Redação sobre Alimentação Saudável

Redação sobre Alimentação Saudável

Redação UEG 2014

Nos dias de hoje, é cada vez maior o volume de produtos alimentícios produzidos, processados e conservados artificialmente. Em oposição ao consumo desses produtos, cresce no meio social a quantidade de grupos defensores de outras formas de alimentação. Assim, surgem várias polêmicas sobre o quê (ou quem) de fato determina uma dieta saudável. A esse respeito, leia a coletânea a seguir.

Texto 1

O que foi um dia postura alimentar de meia dúzia de hippies se transformou em um mercado mundial estimado em 51 bilhões de dólares. No Brasil, os orgânicos movimentam anualmente algo ao redor de 500 milhões de reais. Não é um volume de dinheiro espetacular, mas tende a aumentar – e muito – ante a taxa de crescimento de 30% ao ano, expansão que se vê nas gôndolas de supermercados e na proliferação de feiras livres. Mas, seriam os orgânicos de fato melhores para nossa saúde? Em relação a valor nutritivo, a questão é polêmica. Um estudo feito pela London School of Hygiene & Tropical Medicine, em 2009, chegou à conclusão, depois de analisar mais de 50 mil artigos científicos, de que as diferenças em termos de nutrientes são irrelevantes. A grande diferença, na verdade, entre orgânicos e não orgânicos está no risco oferecido por essas duas formas de cultura. Alimentos produzidos de maneira convencional na maioria das vezes contêm resíduos de pesticidas. Teoricamente, os níveis de consumo permitidos para esses resíduos não representariam ameaça para a saúde. “O que está estabelecido pela ciência é o risco para o trabalhador”, diz Fábio Gomes, analista de programas nutricionais para controle de câncer do Instituto Nacional de Câncer. Quanto a resíduos em alimentos, não há estudos científicos suficientes para provar uma relação direta entre casos de câncer e a ingestão de agrotóxicos. “Os adeptos da dieta orgânica, ancorados no princípio da precaução, e nas lacunas científicas, a defendem pela certeza de não fazer mal – embora não se tenha certeza de que faça muito bem. É certo, contudo, que os produtos orgânicos são invariavelmente mais quimicamente limpos. Os consumidores, por sua vez, temem que os orgânicos contenham vermes, bactérias e outros bichos. “Para ser certificado como orgânico, um produto tem de provar que é capaz de combater qualquer tipo de contaminação biológica”, diz Rogério Dias, coordenador de agroecologia do Ministério da Agricultura.

NOGUEIRA, Tânia. Os orgânicos em pratos limpos. Veja, São Paulo, n. 24, nov. 2010. p. 173-174. (Adaptado).

Texto 2

Não há captura da realidade empírica que não passe pelo filtro de um ponto de vista particular, o qual constrói um objeto singular que é dado como um fragmento do real. Sempre que tentamos dar conta da realidade empírica, estamos às voltas com um real construído e não com a própria realidade. Defender a ideia de que existe uma realidade ontológica oculta e que, para desvelá-la, é necessário fazer explodir falsas aparências, seria reviver um positivismo de má qualidade.

CHARAUDEAU, Patrick. O discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2009. p. 131. (Adaptado)

Texto 3

O Respiratorianismo é um estado do ser humano, caracterizado (entre outras coisas) pela abstinência de comida, resultado de uma expansão da esfera consciencial na qual a pessoa vive. Em geral, um respiratoriano ideal (totalmente realizado) não necessita comer e nem beber água para manter o corpo funcionando perfeitamente. Um respiratoriano precisa somente de ar para nutrir o seu corpo. O estado de não alimentação de um respiratoriano não requer abstenção de prazeres e nem abstenção de conforto físico. É muito mais uma questão de liberdade de escolha e vários benefícios que se obtém desta prática. Uma pessoa que está fazendo jejum ou está morrendo de fome (por não ter o que comer), não pode ser chamado de respiratoriano. Um respiratoriano nunca fica subnutrido nem doente e nem morre por falta de comida, pois o seu corpo não necessita daquilo que chamamos comida. A não-alimentação permanente é o estado que geralmente se atinge como um efeito colateral quando ocorre uma expansão na esfera de Consciência da pessoa. Como um respiratoriano liberta-se da necessidade de alimentar o corpo através de alimentos físicos, ele tem a escolha de comer ou não comer.

RESPIRATORIANISMO (“Viver de luz”). Disponível em: <http://milenar.org/2012/01/08/respiratorianismo-viver-de-luz/>. Acesso em: 6 mar. 2014. (Adaptado).

Texto 4

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que, aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o quê, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia... E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e, enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma). E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo – e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama. Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio. Agora tenho que ir. É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal... Tchau! Viva a vida com bom humor!!!

VERÍSSIMO, Luís Fernando. Exigências da vida moderna. Disponível em: <pensador.uol.com.br/frase/MzI3NDUz/> . Acesso em: 6 mar. 2014.

Texto 5

Quanto mais de sal nos alimentos, mais nos habituamos com ele. Há muito se sabe que a ingestão de quantidades maiores pode agravar quadros de hipertensão, mas por acaso prejudicaria a saúde daqueles com pressão normal? Nas últimas décadas, as recomendações contra o abuso de sal têm sido conflitantes. Alguns especialistas defendiam que as políticas públicas destinadas a reduzir o sal da dieta deveriam atingir a população inteira, enquanto outros consideravam mais apropriado dirigi-las exclusivamente aos que sofrem de hipertensão arterial ou diabetes. Confesso que a segunda posição sempre me pareceu mais razoável: por que razão pessoas acostumadas a comer mais sal, mas que mantém níveis normais de pressão arterial, precisariam reduzir o consumo? Estava tão seguro desse ponto de vista, que nunca me preocupei com a quantidade de sal que consumimos. Um artigo recém-publicado no The New England Journal of Medicine, a revista de maior circulação entre os médicos, acaba de me convencer de que eu estava errado. Agora, acho que as políticas públicas devem ser dirigidas a todos e que não ganho nada comendo sal à vontade; talvez até me prejudique. No trabalho citado, pesquisadores da Universidade da Califórnia construíram um modelo de simulação computadorizada, para explorar o impacto que pequenas reduções do consumo de sódio teriam na incidência de doenças cardiovasculares, na população de 35 a 84 anos de idade. Os resultados foram assustadores. Um esforço nacional que resultasse na redução de apenas 3 g de sal no consumo diário, reduziria o número de infartos, de derrames cerebrais e de mortes por outras causas. Como consequência o sistema de saúde do país economizaria de U$ 10 a 20 bilhões anuais. Mesmo reduções diárias da ordem de 1 g já seriam suficientes para melhorar os índices de mortalidade. A diminuição do consumo traria tantos benefícios à população quanto o combate ao tabagismo, à obesidade e a promoção do uso de medicamentos para tratar hipertensão e os níveis elevados de colesterol. Para combater o abuso de sal existem duas estratégias: uma individual, outra pública. A individual é baseada na conscientização de que reduzir o consumo faz bem à saúde; a pública tem a finalidade de convencer os fabricantes de alimentos processados industrialmente a colocar menos sal em seus produtos. Como cerca de 70% do sódio ingerido na dieta do brasileiro médio vem dos alimentos industrializados, o convencimento individual tem impacto limitado. Cabe às autoridades responsáveis estabelecer regras que limitem a quantidade de sódio em molhos prontos, condimentos, salgadinhos, picles, conservas, pizzas, sopas de pacote, embutidos, queijos e outros alimentos. Países como Finlândia, Inglaterra, Japão e Portugal já o fizeram com resultados altamente positivos. De minha parte, já comecei a diminuir o sal nas refeições e a prestar atenção na quantidade de sódio exposta no rótulo dos alimentos industrializados. Não custa nada, é apenas questão de acostumar com o gosto menos salgado. Apesar de ter pressão normal, quem me garante que no futuro o excesso de sal não me tornará hipertenso?

VARELLA, Drauzio. O sal na dieta. Disponível em: <drauziovarella.com.br/hipertensao/o-sal-na-dieta/ >. Acesso em: 13 mar. 2014. (Adaptado).

Texto 6

Toda história que se preza precisa de um vilão. De preferência, daqueles que o público adora odiar. O da alimentação parece ser a gordura saturada. Entretanto, um recente estudo americano pode ter absolvido a gordura do papel de vilã. Durante muito tempo, ela foi apontada como uma das principais responsáveis pelo aumento de casos de infarto e acidente vascular cerebral (derrame). Mas uma metanálise de 21 estudos, coordenada pelo cardiologista Ronald M. Krauss do Children's Hospital Oakland Research Institute, nos EUA e publicada no American Journal of Clinical Nutrition, não encontrou relação direta entre o consumo de gordura saturada e o risco de doenças cardiovasculares. "Mas há provas abundantes de que a ingestão de certos tipos de gordura (poli-insaturadas) leva à redução do risco de doença cardiovascular, enquanto o alto consumo de açúcar está associado a um maior risco da doença", afirma Krauss. Para aliviar a situação da gordura e complicar a do açúcar, outro estudo, publicado dois meses depois no mesmo periódico, revelou que dietas pobres em gordura saturada, mas ricas em carboidratos, podem elevar o risco de infarto em 33%. Desta vez, a responsável pelo estudo foi a nutricionista Marianne Uhre Jakobsen, do departamento de Cardiologia do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca. Diante disso, quem é, afinal, o grande vilão de sua saúde? Antes que alguém se lembre de perguntar, aí vai a resposta: não, não é possível viver sem consumir gordura. Ela é uma das principais fontes de energia para o corpo humano. Além de ser, também, importante para o processo de crescimento e restauração das células e para o transporte e absorção das vitaminas A, D, E e K. "Uma dieta ideal é aquela que, do total de calorias ingeridas, 15% a 20% sejam de proteínas, 55% a 60% de carboidratos e as gorduras não ultrapassem 25% a 30%", calcula a endocrinologista Rosana Radominski, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Ingerir gordura é tão importante que a falta dela pode ocasionar alguns problemas de saúde. "Hoje, algumas pessoas cometem o erro de excluir todos os tipos de gordura da alimentação e, consequentemente, desenvolvem deficiência de vitaminas lipossolúveis e baixa resistência imunológica", alerta a nutricionista Isabel Jereissati. Por isso mesmo, antes de abolir a gordura de seu cardápio ou empanturrar-se de alimentos gordurosos, é bom aprender a distinguir a gordura saturada da insaturada.

BERNARDO, André. Gordura x açúcar. Qual deles é o vilão? Disponível em: <revistasaude.uol.com.br/saúde-nutricao/88/artigo180085- 1.asp/>. Acesso em: 13 mar. 2014. (Adaptado).

Com base na leitura da coletânea, escolha UMA das três propostas de construção textual (dissertação, narração ou carta argumentativa) apresentadas a seguir e discuta a questão-tema abaixo:

Alimentação humana saudável: uma determinação social ou uma escolha individual?

DISSERTAÇÃO

O artigo de opinião é um gênero textual no qual são apresentados argumentos para convencer os leitores a respeito da validade de um ponto de vista sobre determinado assunto.
De posse dessa orientação, amparando-se na leitura dos textos da coletânea e ainda em sua visão de mundo, imagine-se na função de articulista, de uma revista ou de um jornal de circulação nacional, e escreva um artigo de opinião posicionando-se acerca da questão-tema desta prova.

NARRAÇÃO

O gênero crônica, em sentido atual, é uma narrativa que se caracteriza por basear-se em considerações do cronista acerca de fatos correntes e marcantes do cotidiano. Em torno desses fatos, o autor manifesta uma visão subjetiva, pessoal e crítica.

Tendo em vista essa definição de crônica e a leitura da coletânea, crie uma narrativa a partir da seguinte situação: você foi convidado(a) para fazer uma refeição na casa de um(a) novo(a) amigo(a) sem saber que o cardápio era exclusivamente para pessoas que seguem uma rígida dieta alimentar. Conte, em um texto em prosa, o que teria ocorrido no momento em que a refeição foi servida, imaginando também alguns pormenores da situação. Não deixe de transmitir suas possíveis reflexões e impressões sobre o fato criado, obviamente, relacionado com o tema desta prova. Sua narração, portanto, deverá ser em primeira pessoa.

CARTA ARGUMENTATIVA

A carta de leitor é um gênero textual, comumente argumentativo, que circula em jornais e revistas. Seu objetivo é emitir um parecer de leitor sobre matérias e opiniões diversas publicadas nesses meios de comunicação.

Considerando a definição desse gênero textual, a leitura da coletânea e, ainda, suas experiências pessoais, escreva uma carta de leitor a um jornal ou revista de circulação nacional, emitindo seu ponto de vista − contrário, favorável ou outro que transcenda esses posicionamentos − a respeito da polêmica exposta no Texto 1 da coletânea, acerca dos alimentos orgânicos e convencionais.

Redação Puc-Rio 2012

As refeições em grupo contribuem para estreitar laços de intimidade entre as pessoas uma vez que mexem com os sentidos, as necessidades, os desejos e as emoções humanas. Por isso, degustar comidas de países com tradições culinárias diferentes das nossas pode nos fazer compreender histórias, partilhar vivências e usufruir de experiências bastante enriquecedoras. Os hábitos alimentares dos povos revelam sua cultura e seu grau de abertura para tradições distintas das suas. As facilidades de comunicação e de deslocamentos, provenientes das inovações tecnológicas do século XX, fizeram com que larga diversidade de hábitos e sistemas de alimentação se difundisse pelo mundo. No entanto, ainda há muitos tabus (proibições) e preconceitos alimentares – que dizem respeito a intolerâncias voltadas a aspectos sensoriais (cor, odor, sabor) e culturais (preparo culinário e tipo de alimento consumido) –, contribuindo para a separação entre os povos.

Produza um texto dissertativo-argumentativo – com cerca de 25 linhas e título sugestivo –, discorrendo sobre tabus e preconceitos alimentares.

A seleção de fragmentos de artigos a seguir tem por objetivo ajudá-lo a desenvolver suas próprias ideias acerca do assunto. Alguns desses textos – assim como os demais constantes desta prova – podem ser reproduzidos, em parte, na sua redação, mas em forma de DISCURSO INDIRETO ou de PARÁFRASE, com as devidas fontes mencionadas na redação. NÃO ASSINE.

Texto 1

Filhos de Angelina Jolie comem grilos na refeição
21/07/2011

Grilos estão entre as refeições preferidas dos filhos de Angelina Jolie e Brad Pitt. “Meus garotos amam comer grilos fritos. É a comida favorita deles. A primeira vez que eu dei esse tipo de comida a eles foi porque eu não queria que eles sentissem repulsa de algo que faz parte de sua cultura. Eles comeram como Doritos e não pararam mais”, declarou a atriz. Maddox e Pax, filhos adotivos de Jolie, nasceram no Camboja e Vietnã, respectivamente. Nesses países, faz parte da tradição comer insetos. Angelina - que cria outros quatro filhos com o parceiro Brad Pitt – também diz já ter experimentado alguns pratos locais exóticos, entre eles um que leva baratas, mas, mesmo assim, há algumas iguarias que ela ainda não criou coragem para comer: “Eu quero experimentar tarântulas no palito e sopa de aranha. Não sei se eu tenho estômago, mas acho que você tem que conhecer de perto tudo o que o mundo lhe oferece”.

Texto adaptado de http://ne10.uol.com.br/canal/cultura/noticia/2011/07/21/fi lhos-de-angelina-jolie-comem-grilos-na-refeicao-285055.php e
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:oVBNW0v8jQYJ:www.pop.com.br/mundopop/noticias/celebridades/

Texto 2

Tabus alimentares
Gabriel Bolaffi

Todos nós, em graus variáveis, temos lá nossos tabus alimentares, tão arraigados que, muitas vezes, nem nos damos conta deles. Aparentemente, ninguém, em nossa cultura, tem hábito de comer minhocas, abelhas, baratas, cães, gatos ou gafanhotos, embora saiba de muitas culturas da Amazônia, nas quais a minhoca é iguaria reservada às mulheres grávidas. [...] pelo interior do Brasil, come-se carne de jacaré, cobra, paca, tatu e até cotia. Hoje os restaurantes japoneses se tornaram populares com seus sushis e sashimis, mas houve estranhamento em relação a tais acepipes quando, inicialmente, ouviu-se falar deles: “Peixe cru!?” [...] Mas qual será a origem de tantos tabus e preconceitos alimentares? A explicação mais óbvia para os tabus é a maior familiaridade que temos com determinado alimento. Indivíduos medianos, especialmente crianças, não gostam de alimentos aos quais não estejam acostumados. [...]

Fragmento adaptado do livro A saga da comida: receitas e história (Rio de Janeiro: Record, 2000; p. 291-292).

Texto 3

Salada de frutas
Luís da Câmara Cascudo

O consumo de salada de frutas é quase contemporâneo em nosso país. Até o século XIX, ninguém ousaria afrontar o tabu, servindo-se de várias frutas ao mesmo tempo – respeito apavorante por uma proibição de caráter centenário sob imposição doméstica. As populações repeliam a ideia sinistra da salada de frutas. A manga causava susto quando avistada no meio das outras frutas. Ninguém admitia a possibilidade de não ser veneno implacável a reunião da laranja, mamão, abacaxi, etc., mesmo com o açúcar, que era contraveneno clássico. [...] Os próprios médicos desaconselhavam, discretamente. Depois de 1914, porém, o hábito começou, lentamente, a se espalhar no Brasil. A propaganda pela persuasão, no entanto, operou muito vagarosamente, vencendo por força da experiência e da repetição. A inclusão da salada de frutas gelada nos menus de hotéis e restaurantes demorou mais um pouco. Ainda não era comum no Rio de Janeiro de 1922, Centenário da Independência, aparecendo somente em certas casas de famílias [...] com atrevido espírito reformador.

Texto adaptado do 2o volume da História da alimentação no Brasil (Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1983; p. 556-557), de L. da Câmara Cascudo (1898-1986).

Texto 4

Educação nutricional
Rejane Andréa Ramalho e Cláudia Saunders

Tanto o ato da busca de alimentos – que inclui escolha e consumo – como as proibições do uso de certas substâncias comestíveis, em todos os grupos sociais, são ditados por regras sociais diversas, carregadas de significados. O alimento constitui uma linguagem – algo com significado cognitivo. Ademais, o comer não satisfaz apenas a necessidade biológica, mas preenche também funções simbólicas e sociais. A comensalidade – camaradagem à mesa – permeia todas as relações sociais de diferentes classes de uma mesma sociedade, apresentando sempre uma dimensão cultural.

Fragmento adaptado do artigo “O papel da educação nutricional no combate às carências nutricionais”, de Rejane Andréa Ramalho e Cláudia Saunders. In: Revista de Nutrição. Campinas, 13 (1): 11-16, jan./abr. 2000; p. 11.

Redação PUC-PR 2009

TEXTO I
ALIMENTOS QUE PASSARAM DE VILÕES A MOCINHOS

Enquanto a ciência tentava comprovar a parcela de culpa da alimentação nos problemas de saúde, uma lista crescente de alimentos ia para o "banco dos réus" e para fora dos pratos de muita gente. Foi dessa forma, por exemplo, que o ovo virou inimigo número 1 de quem precisava reduzir o colesterol e o café, um veneno para quem sofria de gastrite.

Felizmente, os avanços nos estudos, nos últimos anos, mostraram que certos "vilões", além de saborosos, são, na verdade, mais mocinhos do que aparentam. Não apenas porque se descobriu que esses alimentos também apresentam nutrientes que fazem maravilhas ao organismo. Mas, especialmente, pela comprovação de que o verdadeiro perigo está na forma como se come - e não necessariamente no alimento que é consumido.

Fonte: http://saude.terra.com.br . Acesso 24.out.2008

 TEXTO II

OS RISCOS DOS LANCHINHOS RÁPIDOS FORA DE CASA

Quando estamos com fome, andar pelas ruas pode ser um perigo. Isso porque há várias opções de comida, para todos os gostos. É carrinho de pipoca de um lado, de milho verde do outro. Sem falar em trailers de cachorro-quente e churrasquinho na chapa. Nas praias e nos ônibus, as ofertas vêm diretamente até nós pelas mãos de vendedores ambulantes.
Quando a tentação é grande, é preciso resistir e não se deixar levar apenas pela aparência dos alimentos. "Ao optar por comprar comida na rua, corremos o risco de ingerir alimentos sem qualidades nutricionais, e, pior, que podem estar contaminados", alerta a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com a leitura dos dois TEXTOS, redija a sua redação (um texto narrativo) sobre como é geralmente a alimentação do brasileiro.

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