trabalhando no Brasil. Em 2016, o último ano para o qual existem dados, eram 112 mil. É de se supor que, desde então, o número tenha caído ainda mais. A baixa ocupação de trabalhadores estrangeiros se deve à recessão, às leis trabalhistas complicadas, à dificuldade para reconhecer diplomas de outros países e à elevada taxa de criminalidade, que assusta os estrangeiros, diz o economista Marcos Mendes, que escreveu um estudo sobre o tema.

No momento, o Brasil não é atraente, reclama um assessor de recursos humanos que procura especialistas estrangeiros para o setor de tecnologia da informação. Ele diz que é difícil encontrar alguém disposto a se mudar para o Brasil.

E mesmo para os brasileiros, o Brasil parece ser, no momento, pouco atraente, como mostra uma pesquisa recente do Datafolha. Segundo ela, 43% dos brasileiros prefeririam deixar o país se pudessem. Entre aqueles com ensino superior, são 56%. Mais assustador ainda é outro dado revelado pela pesquisa: nada menos que dois terços dos jovens brasileiros (62%) entre 16 e 24 anos gostariam de deixar o país.

O tom geral entre os entrevistados: eles não acreditam que, no médio prazo, o Brasil vá melhorar e temem perder os melhores anos de sua vida no País. Um jovem deixou a situação bem clara numa declaração à Folha de S. Paulo: “Dez anos de crise não é muito para um país, mas é muito para a vida de uma pessoa.”

Alexander Busch, Deutsche Welle, 04/07/2018. Adaptado.

Tornaram-se célebres as capas da revista inglesa The Economist (publicadas respectivamente em 2009 e 2013), cujos títulos poderiam ser traduzidos por “O Brasil decola” e “O Brasil estragou tudo?”. O texto que vem em seguida revela visões negativas do Brasil, no plano internacional. Depois disso, outras importantes publicações estrangeiras também publicaram matérias de teor igualmente negativo sobre o Brasil. Com base nesses estímulos e em outras informações que você considere pertinentes, redija uma dissertação argumentativa em prosa, na qual você apresente seu ponto de vista sobre o tema:

Justifica-se o atual descrédito do Brasil no exterior?

Redação UFRGS 2018 

Considere o texto abaixo, da escritora Martha Medeiros, publicado no Jornal Zero Hora, em 12/08/2017.

Pai da pátria

O termo vem do latim pater patriae e simboliza o papel de determinada personalidade na formação da unidade nacional e de sua independência.

O nosso Pai da Pátria não é um, mas dois: Dom Pedro I e José Bonifácio. Cada nação tem o seu, que serve de modelo de heroísmo e dignidade.

O Pai da Pátria está acima de nós, como numa família tradicional. Não em valor, que valorosos somos todos, mas em representatividade. O Pai da Pátria poderia, inclusive, ser o epíteto de todo chefe do executivo, não fosse, especialmente no nosso caso, uma piada. Há pesquisas sérias sobre a importância de se ter um pai reconhecido em certidão. O Brasil, de forma simbólica, tem os dois já citados, mas, na prática, é como se fôssemos filhos de um pai fantasma, que não nos deu o senso de inclusão familiar, de responsabilidade e de orgulho, deixando-nos à deriva.

Quem me dera ser crédula, confiante. Do tipo que admite estarmos em meio a uma crise medonha, mas que dela brotará um Estado maior, melhor. Já fui assim otimista, mas o tempo passou e me cobrou alguma lucidez e coragem para encarar a realidade. Agora não me é mais dada a alternativa de embarcar num faz de conta, acreditar em devaneios: o fato é que sempre estivemos irreversivelmente lascados, pois desde que essa história começou (1500), foi um tropeço atrás de outro, um país descoberto por engano, por causa de uns ventos inesperados que conduziram as caravelas para outro destino que não a Índia e foram parar aqui sem querer, e quem dá importância ao que foi sem querer? Descuidos não são levados a sério, nunca fomos e jamais seremos a primeira opção nem pra nós mesmos. O Brasil é um acidente de percurso do qual se tenta tirar alguma vantagem para que o engano de rota não resulte em total perda de tempo.

Se você discorda, se ainda acredita que um dia seremos um país íntegro, digno, consistente, me declaro invejosa da sua fé. Sou uma ratazana descrente que não abandona o navio porque tem parentes no convés, apenas por isso.

Sorte a minha, e provavelmente a sua, de que colecionamos algumas vitórias particulares: amigos fiéis, o gosto pela música, amar e ser amado, gozar de boa saúde, poder ir ao cinema de vez em quando, não ter vergonha do passado e acreditar-se merecedor de um banho de sol, de um banho de mar, de um banho de chuva, essas trivialidades naturais que mantêm o corpo e a alma azeitados. A vida vale a pena em sua simplicidade, aquela que ainda comove, pois rara.

Mas não nos gabemos, pois ainda que nossa família nuclear e nossa trajetória pessoal não nos envergonhem, somos todos habitantes de uma pátria órfã.

Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marthamedeiros/noticia/2017/08/pai-da-patria-9867095.html>. Acesso em: 09 out. 2017.

Como é possível ver, o texto de Martha Medeiros é enriquecido por vários recursos que permitem à autora formular o seu ponto de vista de maneira muito clara. Há metáforas, ironias, argumentos e exemplos, entre outros recursos; e tudo está a serviço das ideias defendidas no conjunto do texto.

Após a leitura, você, certamente, construiu uma opinião sobre o que diz a autora.

Você pode ter concordado integralmente com o texto ou apenas parcialmente; pode ter discordado integralmente ou apenas parcialmente.

É assim mesmo!

Muitas vezes, lemos um texto e concordamos integralmente com ele, pois suas ideias coincidem com o que pensamos a respeito daquele assunto; outras vezes, concordamos apenas parcialmente com os argumentos apresentados, porque há pontos dos quais discordamos.

O contrário também é possível. Podemos discordar integralmente das ideias expressas em um texto, porque temos um entendimento completamente diferente a respeito daquele assunto; por vezes, enfim, podemos discordar apenas parcialmente, pois há pontos com os quais concordamos.

Os leitores sabem que é sempre assim, e os autores também sabem. O mais importante, porém, é reconhecer que o debate deve ser feito com tolerância e ética.

Assim, a partir da leitura do texto de Martha Medeiros e das observações feitas acima, elabore um texto dissertativo que apresente o seu ponto de vista acerca das ideias da autora sobre o Brasil.

Considere que o seu texto pode ser lido pela autora, logo ele terá de conter a sua opinião, de maneira bem fundamentada, com argumentos que sustentem o seu ponto de vista, para que a autora entenda claramente o posicionamento adotado.

Em resumo, em seu texto,

você deve se posicionar a respeito das ideias da autora sobre o Brasil: contestá-las parcial ou integralmente; aprová-las parcial ou integralmente.

Instruções

A versão final do texto deve respeitar as observações abaixo.

1 - Conter um título na linha destinada a esse fim.

2 - Ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –, e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses espaços descontados do cômputo total de linhas.

3 - Ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

Redação Puc-Campinas 2018

DISSERTAÇÃO 

O texto que segue apresenta resultado de estudo divulgado recentemente. Leia o texto com atenção. Em seguida, elabore uma DISSERTAÇÃO na qual, de modo claro e coerente, apresentará suas ideias sobre caminhos que podem contribuir para que os brasileiros superem os desafios de uma participação cidadã.

Estudo sobre o Índice de Participação Cidadã das Américas avaliou sete países da região − Brasil, EUA, Chile, Venezuela, Colômbia, Guatemala, México − e aponta que a violência perpetrada por atores estatais e não estatais afeta o engajamento popular e a percepção da população sobre o exercício da cidadania.

O estudo revela que, embora a confiança nas instituições democráticas seja, em geral, baixa nesses países, os níveis de participação popular têm aumentado nas Américas, e a atuação em manifestações e em petições atingiu seu maior grau nos últimos dez anos.

Para elaboração do índice, foram avaliados três grupos de questões: a existência de condições legais e sociais para a participação cidadã; o modo como essa participação acontece na prática; e a percepção da população sobre o exercício da cidadania. Liberdade de expressão, eleições, igualdade de gênero e índices de violência foram alguns dos 22 indicadores analisados. A novidade nesse atual trabalho de construção de índices foi introduzir questões sobre o empoderamento: se a pessoa não se sente capaz de produzir impacto sobre o governo e a comunidade, isso condiciona suas atitudes e suas ações na sociedade civil. Acredita-se que índices que meçam a democracia e a participação cidadã são elementos fundamentais para a consolidação de uma democracia de qualidade.

No índice geral, o Brasil aparece em 5o lugar, evidenciando significativo desequilíbrio entre a já existência de leis e instituições conducentes à participação popular e a percepção do engajamento por parte da população.

No quesito liberdade de expressão, por exemplo, o Brasil apresenta proteções legais similares às dos demais países analisados, sendo que o exercício dessa liberdade por meio da mídia e da participação em petições fica acima da média. Porém, o país tem o pior índice de percepção de liberdade de expressão dentre os sete países. Apenas 31,6% dos brasileiros sentem que a liberdade de expressão é total e justamente exercida − nos demais países, esse índice fica entre 43,6% e 61,5%.

Contribuem para essa percepção distorcida a baixa confiança da população na polícia e no Poder Judiciário e o uso excessivo da força para repressão de manifestações, o que rebaixa a posição do país. A pesquisa revela que populações rurais e indígenas que fazem campanha pelo direito à terra e por acesso aos recursos naturais enfrentam assassinatos, ameaças e ataques, e relatórios recentes mostram que o governo tem usado força excessiva para suprimir manifestações não violentas. Outros pontos negativos para o Brasil são a baixa participação feminina em cargos eletivos (em outra classificação, entre 191 nações, o Brasil ocupa o 155o lugar em representação feminina no Legislativo) e o fato de os cidadãos terem um baixo grau de confiança nas instituições governamentais.

(Adaptado de: VILA-NOVA, Carolina. Folha de S. Paulo, 15.03.2018)

Redação FGV-Direito 2017

Fotografia feita no Recife por volta de 1860 - escravidão

Fotografia feita no Recife por volta de 1860. Na época era preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto. Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas estavam meio sonolentas, menos agitadas. O menino veio com a sua mucama, enfeitada com a roupa chique, o colar e o broche emprestados pelos pais dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela, podiam estar a mãe, o pai e outros parentes do menino. Talvez por sugestão do fotógrafo, talvez porque tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino inclinou-se e apoiou-se na ama. Segurou-a com as duas mãozinhas. Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor. Fora no vulto da ama, ao lado do berço ou colado a ele nas horas diurnas e noturnas da amamentação, que os seus olhos de bebê haviam se fixado e começado a enxergar o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era coisa sua, por amor e por direito de propriedade. O olhar do menino voa no devaneio da inocência e das coisas postas em seu devido lugar. Ela, ao contrário, não se moveu. Presa à imagem que os senhores queriam fixar, aos gestos codificados de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do menino, está fechada no centro da foto, na altura do ventre, de onde nascera outra criança, da idade daquela. Manteve o corpo ereto, e do lado esquerdo, onde não se fazia sentir o peso do menino, seu colo, seu pescoço, seu braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram à composição da foto a presença incontida de seu corpo, de sua nudez, de seu ser sozinho, da sua liberdade. O mistério dessa foto feita há 130 anos chega até nós. A imagem de uma união paradoxal mas admitida. Uma união fundada no amor presente e na violência pregressa. A violência que fendeu a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está sendo invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil cabe nessa foto.

Luiz Felipe de Alencastro. História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional. Companhia das Letras: São Paulo., 1997. Adaptado.

A fórmula tradicional da vida brasileira era a mistura, nas mesmas relações sociais, de troca, prepotência e sentimento: a sentimentalização das trocas desiguais que pautava nosso antigo regime de senhores e de servos.

Roberto Mangabeira Unger. Adaptado.

Acima, encontram-se reproduzidos uma foto feita em torno de 1860 e um comentário sobre o que nela se dá a ver, escrito por um historiador contemporâneo. A esses elementos, acrescenta-se um trecho de artigo redigido por um pensador brasileiro, em 2015.

Com base nesses estímulos, redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta o sentido e a pertinência da frase com que o historiador encerra seu texto: “Quase todo o Brasil cabe nessa foto”.

Redação FGV-EAESP 2017.1

Ser jovem hoje é pior do que antes, e pode piorar

Se formos considerar alguns dos principais desafios atuais —entre os quais a mudança do clima, a dívida pública e o mercado de trabalho—, uma conclusão óbvia emergirá: ser jovem hoje é relativamente pior do que era há um quarto de século. No entanto, na maioria dos países, a dimensão geracional é notável pela ausência, no debate político.

1- Vamos começar pela mudança no clima. Contê-la requer mudança de hábitos e investimento em redução de emissões para que as futuras gerações tenham um planeta habitável. O alarme foi acionado pela primeira vez em 1992, na Conferência Eco 92, no Rio de Janeiro, mas ao longo dos últimos 25 anos pouco foi feito para conter as emissões. vDada a imensa inércia inerente ao efeito estufa, a distância entre comportamento responsável e irresponsável começará a resultar em diferença nas temperaturas dentro de apenas um quarto de século, e consequências graves surgirão dentro de apenas 50 anos. Qualquer pessoa que tenha mais de 60 anos hoje mal perceberá a diferença entre os dois cenários. Mas o destino da maioria dos cidadãos que hoje tenham menos de 30 anos será afetado de maneira fundamental. Com o tempo, o prazo adicional para ação obtido pelas gerações mais velhas terá de ser pago pelas mais novas.

2- Considere a dívida, a seguir. Desde 1990, a dívida pública cresceu em cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) na União Europeia e nos Estados Unidos (e muito mais no Japão). Dadas as taxas de juro quase zero, o arrasto que isso acarreta para as rendas é quase zero, por enquanto; mas, porque a inflação virtualmente inexiste e o crescimento é anêmico, houve uma estabilização no endividamento. Com isso, a redução de dívidas demorará mais do que se imaginava depois da crise financeira mundial, o que privará as gerações futuras do espaço fiscal de que necessitariam para investir em ações quanto ao clima ou na contenção de ameaças à segurança.

Os futuros aposentados representam outra forma de dívida. Os sistemas de repartição em vigor em muitos países são gigantescos esquemas de transferência intergeracional. É fato que todos contribuem enquanto estão trabalhando, e todos se tornam beneficiários na aposentadoria.

Mas a geração baby boom (as pessoas nascidas da metade dos anos 40 à metade dos anos 60) contribuiu pouco para o sistema de aposentadorias em regime de repartição, porque o crescimento econômico, o tamanho da população e a baixa expectativa de vida de seus pais tornavam fácil financiar as aposentadorias. Tudo isso agora se inverteu: o crescimento se desacelerou, a geração baby boom forma uma anomalia demográfica que pesa sobre seus filhos, e a expectativa é de que suas vidas sejam longas.

Os países nos quais reformas foram introduzidas cedo nos sistemas de aposentadoria conseguiram limitar o fardo que recai sobre os jovens e manter um equilíbrio razoavelmente justo entre as gerações. Mas os países nos quais as reformas foram postergadas permitiram que esse equilíbrio coloque os jovens em posição desvantajosa.

3- Por fim, considere o mercado de trabalho. Ao longo dos dez últimos anos, as condições pioraram consideravelmente para os novos ingressantes, em muitos países. O número de jovens classificados como “nem empregados e nem estudando ou em treinamento” é de 10,2 milhões nos Estados Unidos e de 14 milhões na União Europeia. Além disso, muitas das pessoas que ingressaram recentemente no mercado de trabalho vêm sofrendo de baixa segurança no emprego e de períodos repetidos de desemprego. Na Europa continental, especialmente, os trabalhadores jovens são os primeiros a sofrer durante as desacelerações econômicas.

Quanto a todas essas questões, - clima, dívida, aposentadorias e emprego -, as gerações mais jovens se saíram relativamente pior do que as mais velhas, nos desdobramentos dos últimos 25 anos. Um símbolo revelador é que muitas vezes a pobreza é maior entre os jovens do que entre os idosos.

Isso tudo deveria ser uma questão política importante, com implicações significativas para as finanças públicas, proteção social, política tributária e regulamentação do mercado de trabalho. Mas o novo conflito de gerações teve pouco efeito político direto. Mal é mencionado no debate eleitoral e em geral não resultou no surgimento de novos partidos ou movimentos.

Jean Pisani-Ferry, professor da Escola Hertie de Administração Pública, em Berlim, é comissário geral da France-Stratégie, instituição de consultoria política em Paris. Folha de S. Paulo, 06/02/2016. Adaptado.

No texto acima reproduzido, um estudioso da Administração Pública examina as perspectivas futuras dos jovens de hoje sob três aspectos fundamentais — a mudança climática, a dívida pública e o mercado de trabalho — para concluir que eles se encontram em situação pior que a dos jovens de gerações anteriores.

Tendo em conta as ideias apresentadas nesse texto e valendo-se de outras informações que você julgue relevantes, redija uma dissertação em prosa, argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o tema:

A atual geração de jovens brasileiros e o futuro: expectativas e possibilidades.

Redação ACAFE 2017.2 

Proposta 1

Textos 1

Três episódios que aconteceram em 2017 denotam a crise nos presídios brasileiros. No dia 1º de janeiro, pelo menos 60 presos que cumpriam pena em Manaus (AM) foram mortos durante a rebelião que durou 17 horas. Na mesma semana, houve um tumulto em uma penitenciária em Roraima, onde 33 presos foram mortos. No dia 14, no Rio Grande do Norte, pelo menos 26 presos foram mortos em rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz.

Disponível em: http://www.ebc.com.br/especiais/entendacrise-no-sistema-prisional-brasileiro. Acesso em 19/05/2017. Fragmento adaptado.

Texto 2

A superlotação agrava a precariedade das penitenciárias. Celas lotadas, falta de condições sanitárias, entre outros problemas, contribuem para a violência interna e o crescimento das facções criminosas. Disponível em:

http://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidadesvestibular/entenda-a-crise-no-sistema-penitenciariobrasileiro/. Acesso em 18-05/2017. Fragmento adaptado.

Considerando os textos motivadores da proposta 1 de redação, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre o sistema prisional brasileiro.

Proposta 2

Texto 1

Viver no exterior é uma das experiências mais enriquecedoras da qual você pode fazer parte. Morar em outro país permite que você se depare com novas situações e tenha que solucionar problemas que você não encontraria em seu país de origem, ajudando você a crescer como pessoa. Qualquer problema que você possa encontrar em outro país não é pior do que o arrependimento e daquele “e se eu tivesse ido” que você carregará para sempre com você. Muitas pessoas, porém, se perguntam como podem viver no exterior quando elas nem sequer têm dinheiro suficiente para visitar um outro país.

Disponível em: http://foradazonadeconforto.com/comoviver-no-exterior/. Acesso em: 18 de mai. de 2017. Fragmento adaptado. 

Texto 2

Por motivos diferentes, muitos brasileiros vão morar em outros países, ou desejam fazer isso. Além de conseguir uma formação de qualidade, melhorar o currículo, aprender ou vir as ser proficiente numa língua estrangeira, começar uma vida diferente, ter novas experiências, torna-se cada vez mais presente a necessidade de ir embora para se livrar dos problemas que existem no Brasil. Quais seriam esses problemas e o que se tem a ganhar com essa decisão? Afinal de contas o que faz com que tantos se cansem de um país tão privilegiado pelo clima, culinária, recursos naturais, paisagens inebriantes e com um povo de energia tão especial?

Considerando os textos motivadores da proposta 2 de redação, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre os principais problemas do Brasil em comparação com outros países mais desenvolvidos.

Redação Redação Puc-SP 2017

Texto 1

Recado dado ao STF

Editorial                                    
Folha de S.Paulo, 13 set. 2016

Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12).

Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era "Sua Excelência, o povo" – e, por isso, saudou antes de todos o "cidadão brasileiro".

Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse.

Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. "Privilégios são incompatíveis com a República", disse a esta Folha no ano passado.

É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo.

Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera-se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski.

Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988.

Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra "os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental".

No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico.

Texto 2

De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de Cármen Lúcia em seu discurso de posse 

POR LUMA POLETTI | 13/09/2016 10:00 

Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de canções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma das mais.
A escolha das referências musicais da ministra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que “alguma coisa está fora da ordem”.

“Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural concluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial”, disse a ministra. “O que nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo fora…”, acrescentou.

O cantor já se posicionou contra o governo do presidente Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016.

A nova presidente do STF também citou a música “Comida”, da banda Titãs. “Cumpre-nos dedicar-nos de forma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é determinado pela Constituição da República e que de nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saúde, educação, trabalho, sossego para andar em paz por ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar além do mais. Que, como na fala do poeta da música popular brasileira, ninguém quer só comida, quer também diversão e arte”.

Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antunes, que também se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais.

Versos

Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecília Meireles, ao dizer que “liberdade é um sonho que o mundo inteiro alimenta” – da obra Romanceiro da Inconfidência, lançada em 1953.

“Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a Justiça um sentimento, que a humanidade inteira acalenta”, discursou a ministra.
Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. “Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”, disse a nova presidente do STF.

Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por Cármen Lúcia. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não acho que para o ser humano exista, na vida, o impossível”, disse a ministra, em referência ao poema “Nosso tempo”, do escritor mineiro.
A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discurso citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes Campos. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores multiplicadas, há que se multiplicarem também as esperanças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos”, disse Cármen Lúcia, em referência ao “Poema Didático”, de Paulo Mendes Campos.

Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/de-caetano-a-guimaraes-rosa-vejaas- referencias-de-carmen-lucia-em-seu-discurso-de-posse/ . Acesso em: 26 set.2016. [Adaptado]

PROPOSTA

foto da ministra Cármen Lúcia

Considerando os textos motivadores e seus conhecimentos prévios sobre a situação por que tem passado o Brasil, construa um texto dissertativo-argumentativo que apresente seu ponto de vista em relação a, pelo menos, duas expectativas de mudanças já sinalizadas pela ministra Cármen Lúcia e desejadas pelo povo brasileiro.

Sustente seu posicionamento com argumentos relevantes e convincentes, articulados de forma coesa e coerente. Dê um título ao texto.

Seu trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios: espírito crítico, adequação do texto ao desenvolvimento do tema, estrutura textual compatível com o texto dissertativo-argumentativo e emprego da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Importante: redija seu texto a tinta, no espaço a ele destinado. O rascunho não será considerado. Será desclassificado o candidato que tirar zero na redação.

Nota zero será atribuída se o texto construído apresentar menos de sete linhas (linhas copiadas dos textos da prova serão desconsideradas); fugir ao tema ou apresentar parte do texto em desacordo com o tema proposto; não estiver de acordo com o texto pelo qual o candidato optou; apresentar impropérios, desenhos ou quaisquer outras formas propositais de anulação.

Redação UPF 2014 

O escritor Luiz Ruffato, na abertura da Feira do Livro de Frankfurt, em outubro de 2013, fez um discurso em que expôs uma série de problemas com que convivemos diariamente no Brasil. Leia, a seguir, um pequeno excerto do discurso:

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo – amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...

(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1353517-escritor-luiz-ruffato-diz-em-frankfurt-que-brasil-e-pais-da-impunidade-e-intolerancia.shtml. Acesso em 8 nov. 2013)

A partir do que diz Ruffato, posicione-se, por meio de um texto dissertativo-argumentativo, sobre o Brasil que você vê: o Brasil das possibilidades ou o Brasil dos problemas irremediáveis.

Redação PUC-RS 2010

Examine o tema e elabore um texto dissertativo com 25 a 30 linhas, no qual você exporá suas ideias a respeito do assunto.

Ao realizar sua tarefa, tenha presentes os seguintes aspectos:

  • Você deverá escrever uma dissertação; portanto, mesmo que seu texto possa conter pequenas passagens narrativas ou descritivas, nele deverão predominar suas opiniões sobre o assunto que escolheu.
  • Evite fórmulas preestabelecidas ao elaborar seu texto. O mais importante é que ele apresente ideias organizadas, apoiadas por argumentos consistentes, e esteja de acordo com a norma culta escrita.
  • Procure ser original. Não utilize em sua dissertação cópias de textos da prova nem de parágrafos que introduzem os temas para a redação.
  • Antes de passar a limpo, à tinta, na folha definitiva, releia seu texto com atenção e faça os reparos que julgar necessários.
  • Não é permitido usar corretor líquido. Se cometer algum engano ao passar a limpo, não se preocupe: risque a expressão equivocada e reescreva, deixando claro o que pretende comunicar.
  • Lembre-se de que não serão considerados:
    • textos que não desenvolverem um dos temas propostos;
    • textos redigidos a lápis ou ilegíveis.

Boa prova!

Os textos desta prova abordam, sob diferentes perspectivas, assuntos relacionados às lembranças, sejam elas particulares, sejam coletivas.  Leia-as atentamente e escreva seu texto.

Texto 1

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     Para os povos modernos, mito e História são
considerados duas coisas distintas. Para o dito
homem primitivo, porém, ambos pertencem _______
mesma esfera: a salva-guarda da memória.
“A mitologia possui um profundo significado para
o ato de recordação. Um mito contém a História que
é preservada na memória popular e que ajuda a
trazer _______ vida camadas enterradas nas profundezas
do espírito humano”, afirma o filósofo russo
Nicolai Berdyaev (1874-1948).
     Em Mito e significado, Lévi-Strauss defende que
nossa atual maneira de registrar o passado é simplesmente
uma continuação do sistema anterior. “Não
me parece improvável que a História tenha substituído
_______ mitologia nas nossas sociedades e cumpra
uma função idêntica, já que, para as sociedades
sem escrita e sem arquivos, a finalidade da mitologia é
garantir que o futuro permaneça fiel ao passado.”
     Nas culturas tradicionais, lembra o mitólogo J. F.
Bierlein, tudo o que acontece na vida das pessoas é
apenas _______ repetição de eventos que ocorreram
nos mitos. Nesses contextos, a História, de acordo com
o sentido atual da palavra – atos específicos e únicos
de pessoas vivas e mortas –, pode até ser abolida, porque
o mito é percebido como infinitamente mais significativo
do que qualquer experiência humana.
     Para o antropólogo Everardo Rocha, “o mito é,
sobretudo, uma forma de consolo coletivo. É por meio
dele que o homem busca uma origem para si, para
sua cultura e para seu possível destino após a morte.
A maioria dos mitos, se reduzida à essência, trata
de vida, morte, nascimento e renovação. São as grandes
questões sem resposta para a humanidade, por
isso se repetem”.
Revista Galileu, março 2004, p. 49-50.
(fragmento adaptado)

Texto 2

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     Grande parte de nossas decisões é tomada de
maneira mais ou menos automática. Esse processo

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