Romantismo no Brasil

a) Datas

  • 1836: publicação da obra Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães - início do Romantismo no Brasil.
  • 1881: publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis - início do Realismo no Brasil
  • publicação de O mulato, de Aluísio Azevedo - início do Naturalismo no Brasil.

b) Contexto histórico

Em 1808, ocorre a vinda da família real para o Brasil, onde permaneceria até 1821; esse fato teve como consequências diretas:

  • a abertura dos portos;
  • a criação da Imprensa Régia;
  • a fundação do Banco do Brasil;
  • a criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios etc.

Em 1822, a Independência provoca um clima de euforia e ufanismo patriótico, e as Arte refletiram essa clima na exaltação da pátria, da terra, da gente e da natureza brasileira. De 1822, a nação passa por várias mudanças:

  • 1822 a 1831 - Primeiro Reinado;
  • 1831 - abdicação de D. Pedro I;
  • 1831 a 1840 - Período Regencial;
  • 1835 a 1845 - Guerra dos Farrapos;
  • 1840 - Proclamação da Maioridade de D. Pedro II;
  • 1841 - Sagração e Coroação de D. Pedro II como Imperador do Brasil;
  • 1841 a 1889 - Segundo Reinado:
  • 1841 a 1851 - fortalecimento do regime e pacificação do país;
  • 1850 a 1889 - estabilidade política e intervenções militares em países vizinhos;
  • 1864 a 1870 - Guerra do Paraguai;
  • 1870 - início do processo de decadência do Império - Proclamação da República em 1889.

c) As Três Gerações Poéticas do Romantismo no Brasil

A Primeira Geração Romântica no Brasil é chamada Nacionalista ou Indianista e tem como características a exaltação da natureza e da pátria, do herói, a volta ao passado remoto, a religiosidade e o platonismo amoroso. A ela pertencem Gonçalves Dias e Gonçalvesde Magalhães.

A Segunda Geração é a Ultra-Romântica ou Byroniana; são características dela a presença do "Mal-do-Século" (tédio, morbidez, satanismo), o pessimismo, o negativismo e o erotismo irrealizado. O maior representante dessa geração é Álvares de Azevedo, seguido por Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.

A Terceira Geração, Condoreira ou Social, tem temática predominantemente social e política, como o abolicionismo e o republicanismo, a exaltação da liberdade, do progresso e o sensualismo amoroso. O maior representante é Castro Alves.

Gonçalves Dias

Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Maranhão (1823) e morreu no naufrágio do navio Ville de Boulogne, na costa maranhense em 1864. Mestiço, estudou Direito em Coimbra, com grandes dificuldades econômicas. Em 1844, volta ao Brasil e dedica-se ao jornalismo e ao magistério como professor de Latim e História no Colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro. Faz viagens à Europa, como representante do governo brasileiro e em 1863, já com a saúde abalada, volta ao continente europeu, em busca de tratamento; morre na volta, no naufrágio do navio em que viajava.

Gonçalves Dias escreveu poesia, teatro, historiografia, um dicionário da língua tupi; merece destaque a sua poesia, uma das maiores do nosso Romantismo, grande parte dela dedicada ao grande e frustrado amor de sua vida, Ana Amélia do Vale.

Sua poesia marca-se, entre outras, pelas seguintes características:

  • grande expressividade no ritmo;
  • riqueza temática - assuntos variados - diversos tipos de poesia:
  • poesia indianista - exaltação dos costumes, da coragem e das tradições indígenas; destaque para os poemas: “I - Juca Pirama”, “Leito de folhas verdes” , “Marabá”, “Canto do Piaga” , “Deprecação”.
  • poesia lírico-amorosa - platonismo, dor pela renúncia à felicidade; o amor como razão de vida; destaque para os poemas “Ainda uma vez — Adeus!” , “Se se morre de amor” e “Olhos Verdes.
  • poesia saudosista - idealização da pátria e da natureza; destaque para o poema “Canção do Exílio”, imitado e parodiado por vários poetas posteriores.
  • formação de uma temática de cunho nacional - fixação na terra, na natureza, no homem (índio) brasileiros;

Conjunto de obras - poesia:

  • Primeiros cantos
  • Segundos cantos
  • Últimos cantos
  • Cantos
  • Os Timbiras
  • Sextilhas de Frei Antão
  • teatro: Leonor de Mendonça

Texto escolhido:

Ainda uma vez — Adeus!
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II

Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III

Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp’rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV

Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

[...]

Sumário

- Romantismo no Brasil
i. Datas
ii. Contexto histórico
iii. As Três Gerações Poéticas do Romantismo no Brasil
- Gonçalves Dias
- Álvares de Azevedo
- Castro Alves
- Outros poetas do Romantismo Brasileiro
i. Casimiro de Abreu
ii. Fagundes Varela
iii. Junqueira Freire
- José de Alencar
- Bernardo Guimarães
- Visconde de Taunay
- Franklin Távora
- Manuel Antônio de Almeida
- O teatro de Martins Pena
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