Arcadismo

O Arcadismo foi uma escola literária que surgiu na Europa no século XVIII. O Arcadismo, também denominado Setecentismo ou Neoclassicismo, foi influenciado pelo Iluminismo e pelo progresso tecnológico e científico.

O Arcadismo: Setecentismo ou Neoclassicismo

1. Datas

a) Portugal:

  • 1756: fundação da Arcádia Lusitana - início do Arcadismo em Portugal.
  • 1825: publicação de Camões, de Almeida Garrett - início do Romantismo em Portugal.

b) Brasil:

  • 1768: publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa - início do Arcadismo no Brasil.
  • 1836: publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães - início do Romantismo no Brasil.

2. Contexto histórico

A Europa vive o Século XVIII dos grandes pensadores, como Voltaire, Diderot, Rousseau e outros, o chamado "Século das Luzes" , do Iluminismo e da Ilustração, que acreditava que "a razão é a fonte de todo o conhecimento". É um período de valorização do racionalismo e da concepção científica do mundo; há o desejo de uma revolução baseada no progresso do conhecimento humano, que determinaria:

  • a igualdade dos homens perante a lei;
  • a liberdade de expressão e culto;
  • a proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.

Paralelamente ao desenvolvimento científico, há o despotismo esclarecido, forma de governo que pressupunha a aliança entre o poder monárquico e os princípios filosóficos.

Portugal passa por nova fase de prosperidade econômico-social, determinada pelo incremento da indústria têxtil e da exportação do vinho do Porto, além dos lucros com a mineração do Brasil; a nação respira um verdadeiro clima de efervescência cultural. Durante o reinado de D. José I, seu ministro, o Marquês de Pombal, promove uma série de medidas modernizantes:

  • submissão dos jesuítas na educação e importação de professores estrangeiros;
  • reformas na lei e no Direito;
  • reconstrução racionalizada de Lisboa, após o terremoto de 1755.

No Brasil, o ciclo da mineração determina a mudança do polo econômico do Nordeste para o Sudeste, principalmente Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há o surgimento de uma sociedade urbana mais complexa em Minas Gerais, com a estabilização de uma sociedade culta, formada por funcionários da Coroa, mineradores, magistrados e comerciantes. Portugal torna mais severa a fiscalização dos impostos e aumenta as taxas tributárias, o que provoca as primeiras rebeliões nativistas, como a Revolta de Vila Rica e a Inconfidência Mineira. Nota-se, dessa forma, a existência de um caráter mais reivindicatório na colônia.

3. Características gerais do Arcadismo

O Arcadismo é a estética da simplicidade; assim, sua primeira característica é, justamente, a oposição aos exageros do Barroco. Esse gosto pela simplicidade acabou por determinar as outras características, como a busca do convívio com a natureza, conhecido como bucolismo, e o desejo de imitar a vida dos pastores que vivem humildemente no campo tangendo seu rebanho; essa característica é o pastoralismo. A natureza aparece sempre perfeita na poesia árcade: ela é convencional, estática, decorativa, o lugar ideal.

Esse ideal de vida serena, sem conflitos, leva o poeta a imitar a natureza em sua arte: a arte deve ser, de acordo com a "mimese" de Aristóteles, a imitação racional da natureza. Assim como os renascentistas, os árcades pregam uma modo hedonista de viver, ou seja, a vida deve ser aproveitada, os prazeres terrenos devem ser fruídos intensamente, já que "o tempo passa e nada fica como é".

A fim de identificarem-se ainda mais com os pastores, os poetas adotam pseudônimos pastoris para si e para suas musas. Isso acaba por tornar a poesia árcade uma poesia superficial, um tanto forçada por causa do fingimento poético.

O racionalismo, o equilíbrio, a retomada dos ideais clássicos de arte, como a valorização da mitologia, o paganismo, complementam o conjunto das características do movimento, cujo nome remonta à Arcádia, região do Monte Olimpo na mitologia, habitada por pastores que viviam em amenos idílios campestres com suas ninfas, governados pelo deus Pan.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Manuel Maria Barbosa de Bocage nasceu em Setúbal (1765) e morreu em Lisboa, em 1805; usava o pseudônimo pastoril de Elmano Sadino.

É considerado um dos três maiores sonetistas da Língua, ao lado de Camões e Antero de Quental. E, como Camões, teve vida tumultuada: desilusões amorosas, viagens, deserção do exército, prisão, morte na pobreza. Escreveu obra lírica e satírica, esta última constituída, principalmente, de crítica ao poder.

Bocage é, sem dúvida, o maior poeta do Arcadismo em Portugal, mas não é o mais representativo, porque o melhor de sua poesia encontra-se na fase pré-romântica, que corresponde ao período pós-prisão.

Deixou as obras: Idílios marítimos, Rimas e Sonetos completos (póstuma).

Sua poesia lírica, dividida em duas fases, pode ser assim esquematizada:

a) primeira fase: fase árcade

  • maior incidência de regras e padrões árcades;
  • artificialismo poético: culto do Fingimento e da Dependência - esta fase segue os padrões do Arcadismo;
  • presença de imagens mitológicas e clássicas.

b) segunda fase: pré-romântica

  • poesia de tom confessional: arrependimento do passado, tensão dramática, autoanálise;
  • subjetivismo, forte presença do "eu";
  • pessimismo, fatalismo, sofrimento moral;
  • presença da morte, poesia noturnal;
  • considerada a fase mais importante de sua produção poética, razão por que é visto mais como poeta pré-romântico do que árcade.

c) Textos escolhidos

Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos, pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania:
Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.

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Ânsias terríveis, íntimos tormentos,
Negras imagens, hórridas lembranças,
Amargosas, mortais desconfianças,
Deixai-me sossegar alguns momentos:
Sofrei que logre os vãos contentamentos
Que sonham minhas doidas esperanças;
A posse de alvo rosto, e louras traças,
Onde presos estão os meus pensamentos:
Deixar-me confiar na formosura,
Cruéis! Deixai-me crer num doce engano,
Blasonar de fantástica ventura.
Que mais mal me quereis, que maior dano
Do que vagar nas trevas da loucura,
Aborrecendo a luz do desengano?

Sumário

- Setecentismo: O Arcadismo ou Neoclassicismo
i. Datas
ii. Contexto histórico
iii. Características gerais do Arcadismo
- Manuel Maria Barbosa du Bocage
- Arcadismo no Brasil
i. Cláudio Manuel da Costa
ii. Tomás Antônio Gonzaga
- Poesia Épica
i. Basílio da Gama
ii. Santa Rita Durão
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